A velha guarda do indie rock volta a ativa! Bom Pra nós!

Antes de descer a lenha nos indie de mentira que andam pela Terra há quase uma década proliferando uma gororoba gosmenta, nojenta e coxinha chamada “Indie”, eu queria dedicar algumas linhas para falar bem de alguns artistas que tal qual velhos indios comanches, resolveram sair de suas tocas e tacar o sarrafo em 5 discos lançados dentro dos ultimos 2 meses que conseguiram reavivar em mim, a fé (pouca) na humanidade só pelo fato de eles ainda estarem entre nós e produzindo, mesmo que seja pra poucos.

No fim das contas, parece que sempre foi isso nesse negócio de indie rock, mas a velhice, a falta de paciência e uma geração de fracassados bem sucedidos me fizeram pegar ódio por tudo que tenha a palavra indie como tag.

Mas eis que 5 discos incríveis de 2015 com cara de coisas que não se ouve mais nos dias de hoje surgem para deixar o velhinho aqui bem feliz:

  1. Music Complete – New Order

E não é que o New Order botou na rua o seu melhor disco em quase uma década? Digo que acho até melhor que Get Ready, que é um baita disco também.

Ouvindo depois de duas audições, cheguei a conclusão que Music Complete é bom demais, não é moderno, muito pelo contrário, o que para um disco que flerta com eletrônico é um perigo, mas só artistas soberanos nesse platô poderiam resgatar suas próprias coisas e de quem estivesse por ali, Plastic parece ter sido uma faixa do Technique remixada pelo Giorgio Moroder, Singularity é bem Joy Division e se tem alguém que pode emular Joy com propriedade são eles. Outro golaço é Tutti Frutti, que fica ali entre Kraftwerk e house anos 90. Academic é outra beleza que só fica bem com os vocais preguiçosos de Summer e sua semi-acustica tocada com esforço e precisao.

  1. Pylon – Killing Joke

O Killing Joke tem se mantido mais ativo do que eupensava, mesmo lançando material mais voltado pro rock industrial ou até pro publico metal, a banda tem seguido no seu caminho errante e errático, mas acertando mais que errando, o que é incrível pra uma banda velha guarda que já não está mais no seu auge.

Isso se deve principalmente a degenerada ideia que a banda faz de si mesmo e o quão serio eles levam sua arte, a ponto de navegar para mares sonoros que não faziam desde muito tempo.

Ouvindo Pylon, imagino estar escutando a banda no seu auge pop dos anos 80, ali entre os anos de 1985 até 1988, em álbuns incríveis como Night Time e Outside The Gate, quando a banda deliberadamente facilitou as coisas para seu publico, sem deixar de ser ela mesma.

Baita disco!

  1. Moonbuilding 2703 AD – The Orb

Acompanhar a cabeça dos doutores Alex Paterson e Thomas Fehlmann não é nada fácil.

Seus projetos são tão variados e ortodoxos que nunca se sabe o que vem a seguir. De 2010 pra cá eles fizeram os bizarros Metalic Spheres (projeto de dub eletrônico viajante de duas faixas longuíssimas e David Gilmour nas guitarras), e no ano retrasado um disco de dub com Lee Perry…

Honestamente, nenhum deles é legal pra carai…

Com isso posto, esperar algo mais palatavel a essa altura, só os fãs mais ardorosos (se é que eles existem ainda), mas eis que surge o doce, multifacetado e sensacional Moonbulding 2703 AD, melhor coisa que ouvi deles desde Toxygene de 1997. 4 faixas pra jogar na cara de todo o mundo que ainda transita pelos sons eletrônicos como fazer um baita disco de música eletrônica com alma, sem apelar para timbres baratos se valendo de alguns truques bons na manga.

