Wilson Simonal – Ninguem Sabe o Duro que Dei (2009)

Na festa de encerramento das ultimas Olimpiadas em Londres (polêmica, não teve Judas Priest e Led Zeppelin?), se falou muito sobre a participação brasileira, se ela foi boa, ruim, superficial, deu pro gasto, etc.

Mas falando bem a verdade, foi boa…

Só o fato de ter o Seu Jorge cantando Simonal, já foi bem fora do óbvio. Ele podia cantar Jorge Ben, não?

Até 2009, ano em que esse espetacular documentário sobre a vida do nosso primeiro Super Astro Pop brasileiro, Simonal estava em completo e total ostracismo por conta de sua relação com o governo militar na época da Ditadura.

Certo ou errado, a história já o julgou culpado.

Só não dá para apagar a carreira musical brilhante que ele construiu.

Passeou com desenvoltura e ginga pela bossa nova, samba, swingue, soul, explorou o samba-rock e o samba-jazz com igual competência e parte desse carisma está contido nessa trilha que deixa mais leve qualquer ambiente carregado e tristonho.

Simonal foi gênio e as recentes reedições de sua obra provam isso.


Varios Artistas – The 2Tone Collection – A Checkered Past (1993)

Eu pego bem com ska há um tempão.

Hoje me desbravo bem no Reggae e no Dub, mas no Ska fico mais em casa.

A principal razão de eu ter caído de amores pelo Ska, em particular, o Ska inglês, foi essa coletânea espetacular com o cast da mítica e esperta 2Tone Records, berço fonográfico da mais espetacular geração de miscigenação musical ocorrida na Inglaterra antes da avalanche eletrônica ter colocado todas as raças e credos dentro do mesmo saco, ou melhor, dentro do mesmo Bit e democratizado de vez a parada.

Mas os rapazes do Ska foram pioneiros em botar a moçada branca e negra para dançar e rebolar no mesmo quadrado, objetivo principal Pauline Black (fundadora do selo e líder do The Selecter), que na simplicidade reservada aos visionários e grandes líderes, dizia: “A 2Tone era basicamente negros e brancos tocando juntos”.

E fez-se a luz!

Compartilhar os mesmos instrumentos e o mesmo amor pelo ritmo jamaicano que caiu como uma luva na New Wave, colocando mais cor e molejo no rock e gerando uma turminha da pesada foi o resultado dessa visão.

Olha o elenco revelado na 2Tone:

Specials, Madness, The Selecter, The Beat (ou English Beat), Rico, The Bodysnatchers e por ai vai.

Brincadeira!

Todos eles foram lançados na 2Tone, alguns alcançaram o sucesso muito rápido e se debandaram para o pop britânico, em especial o Madness que fez carreira brilhante e em breve pintará por esse blog, logo menos.

Essa coletânea dupla é um belo cartão de entrada para o mundo do Ska, aproveito o ticket e viaje.


Sam Cooke – Live At The Harlem Square Club, 1963 (1963-1984)

“Que puta história triste, meu!”

Sam Cooke morreu assassinado em dezembro de 1964, tomou um balaço de um gerente de Motel em uma treta muito esquisita e assim se foi um dos maiores talentos nascidos na música mundial.

O mundo ainda podia esperar muito desse monstro.

Com sua voz potente e rouca, Sam cantava com suas entranhas e expressava em suas músicas, todo o desejo e anceio por um mundo melhor, menos preconceituoso e que ainda via os negros como raça inferior.

Morreu justamente por que não se conformava com esse estado de coisas e foi nessa América que começou a virar outro país com a ascenção dos negros em várias frentes, fazendo frente a imbecis como o gerente de um Motel espelunca que desferiu os disparos contra Sam.

A construção de sua reputação musical não deixava para menos e o homem deixou canções, gravações e performances que nem em 1 milhão de anos serão superadas por outro artista.

Soul music em sua essência, Sam divertia, entretinha e emocionava com facilidades surreais e o registro desse show realizado em 1963 só mostrava que o homem não era de brincadeira e não veio pra essa vida a passeio.

Quando subia ao palco, dava tudo e o tudo dele era muita coisa!

Mais um daqueles shows em que eu queria ter estado se houvesse uma máquina do tempo, “Live At The Harlem Square Club” é assombroso, emocionante e mostrava como Sam Cooke estava acima de tudo que se fazia na época, e não era pouca coisa…

Sam nos foi tirado muito cedo…

Faça valer a pena and twist the night away.


Jackson 5 – Going Back To Indiana (1971)

Irresistivel. Essa é a frase que melhor define o som do Jackson 5 e todos os álbuns que eles fizeram, seja com Michael Jackson, seja sem o garoto prodígio.

A síntese do pop negro perfeito está toda impregnada no Dna dessa família.

Musicalidade absurda, simplicidade idem, mas impossíveis de serem reproduzidas com o feeling, potencia e competência que os irmãos de Indiana fizeram.

É muito talento junto.

