Marília Mendonça é a Nossa Adele… só que muito mais legal!

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Antes que algum espirito malicioso associe o título desse blog ao fato das duas cantoras e compositoras terem aspectos físicos parecidos, eu já digo: Esse é um blog de música não de fofoca, assim aspectos estéticos físicos não nos interessam por enquanto.

Hoje saiu uma longa e interessante matéria na Folha a respeito do consumo de música no Brasil e mostrou que a cantora de 22 anos Marília Mendonça é a artista mais ouvida no Brasil.

http://arte.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/musica-muito-popular-brasileira/introducao/

Isso foi o que mostrou a pesquisa que usou dados de quantidades de visualizações do YouTube, e Marília aparece com incríveis 4,1 Bilhões de views desde setembro de 2014 (o período analisado foi de set/14 até Ago/17), seguida de perto pela dupla Henrique e Juliano com 3,8 Bi e a cantora gospel Bruna Karla com 3,5 Bi.

A matéria é legal, extensa, destrincha diversos aspectos e tenta compreender esse fenômeno se valendo dos dados, mas faltou uma conclusão, ou alguém pra dar um pitaco sobre esses números, mais ai sai do jornalismo e vira opinião.

Outra olhar enviezado é quando se compara a Audiência de Marilia com artistas com Michael Jackson, Beatles, Stones e Radiohead.

É até bobo buscar essas comparações pois são artistas pop de gerações passadas, se considerarmos que uma geração se renova de 7 em 7 anos, Michael Jackson viveu seu auge há 35 anos e morreu há quase 7.

Pra matéria ficar completa, alguém poderia escrever um bom artigo sobre um cara que tá bem por dentro desse fenômeno chamado Wander Oliveira, empresário de artistas sertanejos e que comanda as carreiras de Marília, Henrique e Juliano, Maiara & Maraisa e que vai cuidar agora de Wanessa Camargo.

Sem dúvida é um cara que deve ter muito a dizer, e jornalista com bom faro pode achar um monte de coisas sobre ele.

Enfim, a epifania veio ao ler a matéria, e a principal headline foi “A Rainha da Sofrência”, que faz referencia ao fato da cantora e compositora gostar de escrever e cantar os desamores, as vinganças contra os homens “galinhas”, a maneira despachada de lidar com o sofrimento de um relacionamento mas também não ficar muito de “mimimi” e fazer a fila andar.

Pois é exatamente com esse discurso que a Adele estourou no mundo todo com seu segundo álbum “21”. Fenômeno planetário, Adele tratava dos mesmos temas, mas tinha uma Columbia Records por tras dando suporte e chamando um time foda de produtores para transformar boas canções de “sofrência” em hits globais.

E é nessa mesma característica que residem as semelhanças entre as duas artistas e então não precisa ser nenhum gênio pra sacar que onde cai um raio, podem cair dois.

É até mais tranquilo, pois em termos de cultura global, o Brasil sempre está uns dois ou três anos atrás do resto do mundo, então o que a Adele foi há 5 anos, Marilia pode ser agora.

Nunca ouvi 1 segundo de alguma música de Marilia Mendonça, mas isso é o de menos, e honestamente, não importa.

Marília faz música popular em português e dentro dos atuais moldes de composição e linha de fabricação, o que ela canta em português, algum outro pode estar cantando em turco, espanhol, inglês, francês ou coreano.

A música pop está tão homogênea e previsível que não é mais surpresa ouvir os “featurings” que tem rolado mundo afora: Anitta e Diplo; Ivete e Criolo; Emicida e Mc Guimé, Coldplay e Rihanna.

E não será surpresa mais ver um Alok com Beyonce, Bjork com Mc Bin Laden, Anitta com  Lady Gaga, Katy Perry com Luan Santana.

Nada mais surpreende pois nada é mais tão diferente, nunca tudo foi tão igual e previsível, basta que se tenha a vontade de “bastidores” e acertar os detalhes para que seus artistas, tal qual cavalos de corrida, se associem para juntar suas “audiências” e “fan bases” e gerar milhões de likes (isso sim é moeda virtual importantíssima, fazedora de dinheiro de verdade).

Não vou julgar se isso é bom ou não, mas é um fato. A indústria do entretenimento está cada vez em menos mãos e mudando muito rápido, quem chega leva tudo e o público sempre consumirá o que for popular e o que os “parças” estiverem consumindo.

