Chuck Berry is gone, ou como se diz Adeus a um deus?

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Há muito tempo atrás, numa era passada, seja de ouro para alguns, de cobre para outros ou de trevas (já que não existia internet), existia um negócio aqui no Brasil chamado “Free Jazz Festival”, que nada mais era que um Festival de Música patrocinada por uma marca de cigarros e que trouxe ao país alguns dos mais importantes shows que a terrinha descoberta por Cabral já viu.

Em 1993 tive o privilegio de assistir a uma noite especial com Little Richard abrindo e Chuck Berry fazendo o show de encerramento, a uma distância de uns 2 ou 3 braços (bons tempos do Palace). Eu estava tão perto deles que dava pra ver a maquiagem se soltando do rosto de Richard e os tiques nervosos de Chuck .

Não parecia um show normal (e não era), essa noite pra mim foi mais como um vislumbre do Olimpo, um encontro sobrenatural com criaturas meio humanas e meio deuses e os dois senhores que estavam a poucos metros na minha frente eram quase humanos, mas eu sabia que eles eram deuses ou figuras mitológicas compostas por poderes ancestrais que o resto da humanidade não desfruta, tal qual um Pegasus ou um Mercurio.

Para a minha religião, que é o Rock and Roll, Berry foi o Zeus desse Panteão e sem suas canções sensacionais e inteligentes (Berry compôs alguns dos mais importantes rocks de todos os tempos) e seu modo único de tocar guitarra que diretamente influenciou 10 entre 10 guitarristas, o rock tivesse ficado no status de sub gênero morto antes dos anos 50.

Se não tivesse existido o criador Chuck Berry, provavelmente Stones, Beatles, Animals, Kinks, Clapton, The Who e demais talvez não tivessem sua estrela guia e seu mentor para seguir e a historia da música, do gênero e do mundo teriam sido outros.

Hoje, o Rock é matéria de tese acadêmica e tema de exposição em Museus, mas graças a caras como Chuck Berry, o rock and roll foi o gênero musical mais democrático e acolhedor de todos, pois seu molde foi feito sob medida para qualquer um, independente de raça, credo, classe social pudesse usa-lo como instrumento de comunicação de sentimentos e atingisse qualquer pessoa em qualquer lugar.

Chuck Berry morreu nesse ultimo sábado, dia 18/03 aos 90 anos, mas o Rock que ele ajudou a alçar como o gênero mais popular do século XX morreu bem antes dele.

 

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