Supersonic, ou a nostalgia dos anos 90.

Unknown

Como era de se esperar, algumas boas historias dos anos 90 começam a vir a tona e certamente um dos grandes protagonistas dessa década foi a banda inglesa Oasis.

O ótimo documentário Supersonic, lançado no final do ano passado, dirigido por Mat Whitecross (conhecido por clipes do Coldplay) chega agora ao Netflix e nos ajuda a lembrar algumas histórias que quem estava lá viu e ouviu.

Nenhuma banda brigou tanto ou causou tanto quanto eles, nem foi tão defendida ou atacada quanto eles. Pra quem era do rolê “indie rock 90s”, o assunto Oasis rendia bons papos e num mundo onde Nirvana não existia mais e o Guns & Roses esfriava o faixo, parecia ser um terreno perfeito para o surgimento de uma nova super banda encrenqueira.

Sobre os irmãos Gallagher não há meio termo, ou se ama ou se odeia e pode-se inclusive passar pelos dois sentimentos, não ao mesmo tempo, mas um antes do outro.

Conheci o som da banda mais ou menos quando todo o mundo conheceu, através do clipe de Supersonic. Achei legal, boa música, mas na época tinha tanta banda boa e tanto som bom aparecendo que não me apaixonei por eles logo de cara.

A coisa mudou quando ouvi Live Forever, essa é o tipo da música que não aparece toda a hora. A balada é correta, tem a duração correta, um lindo refrão e ótimo som de guitarra, com um solo simples e eficiente.

É o que se chama de canção perfeita.

Some essa quantidade de ótimas composições com a enxurrada de polemicas que os dois arruaceiros iam acumulando e a banda ficou grande em pouco tempo.

O Oasis capturou o espirito musical e cultural dos anos 90. Influenciado por guitar bands inglesas, que depois abraçaram um modelo mais clássico de rock (60 e 70 – T.Rex, Beatles, Paul Weller, Gary Glitter, Sweet, dentre outros), mas diferente de outras ótimas bandas que surgiram um pouco antes e das que apareceram ao mesmo tempo, o Oasis tinha dois trunfos quase imbatíveis:

Liam Gallagher cantando e Noel Gallagher compondo.

Tal qual a anedota do cara que apresenta um gato dançando e cantando e outro no piano tocando, quando o contratante maravilhado pergunta o preço do show, e o dono dos gatos informa: 10.000. O contratante retrucou “ok, mas quanto é cada gato?”, e ele respondeu: “3.000 pelo que canta e 7.000 pelo outro”. Por que? “Bem, o primeiro só canta, o outro toca piano, arranja e compõe as canções”.

Noel sozinho fez algumas da melhores músicas da década de 90 como: Don’t Look Back In Anger, Champagne Supernova, Live Forever, Cigarrettes & Alcohol, Wonderwall, Whatever e outras.

Noel pensava e criava com espantosa velocidade, isso ele deixa mais ou menos claro no documentário, mas o que não aparece é a sua astucia na escolha do label da banda, o Oasis dentro do quadradinho é algo que todo o inglês quase associa consciente ou inconscientemente com o label da Decca Records. Noel já visualizava a banda como uma das melhores e queria imprimir isso logo de cara.

Sua visão não estava errada, em 3 anos o Oasis tinha dois álbuns incríveis: Definitely Maybe (1994) e (What’s The Story) Morning Glory (1995), um punhado de canções para tocar em Estádios e dinheiro pra uma vida confortável até o fim da vida.

O documentário cumpre a função de apresentar o Oasis para as novas gerações e como os irmãos tocaram a produção do filme, deixaram algumas coisas de fora como por exemplo, as rixas com outras bandas britânicas, em especial com o Blur. (Ou eles ficaram com coração mole ou propositalmente não desviaram o foco dos seus respectivos umbigos.

No mais, as tretas federais entre eles, as doideiras de drogas e alcool, a origem humilde e as besteiras que eles fizeram estão quase todas lá, sem nenhum sentimentalismo e sem pedir desculpas.

O documentário termina com o show da banda para 250 mil pessoas no Knebworth e isso estamos ainda no final de 1996.

Deste ponto em diante, eles continuariam fazendo bons discos, Be Here Now que não foi bem recebido em seu lançamento em 1997 soa melhor hoje do que na época e mesmo com algumas mudanças, a banda nunca perdeu seu “mojo” nos álbuns que vieram depois e nunca fez um álbum que não fosse pelo menos razoável.

O Oasis é parte importante e essencial pra se entender o pop rock dos anos 90, em especial o tal Britpop… um dia escrevo sobre isso.

Abaixo links das minhas favoritas da “dupla” ou “banda”

 

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