Isso é assim desde que o mundo é mundo e desde que existe indústria fonográfica.

Outra coisa que chama a atenção em relação aos artistas mais visualizados, e por conseguinte os mais tocados, os que mais ganham dinheiro e por ai vai é que eles representam 3 setores da economia mais lucrativos e mais enroscados:

Agronegócio, Igrejas e Tráfico de drogas.

Como não sou jornalista, não preciso ir atrás, mas se cavucar essa relação de consumo musical com mercado de shows e os 3 setores listados dá um samba.

Bem, samba não, que ninguém mais ouve samba…

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Festa da Música! Os melhores de 2017!

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A esperança é a única que morre.

2017 continua naquelas, muita coisa acontecendo, mas no frigir dos ovos, pouco se salva.

A mídia a essas alturas, já escolheu seus favoritos (Kendrick Lamar, Lorde, Childish Gambino), mas eu não acredito mais muito nessa mídia internética que segue os mesmos moldes da fábrica de “criticas” que era no passado.

Mudam-se as mídias, mas as moscas continuam as mesmas. Ou o jabá.

Aderindo a modernidade, tem até uma playlist lá no Spotify… enjoy it.

 

Anyway, 2017 tem bons caminhos sendo seguidos, vamos a eles:

Melhores Músicas:

Lorde – Green Light

A menina virou mulherona, o disco está sendo muito elogiado e ganhando todas as listas. Não achei pra tanto, mas essa música é muito acima da média!

 

Paramore – Hard Times

Em nenhum momento me vi colocando essa banda em alguma lista boa, mas a virada para o pop fez bem ao Paramore. Deixaram de ser uma banda punk pop ruim pra ser uma banda pop a la “Blondie” promissora. No mais, essa é a melhor faixa pop de 2017. O resto do disco bate na trave.

 

Kamasi Washington – Truth

Um sopro nas teias de aranha do jazz, Kamasi lidera um grupo de ótimos músicos pra levar o jazz de volta as massas com relevância. O Ep é espetacular, mas essa faixa é um deslumbre.

 

Sunflower Bean – I Was A Fool

Indie gostosinho e que vem com aquela promessa de dias melhores. Ótimos músicos e canção sexy. O álbum completo sai ano que vem.

 

Starcrawler – I Love LA

Roquinho e clipe a la anos 90. Bom.

 

Kasabian – Bless This Acid House

Outra banda que tirou um coelho da cartola, excelente música, com refrão pra cima honrando o “British way” pra fazer rock-pop. Há muito, eles deviam um bom disco e uma boa canção. Acertaram na mosca na música, no disco ficou no quase.

 

Liam Gallagher – Come Back To Me

Os irmãos Gallagher botaram pra quebrar esse ano e ambos acertaram em seus respectivos discos, o do Liam é legal, mas algumas músicas tão muito acima, outras repetem o que ele já fez no Oasis. Produção meio dispersa, mas funciona. E essa é o tipo de música pé-na-porta típica de um “maloqueiro” a la Liam.

 

Future Islands – Ran

Segurando forte o tecnopop e new romantic do Roxy Music 80s, o trio de Baltimore fez um disco que quase entrou nessa lista, seu novo The Far Field acho que só não entrou pois não consegui o ouvir tanto, mas Ran é uma lindeza e tamo na torcida pra que eles desembarquem por aqui.

 

The XX – Say Something Loving

Outra banda que todo o mundo tem em alta conta desde que surgiu, mas pra mim sempre pareceram um rascunho de banda. Nunca tinha conseguido dar conta dessa “modernidade cansada”, mas fizeram um quase ótimo álbum, chamado I See You e pelo menos uma musica muito bonitinha, difícil de desgrudar e “pasmem”, não vai pintar em nenhuma lista de melhores de 2017.

 

Melhores Discos:

Hour-Concours: Jesus & Mary Chain – Damage & Joy

Dois motivos para estar nessa lista e não ser listado: 1. É um disco novo do Jesus desde 1998; 2. Não é um disco horrível. E um terceiro por conta: sou fanático por eles, tenho todos os discos e gosto de tudo. Não seria racional lista-lo só por isso, o disco é legal mas tem coisa melhor. Mas é um Jesus, já escrevi isso né?