  1. What The Worlds Needs Now… – P.I.L.

Confesso que tava com uma preguica danada desse novo disco do P.I.L. principalmente porque eu achei This Is PIl bem ruim, ruim no nível Flowers Of Romance, que é bem ruim, mas quando eu vi um vídeo deles no Jools Holand, e recolhi o queixo do chão, fui atrás de mais informações sobre esse novo álbum e dá pra afirmar sem muito rodeio que é a melhor coisa lançada pelo P.I.L. em muito tempo.

Raivoso, cínico e mais pesado, What The Worlds… é um tijolo nos cornos dessa sociedade artística politicamente correta, de postura corretinha, arrumadinha e sem sal. Nada como ter um gênio raivoso como John Lydon pra mesmo com sua cara de tia velha soltar um sonoro palavrão bem colocado no horário nobre britânico.

Violento e rock and roll, o P.I.L. tá na área e chutando.

É bom você sair da frente, senão ele chuta seu traseiro limpinho e perfumadinho.

  1. Twingy Wingy – The Brian Jonestown Massacre

E quando eu pesquisava coisas sobre o novo álbum do P.I.L., por acidente descobri que uma das bandas mais fodas dos últimos 20 anos está de material novo. Diretamente de Oregon, noroeste americano, a banda liderada pelo monstro Anton Newcombe nunca escondeu seu amor pela psicodelia sessentista e pelo peso das guitarras dos Stones e depois de muita treta, loucura e uns tempos fora da casinha, é bom saber que eles estão de volta e mesmo com um Mini Album, só reforça a teoria que meio álbum de uma banda tão boa quanto o Brian Jonestown já é melhor que 99% do que tem se tentado fazer em termos de rock nessa falida geração Y.

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Meu secreto amor pelo “Popero” em 13 músicas

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Quem tem 40 anos (um pouco mais ou um pouco menos), e não ouviu “poperô” na vida, não viveu.

Num momento ali por volta de 88 a 89, a moda eram as matines da Up & Down (ali na Pamplona), na Hipodromus (em S.Caetano do Sul) ou na Toco (Tatuapé) e a música que majoritariamente tocava nessas casas e nas rádios pop era a “Dance Music” ou genialmente alcunhada de “poperô”, uma trombada entre a Disco com o som eletrônico inventado em Detroit, essa tal de House Music.

Muito antes do negócio virar Techno e muito antes de virar essa chatice sem fim, chamada EDM, a “dance music” era e sempre será música de discoteca, pra dançar, pra se ouvir em conjunto, com pouca luz, com uma bebidinha numa das mãos e um xaveco furado na ponta da língua.

A minha relação com a Dance Music desse período é o que posso chamar de um amor que durante muito tempo rechacei, mas que assumi há alguns anos, quando joguei os últimos pudores na lata de lixo.

Chego quase a afirmar que esse movimento de artistas, produtores, djs e cantores foi a ultima herança do movimento punk dos anos 70, em que o DiY foi levado ao topo fazendo com que um exercito de anônimos ou soldados das sombras dos bons sons conseguissem tocar e ser reconhecidos por grandes públicos em qualquer parte do mundo.

Se eu for cavucar de verdade, descubro que rapidinho a lista pode chegar em umas 50 músicas, mas restringi a 13 em homenagem ao velho Mario Lobo…

  1. Black Box – Ride on Time (1989)

Essa é daquelas faixas emblemáticas desse período que ajudariam a definir um certo tipo de padrão para o que viria a ser feito nos anos seguintes. Piano honk tonk, referencias a Donna Summer logo na introdução, algo um pouco mais orgânico, bem a moda da House italiana (os produtores são italianos e a cantora é inglesa) e uma diva arrebentando nos vocais. Ride On Time foi um acerto na mosca, pra cima, salto-plataforma-na-porta que esse time junto não conseguiu mais reproduzir no restante de sua curta carreira. Na mesma velocidade que veio, sumiu.

