E Janelle Monáe lacrou 2018.

Ao elencar todas as qualidades de Janelle Monáe corro o risco de esquecer de alguma, mas lá vão elas:

Ótima cantora: com um timbre que vai do agudo ao médio com muita firmeza e personalidade.

Eximia dançarina: corpo escorregadio, ágil que se move com a perfeição e a naturalidade de outros craques do movimento e da canção.

Linda: dio mio, que moça linda. Além de linda, é estilosa e elegante;

Criativa e ousada: não basta só lançar um album, de quebra veio com um mini filme de 48 minutos, misturando música como uma trilha de fundo para um Sci-fi sobre pessoas diferentes expurgadas de uma sociedade num futuro distópico.

Há muito tempo não surge no universo pop, alguém tão determinada e com tantos talentos naturais como ela.

Janelle já tem carreira de gente grande, álbuns e canções de gente grande e até aqui nenhum vacilo musical nas costas.

Com sua tenra idade, essa moça do Kansas de 32 anos chega ao seu ápice criativo. Com seu terceiro álbum Dirty Computer, ela vem com os dois pés no peito e mostrando que o que era bom, ficou melhor, mais séria e mais dona do seu trabalho.

Participando ativamente das composições e da produção, Dirty Computer é um luxuoso e potente exemplar de soul-pop moderno, urbano e feito dentro de seu tempo e espaço.

Ouso comparar esse trampo dela a Prince no auge (ali pelo Sign o’the Time), Madonna com seu Erotica ou com o Outkast em Speakerboxx/Love Below justamente por conter elementos comuns a essas três obras primas que é a incrível capacidade de fazer pop, soul, e electro encapsular o presente e o momento e transforma-lo em som e em arte.

Juntamente a essas obras, Dirty é um disco que pertence ao seu tempo atual, que é o final dos anos 10 do século XXI, assim como foram igualmente impregnados em seus períodos, os álbuns de Prince (80s), Madonna (começo dos 90) e Outkast (começo do anos 2000).

Graças as tecnologias disponíveis para se produzir um álbum em grande nível e a sua bagagem, Monáe entrega um petardo quente e maravilhoso, que supera o seu já brilhante mas pouco ouvido The Archandroid (2010).

Só pra esbanjar, a moça conta com participações especiais de Brian Wilson (fazendo seus vocais agudos lindos na faixa de abertura, Dirty Computer), Pharrell Williams em I Got The Juice, Grimes em Pynk e ainda uma palhinha de Stevie Wonder numa vinheta não creditada.

Como tudo na música pop atual, ninguém faz mais nada sozinho, o álbum tem 9 produtores espalhados pelas 14 faixas, ficam 10 se contar a própria Monáe.

O risco de tanta gente pra produzir, é de que o disco poderia ficar com muitas sonoridades diferentes e perder a identidade, mas isso está longe de acontecer aqui.

Transitando sob influências de funk dos anos 80 em Make Me Feel, pop eletrônico dos anos 2000 em Screwed e Take a Byte, guitarras e ambiências a la Mike Oldfield na faixa So Afraid, rap em I Got The Juice e Django Jane, o álbum traz aquela sensação de se ouvir algo muito especial e que todo o mundo que é fã de musica pop espera ouvir num álbum desses.

A faixa de abertura com Brian Wilson é no mínimo ousada, se for pensada como opção comercial, mas é um acerto na mosca. Aproxima a tradição vocal norte americana com um mundo moderno que permite “apropriações” de diversas culturas para criar algo novo, além de render um casamento vocal inusitado e bonito.

Agora o creme mesmo está na deliciosa Make Me Feel, canção que faria o Prince levantar do tumulo para aplaudir. Batidas secas, vocal que começa abafado e vai crescendo, quebras de ritmo combinadas com uma dinâmica esperta que faz dançar, ouvir, prestar atenção, estalar os dedos, quase tudo ao mesmo tempo.

Janelle lacrou no melhor sentido. Espirito certo, discurso certo, visual certo. Realmente é difícil imaginar que possa aparecer outro álbum pop tão bom quanto esse nesse ano.

 

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Discos de 1998 que não Envelhecem.