 

  1. Roger Waters – Is This The Life You Really Want It?

Pro bem ou pro mal, Roger é uma das vozes mais contundentes contra o presidente Trump, a favor da Palestina e dos refugiados. Seu álbum é politico não só onde tem que ser, mas em quase tudo. Especialmente nas questões humanas. Brilhante produção de Nigel Godrich, produtor da principal filial imitadora do Floyd (o Radiohead), Is This… é a melhor coisa de um Floyd desde Animals.

 

  1. PowerTrip – Nightmare Logic

Sempre tem uns dois ou três discos de metal muito bons todo o ano, esse ano fico com esse bardo trash metal de Dallas. Moderno e old School, pancadaria espetacular e exemplar. Bangers do mundo uni-vos e saudemos! Alguem podia trazer esses caras junto com o Mastodon e o Kverletak… eu ia ficar felizão.

 

  1. Orchestral Manouvres in The Dark – Punishment Of Luxury

O O.M.D. é uma das bandas da minha vida, ouvi-los ativos e bons é um grande alivio. Punishment é tecnopop das antigas, com cheiro de teclados antigos, batidas meio mofadas mas também com um discurso contra os rumos da modernidade muito interessantes. Voltaram a ser relevantes depois de longos anos no ostracismo.

 

  1. The Regrettes – Feel Your Feelings Fool!

Disco de roquinho bom. Meio garagem, meio punk pop 3 minas cantando e fazendo backing vocals, meio Ramones, meio Donnas, uma bobagem deliciosa e descompromissada. Se o rock servisse pra alguma coisa, alguém daria bola pra elas, mas elas só estão fazendo o som certo no momento errado.

 

  1. Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?

E não é que ele chegou lá de novo? E justamente quando mais se afastou do som que o consagrou no Oasis, Noel flertou com sons dançantes, graças ao produtor e dj David Holmes e o resultado é um saboroso martelo contra a burrice no pop. Elaborado, rico e pop, Noel cometeu um discasso!

 

  1. King Gizzard & The Lizard Wizard – Murder Of The Universe

Nenhuma banda trabalhou mais do que esse hepteto australiano. Só em 2017 eles lançaram 4 álbuns! Sim, 4 álbuns completos com mais de 40 minutos cada um. Passeando pelo progressivo, jazz 70’s, krautrock e principalmente psicodelismo, o som da banda é uma surra sonora. Os 4 são interessantes, mas esse lançado no primeiro semestre é o mais legal de todos.

 

  1. Idles – Brutalism

Esse ai foi uma dica do chapa André Gustavo, economista e fanático por punk e new wave que compartilhou essa banda comigo e pirei. Sem dúvida, junto ao Oh Boland e o Personal & The Pizzas são as melhores bandas a carregar o punk adiante. Pesado e denso, lembra um pouco outra banda que acompanho e gosto chamada Iceage. Promissor!

 

  1. Thundercat – Drunk

Se de repente, o jazz voltar a virar modinha e um dos responsáveis é esse baixista espetacular. Jazz 70’s com um pouco de fusion, mas bem anos 2000. Som com corpo, textura, substancia e conteúdo. Misturando muzak dos 70 com rap, Marcos Valle e Zappa é som pra ganhar prêmios mundo afora. Finissimo!

 

  1. Algiers – The Underside Of Power

Uma voz poderosa, daquelas que transmitem fúria ancestral, you know? É esse o caso desse quarteto de Atlanta. Segundo álbum dos caras é uma surpresa gratificante e um sanduiche de Post-punk e R&B antigo, uma trombada de The Fall com Otis Redding. Dançante, inteligente e instigante, certamente é uma das melhores coisas que existem por ai no universo indie.

 

  1. Miley Cyrus – Younger Now

Não entendo mais esse mundo, agora que a Miley Cyrus vira artista de verdade, ninguém dá mais bola pra ela? De uns tempos pra cá, ela só tem melhorado como cantora e arriscado como artista, tomando decisões incomuns e corajosas. Com Younger Now, ela finalmente deixa um disco pra “posteridade pop”. Seu estranho álbum anterior é mais corajoso e ousado, mas esse novo é uma delicia pop de cabo a rabo. Boas baladas, ótimos arranjos, guitarras espertas e protagonistas. Pop old school.

