Killing Joke – Killing Joke (1980)

Ainda tá pra aparecer banda mais esquisita que o Killing Joke.

Tá na pista desde o final dos anos 70, passou de pós-punk, a industrial, eletrônico, meio-gotico, heavy metal e sabe-se lá mais pelo que…

Fruto da combinação doentia de músicos da pesada, onde se destaca o baixista Youth, que é tão foda que até Sir Paul Mccartney se ancorou nas ideias de Youth em seu excelente projeto The Fireman.

A combinação de músicos inclui a figura do lider e maluco de tacar pedra na lua: Jaz Coleman.

O Killing Joke influenciou todo mundo que fez barulho e peso nas décadas seguintes, seja Nirvana, Metallica, Nine Inch Nails, Marylin Manson, Ministry, Sepultura, etc.

Insuperavel, o álbum de estreia dos caras é doente no melhor sentido da parada por que nunca é fácil engolir a vanguarda do KJ, mas a trombada de rock pesado, barulhos eletrônicos, vocais gritados é insuperável e assistir a um show dos caras nessa época devia ser coisa do outro mundo.

Alias, há algum tempo atrás conheci um inglês que assistiu o show de estreia do Killing Joke em Manchester… não bastasse o cara viu também o primeiro show de 15 minutos do Jesus And Mary Chain e tomava goró no bar onde o Johnny Marr servia as geladas.

O inveja…

Curioso que no dia de hoje o nome do Killing Joke e seu líder Jaz Coleman pipocaram nas redes sociais depois que se noticiou seu desaparecimento.

Grandes coisas… Jaz Coleman sempre foi pancada da cabeça e sempre esteve longe de ser um cidadão são.

Se ele aparecer beleza, senão, também não será grandes surpresas.

 


Stevie Wonder – Songs in the Key of Life (1976)

Ahh seu maravilha…

Dificil, diria quase impossível escolher um disco de Stevie Wonder para começar a conhecer a obra desse gênio.

Tive uma edição usada e mal cuidada em vinil, até achar uma edição que não fosse o olho da cara em CD que tivesse as 4 músicas que sairam em compacto (Saturn, Ebony Eyes, All Day Sucker e Eazy Goin Evening) e não constavam na edição original.

E Songs cai bem, porque tem muita musica.

Album duplo, transbordando ideias, musicalidade, energia, soul e funk, capturaram Stevie no seu auge, em um ponto onde ele não tinha mais para onde crescer, pareceria impossível fazer algo tão sensacional quanto esse álbum.

Sampleado, imitado, invejado, Stevie colocaria a soul music em um estágio acima, difícil de ser batido ou rivalizado.

Nessa altura do campeonato, Stevie fazia tudo do seu jeito, ou seja, além de assinar todas as composições, arranjos, direção musical e letras, era também o produtor artístico, executivo e o que mais precisasse ele fazia.

Todo esse controle era para garantir que a obra saísse exatamente como ele queria e como ele havia concebido em sua mente.

Politico, sensível e social sem ser chatão, Stevie escrevia suas letras mais pessoais e as emoldurava com um apanhado imbatível de canções que só por nossa senhora…

Dúvida? Eu sei que não, mas aposto achar baladas tão felizes como Sir Duke ou Isn’t She Lovely (que conta com o melhor uso de gaita na soul music)… quer algo mais funk… I Wish, Village Ghetto Land, Pastime Paradise ou All Day Sucker.

Agora a minha favorita hoje é a doce e inacreditável Ebony Eyes…

De ouvir e chorar…


The Klf – The White Room (1991)

Eu me lembro de ter comprado esse disco quase na época em que ele foi lançado, ou algum tempo depois…

Mesmo quando o mundo só falava em grunge e indie rock e eu era um entusiasta de ambos, confesso que ouvia esse disco escondido, sem entender direito o que me atraia nele, afinal era um disco de “pumpero”.

Até ai, eu também adorava o Pet Shop Boys e o Technotronic.

