The Beatles – The Beatles (White Album) – 1968

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E chegamos ao ponto de acordo entre quase todos as pessoas que amam os Beatles.

Praticamente todos eles têm um lugarzinho especial no coração pra esse disco.

“É o ponto máximo entre a tensão criativa e as disputas internas pelo controle do grupo e pelos holofotes da mídia mundial”. É um dos dizeres mais comuns sobre o reflexo do álbum e o período pessoal que cada um dos Fab Four viviam, mas acho a afirmação parcialmente correta.

A disputa pelo controle da banda já estava ganho por Paul um ano antes com os projetos Sgt Peppers e Magical Mystery Tour, o filme, que figuraram em dois projetos que deram a ele o controle criativo por conta de seu envolvimento e motivação fora do comum para fazer a direção sonora da banda ir pro lado que ele queria. Pra isso ele contou com o aval de George Martin que tinha enxergado essa capacidade de acertar muito e variar o repertório de composição para gêneros que os demais não acompanhariam.

O “album branco” não é tanto sobre disputa, mas sim uma sessão de “estapeamento” entre Paul e John, com o George vindo de vez em quando das uns petelecos nos dois, que no fim virou um exercício de mutilação originado do tédio e saco cheio de horas de gravações, pouco descanso e uma vontade feladaputa de se superarem.

Há um clima de secura e silêncio por trás do álbum que é angustiante, claustrofóbico e imagino como seriam as coisas se a banda tivesse terminado com esse sendo o seu ultimo trabalho, já que na época foi o que quase aconteceu.

No reino do “se” se constrói um novo mundo, mas voltemos ao que a história de fato foi.

Envolto de mistério, o disco já começa escondendo o jogo logo na capa, todo branco com nome da banda em auto relevo, na contra capa nenhuma informação, mostrando o incrível poder que eles tinham de peitar lançar um álbum com tantas características anti-comerciais assim e desafiar todas as regras de marketing que eles mesmos ajudaram a criar dentro da indústria musical dos anos 60. (álbum duplo? Sem foto dos integrantes na capa? Sem um compacto antes do Album? Sem informação nenhuma de nada?).

O que ninguém sabia era que os rapazes tinham um plano, ou pareciam ter, pois o álbum foi direto pro primeiro lugar da Billboard mesmo com todas esse anti-marketing. A curiosidade de seu publico foi tanta que a receita do “esconde o jogo” deu muito certo.

O álbum é irregular a beça, genial como eles nunca chegaram e boboca na mesma proporção. Começando o lado A tem o melhor rock “pé-na-porta” escrito por Paul, Back In The USSR, que puxa a bela e estranha balada Dear Prudence de Lennon seguida de Glass Onion, e sua letra sacadíssima e inspirada de Lennon dando uma zoada a respeito dos mitos e lendas que surgiram em torno do grupo nesses anos.

Depois desse começo arrasador, vem duas bobagens colossais Ob-La-Di, Ob-la-Da que deve ser a maior porcaria do universo e Wild Honey Pie que não diz nada e se você não fosse fã de Beatles ia se perguntar que merda era aquela.

Mas o lado A iria se redimir magistralmente com a levada “oeste” The Continuing Story of Bungalow Bill e talvez as duas mais espetaculares músicas dos Beatles: Happiness is A Warm Gun, que confesso aqui, ainda acho magia pura e não sei de que planeta Lennon tirou essa música, mas não é daqui. E While My Guitar Gently Weeps, de longe a melhor contribuição de George até então.

O resto do disco é uma grande disputa de contrapontos, Paul lança uma balada acústica Blackbird, com a levada de violão mais linda do pop britânico e Lennon solta Julia, praticamente do mesmo molde. Lennon ataca com a furiosa Everybody’s Got Something To Hide… e Paul vem com Helter Skelter, um verdadeiro porrete descomunal na cabeça de quem tivesse pela frente, Lennon vinha com vociferando em I’m So Tired e Paul singelo com Mother Nature’s Son.

Outra das minha favoritas de Lennon está nesse álbum, Sexy Sadie é um deleite melodioso com veneno escorrendo pelo cantinho da boca pra contar mais uma das suas experiências no período de retiro “dos artistas” na India (história sensacional dentro da biografia da banda).

No fim, como um amigo disse há muito tempo, o álbum duplo podia muito bem ter sido um simples se eles tivessem se entendendo na época e o disco seria um petardo colossal irreparável, mas quando você tem um lado 4 como esse, é quase como a nota 10 sendo tirada meio ponto por música, exceto Cry, Baby Cry e Savoy Truffle, duas faixas que parecem que antecipariam o que seriam as canções futuras de Lennon e George nos anos 70. Agora o resto desse lado é de doer: Revolution 1 é uma bobagem, Revolution 9 é música experimental mal feita, pagando de difícil e chatissima, Good Night é um pavor e Honey Pie fica no limite entre o comico e o genial, mas lambe mesmo é o cafona.

Resumo da opera: O White Album já foi o meu disco favorito dos Beatles, mas hoje é só o disco com as melhores musicas que eles fizeram, o que não é pouca coisa que fique claro, mas não faz dele o disco mais foda do mundo. Gosto muito, mas sinceramente é isso…

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