Um grande amigo, Igor Oliveira, tem com outros chapas um programa no YouTube chamado Feio Forte & Formal Show em que 4 rapazes barbados já vividos comentam sobre diversos assuntos ligados a música, cinema, cultura pop e etc. O link está aqui:

https://www.youtube.com/channel/

Apesar do programa ser muito longo (quase duas horas), os rapazes esbanjam conhecimento e bom humor pra tratar desses assuntos.

Bem, nesse ultimo episódio exibido ontem, eles trataram de álbuns importantes lançados em 1998, e suas ligações afetivas com eles e a primeira coisa que salta aos olhos ou aos ouvidos é: que período fantástico para quem era fã de disco!

Algumas bandas estavam no seu auge criativo e lançaram álbuns espetaculares: Beastie Boys com Hello Nasty, Smashing Pumpkins com Adore, Jon Spencer Blues Explosion com Acme e Afghan Whigs com 1965, outras estreavam quebrando a banca, como o Air e seu Moon Safari e Lauryn Hill com seu multiplatinado The Miseducation of.., e outras mais veteranas lançavam bons discos como Rocket From The Crypt, Fugazi e Orbital. Todos esses ficaram de fora da listinha dos meus melhores de 1998… vai vendo.

Num mundo pós-Ok Computer, ficou difícil agradar a mídia especializada. Tudo tinha que ser muito elaborado, diferente e fora do comum. Apenas fazer boas canções já não bastava mais, assim muita coisa boa passou batida pelas “listas”, mas não saiu dos corações de seus fãs truzeras!

Lembro que foi um ano que acompanhei de ponta a ponta, consumindo muito os discos dessa época quase semana a semana. Sim, foi uma bom momento para ser Nerd musical, realmente os lançamentos valiam a pena.

Inspirado por esse programa dos amigos barbudos, resolvi listar meio sem ordem de preferencia, quais são os meus favoritos daquele grande ano:

Bob Dylan – Live 1966 At Royal Albert Hall: Mesmo não sendo um álbum feito em 1998, ele só viu a luz do dia em 1998. Causou comoção, principalmente por ser um documento importante de um período explosivo do senhor Zimmerman. O artista fazia a transição entre o folk e rock e desagradou muitos fãs puristas (no video acima dá pra ouvir o bate-papo de Dylan com um ex-fã). O momento do embate de Dylan com a plateia é absolutamente memorável e algumas das mais explosivas versões do repertório dylanesco estão nesse play.

 

Delgados – Peloton: A Escócia teve um período de ouro nesse ano com artistas importantes e uma bela “cena” dentro do mundo indie: Belle & Sebastian, Mogwai, Arab Strap, dentre outros. De uma ótima banda de guitar rock, o Delgados virou uma grande viagem psicodélica com nuances de rock, e excelentes composições. Uma das minhas favoritas desse período.

 

Mercury Rev – Deserter’s Song: Acabou virando o “sucessor” do Ok Computer no coração do jornalismo indie mundial. Banda americana muito foda, que começou barulhenta, violenta e intensa que passou pelo raio “progressivo-radiohead” e manteve uma intensidade junto a um lirismo e tons viajantes que caiu como uma luva no período. Ganhou como disco de ano em diversas publicações, hoje ficou meio datado, mas continua muito bom.

 

Massive Attack – Mezzannine: Talvez o melhor e mais completo resumo do ano. O Massive Attack em seu supra sumo. Saindo do seu “padrão” trip hop, o trio de Bristol incorporou no seu som, tons de gótico, o grave do Dub eletrônico, nuances de “perfect Pop”, orquestras bizarras setentistas e criou uma nuvem sonora imbatível. Ainda hoje, é um disco assustadoramente lindo.

 

Pulp – This is Hardcore: O disco flopou na época. A expectativa em torno de Jarvis Cocker e sua trupe era muito grande, Different Class, seu álbum anterior de 1995 foi um dos mais importantes registros sonoros da decada e supera-lo não seria uma tarefa fácil. This Is Hardcore é mais completo e até mais bonito que Different Class em grande parte do álbum. A linha do álbum é uma espécie de cabaré indie, tipo Morris Albert com David Bowie, canções dramáticas e algumas das letras mais inacreditáveis dessa década.

 

Hole – Celebrity Skin: O álbum foi muito bem de público e passou sem cicatrizes da feroz critica musical patrulheira da época. Hoje, Celebrity soa muito melhor que na época. Disco simples de rock com excelentes canções, muito bem estruturadas e feito para tocar para grandes plateias. Courtney definitivamente não vivia na sombra do ex-marido falecido, tinha personalidade e entregava uma interpretação esforçada e muito convincente, de quebra, tem algumas das canções mais sorridentes e deliciosas daquele ano como Heaven Tonight e Malibu.