 

  1. The Feelies – In Between

A banda existe desde 1980, lá atrás, fizeram um dos melhores discos de “new wave/punk/indie” daquela época, chamado Crazy Rhythm, e em 37 anos a banda acabou, voltou e eis que em 2017 eles lançam o melhor álbum de indie rock do ano. Precisa voltar alguém do passado pra mostrar como se faz e seguindo a linha iniciada pelo Velvet Underground, o Feelies foi e é um dos grandes expoentes do som simples, mas vanguarda que o Velvet propôs lá atrás. In Between é bom na repetição sistêmica e nas guitarras (salvadoras, quietas e barulhentas, alternando com maestria por quase todos os discos bons de indie rock que ouvi a vida inteira). Surpresa boa!

 

  1. Arcade Fire – Everything Now

E agora que eles acertaram um disco, ninguém gostou? Não entendo mais nada! Sempre achei a banda muito Superestimada, mas de uns tempos pra cá to começando a entender e gostar e Everything Now pode parecer um passo pro lado em relação ao seu trabalho anterior, mas a roupagem escolhida e o conceito pensado pro álbum foi sensacional. A melhor referencia que eu encontrei pra esse disco foi o Zooropa do U2, que na época também passou despercebido, mas que de maneira aguda capturou um tempo e um espaço e encapsulou em um álbum. Everything fez a mesma coisa em 2017. É tão bom, que talvez só consigamos entender mesmo daqui há alguns anos.

 

 


10 Músicas Horríveis que eu Amo!

Sem medo de ser feliz!

Muitas dessas músicas listadas tem a única razão de serem canções feitas para “entreter” ou “vender”.

São superficiais, muitas delas pobres em rima, em ritmo e em harmonia.

Quase todas são simplórias, bobas, idiotas e devem ter sido gravadas tão rapidamente que sequer passaram por alguma melhoria técnica ou conceitual.

Mas quer saber, amo elas!

Fazem parte de um certo círculo que todo mundo viciado em música tem que são os “Guilty Pleasures”. Sem vergonha nenhuma, apresento abaixo uma lista pra deixar qualquer ambiente feliz e esses ai são os meus:

 

  1. High – Lightouse Family

A dupla inglesa foi um dos maiores “hitmakers” dos anos 90. Seguindo a linha pop eletrônico “sofisticado” pero no mucho, fizeram baladas soporosas e musiquinhas pra se dançar sem derramar uma gota da bebida. Tudo meio sem sal, mas eu adoro essa música, em especial o refrão com os backing vocals, dá aquela sensação confortante de um porto seguro para os ouvidos.

 

  1. For Your Babies – Simply Red

Só o fato de incluir o Simply Red em qualquer lista de melhores “qualquer coisa” já é culpa pra carai… e dizer que eu acho essa música incrível? Ela tem todos os clichês possíveis de uma canção pop superficial. Solo de violão ruim, bateria quase inexistente, cantado no máximo da burocracia do “soft soul White” do SR, mas tenho uma ligação de “amizade afetiva” por ela.

 

  1. Love Is In The Air – John Paul Young

O cantor australiano cometeu um dos mais belos “one hit Wonders” ever, refrão grudento e emocionante, impossível não se deixar contagiar pelo otimismo inocente exageradamente açucarado e bobo.

 

  1. The Sign – Ace Of Base

Poderia facilmente ser All That She Wants, mas ai iria contra o espirito do tema de hoje, afinal All.. é uma canção pop perfeita, não se encaixa nesse tema. The Sign é deliciosa, mas é uma porcaria, convenhamos…

 

  1. Live To Tell – Madonna

A Madonna tem ótimos sucessos, quase tudo o que virou hit é hoje meio “clássico”, mas os fãs não vão muito com a cara de Live to Tell, por que é uma balada bem da “ruim”. Pretensiosa, super produzida, mas insipida, a canção ganhou destino certo nas rádios “adultas” ou de “musica de velho” e me embalou pra dormir algumas vezes quando eu era projeto de adolescente.

 

  1. Sonhos – Jane Duboc

A Jane foi a minha primeira paixão platônica, primeira musa! Amava as bochechas e a calça “bag”, muito em moda na década de 80. Jane tem passado de respeito, cantou numa das primeiras bandas de “rock progressivo” nos anos 70, o Bacamarte, mas pra sobreviver, caiu no pop “Sullivan e Massadas” e fez alguns hits nos 80s. Sonhos é bem marcada, cafona e tem o refrão mais paiero, maravilhoso do pop radiofônico brasileiro.