O fato é: só o tempo pode dar a ele a profundidade histórica necessária para torna-lo um dos mais importantes discos da primeira metade dos anos 90, e um dos hinos do fresco e fundamental movimento de música eletrônica que assolaria o mundo alguns anos mais tarde.

O Klf deflagrou o movimento de clubs e raves que na Inglaterra era uma febre e The White Room é certamente o pé na porta e a conclusão dessa viagem muito louca que tinha começado em algum momento nos anos 80, e vinha diretamente da cultura de discoteca, com o acrescimento de ácido, extase e outras bolinhas que tiverem a mão.

Algumas das mais emblemáticas músicas que faziam a galera perder o chão e se esbaldar eram: 3 A.M. Eternal, Last Train To Trancentral e claro What Time is Love?

The White Room é uma obra-prima, música de festa estranha, com uma combinacão única de Garage, House, Trance e Tecno de Detroit.

Quem foi jovem nessa época e pode dançar essas músicas como a coisa mais moderna deve ter lembranças muito boas.

Ou, se a festa foi muito boa, as lembranças podem ter se esvaído..

Melhor assim…


Ed Lincoln – Box O Rei dos Bailes (2011)

Mais um monstro da legitima bagunça instrumental brasileira que nos deixou esse ano, foi discretamente e passou despercebido pelo grande público e até para o restrito público que ainda acompanha música.

Que azar, ele morreu no mesmo dia em que John Lord (Deep Purple).

O Paraiso estava precisando de sangue novo, assim chamou os dois monstros de uma vez.

O cearence e arredio Ed praticamente inventou sozinho o sambalanço, ao som de seu órgão espetacular nos anos 60.

Esse box espetacular traz de volta 6 albuns que há muito estavam fora de catalogo e serviram para trazer luz a um repertorio espetacular, pautado em ótimas versões do cancioneiro popular americano, além de bossa nova e canções próprias.

Similar ao nosso maestro, estão Herb Albert, Ray Conniff, Esquivel, enfim… lounge music em geral.

Som para dancar, o box tem o nome que merece.

 


The Clash – Super Black Market Clash (1993)

E pra fechar por hora o assunto Joe Strummer e The Clash, trago a baila uma das coletâneas mais queridas e desejadas pelos fãs da banda.

Alias, é um tipo de coletânea que todo fã adora, afinal, não é todo mundo que consegue acompanhar a voraz indústria da música e adiquirir todos os compactos que um artista lança, então quando os principais “lados B” de uma banda espetacular como essa saiu, fez todo mundo correr atrás.

Super Black Market Clash traz um apanhado irregular, mas com momentos absolutamente brilhantes, em especial com City Of The Dead, Pressure Drop (cover dos Toots And The Maytals) e The Prisoner, todas elas são lados B de compactos do primeiro álbum do Clash.

Tem algumas versões instrumentais e a mais bacana é Mustapha Dance, versão alternativa de Rock The Casbah.

Bem, falar mais o que?

O The Clash sobrevoou sobre os mortais com seu rock acima da média desde que surgiram, cometeu seus pecados como toda banda que ficou muito, muito famosa, e eles ficaram MUITO famosos, cometeu.

O importante é que o som do Clash, que nessa coletânea fica claríssima, é que eles foram talvez a principal banda branca a incorporar com propriedade os sons negros que pipocaram nos anos 70, em especial o Reggae, o Ska e o Dub.

Respeitados por todos, tinham muito mais musicalidade de vossas cartolas que todos os artistas punks contemporâneos (não precisa nem falar dessa geração, né? Só monstros, só banda boa, só disco bom e viva o punk rock), mas o The Clash tinha a visão além do alcance…


The Clash – Live At Shea Stadium (2008)

O dia 13 de outubro de 1982 deveria ser lembrado pelo povo nova-iorquino como um dia glorioso para o rock and roll e para sua história.

