Gales Neles!!!

Em homenagem a grande sensação da Euro2016, o Pais de Gales mostra que não tem craques só no campo da música, mas também no futebol.

 

Você sabia que Shirley Bassey é galesa? E que o Tom Jones é gales? E que o Budgie veio de lá também?

 

Historicamente, a música de Gales gravitou pela influencia inglesa entregando de quando em quando um molho diferente no cancioneiro da ilha.

Por vezes, imitou a matriz inglesa na caruda, por vezes fez melhor, regurgitou as influencias e botou no mundo artistas originais que beberam de suas águas geladas, respiraram seu ar madrigal e nos anos 90, cheios de orgulho da terrinha, alguns artistas galeses bateram no peito e galgaram postos nunca dantes ouvidos no panteão pop.

Casos mais famosos de Manic Street Preachers e Stereophonics, que atravessaram o Atlântico e até por aqui angariaram alguns fãs, botou o pedacinho de terra que ninguém sabe direito onde fica definitivamente no mapa da música (e hoje no futebol).

Saindo um pouco, ou tentando sair do óbvio, vai abaixo meus discos ou artistas galeses favoritos sem seguir uma ordem de melhor ou menos melhor…

 

The Pooh Sticks – The Great White Wonder (1991): Seguindo o espirito que os guiaram nos anos 80 pelo maior selo da historia do rock inglês, a Creation Records, o Pooh Sticks poderia ser definido como uma bela e original pilhagem sonora. Pouco no som deles era original, mas nesse Frankenstein sonoro, não é que esse disco ainda reluz a ouro? Conseguiram fazer um disco torto sensacional e talvez um dos mais obscuros e ainda bons álbuns de guitar rock do começo dos anos 90.

 

Super Furry Animals – Fuzzy Logic (1996): Seminais representantes da maluquice que se respirava em Gales nos anos 90, o SFA foi uma das melhores coisas que a ilha produziu nos 90 e Gruff Rhys daqui a pouco ganha uma placa ou estatua por lá. Semi-deus do cenário rock/alternativo britânico, o SFA nunca teve um hit de encher estádios, mas nunca fez um disco ruim na vida, Radiator de 1997 é mais querido, mas esse play de estreia ainda me chapa até hoje. Glam rock de primeira sem uma musica caída…

 

Gorky’s Zygotic Mynci – Spanish Dance Troupe (1999): A banda fez relativo e improvável meio-sucesso por terras britânicas e até brasileiras! Esse cd na época foi lançado no Brasil pela sacro-sacripanta e heróica Trama. Pelas minhas contas, aproximadamente 458 felizardos compraram esse disco na época e puderam escutar esse belíssimo exemplo de folk psicodélico bagunça do Gorkys.

 

The Ejected – Noise For The Boys (1982): punk primal e urgente tardio, esse ainda é um disco que to procurando pra colocar aqui na discoteca de casa. A dor e angustia lá no Nordeste britânico vem com outras dolorências e a urgência vem de jeitos diferentes. Maravilha do punk oitentista britânico.

 

The Living Legends – The Pope is A Dope (1982): O 1982 foi pro rock gales o 1977 pro resto do mundo. O Living Legends foi uma banda ultra-anarquista, liderada por um figura chamado Ian Bone que gostava de tocar o puteiro, foi tido pelo tablóide News Of The World, como um dos homens mais perigosos da ilha e essa bela canção que eles gravaram em compacto foi dirigida ao papa em questão Joao Paulo II que faria uma visita ao pais. Docinho!

 

Young Marble Giants – Colossal Youth (1980): Esse trio de Cardiff lançou em 1980 o melhor “álbum rascunho” da historia. Ganhou fãs ao redor do mundo com essa ousadia minimalista, de Kurt Cobain que se declarava fã incondicional do álbum, até o The XX, que tem tentado reproduzir esse álbum desde que eles existem.

 

Tom Jones (1960s até hoje) – Pelo conjunto da carreira: Monstro sagrado que transitou pelo rock, pelo pop romântico e por lugares bastante distintos em sua carreira longa e brilhante carreira. Nasceu em Gales, mas foi pro mundo, tem um soul danado, canta muito, é gente boa e tocou com mais da metade do mundo que vale a pena ser citado: de Jerry Lee Lewis a Cardigans, de EMF a Stevie Wonder… aqui eu separei seu breve e sensacional duelo com Little Richards… tá bom?

 

The Darling Buds – Pop Said..(1988): Ali pelos anos 80 e 90, uma nova onda de bandas com loiras cantando aparecia, e o Darling Buds não era necessariamente sensacional, mas fazia corpo junto com as outras 15 mil guitar bands que brotavam na ilha e buscava seu lugar ao sol… chegou perto, mas deixou algumas pérolas pelo caminho.

 

 

Future Of The Left – The Hope That House Built (2009): Respeitadíssima banda galesa ainda em plena atividade. Faz um anarco-punk moderníssimo, menos punk, mais Fugazi, politizado até os ossos. Ao vivo tem a fama de fazer shows arrasadores.

 

Hippies Vs Ghosts – Wazo (2015): Banda nova, descobri quando estava pesquisando o que existia de rock gales novo e apareceu isso. Instrumental, bem pesado, tem coisas de krautrock, de rock de garagem e pouca informação online. Ou seja, tem quase tudo que eu gosto e parecem ter a atitude que gosto também. Promissor.

 

John Cale (1960s até hoje): Tudo bem, ele só nasceu lá, mas só esse fato já bastaria para estar nessa lista.

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