10 Discos Sensacionais de Bandas Porcarias.

Resolvi pensar positivo.

Achar o bom no péssimo, mesmo que pra isso eu tivesse que atravessar um deserto de desolação e fazer com que meus ouvidos acostumados a ser mal-tratados todos os dias a passar por verdadeiras sabatinas sônicas pra evidenciar as qualidades onde aparentemente não havia nada além de porcaria.

A maioria desses artista abaixo listados tem um séquito barulhento e por vezes fanático de fãs, atraem grandes públicos para seus shows, vendem ou venderam bem, quando esse negócio de música ainda dava dinheiro e sou certamente sou voz minoritária em praticamente quando afirmo que são umas porcarias.

Nessa lista não vai ter discos do Dire Straits, do Jethro Tull ou do Toto porque nao achei nenhum disco decente deles que eu realmente gostasse.

Não vai ter também No Doubt, Nickelback ou Maroon 5 porque nem disco eles fizeram direito.

Causando polêmica em um toque de 5, 4, 3, 2, 1:

  1. The Offspring – Smash (1994)

Acho que é meio consenso até pra quem não gosta da banda, que Smash é um baita disco. Lembro que quando ouvia Self Esteem ou Come Out And Play no rádio e na extinta MTV e achava bom demais pra estar tocando ali naqueles veículos. Definitivamente eram outros tempos. O que não é muito consenso é que esse é o único disco que prestou na carreira da banda neo-punk-de-mentira. O disco teve hits muito legais e que ainda hoje não causam vergonha nem envelheceram mal. Vergonha foi tentar acompanhar essa banda virando um troço horroroso ao longo dos anos, chegando ao cumulo de em 2012, com o lançamento de Days Go By, os fãs da banda pediram para que eles parassem de lançar discos. Mas Smash ficou.

  1. Pearl Jam – No Code (1996)

Eu tentei gostar de Pearl Jam e por um breve espaço de tempo, eu até que consegui. Foi justamente ali pelo meio dos anos 90, quando a banda tava meio perdida, brigando com a Ticketmaster, e o Eddie Vedder querendo mandar mais que todo os outros caras da banda juntos. Um dos guitarristas tava com uns problemas de “dorgas e biritas” e banda lançava um disco cheio de “9 horas”, com encarte que abria de ponta cabeça, umas fichinhas e nenhum hit radiofônico. A banda tentava fugir do som comercial que eles mesmos inventaram no seu insuperável monumento a farofice Ten, e que ao longo dos anos seguintes a banda foi tentando ficar legal (as vezes deu certo) e em No Code eles se jogaram numa arriscada aventura de emular um folk rock setentista a la Neil Young. Conseguiram me fazer gostar um tiquinho deles pela coragem e pelas canções lindas desse disco. No Code é um intervalo bonito de uma banda bem caretinha e chatinha.

  1. U2 – Zooropa (1993)

Polêmica em dobro, pois além de colocar o U2 como uma porcaria é afirmar que o disco mais estranho e menos lembrado pelos fãs seja a única coisa que preste. Aí vai ter o cara que, com sua razão de fã vai defender os irlandeses colocando álbuns como Achtung Baby (1991), The Joshua Tree (1987) e até mesmo War (1983) como discos ótimos. Eu retruco fazendo um convite a que esse mesmo Cabrobó re-escute esses álbuns hoje e tente encontrar mais de 50% de musicas boas tentando esquecer as milhões de execuções de With Or Without You ou New Years Day, entre outros hits de rádio. Foi o que eu fiz para chegar a essa conclusão e ai bastou juntar minha ojeriza natural pelo Bono e pronto. Eu sempre achei o U2 uma banda maleta que sempre manipulou muito bem sua audiência e seu público pra onde eles quiseram. Deixando a banda de lado, vamos ao disco. Zooropa foi o único momento em que eles ultrapassaram o mundo, inclusive a si mesmos e realmente foi um divisor de aguas na música dos anos 90. Muito do indie que se ouviu depois de 1993, tem muito a agradecer a esse disco. O que dizer de um renascido Johnny Cash cantando a melhor música da carreira do U2 em The Wanderer? E a melhor canção fim de tempos e fim de festa que é Lemon, e por ai vai. Zooropa é um White Album com excessos bem delimitados.

