Roger Waters está com Raiva…

Aqui estou eu batucando essas palavras ao som do ultimo álbum de estúdio lançado pelo baixista e ex-lider do Pink Floyd, chamado Is This The Life That We Want?, que foi há algumas semanas atrás em formatos físicos e virtuais (to escutando no youtubão mesmo).

O disco é bem bom, o que pode ser uma surpresa, pois seus álbuns solos são esquisitos e não necessariamente bons.

Mesmo o fã mais ardoroso de Floyd tem suas ressalvas para os álbuns solo de Rogerio Aguas, mas esse novo alia com destreza um discurso político muito interessante e um som contemporâneo próprio dos criadores e ex-revolucionários de décadas passadas, que envelheceram, mas que o fazem com dignidade e competência.

Em alguns momentos, lembra Lazarus (ultimo do Bowie), em outros, lembra o Radiohead (se o Radiohead lançasse discos assim) e na maior parte do tempo, tem um clima de The Wall (nas faixas mais soturnas, aquele clima de “leseira” lisérgica que o álbum preserva).

Fato é: Waters nunca fugiu da briga, sempre defendeu suas posições com bastante clareza e tem sido um dos mais contundentes críticos a onda neo conservadora que tem assolado o mundo, além de abertamente a mais contundente voz contra Donald Trump e tem rodado o mundo levando seu novo libelo libertário.

O discurso tá mara…, o som tá incrível, mas em alguns momentos o veterano raivoso dá suas escorregadas em especial no seu recente “quiproquó” contra o Radiohead.

Por conta de uma apresentação que o grupo de Oxford tinha marcado para fazer em Israel, Waters teria criticando e tentado dissuadi-los a fazer essa apresentação como uma forma de “boicote” ao país por conta das ofensivas israelenses contra os palestinos.

A posição de Waters é pró-Palestina, até ai nenhum problema, cada tem sua opinião e se movimenta da forma que seu coração, estômago e consciência lhe guiar e numa questão tão complexa como essa (Palestina X Israel, Faixa de Gaza, etc), o melhor mesmo a fazer é melhorar o debate com ideias arejadas, tratar as dores dos dois lados com mesmo peso e medida e em especial coletar informações sobre o assunto (data is the power, right?).

O problema nisso tudo, e aí eu discordo do ex-lider do Floyd nesse ponto, é o cara se achar no direito de arbitrar ou dissuadir um artista a ir tocar num país para uma galera que pode não ter nada a ver com esse problema (acredite, deve ter milhares de israelenses em Israel que não tem opinião sobre a questão, ou não querem se meter com essa questão, eles só querem viver suas vidas, ouvir música, trabalhar, transar, beber e etc. Algum mal nisso?).

E mais, arbitrar sobre uma relação particular de contratante e contratado, no caso, o Radiohead e a empresa que os contrataram e pagaram para o show acontecer.

Até onde sabemos, não foi um show aberto ao público de graça com apoio e dinheiro do governo de Israel e sim um show com ingresso pago (com todas as partes sendo remuneradas).

Na verdade, há uma carta aberta com diversos artistas e personalidades que escreveram para o Radiohead pedindo para que ele não tocasse em Israel. O que torna a coisa até mais ridícula na verdade.

Segue a carta na integra no link abaixo:

https://artistsforpalestine.org.uk/2017/04/23/an-open-letter-to-radiohead/

Agora a questão é: por que eles só incresparam com a turma de Oxford? Por que não se meteram no show do Pixies que aconteceu por lá há alguns dias atrás?

Alias, ele vai se manifestar contra outros artistas que tocarão por lá nos próximos meses como Slowdive, Regina Spektor, Infected Mushroom, Bryan Adams ou Nick Cave And The Bad Seeds?

Há maneiras de fincar sua bandeira ideológica, Waters é inteligente, sagaz, tem muito a dizer, mas ações como essa, num mundo cada vez mais polarizado, preguiçoso e que tem sentido a necessidade de escolher um lado e defende-lo como se fosse a ultima fronteira da moralidade, corre o risco de jogar um debate importante para a vala da disputa pela disputa (o time Radiohead contra o time Waters/Pink Floyd) e via de regra esse tipo de conversa descamba para outros lados (que não levam a lugar algum, na maioria das vezes).

Mas voltando ao disco, Is This Life… tem melhorado a cada ouvida e já dá pra pensar numa listinha de melhores de 2017 com ele incluso.

 

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