 

  1. Harry Houdini – Kon Kan

Kon-Kan não vale uma nota falsa de 3 dolares canadenses, mas o disco Move To Move é um dos poucos “intocáveis” da minha discoteca. Tem músicas ótimas e que nem considero “guilty”, mas Harry é bem da vagaba. Teclados toscos, voz fanha, mas quem liga pra esses detalhes, não é?

 

  1. Perigo – Zizi Possi

Virou cantora séria cedo demais e quer saber, Sullivan e Massadas no final das contas não eram tão FDPs assim. Como não amar o clipe de Zizi e Didi? Obra-prima da breguice!

 

  1. Bring Me Edelweiss – Edelweiss

Essa é outra disgrama que dá vergonha compartilhar, mas eu gosto tanto que tenho a pachorra de guardar na coleção um 12’’ desse compacto. House ítalo, batidão “popero” e refrão surrupiado do ABBA. Irresistível.

 

  1. Conquista – Claudinho e Buchecha

Contra o espirito da lista, estou longe de achar essa música horrível. Injustamente, essa canção passou a sua vida toda sendo tratada como “porcaria”. Preconceito enorme, pois ela é genial em forma e conteúdo. Primeiro: tem uma linha de baixo eletrônico bem desenhada e incrivelmente bem executada. Segundo: o vocal é preciso, te direciona claramente para o sentimento que a música lhe proporciona. Terceiro: refrão ótimo, alto e contagiante. Canção pop perfeita.


Malibu — algo bom pra nossa mente e ouvidos.

Toda a vez que escuto uma canção que tenha Malibu no título, pode apostar, é boa!

A praia favorita de milionários, excêntricos, artistas e estrelas de Hollywood desde sempre, ajudou no clima e algumas das canções pop que mais gosto tem Malibu no titulo.

Pensei sobre isso após escutar quase na integra o novo álbum da cantora Miley Cyrus, que cada vez mais se afasta do que o pop atual propõe para o tipo de artista que ela é e se arrisca num pop mais orgânico, com boa pegada roquinho barato, boas guitarrinhas e canções realmente sensacionais.

Há um tempo acompanho a carreira dessa menina e Younger Now é um acerto raro em dias de música pop tão chatinha e tão mimizenta.

E um dos destaques é justamente Malibu!

Bela canção pra se ouvir numa saudação ao Astro-Rei, esteja você onde estiver. Pode ser em Malibu, na Praia Grande ou debaixo de chuva em São Paulo mesmo.

Trata-se de um estado de espirito leve, relaxado e que, por coincidência ou não, tem Malibu como ponto de partida.

Pra não ficar numa resenha só sobre Miley, me peguei aqui lembrando de outras canções igualmente sensacionais com Malibu no título, e aproveitando esse momento pré-verão, fiz uma seleção rápida com algumas delas, todas tendo como inspiração na Itapuã gringa.

Malibu – Hole

Todo o álbum Celebrity Skin é uma delicia. Reza a lenda que foi “secretamente” escrito por Billy Corgan (Smashing Pumpkins), que na época teria tido um caso com Courtney Love. Fofocas a parte, o álbum só melhora com o tempo e Malibu é uma das mais frescas e leves canções de pop rock feita nos anos 90.

 

Malibu – Benny Carter

Early jazz, classudo. Do tempo em que se ia pra praia de camisa, terno e no máximo se podia afrouxar a gravata.

 

Malibu Run – The Fender IV

Obscura banda de guitar-surf instrumental dos anos 60 que descobri há alguns anos, quando o algoritmo do youtube te levava para coisas legais quando voce buscava outras coisas legais.

 

Malibu Beat – Tito Puente

O rei da Salsa também prestou sua pequena homenagem ao recanto californiano, jazz-salsa pra acompanhar um bom Martini.

 

Malibu Beach Nightmare – Hanoi Rocks

Metal farofa dos anos 80, lembro desse disco (muito ruim), tive uma edição em cd que passei pra frente, mas gravei essa track. Excelente!


Dave Grohl e Josh Homme vão ser os últimos a apagar as luzes nesse tal de rock and roll?

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Quase ao mesmo tempo, duas das maiores bandas de rock, (isso existe ainda?) Foo Fighters e Queens Of The Stone Age lançaram seus novos álbuns, respectivamente Concrete And Gold e Villains.

Por que falar das duas bandas?

Bem, primeiro por que ano que vem as duas passarão em turnê por aqui e se nada der errado, com ingressos esgotados com muita antecedência.