Foi nesse dia e no lendário Shea Stadium, que também testemunhou o antológico e lembrado show dos Beatles em 1964, que subiram ao palco para fazer talvez a melhor noite de rock and roll ever.

David Johansen (Ex-New York Dolls) abria a noite, seguida do The Clash e The Who.

É ou não é, ou num é? É!

Nova York ficou pequena para o evento e para o The Clash, que vivia seu auge popular. Não havia um cidadão que não soubesse quem era o The Clash nesta época e o lugar mais importante para se estar no mundo naquele dia era o Shea Stadium.

Resultado desse show poderoso é o disco Live At Shea Stadium, lançado oficialmente em 2008, com toda a qualidade de gravação que se tem direito.

Que a vida do The Clash não seria fácil dai pra frente, todos nós sabemos, mas o que sabemos também é que os caras ao vivo não tinha para ninguém naquela época.

Pensa num show perfeito…

Ai o disco começa com London Calling, Police On My Back e The Guns of Brixton nesta exata sequencia.

E nada mais precisa ser dito…


The Clash – The Clash First Album (1977)

Ajoelha e reza, pois falaremos de algo sagrado.

Cada música que o The Clash gravou é uma oração.

Sagrado, vital e insubstituível.

Se existe uma banda que merece todos os elogios, toda a devoção de quem ama rock and roll e foi transformado por essa força devastadora e reveladora, essa banda é o The Clash.

Todo o mundo é unanime em relação a London Calling (1979), mas o meu favorito ainda é o álbum de estreia deles.

Porque?

Muito simples, o disco tem: Clash City Rockers, I’m So Bored With the Usa, Remote Control, Complete Control, White Riot, White Man in Hammersmith Palais, Londons Burning, I Fought The Law, Janie Jones, Carrer Opportunities, Whats my Name, Hate and War, Police And Thieves, Jail Guitar Doors e Garageland.

Alguma dúvida?

Se você não for um xiita musical, seguramente mais da metade das melhores músicas do The Clash e certamente numa lista das 100 melhores canções punk vão aparecer algumas dessas listadas acima.

Se pensar nas melhores covers da historia do rock, pelo menos Police And Thieves vai pintar.

A banda e o disco mudaram o mundo de um jeito que nenhum outro o fez, e isso foi só o começo.


Wanda Jackson – The Party Ain’t Over (2011)

Jack White curte uma coroa.

Jack White é homem de gostos excêntricos e curte produzir álbuns de cantoras velhas e dar a elas a real dignidade que todo artista veterano merece.

Foi o que ele fez com Loretta Lynn e ano passado com a lenda Wanda Jackson.

Wanda foi contemporânea de Elvis Presley.

Tecnicamente, na regra da etiqueta, ela veio antes… foi a primeira mulher a cantar rock e rockabilly em 1955, o que a torna uma das mulheres mais avançadas de seu tempo.

Seguiu pelo country e rockabillly ao longo de 4 decadas até decidir se aposentar e ir jogar bingo com as amigas.

Até chegar uma oferta de voltar, pelas mão do Jack (aquele que curte as coroas), com o apoio de outro fã ilustre, um tal de Bob Dylan e ela saiu da moita para cometer um baita álbum de rock velho com cara de novo. Coisa que quase todo mundo tenta e poucos conseguem.

O repertório é repleto de figurinhas conhecidas do repertório roqueiro, mas não obviedades.

Ok, rola um cover de Amy Winehouse… praticamente igual a original, pequeno pecado dentro de um disco vigoroso, que tem em seu cerne, a oportunidade rara de ouvir essa senhora com mais de 70 anos rugindo, miando e rasgando a voz com força, verdade e entrega que só uma artista do naipe dela é capaz de fazer.

Deixa para a posteridade um belíssimo álbum, a altura de sua relevância e moderníssima.

Se ainda existisse o seriado “Super Gatas”, ela taria dentro quebrando tudo e mandando em todo o mundo.