 

Elliott Smith – XO: Mais um pra lista de artistas que “Deveriam ter sido muito maiores do que foram”. Brilhante compositor, excelente interprete de suas musicas, baita violinista. Tudo certo! Tinha feito dois álbuns incríveis e estreava por uma Major. Produção esmerada, canções suaves, bonitas e vários hits potenciais. Elliott fazia ombro com outros bardos do passado como Nick Drake e Tim Buckley, sem o niilismo do primeiro e sem o gogó do segundo, Elliott estava no meio do caminho. E por lá ficou. Na época o disco não foi tão bem recebido, mas ganhou reconhecimento tardio.

 

The Ghastly Ones – A-Haunting We Will Go-Go: Esse deve ter sido um disco que só eu e mais uma meia dúzia de malucos ouviram na época. Mistura de surf music com temas de filmes B de terror. Hoje o disco é uma raridade, com tendências a virar um “semi-cult” dentro em breve.

 

Pj Harvey – Is This Desire?: O disco é ótimo, continua sendo ainda hoje, mas na época não sei o que a tal “mídia” queria que ela fosse, pois o álbum passou despercebido por todos. Grande injustiça, esse play estabeleceu a PJ como a artista de rock mais “adulta” da década. O salto de maturidade musical foi enorme e abriu caminho para que ela produzisse duas obras-primas de sua carreira na sequencia: Stories From The City, Stories From The Sea (2000) e Uh Huh Her (2004).

 

Quasi – Featuring “Birds”: Bandinha de festinha. Dupla formada por dois músicos de Portland, dentre eles Janet Weiss, batera do Sleater-Kinney. Canções incríveis, very “indie rock” antes do gênero virar um bumba meu boi. Guitarras ardidas, fofura suficiente pra não estragar o som e agradar aos boys e as girls do rock.

 

 


E o Arctic Monkeys finalmente Loshermanizou seu Som!

 

E esse dia parece que acaba chegando pra toda a banda indie, e dessa vez a nova banda a ingressar ao processo “Los Hermanizador” foi a ultra consagrada Arctic Monkeys em seu sexto e recém lançado Tranquility Base Hotel & Casino.

Antes de mais nada, isso não necessariamente é algo muito ruim, pelo menos não foi pros Monkeys.

Nada melhor do que ouvir com tempo antes de emitir uma opinião, pois em tempos de velocidades ultra de informações e opiniões onde tudo o que vc posta e escreve vira verdade, tudo tem que estar definitivamente definido, pensado, triturado, transformado e digerido quase ao mesmo tempo em que o disco sai, então um pouco de calma nessa hora é sempre a melhor saída.

Explicações complexas sobre a nova sonoridade dos Macaquitos do Ártico que pipocaram por ai, fariam inveja até aos próprios integrantes, que aposto que nem pensaram em tanta coisa pra chegar no resultado do novo álbum.

E o que vem a ser esse efeito “loshermanizador”?

Mais ou menos o seguinte: é aquele momento em que você consolida um som (bom, ruim, médio, não importa), cria um conjunto de informações sonoras que marcam sua obra e fazem com que seja identificado a distância e no meio da multidão de outros artistas como único, mas em algum momento voce se cansa dessa Tag e resolve dar uma mexida radical (tipo tocar guitarra que nem cavaquinho, teclado Moog que nem sanfona, fazer bumba meu boi com sequenciadores, por ai).

Uso o exemplo do quarteto carioca que chegou a um padrão sonoro indie raro (não que eu goste), com o Ventura e no álbum seguinte resolveu seguir um caminho oposto com o álbum 4. Que agradou um monte de gente por sinal e que desagradou outro tanto.

Outros artistas já “loshermanizaram” até antes do Los Hermanos existir: Legião com o álbum V, Metallica com Load, U2 com Pop, Radiohead com Kid A e por ai vai. A lista é grande.

Muitas vezes, se afastar do seu padrão pode ser bom para o artista que já está com a sonoridade padrão meio mais ou menos, e no caso deles, vem em boa hora.