E ao que parece, elas são as ultimas duas grandes bandas de Rock ainda em atividade e com relativa saúde musical.

Há outras semelhanças entre os dois álbuns recém lançados:

Ambos foram produzidos por produtores mais familiarizados com o universo pop.

O Foo Fighters convocou Greg Kurstin (músico da dupla The Bird And The Bee, que produziu faixas para artistas pop do calibre de Sia, Adele, Ellie Golding, Lana Del Rey entre outras) enquanto John Homme resolveu botar Mark Ronson (super produtor que trabalhou com Amy Winehouse, Bruno Mars, dentre outros) pra dar uma arejada no som do Queens.

E olha que dando uma ouvida em ambos, até que não é tão ruim.

Não vou cravar aqui que os dois álbuns são bons para caralho e que vão figurar em alguma lista (o do Queens é capaz), mas a mão e a direção de produtores pop deram um gás extra para as duas bandas.

O Foo Fighters, pelo menos nas duas primeiras músicas de trabalho Run e The Sky Is Neighborhood vem com todo o pique de banda “mainstream” mas com uma certa cadência pop junto ao peso que a banda sabe impor quando quer.

Dave Grohl tem andado mais bunda mole, com projetos que ficam no meio do caminho, mas a banda ainda mantem o pódio de banda de rock numero 1 do mundo. Ou quase.

Concrete & Gold não deve trazer novos ouvintes para a banda, mas também não vai afugentar nenhum fã antigo de seus últimos heróis vivos do rock pós-grunge.

Já o Queens botou um cara com “groovie”, mesmo sendo o inglês e branquelo Mark Ronson.

O QOTSA já não tem sido pesado o suficiente pra espantar um público menos “indie” e nos últimos álbuns já vinham flertando com pegadas mais dançantes que lhe garantiram um titulo particular de “Melhor Banda de Stoner Rock Para Garotas”.

Villains tem boas canções, que ao vivo são melhores que no disco.

Não sei se tô muito paciente, mas tenho quase até que gostado de umas duas ou três desse novo play. Fazia tempo que uma música da banda californiana não me prendia tanto a atenção quanto The Evil Has Landed. Arranjos de guitarras sensacionais não é novidade para Josh e companhia, mas eles tavam devendo nesse quesito e fizeram bonito nessa.

No fim, Queens e Foo encabeçam uma pequena lista de bandas que “ainda” usam guitarras como instrumento principal e ainda levantam uma surrada bandeira do Rock dentro de um mundo pop que não lhe pertence mais.

O que também não faz deles santos nem bastiões de um gênero sacrossanto.

Rock and Roll já é música de nicho faz tempo, mas o que sobrou nesse “Big Mainstream” não tem nada que vá ser lembrado daqui a 10 anos.

Até fevereiro de 2018, quando Queens Of The Stone Age e Foo Fighters tocarem por aqui, acredito que Villains e Concrete & Gold terão sido completamente esquecidos ou recebidos com frieza.

Mas o público que certamente lotará o Allianz Park pulará horrores com a penca de ótimos flashbacks que as duas bandas tem aos montes.

Tanto QOTSA ou FF são “maiores” do que esses dois novos discos.

Por hora, os álbuns seguram a onda, mas estão longe de serem bons cartões de visita para garotos ou garotas que tenham um mínimo interesse nesse nicho chamado Rock and roll.

E se no próximo, eles desistirem de fazer rock, que pelo menos apaguem as luzes.


As 10 músicas mais embaraçosas de Macca.

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Em qualquer lista que fizerem com:

Os maiores baixistas do mundo;

Os melhores compositores pop do século XX;

Os melhores cantores do século XX;

Os músicos mais influentes do século XX;

Paul vai estar ali entre os 5 primeiros em qualquer uma delas.

Músico completo, acima da média, passeou por quase todos os gêneros musicais existentes e fez maravilhas em todos eles, é “vaca sagrada” quase inatacável. Toca baixo, guitarra e piano como se tivesse amarrando os sapatos, canta como um rouxinol e faz show de 3 horas e ainda deixa de fora um monte de música linda pra outras 3 horas!

