A Hipocrisia da Hipocrisia ou porque ninguém se lembrará de nenhuma música do Nelson Ned

Eu queria escrever mais longamente sobre Nelson Ned, sobre seu legado, sua influência e tudo o mais, mas não vou ser hipócrita: Se eu escutei 4 músicas dele foi muito, então não vou perder tempo inventando lorota pra encher linguiça.

O gênero romântico, ultra romântico que ele representava (e o fazia com maestria) não era bem o que eu procurava quando comecei a escutar música e mesmo depois de velho, ainda não me deixei encantar pelo gênero.

E tentando fugir da hipocrisia, não é porque o cara morreu que ele virou santo e Deus e vou correr atras da obra dele.

Numa busca rápida pelo YouTube, principalmente em vídeos com suas musicas em espanhol, a quantidade de pessoas de outros países desejando condolências e homenagens nas mensagens é tocante.

Assim, o que mais me espanta é a pálida reação dos meios de comunicação e dos próprios colegas músicos brasileiros que não abriram um “a” sobre ele.

E estamos falando de um caso único na história da música popular mundial!

Quantos anões brasileiros cantavam como ele cantou? Ok, pra fugir do caricato e inusitado, pergunto: Quantos artstas brasileiros lotaram um Carneggie Hall em Nova York como ele fez?

Tentar descobrir o porque destes dois fatos fascinantes ninguém foi né?

Sabe porque?

Porque ele não virou modinha! Não virou queridinho da turma do fermento que domina a cena de música brasileira que manda e desmanda em editais e em showzinhos super-faturados e tem o Estado como bom contratante de shows e eventos culturais.

Aqui, diferente de outros lugares, não preservamos nada. Nossa memória é uma porcaria e parece que não damos a menor pelota para nosso legado cultural. Fazemos o que fazemos com o velho, jogamos num asilo junto a outros velhos e que todos morram de qualquer pneumonia, gripe, ataque ou que seja bem longe da gente.

Nossos grandes artistas “pop” de verdade estão indo e seus registros estão sumindo como pegadas na área. Poucos tem empregado tempo e paciência em colher e guardar de maneira decente esses arquivos preciosos.

Infelizmente, nosso imediatismo barato e burro na busca de uma nova “Voice Brasil”, só nos coloca de frente a artistas medíocres que podem saber usar muito bem a caixa toráxica, o gogó e cantar muito bem, mas que não cantam com a verdade e a vivência como um Nelson Gonçalves, Silvio Caldas, Cauby (tá vivo ainda viu gente! E ainda produzindo!) e o próprio Ned.

A esses medíocres, lhes restará o mesmo destino que temos reservado aos grandes. O ostracismo!

Tudo passa, tudo passará!

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