  1. Tom Waits – Small Changes (1976)

Sim, eu acho Tom Waits um saco. Como todo o mundo que se julga esperto e interessado em música, acompanhei o tio Tom em quase tudo o que ele fez e faz ainda. E confesso, nada que ele fez me causou a mais remota comoção. Sei que ele é bem quisto entre os colegas musicais, todo o mundo paga pau pra seu modos operandi, mas nunca cai de amores por ele. Na real, real, acho um bocado mala e se pegar um disco que eles fez em 2010 e comparar com outro feito em 1987 é praticamente a mesma coisa. Alias, tudo parece a mesma música desde 1978. Small Changes é, curiosamente, o único que tem realmente algumas “pequenas mudanças” e é a única obra do compositor-genioqueasminaeoscarabacanacurtem que ainda consigo escutar e achar alguma coisa que não me enjoe. The Piano Has Been Drinking é sensacional e na minha modesta opinião, a melhor coisa que ele compôs.

  1. The White Stripes – White Bloody Cells (2001)

Mais um pra causar polemica não barata, afinal levanta a voz pra dizer que o Jack White é um fresco e o WS é a banda mais fresca da paróquia? Pois é o que eu acho. Superestimado é pouco pra definir a estranha relação quase idolátrica da palutéria e da classe entendida em som frente a formação chucra, mal tocada (no mal sentido) e tosca que o então casal White produziram. Justiça seja feita, acho que em cada disco tem pelo menos uma música que passa, mas chamar a banda ou os discos de clássico é meio apelação e desespero. White Bloody Cells ainda é o único que passa pelo crivo aqui de casa e de vez em nunca roda no toca cd.

  1. Frank Zappa & The Mothers of Invention – Live At Filmore East (1971)

Quer outra coisa insuportável é Frank Zappa. Nunca entendi, nunca gostei, sempre achei seus discos umas porcarias, com uns arranjos complicados mas com uns timbres muito furrecas e um som pior que a Lira Paulistana. Mesmo na fase inicial, que todo o mundo que curte som costuma pirar, eu não me encantei. Fazer esforço pra entender algumas bandas, artistas ou propostas musicais é um grande desafio que em muitos casos é recompensador, mas em alguns é só perda de tempo. Zappa é desse segundo time. Coloquei esse disco pois realmente é o único que consegui ouvir mais de duas vezes na vida.

  1. Fugazi – 13 Songs (1989)

Outra banda superestimada. Toda a vez que penso no Fugazi sinto uma leve pontadinha de culpa de ter deixado passar alguma coisa na minha mocidade e não ter me apaixonado pela “atitude” do Fugazi. Não é possível que vivi os anos 90, curtia rock, dito alternativo e não gostava dos caras. O problema era comigo, certeza. Acho que ainda deve ser, mas na real, toda a vez que escuto a banda, sinto que tá todo mundo escutando algo muito maravilhoso e só eu escuto um sonzinho chumbrega, roquinho chatinho e mal-humorado. Toda a vez que vejo os caras dando entrevistas ou falando de música, mais eu acho que estava certo e esse angu nunca ter descido tem um que de ser. Tirando esse primeiro disco, o resto sempre foi intragável o que me remete ao monstro (em todos os sentidos) Steve Albini que disse ali no comecinho dos anos 90 que o Fugazi era uma banda muito boa ao vivo, mas que fazia uns discos muito ruins. Nesse caso, o mago Albini ainda livrou a cara deles no “bons ao vivo”.

  1. King Crimson – Red (1974)

Mais uma vaca sagrada sendo atirada no brejo. Nos últimos anos, o progressivo voltou a ser moda e o King Crimson ressurgiu pras novas gerações com toda a força e pompa de faróis da moçadinha que curte se perder em acordes e progressões que não levam a lugar algum. O Rei Cigano cagou regra durante a década de 70, trocando de formação a cada disco, mas sempre com o soberano mandatário Robert Fripp decidindo o que acontecia e o que não acontecia na banda. A coisa ficou tão séria que lá pela Inglaterra tem umas turmas a la Senhor dos Aneis fãs que inventaram uma espécie de Sociedade Apreciadora de King Crimson. Se existe de verdade eu não sei, mas dá medo. A banda sempre foi chata e metida, e com tanta vontade de romper barreiras, ela alterna entre bons momentos e momentos ridículos, mas esse Red é bom demais até pra eles. Pesado, denso e assombroso, é um disco ideal para quem odeia progressivo e não tem muito tempo pra perder com King Crimson.

