Quem Rouba ladrão tem…??

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No mundo da ultra velocidade das informações e do multitelar, polêmicas e indignações nascem e morrem com a mesma velocidade da vida de uma borboleta.

A última ou a penúltima ou a antepenúltima do mundo pop dito “adulto”, foi a noticia de que o Radiohead entraria com um processo por plágio contra a cantora Lana Del Rey.

A rebordosa está na canção “Get Free”, faixa do ultimo álbum da cantora, chamado Lust For Life.

Toda a levada e estrutura de Get Free “lembra” pra não dizer que é “completamente chupada” de Creep. Logo, o maior hit da banda.

Difícil não concordar com o time jurídico da banda, a canção da moça, que teve outros 2 autores é muito, mas muito parecida em clima, em “mood” e nos acordes, são pelo menos 2 minutos praticamente iguais ao hit dos ingleses.

A banda pede 100% do royalties e Lana tava disposta a dar 40%, agora o kiprocó vai pra júri e normalmente esse tipo de processo quem ganha é quem acusa.

Curioso que Creep sofreu o mesmo problema quando foi lançada em 1993, dois compositores da banda sessentista The Hollies alegaram plágio e acabaram ganhando, foram incluídos como co-autores do maior hit do Cabeca de Radio por conta da música “The Air That I Breathe”.

Honestamente, a turma do Hollies ganhou por conta do respeito, pois Creep chupinha com um pouco mais de disfarce. O clima lembra, faz referência mas não é tão na caruda como no caso de Laninha e suas blue caps.

A sequencia harmonica não é 100% a mesma, mas as vocalizações são muito parecidas e numa época em que a indústria tinha dinheiro de sobra (anos 90), apaziguaram a coisa dando crédito aos dois e o enterro seguiu.

Só na época do Britpop, Blur, Oasis, Pulp e Radiohead se fartaram em copiar quem veio antes: Bowie, Kinks, Beatles, etc.

Não é o primeiro, nem vai ser o último caso de “gatunagem” criativa, assim, resolvi listar alguns “plágios” clássicos do pop pra mostrar que até “gênio” passa umas rasteiras pra ganhar aquele dinheirinho.

Sam Smith X Tom Petty – Stay With Me…

O cantor inglês surrupiou quase toda a estrutura de I Wont Back Down, de Tom Petty. Sam e seu time alegou que foi um “acidente musical” e no acordo o nome de Petty foi incluído nos créditos. Faltou um pouco mais de óleo de peroba do inglesinho cara de bolacha!

 

The Beatles X Chuck Berry – Come Together.

É, até eles! A base do famoso clássico que abre o famoso disco da “faixa de segurança” é You Cant Catch Me, de Chuck Berry. A alegação foi a levada vocal e os primeiros versos que tem sua semelhança em Come Together. Tudo foi resolvido extra-judicialmente e foi tão de boa que até juntos eles tocariam depois, alem de ter rendido até uma versão do ex-beatle em seu discos de covers. Meio falsineide, mas John Lennon e Chuck Berry juntos é de tremer…

 

The Verve X The Rolling Stones – Bitter Sweet Symphony

A levada orquestral que permeia a música, foi “inspirada” em The Last Time, canção dos Rolling Stones, em uma versão orquestrada por Andrew Oldham Orchestra. Não dá pra negar… o seu cabelo despenteado tá lá nos Stones também.

 

Elastica x Wire – Connection

Plágio ou homenagem explicita? O fato é que o maior hit da carreira da fodastica banda inglesa é chupadissima de um clássico do pós-punk inglês Wire, na canção Three Girl Rumba, gravada em 1977. O caso de amor de Justine Frischmann (Elástica) com o Wire é tão grande que outras músicas do grupo guardam semelhanças com outras faixas do Wire. Alguém fez o favor de compilar tudo e botar no youtube pra gente.

 

Tom Jobim X Irwing Berlin – Samba de Uma Nota Só.

Até os gênios dão aquela lambidinha e nesse caso, o nosso maestro máximo tomou emprestado o jeitãozinho suave e “monótono” de Mr. Monotony, de Irwing Berlin. Como gênio que foi, Jobim se apropriou um tiquinho, o suficiente pra que nenhuma acusação de plágio fosse formalizada, além de que, Jobim deu um “upgrade” no “ragtime de uma nota só” de Berlin.

 

Os brazucas anos 80 chuparam os gringos até não poder mais (no bom sentido), acho que o The Cure foi de longe, a mais imitada (Legião, Biquini Cavadão, Zero, Plebe Rude, Ultraje), levantar todas as semelhanças de The Cure com o Brock ia dar um trabalho desnecessário e do cão, mas deixo aqui uma palhinha, peguem só o comecinho das duas músicas:

Ou essa aqui? Menos descarada mas no mesmo “clima”, especialmente nas introduções.

