Bango – Bango (1971)

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Quando o quesito é descobrir música, não existe nada tão sensacional quanto dar de cara com um disco de entortar a cabeça depois de velho.

Daqueles de fazer você se sentir um completo ignorante por não ter conhecido antes.

A internet já tinha dado um help, pois no Youtube tem o disco quase completinho pra audição e ali já dá pra se ter uma boa ideia do que era o Bango.

Muito a moda antiga, no bate-papo com o chapa Tiago Tellini, que manja desse riscado de obscuridades do rock brasileiro como ninguém, esse disco veio a baila, fiquei com ele na cabeça, mas um album original desse vale uma pequena fortuna, mas como se dizia na velha vinheta do Seu Creison “Seus problemas acabaram”, pois uma nova edição linda em vinil acaba de chegar aos mercados brasileiros e mundiais.

Graças a malucos/desbravadores da gravadora portuguesa Groovie Records, esse play voltou a ser editado em uma ótima reedição em vinil, com encarte explicativo bonitinha, qualidade de áudio merecida e que ajuda a tirar do gueto do ostracismo essa belíssima espécie de rock revolucionário feito pelos lados de cá do mundo.

Com apenas um disco lançado em sua história, a banda fez parte de uma onda que assolou os 4 cantos do Brasil e tirou das garagens e dos quartos um monte de gente interessante com ideias malucas nas cabeças e ouvidos atentos ao diferente.

O movimento tropicalista ajudou a botar fogo nessa galera, pois quer queira quer não, sem a popularidade alcançada pela turma dos baianos, muitos desses artistas talvez não conseguissem ver a ínfima luz do dia.

Escancarando-se as portas das percepções, os limites pareciam não existir para uma galera e o Bango capturou bem esse espirito.

Com um som que misturava rock psicodélico repleto de fuzz como na faixa que abre o disco, Inferno no Mundo e em Motor Maravilha (hoje minha favorita do album), rock rural que os Mutantes faziam de vez em quando como na deliciosa e divertida Marta, Zeca, O Padre, o Prefeito o Doutor e Edu, hard rock americano como a espetacular Rock Dream, baladinha a la Beatles como Geninha e canções bem sixties como Only e Vou Caminhar, o disco é um passeio por tudo que acontecia de legal e contemporâneo no inicio dos anos 70, em especial pelo lado Psych da coisa (respiros e cafungadas do que restou da loucura sessentista que deu um caldinho nos 70).

Falei de quase todas as faixas do disco e é uma melhor que a outra mesmo, mas ainda tem de lambuja a faixa Mongoose, cover da banda Elephant’s Memory, que nunca tinha sido lançada oficialmente e ficou guardada por décadas nas gavetas da Musidisc.

A banda tinha repertório e som pra ter sido muito grande, mesmo! Sem querer de novo evocar o nosso completo de “Vira-lata”, mas se tivessem nascido nos EUA ou Inglaterra, teriam feito carreira e teriam conseguido tocar com qualquer um dos grupos bons que pintavam na época.

Pode ser muita viagem, mas conseguiria ver o Bango tranquilamente abrindo prum Cactus, prum Mountain ou outras bandas boas e médias pra grandes que circulavam pelo mundo no começo dos anos 1970.

Caiam de cabeça, vocês não vão se arrepender. Enjoy the Trip.

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One Comment on “Bango – Bango (1971)”

  1. Jeferson Santos disse:

    Fala rapaziada!
    Vocês podem disponibilizar os créditos das canções, por gentileza?
    Desde já, obrigado pela atenção e muitas melodias na vida! Abração!!!


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