Perfumes Y Baratchos – Ave Sangria (1974-2014)

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E era uma vez um lugar distante, longínquo, que se dizia muito atrasado e onde as pessoas eram incapazes, preguiçosas, indolentes, ignorantes, analfabetas e todos os adjetivos pejorativos que se puder acrescentar.

Esse lugar se chamava Nordeste brasileiro.

Sem abrir espaço nesse blog pra discutir sociologia, politica ou qualquer coisa que se valha, eu venho por meio desse meu pequeno pedaço de sitio virtual, veementemente refutar essa observações pejorativas.

Se nem ontem eu concordava, hoje menos ainda.

A riqueza da cultura e das múltiplas manifestações artísticas da região, mesmo a se manter somente no campo da regionalidade musical, já dá um banho em mais da metade da música produzida no resto do planeta terra.

Agora se entrarmos no campo de como aconteceu as simbioses e mutações estilisticas entre as referencias de outras terras com a maneira peculiar de se lidar com ela, através do viés nordestino, aí temos um caso sério, muito peculiar e ouvido em pouquissimas regiões do planeta.

Sem ficar só nos famosos psicodélicos nordestinos como Alceu, Ze Ramalho, Flaviano, Lula Cortes, Marconi Notaro, entre outros, há uma banda dos anos 70, que ressurgida como uma fênix, voltou a ocupar seu lugar de direito nos corações dos fãs de rock brasileiro, ou no meu caso, um curioso e distante apreciador de esquisitices maravilhosas que não escolhem local de nascimento.

Essa banda é o Ave Sangria, psicodelia rasgada made in Recife nos anos 70.

O primeiro cabra a me falar deles foi meu amigo Cassio Renovato, profundo conhecedor de sons maravilhosos que me deu essa dica há uns 3 ou 4 anos passados.

Se Recife sempre teve aptidão natural para receber ondas sonoras de lugares distintos e transformar em algo que só poderia ter nascido lá, caracteristica essa que virou “branding” da geração dos anos 90, deve bastante a desbravadores como o Ave Sangria.

Vai inventar de fazer rock psicodélico no nordeste brasileiro nos anos 70… é muita viagem e muita coragem!

Esse registro ao vivo foi feito em 1974 e relançado em 2014 junto com o primeiro e sensacional álbum do Ave, que de tão procurado, já acabou e deve aparecer mais por ai em breve, é fundamental na captura do espirito que a banda tinha em apresentações ao vivo, e carrega também muito na atitude agressiva e contestadora, pois o som é pesado com letras nonsense e muita piração na caixola.

Perfumes Y Baratchos é um registro comovente e poderoso, que não faria feio frente aos correlatos britânicos ou americanos, mas com um toque diferente na quebradeira e na bateria que botam um tico de tempero nessa viagem sonoro, que lá pelos lados anglo saxões não existiam.

Coisa linda de morrer.

Tirando o lado exótico, o Ave Sangria foi/é uma banda tecnicamente muito boa com ideias particularmente interessantes e composições sensacionais e esse ao vivo é prova irrefutável dessa competência e qualidades raras.

Das minhas favoritas desse play, fico com O Pirata e o Instrumental (que fecha o lado B).

A banda voltou as atividades recentemente, o que nos atiça ainda mais e espero ainda poder assistir a algum show deles.

Viva Ave Sangria!

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