  1. Rhythm Device – Acid House (1990)

Eu sei, é um negocio mais pesado, que tá mais pra industrial, mas nessa febre por novas faixas dançantes, alguém dormia no ponto e músicas assim acabavam chegando em terras brasileiras. Foi o caso do Rhythm Device, que estava numa coletânea feita para os Djs de rádio e de clubes. Com uma batida mais pesada, sintetizadores sujos, barulhos estranhos e vocais imperativos e falados fazem dessa faixa, um emblema característico da música eletrônica produzida na Bélgica. Sim, da terra do Tin Tin, muitos artistas de industrial e eletrônico pesados formataram uma cena muito particular e artistas como Front 242 e A;Grumph dentre outros nasceram nesse panelão. Detalhe importante para o clipe que é uma espécie de tutorial de como dançar o Acid Rock. Brilhante.

  1. HitHouse – Jack The Sound Of The Underground (1989)

O produtor e dj holandês Peter Slaghuis, que assinou seus discos de Dance como HitHouse fez um baita sucesso em 1989 com Jack The Sound of The Underground e Move Your Feet… Bem europeu, pesado, bem marcado, mas com variações interessantes, era ótima pra fazer os passinhos para o lado e o cabelinho tigela com mullet do figura é incomparável. Comercial a beça, era o som de “playba” da época. Tentando achar informações sobre o que ele anda fazendo, descobri que ele morreu em um acidente de carro em 1991 tal qual um Ritchie Valens do House.

  1. Snap – The Power (1990)

Direto de Frankfurt, dois produtores chamados Michael Munzing e Luca Anzilotti fizeram história com essa frenética e profética fusão de vocais de Rap, com vocal de diva, batida pesada, guitarras sampleadas, synths pesados e espaços para um refrão solto e a palavra de ordem “I Got The Power”. Foi sucesso instantâneo que conquistou o mundo inteiro e foi das primeiras vezes que me apaixonei por um som não rock and roll logo de cara. Ainda hoje é uma baita música.

  1. Edelweiss – Bring Me Edelweiss (1988)

Não consigo explicar porque eu gosto tanto dessa musica. Gosto a ponto de ter o compacto aqui em casa, achei recentemente numa feira de Vinis, quase chorei! Nunca imaginei que fosse achar um desses por aqui. A música não vale um dólar furado, esse single foi projeto de 3 produtores austríacos que mixaram uma canção folclórica de sua terra natal com uma batida vagabunda, e um vocal chupinhado de S.O.S. do ABBA (outra das minhas músicas favoritas de todo o sempre). Fez sucesso por países europeus, mas duvido que algum Dj hoje em dia tenha coragem de tocar esse som. Dane-se, eu gosto.

  1. Inner City – Good Life (1988)

Esse é sério, afinal quem tava como “boss” nesse grupo era ninguém menos que Kevin Saunderson, um dos pais do House de Detroit. Isso quer dizer que é poperô, mas com um chantilly a mais. Clássico absoluto, eterno e que ainda hoje soa bom, mesmo com a quantidade assombrosa de equipamentos, mesas e aplicativos capazes de transformar qualquer Zé Mané em super produtor. Good Life tocou em rádios pop por aqui e era assombroso a diferença de texturas dela para as demais.

  1. The Timelords – Doctorin The Tardis (1988)

Bill Drummond e Jimmy Caunty foram dois dos mais geniais e anárquicos artistas que surgiram nesse mundo de meu Deus. Sempre inventaram projetos que de maneira bizarra, acabavam alcançando uma massa maior do que esperada. Exemplos foram esse projeto Timelords e poucos anos depois com o KLF (prediletos aqui em casa também), mas mantinham essa aura imaculada de independência amalucada de quem nunca se satisfez em chegar lá! Signifique o que significar. Esse projeto e essa música é coisa de gênio, eles juntaram numa mesma faixa o tema do cultuado seriado Doctor Who com dois glam rocks dos anos 70, Rock And Roll (Part Two) do Gary Glitter e Blockbuster do Sweat. Isso tudo dá a esse som algo muito diferente e eu adorava dançar essa música e ouvi-la no rádio, parecia que não se encaixava no todo e isso me interessava.

