PJ ainda bate um bolão.

Acabei de voltar de Londres (férias, retiro espiritual off-line total, essas coisas) e por lá, pelo menos nos lugares que interessam, Pj Harvey ainda ostenta cacife de Diva/Super-Estrela do mundo ou submundo dos bons sons (esse lugar ainda existe, deve caber num quintal mas existe).

Seu mais recente trabalho, The Hope Six Demolition Project é um ambicioso projeto Musical/Social em que ela escreveu canções de protesto, rodou alguns lugares interessantes/pobres ao lado de um fotografo de guerra e rodou clipes por lugares bem mais zoados que a baixada do Glicério. Seu mais recente vídeo foi filmado no Afeganistão, o primeiro foi no Kosovo e ela gravou ainda com um grupo gospel da periferia de Washington D.C.

The Hope… vem no mesmo embalo de Let England Shake, o que deixa os ouvidos acostumados a mudanças repentinas de rotas musicais de PJ mais aliviados e reconfortados.

Instrumentação rica, arranjos abertos e sofisticados, ecos nos vocais, metais?? Tudo isso vem nesse novo pacote criado e concebido por PJ quase como um “documentário musical” da miséria, da pobreza e da desigualdade imposta por nações ricas contra nações menos desenvolvidas.

O disco em si não é ruim, até por que a pior coisa que ela fez ou fizer é ou ainda será melhor do que a melhor coisa que qualquer outro artista contemporâneo possa produzir. Padrão de qualidade PJ Harvey mantido.

Ainda tem algumas guitarras por ai (graças a Deus), ouve-se os ecos de sua infalível Fender Jaguar, mais calma mas ainda roncando ao fundo. Seu vocal continua matador, canta melhor a cada disco e continua sendo a melhor compositora dessa geração, me aponte uma música nova melhor que The Community Of Hope ou Chain Of Keys (isso só pra citar duas).

O que poderia ser um projeto maleta, virou um senhor disco de “Protesto” dos mesmos moldes que seu Let England Shake o foi há 5 anos.

Vibrante, não convencional e repleto de tempero britânico, PJ Harvey se firma definitivamente como um ponto de exclamação musical praticamente imune a erros, não dá pra apontar um trabalho dela que não seja no mínimo bom.

Ela pode já não estar mais no auge de Stories From the City (2000) ou Is This Desire? (1998), mas tá longe ainda de uma “decadência” ou até mesmo de uma “zona de conforto”. PJ prefere continuar cagando pros modismos e compartilhar lindas músicas e lindos discos como esse novo álbum.

Bom pra nós que gente como PJ ainda esteja fazendo discos assim.

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