Os últimos dois plays do Arctic Monekys são exercícios tediosos de indie atual, em especial o ultimo AM, que foi o mais bem sucedido disco no segmento “indie” nessa década (vai entender), mas é chato que dói!

Assim, o novo álbum cai como um alivio para meus ouvidos (não continua a pegada porcaria do AM e tão pouco do mediano Suck It And See, que tem boas ideias, mas dá sono da faixa 6 pra frente.)

Pra ser sincero, nunca fui um grande entusiasta de Arctic Monkeys, nem quando eles eram “bons”! Que é lá no começo da carreira deles, na época dos 2 primeiros discos: Whatever People Say… (2006) e Favorite Worst Nightmare (2007).

Com tudo isso, quero dizer que nas primeiras duas audições distraídas desse play, me agradou mais do que esperava, o que não era muita coisa também.

Tem até algumas músicas que passam como boas mesmo, com ótimos achados melódicos e de arranjo como Batphone, One Point Perspective ou Four Out of Five.

Lembra muito o prog pop do Camel dos anos 80 em alguns momentos, ou a virada para o pop eletrônico que o Mike Oldfield fez nos comecinho dos anos 80 também.

Como tenho gostado de ouvir sons assim e desse período, parece que esse novo do Arctic caiu gostosinho.

Talvez não seja o que os fãs de indie queiram ouvir hoje, mas tenho a impressão que esse talvez tenha sido o disco certo na hora certa. Ambient rock para acompanhar uma Era chata, retrograda e ao mesmo tempo repleta de “lacrações” nos discursos e “exageros” e padrões musicais horrorosos que parecem não ter fim.

Semelhante ao mundo que existia em 1980 e poucos: guerra fria ainda ativa mas mais fria que outrora, polarização política, radicalismos, intolerâncias, pretensas novas soluções para todos os problemas do mundo, padrões musicais no pop estacionados numa sonoridade única, etc e etc…

Tranquility vem absolutamente na contramão, oferecendo um travesseiro e uma colchinha quentinha sonora sem sobressaltos e extremamente adulto na abordagem e na condução, o que faz o Arctic ganhar muitos pontos aqui em casa.

E convenhamos, pros dias de hoje tá bom demais!


Las Vegas é o tumulo do Rock!

O Lollapalooza18 me inspirou pro bem e pro mal a parir um monte de posts reflexivos sobre os dias atuais em nossa querida música pop dita “alternativa”, que de “alternativa” não tem é nada faz uma dezena de anos.

Desde questionamentos do tipo: Que Porra é Dj Snake ou Dillon Francis? Ou Era Pra ser legal o playback da Lana Del Rey? Ou Será que o Mundo Ainda tá Pronto pra Encarar um David Byrne de Frente? Ou Será que Pearl Jam e Red Hot viraram o Deep Purple e o Stones dessa geração?

Muitas perguntas, mas levando em conta que dos 4 ou 5 headliners da edição brazuca desse ano, dois são de Las Vegas, parece que todos os caminhos me levaram a insana cidade dos jogos e dos sonhos e do que de pior se fez e se faz no rock desde sempre.

A primeira imagem que vem a mente quando penso em Vegas é o Elvis decrépito, gordo, detonado, tocando um repertório pavoroso para uma plateia patética.

Curiosamente é sempre esse Elvis que seus imitadores ao redor do mundo pegam pra “homenagear”.

Até porque, quero ver quem seria homem suficiente pra imitar o Elvis dos anos 50, no gingado, na malicia e na voz.

Anyway, voltando ao ponto do post:

Las Vegas não tem nada de rock and roll.

A cidade é cafona, os cassinos são cafonas e as pessoas que vivem e vão pra cidade são bregas e cafonas nível Amaury Jr. e Rammy!

Não consigo pensar algo mais jacu que gastar dinheiro e ir pra Vegas (se bem que hoje considero Dubai ou Punta del Leste, outros dois destinos igualmente pavorosos).

Culturalmente a cidade só serviu de pano de fundo para filmes de gangsters (alguns bons, a maioria meia boca) e pra enterrar a carreira da maioria dos artistas que iniciam suas “temporadas” de shows por lá.

Só pra dar alguns exemplos: Celine Dion e Britney Spears estão por lá faz um tempo e curiosamente, há muito tempo não tem mais relevância alguma no universo pop mundial.