Mas…

Aproveitando sua nova passagem pelo pais, resolvi listar os momentos mais embaraçosos da bela carreira de Macca e mostrar que nem só de glórias vive o ex-Beatle e que mesmo com tanta capacidade não impede que os vacilos existam (alguns deles eu confesso que até gosto, ali no fundinho…)

Para ser justo, deixei de lado os “Lados B”, principalmente da fase Wings (tem discos que nem o lado A salva, tipo Back To The Egg, London Boy ou Venus And Mars.

E também não considerei nada da fase Beatles, assim Obladi Oblada que é a pior música da história, não está contemplada nessa listinha.

Para darmos algumas risadas, segue a listinha pra desopilar:

  1. Coming Up – McCartney II (1980)

Nesse álbum Paul tentou retomar as rédeas de sua carreira como artista solo, o disco vendeu bem e até livrou a cara do ex-Beatle por um tempo. Meio experimental, o disco hoje não desce nem com um Dreher. Além do hit Coming Up ser uma vergonha, ela serviu de “inspiração/chupação” para o Skank nos brindar com “Mandrake e os Cubanos”.

 

  1. Silly Love Song – Wings At The Speed Of Sound (1976)

De bobo Sir Paul não tem nada, mas de vez em quando ele escorrega para uma cafonice de fazer Barry Manilow parecer Hard Rock. Silly é tão vexatória que até o titulo já entrega o que a música é. Uma bobice açucarada indigna.

 

  1. Beware My Love – Wings At The Speed Of Sound (1976)

Um adendo, eu gosto dessa música. Só está listada aqui pra mostrar que muitas vezes, Paul teve a chance de fazer a coisa certa e optou pelo seguro e convencional. Há um tempinho atrás saiu uma reedição desse álbum com uma versão de Beware com a batera do John Bonham, que é infinitamente superior e muito mais instigante e interessante que a versão oficial.

Paul podia ter botado essa no álbum, mas preferiu a cafoninha.

 

  1. Jet – Band On The Run (1973)

O tempo é engraçado, quando Paul veio tocar por aqui em 1989 pela primeira vez, a música que menos agradou no show foi justamente Jet. Tida como um “jato de agua fria” na galera, ainda hoje acho um rockinho muito do sem vergonha, quadradinho e composto totalmente no piloto automático. Hoje, ele toca em todo o show e o povo pira… eu não.

 

  1. Press – Press To Play (1986)

Sem comentários, só não vai direto pro primeiro lugar porque as 5 primeiras são de lascar e essa é só um erro dentro de um álbum todo horroroso.

 

  1. Check My Machine – McCartney II (1980)

A primeira vez que ouvi essa track foi numa coletânea com canções estilo “Nostalgia”, (quem é da quebrada lembra dessa gíria). Alguns djs gostam de toca-la e principalmente usa-la pra fazer samplers, mas os 5 minutos e pouco dessa baboseira indolente é simplesmente insuportável. Não é experimental, tão pouco revolucionário. É só uma grande bobagem “cult”.

 

  1. Hope Of Deliverance – Off The Ground (1993)

Pavorosa! O álbum é um dos piores da carreira dele, mas essa song meio “latina”, com levada no violão figura entre as coisas mais constrangedoras que ele fez.

 

  1. Ebony & Ivory – Tug Of War (1982)

O disco hoje nem parece mais tão horroroso quanto outrora, mas essa parceria de Paul com outro gênio, Stevie Wonder é feio pros dois. A letra é bonita, positiva, afirma uma boa ideia de por fim as diferenças e o preconceito racial. O problema é que toda a vez que ela toca no rádio, imediatamente a primeira coisa que vem a cabeça é: Que M….

 

  1. No More Lonely Nights – Give My Regards To Broad Street (1984)

O álbum é uma tragédia, mas como toda boa tragédia que se preze, começa por algum lugar e No More é a música de abertura. Fico constrangido por ele, e olha que eu acho a melodia até que mais ou menos, mas o conjunto da obra é muito ruim. Lembro que esse foi o primeiro contato com a música de Paul McCartney, demorei um tempão pra me aventurar a ouvir outras coisas dele, sorte que um pouquinho depois descobri quem eram os Beatles, ai a coisa ficou mais fácil.

 

  1. Say Say Say – Pipes Of Peace (1983)

Tem músicas piores dele aqui na lista, mas essa tá em primeiro porque não dá pra acreditar que o casamento musical de Paul com Michael Jackson (na época, o maior artista pop do mundo, lançando nada mais nada menos que Thriller) com produção de George Martin (dispensa apresentações) pudesse ser tão insossa e melequenta. Uma bobice sem tamanho, uma porcaria absoluta. Indigno dos 3 personagens geniais envolvidos.


