Alerta Geral – Alcione (1978)

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Sabe uma coisa que eu odeio em disco brasileiro? Quase nenhum vem com a data de gravação na contra-capa. Coisa meio óbvia, né?

Toda a vez que se pega um disco pra dar aquela primeira conferida básica, além da capa, o cara vai pra contra-capa, olhar o tracklist, quem produziu, e essas coisas.

Em especial, gosto de olhar procurando pela data de gravação ou lançamento, afinal, ninguém nasce wikipedia.

Alcione abre a fila de artistas brasileiros com muito orgulho na discoteca aqui de casa.

Esse play caiu por aqui por puro acaso, e que belo acaso!

Numa tarde de sábado de sol, o meu destino original de bom samaritano era um lar de crianças deficientes na Mooca para levar algumas doações, mas a casa estava fechada. Para não perder a viagem, resolvi então conhecer um famoso galpão que vende discos baratos ali na região.

Ao estacionar o carro, parei de frente a um lar de idosos onde consegui deixar o porta mala cheio de doações. A moçada de lá ficou muito feliz.

Eu também.

O auspicioso dia de visita lá nesse galpão, me fez sair com uma penca de LPS legais, muita coisa boa que será devidamente resenhada por esse blog.

Alerta Geral é disco de samba, mas tem uma variedade de ritmos que a “Marrom” domina como ninguém:

Alcione é interprete muito mais interessante que se imagina. Quem conhece, sabe do que falo.

No lado A tem samba, balada, baião e tudo numa pegada classuda, elegante e que não deve nada para os grandes discos de samba que nessa época saia aos montes.

O lado B é legal, mas no primeiro Lado tem os clássicos Sufoco e Eu Sou A Marrom.

Repertório da pesada, produção esmerada.

Discão!


Paulo Vanzolini – Samba Erudito

E lá se foi Vanzolini, talvez um dos caras mais legais que fizeram música nesse pais, e talvez ele tenha sido tão sensacional por que justamente não era músico de verdade, do tipo que faz show, turnê, clipe, corre atrás de dinheiro e fama.

Vanzolini era o cara que amava samba e música tanto quanto amava a Zoologia, a cachaça e São Paulo.

Quisera eu se todo bom compositor fosse tão desencanado quanto Paulo era, a cena musical seria muito mais arejada e menos arrivista do que é já há um bom tempo.

E olha que nem indústria musical existe mais.

Descanse em paz!