Não bastasse a cidade ser berço de bandas ruins, essas bandas fazem um sucesso mundial absurdo! Se ficassem só por lá, beleza, mas quando expandem seus limites e batem aqui no nosso quintal, aí é pra não deixar barato.

Las Vegas é o tumulo do rock e abaixo listei em ordem de medonhice, as piores coisas que vieram da cidade “Brega-Luz”:

 

  1. The Killers – A banda é bem mediana, em todos os sentidos, mas acertaram em pelo menos 5 hits irresistíveis, e só não ocupa lugares mais acima do ranking, porque fizeram Bones e When We’re Young, duas das melhores canções dos anos 2000. No mais, o Killers tentou recriar o rock-pop de arena ruim do Boston e do Asia.

 

  1. Five Fingers Death Punch – difícil definir a suruba desgracenta dessa porcaria, mas me lembra o Nickelback nos piores momentos, com o System of Down sem punch e mais um monte de neo-rock cheio de mensagens puras para o “povo americano”… quer um exemplo lindo: ouve essa versão de Offspring e vc vai começar a sentir uma saudade danada das bandas ruins dos anos 90.

 

  1. Escape The Faith – Essa e uma banda que me faz sentir saudades do Quireboys e do Poison. É quase um neo-farofa! Quase uma nova versão do “HairRock” dos 80s. Poser até o topo, imagino um monte de gente tatuada que vai adotar o som dessa porcaria como seus novos favoritos. Me dá ânsia só de pensar nisso…

 

  1. Panic! At The Disco – Essa já é ódio antigo, foi horror na primeira ouvida e o asco só continuou ao longo dos anos. Graças a artistas como Panic, Fall Out Boys e My Chemical Romance, o rock começou a bater pino, bico do avião pro solo. Fim dos tempos. O Panic faz tudo errado com coisas que adoro (adoro um som fru-fru vez ou outra, mas aqui eles pegam o pior aspecto), teatral (no Alice Cooper funcionou, no Marylin Manson funcionou, com o Panic parece uma sobra do circo Vostok) e por fim “punk pop?”, sem comentários. Enfim, não tem nem uma música boa e ainda tão por ai amedrontando a inteligência alheia entregando música de moleque em corpos envelhecidos. Patético.

 

  1. Imagine Dragons. O post foi só pra chegar a eles. Desde que surgiram eu não consegui entender como seres vertebrados conseguem gostar deles, assim como não consigo entender como tem gente que acha que a pessoa ser homossexual é porque é doente, e tão pouco quem acha que Bolsonaro deve ser presidente (Rimou!). Enfim, fato é que a banda já está no 3o ou 4o álbum e continua arregimentando uma multidão por onde passa. Há 20 anos, quando você queria ofender alguém ou alguma banda, bastava dizer que eles faziam um som pra “publicitário”, assim atualizando para os dias atuais, acho que o ID faz um som pra “designers thinkers” ou para “protagonistas da indústria 4.0” que trabalhem em empresas arejadas, com pufs e Coca Cola a vontade para todos (menos o pessoal da limpeza e segurança, que são terceirizados).


E tu sabes quem é Johnny Greenwood?

Já deixei de acompanhar o Radiohead há uns 5 álbuns, e pelo jeito, a grande massa indie histérica que sempre puxou um bonde pelo quinteto de Oxford também já começa a diminuir.

Há fofocas de bastidores que informam que a venda de ingressos para o show aqui em Abril estão “flopando”, sinal que a banda já não arrasta tantas multidões quanto outrora.

A “possível” falta de interesse somado a discos cada vez menos interessantes que o Radiohead solta, pode ser uma ótima oportunidade para outros membros da banda que não sejam o Thom Yorke mostrarem sua cara.

E nisso entra nosso “Joãozinho Varaverde”.

O guitarrista britânico deveria levar tanto crédito das mudanças radicais da banda e principalmente pela fase em que eles ainda usavam guitarras como instrumentos guia do que normalmente leva.

Além de exímio guitarrista e criativo arranjador, Joãozinho tem se enveredado pela área do terreno árido e cheio de oportunidades das trilhas cinematográficas.

Por que é terreno árido?

Basicamente porque tudo o que se faz nessa área tem sido mais ou menos igual há uma década. De barulhos enfadonhos, pomposidade infatilóide com uma pobreza harmonica e nenhuma tentativa de boas melodias.