Tom Petty – O Zé Ninguém mais Amado do Rock!

Thomas Earl Petty, ou Tom Petty foi morar no céu em 02 de outubro de 2017 vitima de um ataque cardíaco aos 66 anos.

Como artista, venceu pela consistência e insistência, nunca aderiu a modismos, nem a tendências e também ele próprio nunca quis se colocar como artista de vanguarda ou qualquer coisa assim.

Sua qualidade sempre esteve em compor boas canções ganchudas 4 por 4 que poderiam ser escutadas em qualquer um dos 50 estados norte-americanos e entendidas tanto entre os hipsters quanto entre os rednecks.

Nunca abriu a boca pra falar asneiras, nunca se envolveu em polêmicas e isso nunca lhe garantiu também muitas manchetes. Acho que no fundo ele também nunca buscou isso em sua vida e carreira.

Estava lembrando esses dias como esse cara fez álbuns excelentes e músicas incríveis e mesmo seus último trabalho de 2014, chamado Hypnotic Eye é excelente e cheio de vitalidade (cheguei a lista-lo como um dos melhores daquele ano.)

Enfim, fico triste pois sei que esse é um dos shows que gostaria de ter visto e agora só numa próxima encarnação ou plano astral.

Pra quem tá chegando agora, vai abaixo um guia muito particular para situa-los no som totalmente norte-americano (no ótimo sentido) de Tom Petty.

Tom Petty & The Heartbreakers (1976): Disco de estréia do cantor e seu grupo, não fez muito sucesso, mas o disco consegue ainda hoje ser moderno e absolutamente em sintonia com o singalong dos anos 2000. A faixa mais incrível desse play é American Girl (lembra muito o Strokes de começo de carreira).

 

You’re Gonna Get It! (1978) e Dawn The Torpedoes (1979): Dawn foi o primeiro big hit de verdade da carreira de Tom e tem algumas grandes faixas como Refugee e Here Comes My Girl, mas só pra contrariar eu particularmente gosto mais do You’re Gonna… que tem duas das minhas favoritas dele: You’re Gonna Get It e Magnolia.

 

Southern Accents (1985): New wave e psicodelia. Talvez seja o mais interessante e diferente trabalho do Petty. Arriscando um pouco, saiu da zona de conforto e acertou um discasso. Produção de Dave Stewart (Eurythmics), fez a música que me apresentou ao som de Petty, Don’t Come Around Here No More (o clipe é fantástico também), vi num Clip Trip da vida, não entendi nada na época, continuo achando fascinante e tentando entender como isso foi um “Hit”. Outro mundo!

 

Full Moon Fever (1989): Pra mim, é a obra-prima de Petty. Glorioso, expansivo, cristalino e delicioso de se ouvir de cabo a rabo. É rock americano quadradinho por excelência, tocado com maestria e coração. Free Fallin é o clássico, mas eu sou fã também do rockão I Won’t Back Down.

 

Travellin Wilburys (1989): Supergrupo formado por Petty, Jeff Lynne (E.L.O), Bob Dylan, George Harrison e Roy Orbinson, numa mistura de camaradagem e homenagem fizeram um grande álbum graças a Petty, que estava em alta e puxou pra cima os outros monstros que não estavam tão bem assim. Ultimo registro de Orbinson antes de seu falecimento. Obra prima do Classic Rock como se conheceu.

 

Into The Great Wide Open (1991): No meio do furacão grunge, Petty não abriu mão aos modismos e fez outro petardo. Tido como “meio velho”, o álbum hoje se mostra atemporal e ainda atual. Quando saiu fico meio pra tras para a turma de Seattle, mas o tempo ajustou as coisas e hoje alguns daqueles discos é que ficaram pra trás, enquanto Into… segue firme, forte e bonito.

 

Mudcrutch (2008): E dentre idas e vindas, Petty resgatou seus chapas antes de formar os Heartbreakers e cometeu um delicioso álbum de country rock a la Flying Burrito Brothers.

 

Hypnotic Eye (2014): O último álbum lançado pelo cantor com seu grupo é incrível e tal qual outros contemporâneos, Petty não perdeu a capacidade criativa nem o “mojo” e a banda só melhorou com os anos, nada de som frouxo por aqui.