Essa trilha sonora para um especial de TV reuniu não só o super grupo, mas teve Bill Cosby como apresentador, além da madrinha Diana Ross.

Misericórdia. E tem como ficar melhor?

Tem sim, pois lá no lado B tem a trupe mandando duas versões de Sly And Family Stone – Stand e I Want To Take You Higher… não superam o original, mas ficaram sensacionais.

Porém nada superará a faixa que abre o álbum: I Want You Back, talvez a música pop mais feliz já composta. Música para ouvir repetidas vezes e ainda sim não ficar satisfeito. Plena e incontrolável como todo bom momento deve ser.

Enjoy it.


Pacific Gas And Electric – Pacific Gas And Electric / Are You Ready (1969-1970)

Mais um daqueles casos do antes tarde do que nunca.

Discasso que francamente nunca tinha ouvido falar, mas graças ao acervo disponibilizado da discoteca pessoal do mestre John Peel, pude escutar e chapar…

Da banda não sobrou nem vestígios depois, mas como o ano de 1969 foi o ano em que mais surgiram álbuns espetaculares que ficaram perdidos no tempo, nao seria diferente com a rapaziada do Pacific Gas and Electric.

Flutuando entre blues, rock e soul a banda ficou no meio de outras como Iron Butterfly, Blood Sweat and Tears e outras.

Como algumas edições nacionais lançadas por aqui na época, esse exemplar que arrumei traz um mix dos dois principais álbuns do grupo, com a capa de um e o repertorio picado dos dois discos.

Coisas da indústria brasileira que sempre tratava seu publico consumidor como estupido e desinformado.

LP difícil de se conseguir, mas bacanérrimo.


Sugar – Copper Blue (1992)

Mais um disco da minha mocidade que chega a marca de 20 anos!

Parece que foi ontem que eu comprei o single de Helpless em uma loja de eletrônicos em Ciudad Del Este – Paraguay, cidade favorita dos sacoleiros brazucas e principal fornecedor informal de tranqueiras vendidas no centro de São Paulo e em quase todos os centros comerciais populares do Brazilzão.

Só para esclarecer, esse single que que eu comprei era original… ainda não havia a febre dos piratas e bootleg, só de shows e geralmente os melhores eram italianos.

A parte feito, Copper Blue marcou a estreia do Sugar, banda que o gênio Bob Mould faria após o fim do Husker Du, sua lendária banda oitentista que inventou o punk com sentimento.

Com o Sugar, o punk e hardcore foi estacionado em favor do comichão guitar muito em voga nessa época, e o que se ouve em todo o álbum é uma explosão de guitarras ardidas, espertas, comprimidas e agudas contrapondo canções pop rigorosamente perfeitas com todos os predicados necessários e aplicados desde os Beatles, passando por Big Star, Cheap Trick, The Knack, Buzzcocks, Teenage Fanclub, Pixies e distintos artistas que puseram pop simples e perfeito onde não cabia.

Copper Blue é power pop guitarristico sem firulas, bonito, com a mesma temperatura do começo ao fim, o que pode ser visto como um ponto negativo, mas como todas as músicas são incríveis, não há mal nenhum nisso.

20 anos se passaram, alguns aprenderam a lição com o professor Mould, mas a maioria se prendeu em chororos que não existiam e hoje o indie é muito mais bundão do que foi em outrora.

Se é que esse negócio de rock alternativo realmente exista ainda…


Pointed Sticks – Waiting For The Real Thing (1978-2006)

Mais uma descoberta do mundo punk, havia Punk no Canada! E punk bom!

Pois é, o quintal dos EUA não é só composto de cantoras folk e Rush. Houve vida inteligente e bandas legais de punk rock no final dos anos 70 e começo dos anos 80 e o The Pointed Sticks foi uma delas.

Meio Punk, meio New Wave o Pointed Sticks não tinha nenhuma reinvidicação a fazer, até porque no Canadá tudo funciona e o tédio fala mais alto na hora de se fazer algo artístico para combater esse tédio da estabilidade que deve apurrinhar os jovens cidadãos mais incomodados.

Arrumadinhos, até caretinhas, a banda se formou depois que o vocalista e guitarrista Nick Jones voltou para Vancouver depois de uma temporada na Inglaterra, onde ele viu o estouro do movimento punk na gema, ficou impressionado com o novo som que estourava por lá e resolveu fazer no Canadá tudo o que ouviu.

Juntando as novas influencias americanas como Dead Kennedys, X e Dills, estava pronto o som que o Pointed Sticks faria.

Menos agressivo, mais divertido e pra cima, esse álbum é um compilado de seus compactos lancados em 1979 e do grande Perfect Youth, lançado em 1980. Hoje tudo isso é raridade de colecionador, por isso que essa coletânea Waiting For The Real Thing é essencial pra entender e apreciar o bom punk rock com acento canadense.

Durou o tempo que tinha que durar, fez a história que eles poderiam ter feito e assim se encerra mais uma linda novelinha do punk ou “Como o Punk pode curar sua vida”.