Essa escola de trilheiros a la Hanz Zimler, Alexander Desplat e mesmo o falecido Jóhann Jóhannsson seguem um padrão chatissimo e que se tornaram quase uma fórmula, tanto para Blockbusters quanto para filmes de nicho, sejam europeus ou americanos de baixo orçamento.

Johnny chega fresco, cheio de boas ideias e isso tem o ajudado a construir trilhas pra lá de especiais em filmes igualmente especiais.

Desde 2007, ele tem cuidado da parte musical dos filmes de Paul Thomas Anderson, seguramente o melhor diretor de cinema em atividade no mundo hoje.

A parceria começou no especial Sangue Negro, trilha percursiva e vertiginosa, que praticamente dita o ritmo do filme ou acompanha na pinta o ritmo desse filmaço.

Trilhas ótimas que ele fez para O Mestre e Vicio Inerente pareceram ser treinos para o “tour de force” que viria a aparecer ano passado para Trama Fantasma.

Enveredado em música clássica contemporânea, misturada a rock avand-guarde e jazz cabeça, Johnny segue o baile da proposta de P.T.A. e dá uma guinada surpreendente nessa nova trilha.

O salto dado por Joãozinho é (com o perdão do trocadilho infame) assombroso!

O filme Trama Fantasma se passa ali no meio do século XX, e marca mentalmente e afetivamente um fim de uma era de classe vitoriana e mostra a relação de amor e posse entre um famoso alfaiate especialista em vestir realezas e a elite inglesa com uma humilde, mas determinada garçonete interiorana.

Essa historia de “amor” é pontuada lindamente pela música de Johnny e nos guia de forma inteligente e sensível por esse terreno clássico e de costumes rígidos e tradicionais.

Um dos muitos pontos altos do novo filme de Paul T.A. é sem dúvida a música, tanto os temas originais compostos pelo guitarrista, como a delicada e precisa escolha de peças de Berlioz, Debussy e John Adams.

Johnny entrega composições de rara beleza e que ombreiam com os mestres desfilados na trilha.

Outra qualidade rara de se ouvir hoje dentro da música clássica contemporânea, (alias, mais um terreno baldio árido, onde nada novo acontece há um tempão) é sua capacidade de criar melodias secas e bonitas, que trazem um cheiro do passado, mas estão ligadas a grama de hoje.

Seu estilo próximo a Messiaen ou nas obras mais suaves de Ligeti ou Debussy, Johnny mostra talento para melodias e experimentações, já que o rock, em especial o indie rock já estão mortinhos da silva, o guitarrista apronta novos caminhos pra continuar na música sem depender tanto dos shows do Cabeça de Rádio.

A trilha de Trama Fantasma é linda, tirada fora do contexto do filme é música grandiosa pra se ouvir numa viagem ao campo, acompanhando um dia de trabalho ou no silêncio de um dia de semana em que trabalhar em casa quietinho faz um sentido danado.

 


Sim!!! Há Esperança no Ar!

Fazia aproximadamente uns 20 anos que eu não ficava tão empolgado com bandas e artistas novos como eu tenho andado atualmente!

Essa onda de otimismo que pode ser confundido com gaguice e identificado através de possíveis babas ao lado da boca e níveis de senilidade surgindo ali no horizonte cada vez mais próximo não atrapalham em nada, acreditem!, a visível e “ouvível” qualidade que esses artistas e bandas jovens apresentam é realmente especial, não se ouve toda a hora, e se não confiares em meus escritos, use seus ouvidos pra tirar a prova dos nove.

Lá no Sul de Londres vem duas bandas pra deixar seu dia e sua vida muito melhores:

Banda: Shame

Album: Songs Of Praise

Primeiro play do quinteto londrino lançado em janeiro desse ano já entra pra lista de favoritos de 2018 pelo simples fato de conseguir unir duas coisas que não se ouvia há tempos: bom rock com letras politizadas. Seguindo a boa tradição baderneira de um The Fall ou Half Man Half Biscuit, mas ouvindo com mais atenção me lembra um pouco as guitar bands final dos 80, tipo Family Cat, That Petrol Emotion, Midway Still (saca?). A banda tem aquela boa pegada roqueira inglesa daquele período dos anos 80 em que o pais tava num atoleiro de Era Tatcher e une maturidade e inconsequência. Como? Com um discurso direto contra o que de fato oprime um underdog com um pouco de cérebro e simancol (opressão, repressão, tempos reacionários e intolerantes, por ai vai). Outra boa noticia, o LP já está esgotado, ou seja, tem uma galera já atrás deles. Vida longa ao Shame!