  1. Yazz – The Only Way is Up (1988)

Foge um pouco do enredo poperô, mas na época tudo era poperô, inclusive o pop eletrônico da cantora inglesa Yazz. Eu sempre gostei muito dessa música, foi um hit no mundo inteiro e a música é uma delicia. Pop ganchudo, muito bem cantado, afinal a menina não era tão verde assim, já tava nesse role fazia um tempo e chegou lá pelo menos uma vez. O disco que tem essa faixa se chama Wanted e ganhou certificado de credibilidade aqui em casa quando eu descobri que o John Peel tinha uma cópia e que também gostava dela.

  1. C+C Music Factory – Here We Go Let’s Rock & Roll (1990)

Sensacional! Essa faixa tem tudo que um hit precisa e ela é ótima porque tem também um monte de coisas que até então não se sabiam que se precisava. Por exemplo, uma suave e sutil homenagem a Chic, vocais de rap a la Ice T, guitarras espertas cruzando pela faixa enquanto ela vai mantendo aquele clima pra cima, poderoso e infalível. Já nasceu clássico, clássico se manterá por todo o sempre.

  1. Kon Kan – I Beg Your Pardon (1989)

Esse eu comprei quando saiu. Era uma diversão secreta botar esse play pra tocar e dançar, quando eu gostava de dançar. As referencias musicais do produtor canadense Barry Harris eram sofisticadas e espertas. I Beg Your Pardon tem trechos de Lynn Anderson, Silver Connection e o tema de propaganda do cigarro Marlboro (dentre outras coisas). Tudo isso embalado numa melodia simples, cantada com pouco empenho e mesmo assim tocava um monte nas matines por aqui. Não é considerado um clássico ai fora, mas é uma das melhores lembranças que tenho da minha adolescência.

  1. S-Express – Theme From S’Express (1989)

Mais outra predileta de todo o sempre. Theme from S’Express é uma das músicas mais “levanta defunto” que conheço, obra-prima de colagens e montagem a cargo do produtor britânico Mark Moore que rendeu o que considero o clássico definitivo do Acid House britânico. Bom de pista, bom de disco, bom em tudo.

  1. Bomb The Bass – Beat Dis (1988)

Pra entender um pouco o significado dessa faixa na minha vida, posso dizer o seguinte. A primeira vez que escutei Beat Dis foi na antiga 97 FM, quando esta ainda era sediada em Santo André, ainda tinha a alcunha de maldita e ainda tinha no seu DNA a maluca proposta de tocar os sons mais interessantes do planeta, isso significava que era possível se ouvir numa mesma sequencia um bootleg do Metallica, o Jean Michel Jarre, a nova do Prong e Bomb The Bass. Para quem estava se interessando por som como era meu caso, foram alguns anos de aprendizado importante e muitas fitas K7 pra repassar as lições. Pouco tempo depois, Tim Simenon, o dj e dono do BTB era capa da então maior revista de música do pais, a Bizz e essa faixa era agora usada para abrir o programa de Clipes da Tv Gazeta “Clip Trip”, de Beto Rivera. É muita lembrança e tempo de descobertas juntas e ainda por cima a faixa é ótima. Tem peso, tem balanço, tem malicia e é muito esperta.

  1. Technotronic – Pump Up The Jam (1989)

Essa é a música que inventou o termo Poperô no Brasil. Mais óbvio impossível. Seca, misteriosa e com um riff poderoso e marcante, esse é um belo tapa na cara de quem acha Dance Music uma coisa americanizada. No Technotronic, o dj e produtor era belga, (Jo Bogaert) e a cantora Ya Kid K nasceu no Zaire. Mais universal e globalizado impossível. Ainda hoje eu fico impressionado com esse disco e com essa faixa, parece um prazer proibido escancaradamente aberto ao gosto publico, parece um segredo de amigos que mais gente ficou sabendo. Me causou o mesmo impacto de quando ouvi Suck You Dry do Mudhoney no rádio pela primeira vez ou Smells Like Teen Spirit do Nirvana ou Just Like Honey do Jesus & Mary Chain. Na minha memória afetiva, o Technotronic vem na frente deles pois veio antes, antes de me descobrir roqueiro de verdade, eu descobri que gostava de coisas fora do lugar, e o impacto deles em mim foi tão grande que acho que só me dei conta muitos anos depois. Antes tarde, do que muito tarde. So… pump up the jam, pump it up…


