The Grateful Dead – Grateful Dead (1967)

Pouca gente fala sobre o Grateful Dead nos dias de hoje.

Pouca gente ainda ouve o Grateful Dead nos dias de hoje.

Eu até não muito tempo atrás, fazia parte desse time.

Não era muito fã da fama que cercava a banda e no fundo eu achava tudo muito droguinha para aluno de história ou sociais da Usp que acha que pode fumar maconha a luz do dia, torrando a graninha do papai e indo pra Europa visitar a Sorbonne com o dinheiro da titia.

Mas é engraçado que numa tacada eu cai nos primeiro álbuns do Dead com a mesma intensidade e descobri uma belíssima banda, interessadíssima nos pântanos da tradição norte americana do folk, do country e ao mesmo tempo falando com uma então juventude progressista que fazia passeata pela erva, pelo acido, contra a guerra e pelo direito de ser escutados por congressistas.

O som do Dead é mais careta que sua atitude e certamente mais careta que os ouvidos de seus públicos nessa época.

Imagina a situação: São Francisco pegava fogo no final dos anos 60, onde todo mundo queria experimentar de tudo, se soltar das amarras adultas que a sociedade americana arregimentou para virar o “império” e vender Coca-cola e carros para todo o mundo, e só figuras exóticas como Jerry Garcia para catalisar toda a porra-louquice de um período cheio de sonhos e experimentos sociais, associada a capacidade de articular seu discurso para ser ouvido e levado a sério por público e crítica.

Antes de mais nada, a banda é boa praca… todos os músicos são seríssimos e ninguém dava brecha de lançar e gravar qualquer merda.

Esse disco de estréia dos caras saiu um pouco antes da psicodelia tomar a cena e mesmo tendo ingeridos os mesmos ingredientes lícitos e ilícitos que todo o mundo, o Dead caminhou olhando para dentro de suas raízes e sem sentir vergonha de serem americanos, lançaram um impecável álbum de estreia que ajudaria a definir o movimento que seria o ano seguinte dentro da escala evolutiva musical.

Ano este em que a psicodelia morreria e sons com pegada mais blues, country e folk voltariam com tudo.

O Grateful Dead já estava lá antes e aproveitou para fazer seu cartaz com discos espetaculares que sairiam na sequência.

Se os fanáticos seguidores da banda, obscureceram a importância musical do grupo para transformar seus concertos em fumódromos de erva e usando o discurso libertário da banda como desculpa para se afundarem em drogas, já que a lenda fez do Grateful Dead o “pics”, o tempo, a distância e uma escuta mais atenta chamam a atenção para o requinte e a sabedoria como os caras executaram seu blues-country-piano rock como poucas na historia do rock americano.

Bandassa e discasso poucos falados, merecem audições mais atentas.

Chapante!

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