  1. Foo Fighters – The Colour And The Shape (1997)

Quando o Foo Fighters lançou esse disco e a tal critica especializada não deu a menor patoca, eu não conseguiu entender. O que realmente precisa acontecer para que um disco seja querido por quem entende de música e ao mesmo tempo tentasse ser popular? The Colour And The Shape ainda acho um puta disco, pra cima, mega bem produzido, que fez um link interessante entre guitarras noventistas altas, e cozinha mais discreta de bons discos de rock dos anos 80, mão preciosa de Gil Norton, que tem no currículo discos do Echo & The Bunnymen e Pixies. Depois disso a banda viraria uma piada que começava a se levar a sério nesse projeto de ser a melhor banda de rock do mundo, tanto que até hoje não acredito que eles tenham conseguido fazer shows no Wembley e ganhar 5 milhões de dólares para fechar um festival em um certo pais da América Latina. É um caso único de banda com os integrantes mais legais do mundo fazendo os discos mais porcarias do universo.

  1. Guns & Roses – Appetite For Destruction (1987)

O Guns foi a última banda de rock que o mundo teve e assistir sua degradação ao longo das ultimas décadas só comprova que o rock and roll já havia virado música de tiozinho babão há muito tempo e ainda não tínhamos sido avisados. Appetite é bom pra cacete, não gostar desse disco significa ter pouca afeição por rock e gostar muito dele também significa ter pouca afeição pelo rock. É o típico caso de disco legal que tinha muita personalidade nas pequenas coisas, já que o holofote esta demais em Axl e em Slash, esse disco deu a sombra necessária para que os outros 3 integrantes craques deixassem a base sólida. Steven Adler, o batera que afundado em heroína era um dos principais letristas da banda que ao lado do baita guitarrista e compositor de primeira, Izzy Stradlin (que tem uma carreira solo que vale a pena caçar por ai) e Duff McCagan que mandava muito bem em seu baixo deu ao disco um som que ainda hoje é sensacional. Depois disso, Axl ia querer ser maior que tudo isso e fez o favor de fazer as merdas que nós já conhecemos e que fazem do Guns a maior porcaria da historia do rock, tendo nas costas um dos discos mais legais da história. Ouça o disco, não ouça a banda e tudo ficará bem.


10 “clássicos” pra longe de mim, (ultima parte)

Seguindo com obrigação moral de desonrar vacas sagradas, mais 5 discos “clássicos” que eu detesto e se voce só curte os “clássicos do rock”, nem comece a ler:

5. Dire Straits – Brothers In Arms (1985)

Falar de discos detestáveis que tem a pecha de “clássicos” e deixar o Dire Straits de fora não seria justo. Em um dado momento da minha infância, uma maldita propaganda na TV me disse que o Dire Straits era a maior banda de rock do mundo e como eu era uma criança inocente e desprotegida, acreditei. Ai eu comprei uma fita K7 da coletânea Money For Nothing e escutei até a fita quase arrebentar. Eu realmente achei que tava arrebentando na escutação de rock. Logo depois apareceu a trilha sonora da novela Roda De Fogo que tinha Peter Gabriel, Genesis e Simply Red e eu achando que aquilo era Rock and Roll. Resumo da ópera: eu tava definitivamente indo prum lado muito errado e quase que sem volta. Ainda bem que no meio do caminho apareceram alguns acidentes como Jesus & Mary Chain e Pixies e sai dessa vida.

Voltando pra essa desgraça.

Eu poderia passar horas digitando adjetivos desqualificando esse disco e essa banda, mas contra fatos postos não se faria necessário gastar meu latim, mas quem disse que eu consigo?

Vamos lá:

O lado A dessa coisa é o mais pavoroso da historia música pop: So Far Away, abrindo os trabalhos com uma preguiça demente, seguida de Money For Nothing e uma das introduções mais longas, pretensiosas e sem impacto só pra “criar um clima” pra entrar o riff de guitarra mais vagabundo que eu conheço. Como todo disco muito “bem pensado”, a terceira era para levantar o Giants Stadium, Walk Of Life. Ela é ótima, pois propicia que todos os bobocas do mundo tenham a chance de colocar a gravata na testa, dobrar o terno do serviço e apavorar na caipirosca. Chegamos ao fim do lado A com as baladas Your Latest Trick (o solo de sax mais brega do universo) e Why Worry. Acho que já tá bom, não do conta de chegar pro lado B dessa tranqueira.

