Kon-Kan – Move To Move (1989)

Momento vergonha!

Como ja dizia Elymar Santos “…escancarando de vez.”

Pois é, se diz que em toda boa discoteca também tem umas porcarias das quais a gente se arrepende de ter, tem sempre aquele que você ganhou e fica chato devolver, essas coisas.

Mas e se o disco é uma porcaria que você adora?

Pior é que é sério, eu acho esse disco demais.

Bem, o disco todo não, mas os três hits desse álbum são das coisas mais empolgantes que se fez em termos de dance music no final da década de oitenta.

O Kon-Kan foi uma das milhares de armações musicais que surgiram sabe-se lá de onde e foram sabe-se menos ainda, mas tinham como quase todos esses projetos de Dance Music, as seguintes diretrizes:

Fazer hits para encher as pistas;

Bombar as boates de gente jovem com dinheiro para gastar;

Afrouxar os cintos.

O disco todo não é realmente lá grandes coisas, mas os 3 singles que tocaram em rádio, tiveram clipe e hoje sobrevivem no youtube são tão bosas, que valem literalmente a menção nesse blog.

I Beg Your Pardon é irresistível, não dá pra ficar indiferente quando toca, e quer saber, é um baita achado. Ainda hoje acho essa música do caralho. Riff sintetizado durão, bateria pesada e marcada e vocal cantado com o máximo de esforço de alguém que nitidamente não é do ramo dá. Pura nostalgia das minhas primeiras matinees em discotecas de playboys.

O resto do lado A é chatérrimo, nunca deu para ouvir e ficou pior com o tempo, mas ai vem o lado B: Hairi Houdini – outro lixo delicioso, 3 notas na sequencia mais manjada que se pode imaginar, durona mas com acordes mais abertos e um teclado com um timbre brega, mas feliz. Outro golaço.

O Lado B se arrasta até chegar na faixa que encerra o álbum: Pussy n Boots. Funkeado, com uma guitarra aparente rifando o mínimo possível e uma trombada impensável de Led Zeppelin com Nancy Sinatra.

Acho que na real, o disco é importante para mim, pois foi a primeira vez que ouvi Immigrant Song (Led), These Boots Are Made For Walking (composição de Lee Hazlewood, famosa na voz da filha do homem) e “Rose of Garden”, (sucesso brejeiro na voz de Lynn Anderson) num disco xumbrega mas que usou com muita sabedoria o sampler.

No fim das contas, com o Kon-Kan, cheguei a artistas que normalmente se demoria um bocado pra alcançar, principalmente para quem morava no Brazilzão do governo Sarney, rádios com programações viciadas e pouquíssima referencia estrangeira de qualidade.

Era o que tinha, e valeu a pena.

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