Primal Scream – Xterminator (2000)

Tá faltando violência!

Se hoje em dia, as bandinhas indie-eletrônicas pra frentex sofrem de ausência quase absoluta de força, virilidade e culhões (The XX, Friendly Fires, TuneYards, We Have Band, Panda Bear e praticamente todas as banda bem resenhadas no Pitchfork), isso nunca faltou no som do Primal Scream.

A banda foi moderna e se manteve relevante por quase 15 anos e se tornou uma das mais importantes instituições criativas dos anos 90/2000.

Cada álbum lançado pelo Primal Scream era um evento!

Em 1991 eles mudaram a cara do mundo com o genial e atemporal Screamadelica (a cada ano que passa o álbum vai ficando mais importante, influente e reverenciado).

Em 1994 eles farrearam com o irregular mas delicioso Give Out, But Dont Give Up (rock and roll descaradamente chupado da fase áurea dos Stones circa-68-72).

1997 foi o ano em que eles fizeram o primeiro ensaio que os levaria a Xterminator, com o brilhante, ofuscado e incompreendido Vanishing Point. Álbum que passou batido por público e crítica e que marcou a entrada do baixista Mani (Stone Roses) ao grupo e preencheu uma lacuna importante na condução do baixo que até então era um dos pontos fracos do Primal.

Ideias, drogas e sentimentos exacerbados. Esses são os ingredientes da combustão primalscreaminianas que atingiram seu ponto mais alto em Xterminator.

Lançado em 2000, o álbum pegou toda a referencia de Techno e cultura clubber que explodiram nos anos 90, acrescentou novas possibilidades, mais violência, mais peso, mais barulho e criaram uma das mais inacreditáveis trombadas de rock com eletrônico já registrados na história da música pop.

Impossível não se perturbar com a virulência de Swastika Eyes, impossível não concordar com o discurso violento-funk-eletrônico do cartão de visitas que abre o álbum: Kill All Hippies, em que Bobby Gillespie sugere que “matemos todos os hippies”, impossível não se emocionar com a linda, doente e terminal Keep Your Dreams.

Como em todo disco que o Primal Scream faz, eles sempre escolhem uma cover espetacular para se apropriar e transformar em Primal Scream, mantendo o ritual, essa cover é estrategicamente colocada após a faixa 8 e aqui eles atacam com um clássico garagista sessentista I’m 5 Years Ahead Of My Time, do The Third Bardo (das maravilhosos e necessários Nuggets Albums – compilações de bandas garagistas sessentistas).

Eles estavam certos e tempo todo e depois desse disco ficou impossível qualquer tentativa bem-sucedida de misturar rock e eletrônico sem ficar careta e quadrado.

Muitos tentaram, mas só eles captaram com tamanha sensibilidade e inteligência as mudanças de ares que o planeta passaria e transformaram tudo isso no último clássico mundano moderno pop.

Mais do que uma simplista apologia as drogas, Xterminator é um álbum essencialmente movido por drogas, mas seu uso como afirmou lá nos 60 o cientista suíço Albert Hoffman (pai do LSD), “estão errados quem utilizam essa substancia para recreação”.

O pessoal do Primal Scream parece ter finalmente entendido essa relação neste álbum.

Curta-o sem restrições!

E bem alto, faz favor!

 

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