Arthur Verocai – Arthur Verocai (1972)

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Abrindo um parêntesis antes de falar dessa beleza!

Um dos melhores momentos profissionais da minha vida foi numa tarde de sábado em 2012 quando tive a honra de conhecer o maestro Arthur Verocai e com ele passar algumas horas batendo papo sobre música, sua carreira a Mpb de hoje (no caso de 2012), em meio a alguns cigarros, uns saquês e o então re-lançamento de seu brilhante primeiro álbum.

Na época, estávamos relançando o Vinil.

O lançamento fez parte de uma programação de eventos e lançamentos chamada Vire o Disco, que temos organizado todo o ano desde então.

A presente edição foi uma parceria da Polysom com a Livraria Cultura S/A e foi nosso primeiro LP lançado nessa parceria.

Orgulho sem tamanho!

Além de termos ajudado a trazer para o mercado, um álbum importante e precioso para a música brasileira, o fato de Arthur ainda estar vivo e ter podido participar desse momento, também foi muito especial.

Agora vamos ao Play em si:

Dificil de classificar de primeira, o disco encontra paralelos com os artistas e grupos que faziam folk e folk progressivo ou folk orquestrado, na linha de Tim Hardin, John Martyn, Nick Drake (menos deprê), Fairport Convention, Family, mas com um certo swinge e groove que faltavam nos branquelos ingleses.

O disco é um passeio pela MPB, mas olhando pro resto do mundo, trazendo um tiquinho de jazz e assombrosos arranjos em especial Sylvia (totalmente anos 70, uma faixa mais chill out mas com uma flauta e um arranjo de bateria das pesadas).

As semelhanças com os companheiros britânicos fica mais evidente em Caboclo (balada soturna linda e inquieta), mas se separam completamente em Presente Grego (elo perdido entre o Clube da Esquina e o funk do Earth Wind & Fire), um dos pontos altos do Lado A.

O mais legal desse disco é que ele tem informação a beça, referencia pracas, faixas que vagam de um canto a outro no espectro de gêneros, mas é um disco curto (ótimo), as ideias chegam, são executadas e sem enrolação a música acaba e vamos pra próxima.

Arthur cria uma faixa soul psicodélica pra encerrar o lado A, Dedicada A Ela, lembra muito um outro gênio chamado Shuggie Otis (que lá na Califórnia dos anos 70 também seguia essa viagem), transmimento de pensação seríssimo!).

E o disco vai mantendo esse clima lúdico/edílico até o fim, produzindo sons e sulcos deliciosos, até chegar a estranha e incrível Velho Parente, com uma poderosa linha de baixo e um arranjo muito diferente de metais.

E fecha o disco com outra pedrada: Karina (Domingo no Grajau), queria eu saber o que foi esse domingo em grajau que inspirou essa insanidade impensável para um disco de “MPB”, uma faixa que não faria feio em nenhum disco do Ornette Coleman desse período ou do Hank Mobley ou do Lalo Schiffrin. Mesmo! Pra mim tá no mesmo nível, só que é muito mais legal! Tem um molho na cozinha que é foda.

Já falei que esse disco é uma aula de mixagem e produção também?

Tá, vou parar de elogiar esse disco que já deu na cara que sou muito fã.

Se alguém fizer uma lista séria um dia com os discos mais importantes feitos nessa terra, esse tem que aparecer e desconfie se isso não acontecer.

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