 

Não vou nem citar os históricos plágios de Rod Stewart com Jorge Ben, Raul Seixas com The Byrds ou Tim Maia com Booker T., mas uma ultima que me chamou a atenção logo no final desse texto, foi uma que apareceu na minha timeline e não pude deixar de compartilhar, que é tão imitado de Aquele Abraço do Gilberto Gil que é quase uma versão não autorizada.

 

Quer se divertir um pouquinho mais, abaixo tem um link em que alguém com muito tempo livre e paciência resolveu botar lado a lado copiador e copiado.

 

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Tom Petty – O Zé Ninguém mais Amado do Rock!

Thomas Earl Petty, ou Tom Petty foi morar no céu em 02 de outubro de 2017 vitima de um ataque cardíaco aos 66 anos.

Como artista, venceu pela consistência e insistência, nunca aderiu a modismos, nem a tendências e também ele próprio nunca quis se colocar como artista de vanguarda ou qualquer coisa assim.

Sua qualidade sempre esteve em compor boas canções ganchudas 4 por 4 que poderiam ser escutadas em qualquer um dos 50 estados norte-americanos e entendidas tanto entre os hipsters quanto entre os rednecks.

Nunca abriu a boca pra falar asneiras, nunca se envolveu em polêmicas e isso nunca lhe garantiu também muitas manchetes. Acho que no fundo ele também nunca buscou isso em sua vida e carreira.

Estava lembrando esses dias como esse cara fez álbuns excelentes e músicas incríveis e mesmo seus último trabalho de 2014, chamado Hypnotic Eye é excelente e cheio de vitalidade (cheguei a lista-lo como um dos melhores daquele ano.)

Enfim, fico triste pois sei que esse é um dos shows que gostaria de ter visto e agora só numa próxima encarnação ou plano astral.

Pra quem tá chegando agora, vai abaixo um guia muito particular para situa-los no som totalmente norte-americano (no ótimo sentido) de Tom Petty.

Tom Petty & The Heartbreakers (1976): Disco de estréia do cantor e seu grupo, não fez muito sucesso, mas o disco consegue ainda hoje ser moderno e absolutamente em sintonia com o singalong dos anos 2000. A faixa mais incrível desse play é American Girl (lembra muito o Strokes de começo de carreira).

 

You’re Gonna Get It! (1978) e Dawn The Torpedoes (1979): Dawn foi o primeiro big hit de verdade da carreira de Tom e tem algumas grandes faixas como Refugee e Here Comes My Girl, mas só pra contrariar eu particularmente gosto mais do You’re Gonna… que tem duas das minhas favoritas dele: You’re Gonna Get It e Magnolia.

 

Southern Accents (1985): New wave e psicodelia. Talvez seja o mais interessante e diferente trabalho do Petty. Arriscando um pouco, saiu da zona de conforto e acertou um discasso. Produção de Dave Stewart (Eurythmics), fez a música que me apresentou ao som de Petty, Don’t Come Around Here No More (o clipe é fantástico também), vi num Clip Trip da vida, não entendi nada na época, continuo achando fascinante e tentando entender como isso foi um “Hit”. Outro mundo!

 

Full Moon Fever (1989): Pra mim, é a obra-prima de Petty. Glorioso, expansivo, cristalino e delicioso de se ouvir de cabo a rabo. É rock americano quadradinho por excelência, tocado com maestria e coração. Free Fallin é o clássico, mas eu sou fã também do rockão I Won’t Back Down.

 

Travellin Wilburys (1989): Supergrupo formado por Petty, Jeff Lynne (E.L.O), Bob Dylan, George Harrison e Roy Orbinson, numa mistura de camaradagem e homenagem fizeram um grande álbum graças a Petty, que estava em alta e puxou pra cima os outros monstros que não estavam tão bem assim. Ultimo registro de Orbinson antes de seu falecimento. Obra prima do Classic Rock como se conheceu.

 

Into The Great Wide Open (1991): No meio do furacão grunge, Petty não abriu mão aos modismos e fez outro petardo. Tido como “meio velho”, o álbum hoje se mostra atemporal e ainda atual. Quando saiu fico meio pra tras para a turma de Seattle, mas o tempo ajustou as coisas e hoje alguns daqueles discos é que ficaram pra trás, enquanto Into… segue firme, forte e bonito.

 

Mudcrutch (2008): E dentre idas e vindas, Petty resgatou seus chapas antes de formar os Heartbreakers e cometeu um delicioso álbum de country rock a la Flying Burrito Brothers.

 

Hypnotic Eye (2014): O último álbum lançado pelo cantor com seu grupo é incrível e tal qual outros contemporâneos, Petty não perdeu a capacidade criativa nem o “mojo” e a banda só melhorou com os anos, nada de som frouxo por aqui.