10 “clássicos” pra longe de mim, (ultima parte)

Seguindo com obrigação moral de desonrar vacas sagradas, mais 5 discos “clássicos” que eu detesto e se voce só curte os “clássicos do rock”, nem comece a ler:

5. Dire Straits – Brothers In Arms (1985)

Falar de discos detestáveis que tem a pecha de “clássicos” e deixar o Dire Straits de fora não seria justo. Em um dado momento da minha infância, uma maldita propaganda na TV me disse que o Dire Straits era a maior banda de rock do mundo e como eu era uma criança inocente e desprotegida, acreditei. Ai eu comprei uma fita K7 da coletânea Money For Nothing e escutei até a fita quase arrebentar. Eu realmente achei que tava arrebentando na escutação de rock. Logo depois apareceu a trilha sonora da novela Roda De Fogo que tinha Peter Gabriel, Genesis e Simply Red e eu achando que aquilo era Rock and Roll. Resumo da ópera: eu tava definitivamente indo prum lado muito errado e quase que sem volta. Ainda bem que no meio do caminho apareceram alguns acidentes como Jesus & Mary Chain e Pixies e sai dessa vida.

Voltando pra essa desgraça.

Eu poderia passar horas digitando adjetivos desqualificando esse disco e essa banda, mas contra fatos postos não se faria necessário gastar meu latim, mas quem disse que eu consigo?

Vamos lá:

O lado A dessa coisa é o mais pavoroso da historia música pop: So Far Away, abrindo os trabalhos com uma preguiça demente, seguida de Money For Nothing e uma das introduções mais longas, pretensiosas e sem impacto só pra “criar um clima” pra entrar o riff de guitarra mais vagabundo que eu conheço. Como todo disco muito “bem pensado”, a terceira era para levantar o Giants Stadium, Walk Of Life. Ela é ótima, pois propicia que todos os bobocas do mundo tenham a chance de colocar a gravata na testa, dobrar o terno do serviço e apavorar na caipirosca. Chegamos ao fim do lado A com as baladas Your Latest Trick (o solo de sax mais brega do universo) e Why Worry. Acho que já tá bom, não do conta de chegar pro lado B dessa tranqueira.

4. R.E.M. – Out Of Time (1991)

O ano era 1991, e eu não passava de um adolescente classe média (classificação da época do IBGE) e morava em Foz do Iguaçu. O Brasil passava por uma pindaíba braba (essa crise de hoje não chegava nem a fazer cosquinha), estávamos no meio da Era Collor com inflação, moeda desvalorizada, desemprego brutal, pouquíssimos motivos para termos orgulho de alguma coisa, éramos uma piada em dimensões continentais e o dinheiro lá em casa era contadinho pra coisas supérfluas como discos.

Com tudo isso em mente, quando eu gastava dinheiro com alguma coisa “supérflua” tinha que valer a pena e nessa época, tanto quanto hoje, eu adorava fuçar promoções atrás de bons discos que preenchessem o quesito “custo+benefício”.

Só comprava disco novo se realmente eu quisesse muito, e quando saiu esse do R.E.M. após ter lido rasgados elogios de crítica e público, juntei mesada e corri pra Combinato Discos buscar um exemplar.

Botei o disco na vitrola, rodei o lado A e tava me sentindo meio “enganado”, fui pro lado B e a sensação de arrependimento em ter investido uma grana alta veio a toda.

Terminei o disco achando que eu não estava pronto pra ele, tentei ouvir mais uma vez e nada.

