Bach, Johann Sebastian – Concertos de Brandemburgo (1718-1721) (1956)

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Entrando hoje num terreno perigosíssimo da música popular ocidental, a música clássica!

Perigoso sim, pois escrever sobre música clássica sempre me pareceu um campo das manifestações artísticas fadado e limitado a um pequeno latifúndio elitista e classicista dominado por pseudo-caciques que trazem para si o faroleiro de guia-mestre por esse universo musical. E que só esses caciques detêm o estudo, paciência e tempo para entender, discorrer e levar adiante os valores trazidos na música clássica desde Palestrina e que aparentemente não mais condizem com o século XXI em todas as suas nuances e acelerações sociais.

Parece que o mundo de hoje não insere mais a música clássica como parte fundamental de sua solidificação judaico cristã capitalista, onde toda a nossa sociedade dita vencedora, ocidental, saxã e ligeiramente puxado no branco se moldou até então.

Mudança de valores? Modernização?

Acho que não, a música clássica bem ou mal se adaptou as mudanças e caminhou junto, o que não temos mais é a paciência e o tempo pra escutarmos a maravilha por si só.

Música virou App, música virou um arquivo Mp3 que cabe em dispositivos móveis com qualidade de som muito ruins (Neil Young que o diga).

A música clássica ressaltava as emoções em sua flor da pele, se é do belo que se trata, que seja, se é o trágico da natureza, que o seja e com base nesse conjunto de valores e moralidades que se deveriam ser construídos visando o ornamento de jantares finos, encontros casuais e cultos católicos, ou qualquer outra razão social de belezas inomináveis.

Como eu sempre detestei elites de qualquer pais e espécies, na minha cabeça eu sempre associei música clássica com o esnobismo das classes A elitizadas que além de não abrirem mão de seus ganhos, também não abririam mão de suas belezas (a música clássica entre elas).

Hoje sei que tudo isso é mais ou menos bobagem, mas comecei muito tardiamente a me interessar por música clássica e lembro que as primeiras experiências começaram com Bach e particularmente com esse Concerto.

Acho que deliberadamente, minha entrada no mundo da música clássica se deu com Bach e ainda hoje é o compositor que mais ouço e gosto.

Após anos errantes por esses sons, um dia me caiu na mão um livro que seria meu mapa por esse mundo e que nunca mais larguei, que é o Livro de Ouro da História da Música, de Otto Maria Carpeaux. Eloquente, didático, opinativo, explicativo e profundo, devorei e rabisquei esse livro até não poder mais e a partir dele segui por caminhos mais claros dentro desse oceano abissal.

O primeiro exemplar que tive desse concerto foi com o maestro Wilhelm Furtwangler, numa gravação histórica, que não tenho mais em casa e hoje volta a ter espaço aqui na minha discoteca pois adquiri recentemente essa edição ótima lançada pela Archiv, selo alemão que é responsável por grande parte das gravações de Bach, ou pelo menos as mais importantes.

Não sou louco de tentar analisar nem essa obra, comparar com qual outra? Não dá. Tão pouco a orquestra que a executou (que foi a Orquestra Bach de Berlim), menos ainda o regente, Karl Richter.

Escrever sobre Bach como compositor? O que? Que é a coisa mais próxima de Deus que existe? Se Bach existiu é prova que Deus existe? Se Deus existe, uma das provas é Bach? Talvez. Só sei que não consigo ouvir Bach sem que essas afirmações se façam em mim e a paz e perturbações de sua música só reforçam que esses degraus em direção ao Céu deve estar pavimentado em sua música.

Sem esse cimento sensorial, creio que não tem como chegar ao sublime ou ao sublime como ideia.

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