Não bastasse as musicas dos caras serem boas, eles revelam o extremo bom gosto pra covers, acompanhe esse video de suas sessões pela BBC até o final e prepare-se para abrir aquele sorriso.

Banda: Madonnatron

Album: Madonnatron

Também do sul de Londres, mas esse disco saiu em 2017. Minas que lembram 4 Courneys Love, ou um L7 atualizado e menos rock mas nem por isso menos bom. Seguindo a trilha aberta pelo Savages, o Madonnatron tem tudo pra seguir um bom caminho se não se cansarem e ficarem pelo meio do caminho.

Não bastasse tudo isso, ainda tem musica nova da Courtney Barnett, e todo o mundo que ainda tenta achar coisa nova boa e parou de se contentar com essa horde horrorosa de indie pop bands imitadoras de Killers e Coldplays da vida tem na anti-musa australiana, a perfeita resposta pra quem ama o guitar rock 90s e andava meio saudoso, torcendo pra que alguém conseguisse superar os diques que separam bons artistas na margem e possam chegar num público maior, e quem sabe recolocar as coisas nos seus devidos eixos. Sonhar não custa né?

E viva o Roque!


O Fim da Guitarra Está Chegando!

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Não, não se trata de uma apologia catastrófica a la fim do mundo.

Isso é real, está rolando!

Assim como o Aquecimento Global, a imbecilização coletiva e a politização de qualquer coisa que se faça no mundo, a guitarra está com os dias contados!

Noticias ruins surgem a todo instante para corroborar essa tese:

Recentemente saiu um dado assustador sobre a queda do número de vendas de guitarras no Brasil, chegando a quase 80% de queda. Quem mora em São Paulo e por um acaso passar ali pela Rua Teodoro Sampaio, outrora meca dos instrumentos musicais, hoje encontra cada vez menos lojas oferecendo instrumentos.

https://m.cbn.globoradio.globo.com/amp/media/audio/160807/queda-nas-vendas-o-futuro-incerto-da-guitarra.htm?__twitter_impression=true

O que isso quer dizer?

Sem guitarra sem rock and roll, of course.

Se já não eramos uma nação lá muito roqueira, com o crescente desinteresse das novas gerações pelo gênero, a tendência é que só assistamos rock no Brasil em Museus, séries de TV ou no Youtube.

Se fosse uma tendência só no Brasa, beleza, mas isso está bem longe de ser verdade também.

Essa semana a famosa e icônica fabrica de Guitarras Gibson anunciou que está a um fio de declarar falência (tudo graças a baixa procura por seus instrumentos e grande queda de vendas no mercado Norteamericano).

https://news.sky.com/story/iconic-guitar-company-gibson-could-be-facing-bankruptcy-11257323

Somando isso ao fato de que rock and roll hoje em dia virou música de tiozinho, o futuro do rock é um belo dum ostracismo.

Assista ao vídeo abaixo do AC/DC no Grammy 2015 e veja o tipo de gente que tá lá “vibrando” com a banda.

Ano passado eu participei de uma feira de Lps em Botucatu (cidade no interior de SP) e troquei algumas palavras com o Ricardo Vignini, violonista da dupla Moda de Rock (duo especializado em fazer versões de rock em viola caipira) e ele soltou uma grande verdade sobre esse tema: “… o ultimo grande vendedor de guitarra no mundo foi o Slash, depois dele, acabou…”

Não precisa nem ser um grande fã de Guns e cia pra concordar que o cara tá certo.

Lá pelos anos 90 até pintou uma modinha por Fender Jaguar por causa do Nirvana e que depois o Los Hermanos transformou em cavaquinho, mas na real, por mais que a década de 90 e mesmo nos 2000 tenham tido bons guitarristas, ela deixou de ganhar importância no processo de composição e na própria estrutura das bandas e mesmo um Jack White hoje é muito mais ligado ao mercado de LPS do que no de guitarras e olha que ele talvez sim, tenha sido o ultimo grande guitarrista que poderia fazer algum moleque pegar o instrumento e tirar um som.

Enfim, como diria aquele outro grande guitarrista “…sad but true…”