Eu sempre gostei de pop e o R.E.M. tinha essa combinação rara de fazer pop e guitarras soarem como se tivessem sido feitas uma para a outra e eu não tava entendendo a proposta de rock adulto que o R.E.M. colocava no disco.

Cadê as porras das guitarras? Banjo? Melotron? Que b… era essa!

Whatever, não tive dúvida e voltei com o disco pra loja e troquei pelo anterior deles, Green (não me arrependo até hoje de ter feito essa troca).

Eu amo o R.E.M. mas Out Of Time foi a concessão mais cuzona que uma banda fez pra ganhar público e audiência. Tudo no disco é pasteurizado ao extremo e sem graça. Radio Song flertava com o Rap tanto quanto o Kriss Kross, Shinny Happy People dispensa comentários, chegava a ser embaraçoso ver a Katy Pierson dividindo vocal numa porcaria dessa, aliás era embaraçoso ouvir o Michael Stipe cantando aquilo.

Mesmo tendo uma música linda como carro-chefe, Losing My Religion tem um arranjo muito quadradinho, que pode ser chamado de perfeito, e que conseguiu ganhar execucão até numa rádio bosta como a Jovem Pan.

Ainda bem que esse foi o único deslize feio deles, pois no ano seguinte a banda já consertaria esse engano com o espetacular e soturno Automatic For The People e até 2004, um punhado de discos incríveis e inspirados viriam.

Mas não tem jeito, Out Of Time é intragável por ter sido certinho demais.

3. Led Zeppelin – Led Zeppelin IV (1971)

Aproveito pra confessar algumas coisas sobre o Led com esse disco:

  1. Nunca fui fã de carteirinha de Led;
  2. Hoje só consigo dar conta de escutar o Led III;
  3. Não entendo como alguém ainda ache ok colocar esse disco pra tocar em público;
  4. Se isso foi o máximo que o rock and roll produziu, então esse negócio não é pra mim:
  5. Hoje sou muito mais o Deep Purple e o Sabbath ao Led.

Essa besteira de “deuses do rock and roll” nunca me pegou e o Led vestiu essa carapuça de “Deuses do Rock” como poucas bandas. Tudo era grandioso, gigante, majestoso e eu já tava aprendendo a gostar das coisas pequenas, intimistas, pra poucos, lugares menores para shows, bandas menos conhecidas e o Led era exatamente o oposto.

Ok, me lembro da primeira vez que escutei Stairway To Heaven e ela ajuda a cumprir a função de todo o “hino” de um gênero e faz com que você se apaixone, pule de cabeça e queira entender o que isso causa em você. Na minha história pessoal, comecei a ouvir rock achando que Peter Gabriel e Legião eram o máximo no rock and roll. Não me arrependo, guardo com carinho as boas lembranças, mas hoje não me dizem mais nada.

Assim é com o Led, definitivamente sua música não combina comigo e acho perda de tempo escutar Rock And Roll ou Black Dog ou Misty Mountain Hop nos dias de hoje. O que uma nova audição delas pode trazer de novo? Nada! Absolutamente nada. Na real, a única música desse disco que ainda me interessa é When The Levee Breaks, seja pelo som e andamento da bateria, seja pelo arranjo que prepara brilhantemente para seu final.

Deixei esse clássico de lado faz tempo e acho que a partir dele, comecei a deixar outros clássicos para fora de casa.

2. The Beatles – Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band (1967)

Deixei de gostar de “tudo” que os Beatles fizeram já faz um tempão, mas deixar de gostar do Sgt Pepper faz uns 3 ou 4 anos. Acho que foi quando sairam as edições remasterizadas em 2009 e peguei pra escutar de novo. Me senti o personagem do Jonathan Pryce tentando tomar um sol na cinzenta e desolada Manchester dos anos 80. Tudo no disco me pareceu velho, bobo e sem graça.

Sabe aquela piada que você adorava e agora não vê mais graça alguma? Então, é mais ou menos isso.