4. R.E.M. – Out Of Time (1991)

O ano era 1991, e eu não passava de um adolescente classe média (classificação da época do IBGE) e morava em Foz do Iguaçu. O Brasil passava por uma pindaíba braba (essa crise de hoje não chegava nem a fazer cosquinha), estávamos no meio da Era Collor com inflação, moeda desvalorizada, desemprego brutal, pouquíssimos motivos para termos orgulho de alguma coisa, éramos uma piada em dimensões continentais e o dinheiro lá em casa era contadinho pra coisas supérfluas como discos.

Com tudo isso em mente, quando eu gastava dinheiro com alguma coisa “supérflua” tinha que valer a pena e nessa época, tanto quanto hoje, eu adorava fuçar promoções atrás de bons discos que preenchessem o quesito “custo+benefício”.

Só comprava disco novo se realmente eu quisesse muito, e quando saiu esse do R.E.M. após ter lido rasgados elogios de crítica e público, juntei mesada e corri pra Combinato Discos buscar um exemplar.

Botei o disco na vitrola, rodei o lado A e tava me sentindo meio “enganado”, fui pro lado B e a sensação de arrependimento em ter investido uma grana alta veio a toda.

Terminei o disco achando que eu não estava pronto pra ele, tentei ouvir mais uma vez e nada.

Eu sempre gostei de pop e o R.E.M. tinha essa combinação rara de fazer pop e guitarras soarem como se tivessem sido feitas uma para a outra e eu não tava entendendo a proposta de rock adulto que o R.E.M. colocava no disco.

Cadê as porras das guitarras? Banjo? Melotron? Que b… era essa!

Whatever, não tive dúvida e voltei com o disco pra loja e troquei pelo anterior deles, Green (não me arrependo até hoje de ter feito essa troca).

Eu amo o R.E.M. mas Out Of Time foi a concessão mais cuzona que uma banda fez pra ganhar público e audiência. Tudo no disco é pasteurizado ao extremo e sem graça. Radio Song flertava com o Rap tanto quanto o Kriss Kross, Shinny Happy People dispensa comentários, chegava a ser embaraçoso ver a Katy Pierson dividindo vocal numa porcaria dessa, aliás era embaraçoso ouvir o Michael Stipe cantando aquilo.

Mesmo tendo uma música linda como carro-chefe, Losing My Religion tem um arranjo muito quadradinho, que pode ser chamado de perfeito, e que conseguiu ganhar execucão até numa rádio bosta como a Jovem Pan.

Ainda bem que esse foi o único deslize feio deles, pois no ano seguinte a banda já consertaria esse engano com o espetacular e soturno Automatic For The People e até 2004, um punhado de discos incríveis e inspirados viriam.

Mas não tem jeito, Out Of Time é intragável por ter sido certinho demais.

3. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV (1971)

Aproveito pra confessar algumas coisas sobre o Led com esse disco:

  1. Nunca fui fã de carteirinha de Led;
  2. Hoje só consigo dar conta de escutar o Led III;
  3. Não entendo como alguém ainda ache ok colocar esse disco pra tocar em público;
  4. Se isso foi o máximo que o rock and roll produziu, então esse negócio não é pra mim:
  5. Hoje sou muito mais o Deep Purple e o Sabbath ao Led.

Essa besteira de “deuses do rock and roll” nunca me pegou e o Led vestiu essa carapuça de “Deuses do Rock” como poucas bandas. Tudo era grandioso, gigante, majestoso e eu já tava aprendendo a gostar das coisas pequenas, intimistas, pra poucos, lugares menores para shows, bandas menos conhecidas e o Led era exatamente o oposto.

Ok, me lembro da primeira vez que escutei Stairway To Heaven e ela ajuda a cumprir a função de todo o “hino” de um gênero e faz com que você se apaixone, pule de cabeça e queira entender o que isso causa em você. Na minha história pessoal, comecei a ouvir rock achando que Peter Gabriel e Legião eram o máximo no rock and roll. Não me arrependo, guardo com carinho as boas lembranças, mas hoje não me dizem mais nada.

Assim é com o Led, definitivamente sua música não combina comigo e acho perda de tempo escutar Rock And Roll ou Black Dog ou Misty Mountain Hop nos dias de hoje. O que uma nova audição delas pode trazer de novo? Nada! Absolutamente nada. Na real, a única música desse disco que ainda me interessa é When The Levee Breaks, seja pelo som e andamento da bateria, seja pelo arranjo que prepara brilhantemente para seu final.

Deixei esse clássico de lado faz tempo e acho que a partir dele, comecei a deixar outros clássicos para fora de casa.

