Discos e Cervejas.

Sábado a tarde, 03 de Maio de 2014 e muitas boas experiências sonoras e sensoriais.

Regado a boas cervejas, tive a honra de mostrar para duas crianças como se ouve música de verdade!

Com dois toca discos, elas ficaram fascinadas com a altíssima tecnologia empenhada em escutar música em LPS.

Segurando a música em suas mãos! Tocando a capa e segurando com firmeza e delicadeza o acetato, tomando conhecimento que esse pedaço de música, se bem cuidado e tratado, existirá por muito mais tempo que todos nós!

Espero ter ajudado a abrir um novo mundo para esses dois futuros homens.

Que sensação gloriosa!

Esse foi mais ou menos o repertório do Set que fiz harmonizando com o ambiente, o Sol e com o pequeno mas muito atento e simpático público que lá esteve.

Que mais dias assim se sucedam!

Joni Mitchell – Talk To Me

Marios Group – Borungku Si Derita

John Fahey – Impressions Of Susan

Sonny Rollins – Stone Rode

Calexico – Black Heart

Delfonics – Ready Or Not Here I Come

Os Ipanemas – Nanã

Kurt Vile – Jesus Fever

Roxy Music – Virginia Plan

J.J. Cale – Cajun Moon

New Orleans Sweet Emma and Her Preservation Hall Jazz Band – Clarinet Marmalade

Fagner – A Palo Seco

Prince – Starfish & Coffee

Aretha Franklin – Two Sides Of Love

Jorge Ben – Cosa Nostra

Ike & Tina Turner – She Came In Through The Bathroom Window

Emilio Santiago – Bananeira

Oswado Nunes and The Pops – Tá Tudo Aí

The Supremes – You Can’t Hurry Love

Joe Cocker – Woman To Woman

Roy Ayers Ubiquity – He’s a Superstar

Dee Felice Trio – O Happy Day

Showaddy Waddy – Chain Gang

Os Nucleares – Apolo 0

Fabian – Gimme a Little Kiss

Syl Johnson – Different Strokes

J.B. Pickers – Freedom of Expression

Wreckless Eric – Waiting On The Surface of The Moon

Dee Dee Sharp – Seven Day Weekend

Nelson Riddle – The Untouchables

The Replacements – Alex Chilton

The Headboys – My Favourite DJ

The Byrds – All I Really Want To Do

João Ricardo – Salve-se Quem Puder

Eumir Deodato – Whole Lotta Love

Woody Guthrie – Oregon Trail

The Zombies – Tell Her No

Los Bravos – Black Is Black

The Wailers – Beat Guitar

Gene Rambo and the Flames – My Little Mama

Orchestre Kanaga De Mopti – N’do n’do

Triston Palma – The First Time


Fairport Convention – Fairport Convention (1968)

Que disco, que fase!

Mais um delicioso quitute do cancioneiro popular anglo-saxãozis…

O FP foi todo construído em cima de ideias, conceitos e sentimentos genuinamente artísticos com ambição, competência e uma escolha incomum de influencias.

Num caldeirão tré chiqué de referencias que começavam com Thomas Pynchon, Doc Watson, Bob Dylan, Barbirolli e terminavam em Henry Miller, Joni Mitchell e poesia simbolista francesa, o som do FP nasceu em berço promissor e tinha na sua formação um dos músicos mais criativos e incomuns nascidos na ilha.

Richard Thompson.

Por mais que o grupo sempre agisse como tal, afinal eram os anos 60 e eles se inspiraram livremente nos ideais libertários da década, Richard era diferente e sua guitarra se destacaria enormemente e prestaria por conseguinte um enorme favor ao folk e pop britânico, nos brindando com uma carreira errática e cheia de surpresas.

O FP é uma das mais adoradas bandas inglesas ever e diz muito sobre o que foram os últimos anos da década lá pela ilha.

Efevercencia de grupos, ideias e gêneros que pipocavam por todos os lados da “Britania”.

Heavy Metal, Fusion, Acid Rock, Hard Rock, Folk Rock, Psicodelia britânica, Progressivo e cada um na sua e todo mundo se frequentando.

Belissimo exemplar do folk engajado e inteligente que o Fairport repetiria nos 5 albuns seguintes.

Estréia sensacional e promissora, virou uma das bandas de cabeceira de John Peel, tá bom?

Por aqui, chegou tarde na discoteca lá de casa, mas antes tarde do que nunca.


Crosby, Stills, Nash & Young – Déja Vu (1970)

Em homenagem tardia ao grupo que passou por aqui na semana passada (ou o que sobrou dele), puxo da cartola esse álbum espetacular.

Deja Vu, talvez seja o melhor exemplo da sonoridade multifacetada e repleta de possibilidades que o CSNY tentou exprimir em seu tempo de existência (entre idas, vindas, idas e vindas), foram mais de 40 anos de colaborações constantes entre os 4, que viraram trio e em alguns momentos virou dupla.

O melhor do folk, country rock e pop acústico reunidos em um álbum refinado, especial e repleto de vocais doces, afinados e inspirados por um enorme senso de cooperação e competição entre seus membros. Característica latente de alguns álbuns que tinham artistas de nível superior compondo junto, tocando junto e fazendo álbuns juntos.

Aconteceu no Buffalo Springfield, no Byrds, nos Beatles, no Flying Burrito Brothers, no 13th Floor Elevators e por ai vai.

O nível das músicas nunca esteve tão alto.

David Crosby trouxe a energética “Almost Cut My Hair”, enquanto Stills veio com a enigmática e suspensa “8.4+20” e Neil Young que recém entrara ao grupo trazia “Country Girl” grandiosa, ambiciosa e repleta de altos e baixos, talvez seja uma das melhores composições de Young fora de sua carreira solo.

O disco ainda tem música de Joni Mitchell e participações de Jerry Garcia (Grateful Dead) e John Sebastian (The Lovin Spoonful). Tá bom?

A beleza é necessária e é isso que Deja Vu nos traz. Ambição em prol de algo maior, melhor e mais bonito. Sem duvida, um dos melhores discos da história do rock norteamericano.