A long time ago, eu tinha uma fita Basf onde um amigo me gravou as 3 primeiras músicas do vulgo Sargento: Sgt Pepper, With A little Help From My Friends e Lucy In The sky with Diamonds. Ouvi essa sequência até a exaustão, gastava pilhas e pilhas no walkman me deliciando com essas 3.

Eu estava com 14, virando mocinho e achando tudo isso uma maravilha.

Como escrevi lá em cima, nunca nos faltou dinheiro em casa, mas não éramos de posses, assim o álbum completo só veio pra casa uns 2 anos depois como presente de aniversário e finalmente passei da faixa 3.

Confesso que já na época fiquei meio decepcionado. Getting Better e Fixing a Hole baixaram um pouco a minha bola e pensei “porra, começa desse jeito e cai nessas chinfrinzeiras” e ficava pensando “cadê o tal e genial Sgt Pepper?”

Adelante, caimos em She’s Leaving Home é linda e fiquei apaixonado por ela, e Being for Benefit Of Mr Kite depois de alguns anos virou a minha favorita do disco.

Hoje ainda acho que é disparado a mais legal, mesmo prum disco que tem A Day In The Life.

No frigir dos ovos, acho que gostar do Sgt Pepper era quase que uma obrigação e uma necessidade de afirmação de alguns patamares de gostos e predileções que marcavam um limite invisível ou um fronteira entre nós “os legais” e eles, os “não legais” que não curtiam esse disco.

O tempo passou e hoje acho que penso o oposto, gostar desse disco depois de tudo que passei e ouvi é quase um atestado de não evolução, de não ter ido pra frente em nada e ter estacionado na estupefação de um garoto de 14 anos.

O gostoso da evolução é voltar a sentir essa estupefação com novas experiências e não voltar prum estado de espirito que você já não tem mais.

É por isso que essa banda não toca mais pro lado de cá.

1. Pearl Jam – Ten (1991)

Poderia dar um monte de razões para colocar esse disco em primeiro lugar nessa lista.

Dentre elas:

  • A produção exagerada a la hard rock do final dos anos 80, ouso dizer que nem o Skid Row ou o Warrant tinham um som de bateria tão brega quanto esse Ten.
  • E os ecos? E os timbres das guitarras? De novo, acho que as guitarras do Warrant e agora também dos irmãos Nelson, eram melhores que a da dupla do Pearl Jam;
  • O som desse disco não é e nunca foi “grunge”, esse Ten sempre foi um Hard Rock de quinta!
  • E essa capa com os bracinhos fazendo um “hi-five”?
  • Os hits mais grudentos e chatos da história do rock: Alive e Even Flow, que foram antipatia imediata junto a minha pessoa. Na primeira vez que ouvi no rádio eu achei que era o Queensryche que também gozava de relativo sucesso nessa época.
  • Tudo é muito sério, sizudo e parecido com o que seria uma banda que os seus pais poderiam gostar. Tocando e contando todas as verdades do mundo e passando sermão pra todo o mundo;
  • E Jeremy? Dá preguiça até hoje…
  • Tudo isso foi um conjunto de argumentos sólidos que juntei pra tentar justificar porque eu nunca gostei desse disco, mas o verdadeiro motivo de eu detestar com todas as minhas forças o Ten está lá na faixa 5 e se chama Black, a pior música da história do Universo, o maior erro já cometido no gênero, aquilo que me faz ter vergonha de dizer que gosto de rock, que me dá vontade de ter nascido na idade média e nunca ter passado de Buxtehude.

A banda até que se ajeitou depois desse começo cheio de sucesso e titica, os 3 discos posteriores alternam bons e maus momentos, mas a lembrança e o estilo que impregnou logo de cara, parece que nunca largou a banda e por mais que eu ache o Eddie Vedder um cara gente fina, e os demais caras da banda parecem ser muito legais, ainda haverá um Ten no passado e sobretudo, ainda existirá Black.