2. The Beatles – Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band (1967)

Deixei de gostar de “tudo” que os Beatles fizeram já faz um tempão, mas deixar de gostar do Sgt Pepper faz uns 3 ou 4 anos. Acho que foi quando sairam as edições remasterizadas em 2009 e peguei pra escutar de novo. Me senti o personagem do Jonathan Pryce tentando tomar um sol na cinzenta e desolada Manchester dos anos 80. Tudo no disco me pareceu velho, bobo e sem graça.

Sabe aquela piada que você adorava e agora não vê mais graça alguma? Então, é mais ou menos isso.

A long time ago, eu tinha uma fita Basf onde um amigo me gravou as 3 primeiras músicas do vulgo Sargento: Sgt Pepper, With A little Help From My Friends e Lucy In The sky with Diamonds. Ouvi essa sequência até a exaustão, gastava pilhas e pilhas no walkman me deliciando com essas 3.

Eu estava com 14, virando mocinho e achando tudo isso uma maravilha.

Como escrevi lá em cima, nunca nos faltou dinheiro em casa, mas não éramos de posses, assim o álbum completo só veio pra casa uns 2 anos depois como presente de aniversário e finalmente passei da faixa 3.

Confesso que já na época fiquei meio decepcionado. Getting Better e Fixing a Hole baixaram um pouco a minha bola e pensei “porra, começa desse jeito e cai nessas chinfrinzeiras” e ficava pensando “cadê o tal e genial Sgt Pepper?”

Adelante, caimos em She’s Leaving Home é linda e fiquei apaixonado por ela, e Being for Benefit Of Mr Kite depois de alguns anos virou a minha favorita do disco.

Hoje ainda acho que é disparado a mais legal, mesmo prum disco que tem A Day In The Life.

No frigir dos ovos, acho que gostar do Sgt Pepper era quase que uma obrigação e uma necessidade de afirmação de alguns patamares de gostos e predileções que marcavam um limite invisível ou um fronteira entre nós “os legais” e eles, os “não legais” que não curtiam esse disco.

O tempo passou e hoje acho que penso o oposto, gostar desse disco depois de tudo que passei e ouvi é quase um atestado de não evolução, de não ter ido pra frente em nada e ter estacionado na estupefação de um garoto de 14 anos.

O gostoso da evolução é voltar a sentir essa estupefação com novas experiências e não voltar prum estado de espirito que você já não tem mais.

É por isso que essa banda não toca mais pro lado de cá.

1. Pearl Jam – Ten (1991)

Poderia dar um monte de razões para colocar esse disco em primeiro lugar nessa lista.

Dentre elas:

  • A produção exagerada a la hard rock do final dos anos 80, ouso dizer que nem o Skid Row ou o Warrant tinham um som de bateria tão brega quanto esse Ten.
  • E os ecos? E os timbres das guitarras? De novo, acho que as guitarras do Warrant e agora também dos irmãos Nelson, eram melhores que a da dupla do Pearl Jam;
  • O som desse disco não é e nunca foi “grunge”, esse Ten sempre foi um Hard Rock de quinta!
  • E essa capa com os bracinhos fazendo um “hi-five”?
  • Os hits mais grudentos e chatos da história do rock: Alive e Even Flow, que foram antipatia imediata junto a minha pessoa. Na primeira vez que ouvi no rádio eu achei que era o Queensryche que também gozava de relativo sucesso nessa época.
  • Tudo é muito sério, sizudo e parecido com o que seria uma banda que os seus pais poderiam gostar. Tocando e contando todas as verdades do mundo e passando sermão pra todo o mundo;
  • E Jeremy? Dá preguiça até hoje…
  • Tudo isso foi um conjunto de argumentos sólidos que juntei pra tentar justificar porque eu nunca gostei desse disco, mas o verdadeiro motivo de eu detestar com todas as minhas forças o Ten está lá na faixa 5 e se chama Black, a pior música da história do Universo, o maior erro já cometido no gênero, aquilo que me faz ter vergonha de dizer que gosto de rock, que me dá vontade de ter nascido na idade média e nunca ter passado de Buxtehude.

A banda até que se ajeitou depois desse começo cheio de sucesso e titica, os 3 discos posteriores alternam bons e maus momentos, mas a lembrança e o estilo que impregnou logo de cara, parece que nunca largou a banda e por mais que eu ache o Eddie Vedder um cara gente fina, e os demais caras da banda parecem ser muito legais, ainda haverá um Ten no passado e sobretudo, ainda existirá Black.