Paul McCartney – Ram (1971)

O dizer mais de um cara que em qualquer lista séria de músicos pegaria os seguintes rankings:

Maiores baixistas de todos os tempos: estaria entre os 5.

Maiores compositores do rock e pop: top 3

Guitarrista ou pianista: top 20

Cantor: top 5.

Os Beatles foram os artistas mais importantes dos Seculo XX.

Isso vale para qualquer campo artístico.

Foram maiores que Stravinski, Elvis Presley, Pablo Picasso, Alfred Hitchcock, Hemigway, Orson Welles, Sinatra, Miles Davis, Billie Holiday, Marlon Brando, Bob Dylan, Salvador Dali, Cartier-Bresson, Andy Warhol, Kurosawa, etc…

Chegaram a mais cabeças e corações que qualquer um dos acima citados jamais sonharia atingir, e sua abrangência e influencia é tão forte e tão importante, que dá pra afirmar que toda a música pop que se conheceu desde que eles apareceram simplesmente não existiria se não houvessem os Beatles.

Beales é uma coisa, goste ou não, essa é a real… podemos discorrer com mais profundidade sobre isso, mas o assunto é o único disco realmente decente da carreira de Paul McCartney pós-Beatles.

Na real, a carreira de Paul fora dos Beatles estaria num estágio intermediário um pouco acima do Billie Joel e uns 8 degraus abaixo do Elton John.

E o que cobrar de um cara que fez tudo o que ele fez?

As constatações são só pra lembrar que o Paul mais amado é o Beatle e não o cantor solo de álbuns irregulares, ex-lider dos Wings, ativista eco-vega chatão, homem família, defensor da maconha, pai, avô e que fez mais discos ruins do que bons.

McCartney I, Chaos And Creation in the Backyard e Flaming Pie são os discos bons de Macca, mas Ram é disparado o melhor.

Menos desleixado, mas não menos relaxado, o álbum foi feito em casa e reza a lenda, com fundamental apoio e participação de sua falecida esposa Linda McCartney, mostra o Paul artesão, redator de melodias e linhas harmônicas executadas com uma perfeição e maestria que só um homem conhecedor de tudo e mais um pouco na música seria capaz de fazer.

Brincou-se que Macca poderia fazer música sobre qualquer assunto, em qualquer velocidade e em qualquer hora. Não sei, mas em Ram ele está particularmente feliz, e o disco não tem fluência mas tem uma cadencia de uma viagem de charrete, com direito a paradas, aceleradas, retornos e umas surpresinhas no caminho.

Reencontrar esse lindo álbum remasterizado duplo em Vinil com um inteiro só de sobras é coisa linda de Deus. A edição em Cd também é legal, mas fica mesmo “pequena” perto do Vinil.


Bachman-Turner Overdrive – Bachman-Turner Overdrive II (1973)

Definitvamente as melhores gravações feitas e produzidas foram a dos discos lançados nos anos 70.

Ganham em tudo e de todas as épocas, inclusive da nossa: peso, dinâmica, fluência, inovações e mais quantos quesitos você quiser listar.

Com o avanço da tecnologia que cresceu um monte nos anos 60, somado a uma geração particularmente feliz de músicos, produtores e criadores todos cheios de ideias e sabendo como operar as novas mesas de som e os estúdios cheios de possibilidades, os anos 70 floresceram como uma década que vista hoje de longe com um olhar mais critico e analítico não deixa dúvidas. Foi a década da produção musical!

E todos os gêneros se beneficiaram com isso.

No rock e em todas as suas instancias, no jazz, no funk, na soul music, no country, no reggae e no pop.

Até discos comuns ficaram muito melhores graças ao modo como foram gravados e grupos como o Bachman-Turner Overdrive foram muito ajudados.

A banda em si é comum, igual a outras 30 do mesmo gênero de hard rock de arena, mas a produção em particular desse disco é um arraso. Até as passagens mais simples tem um peso daqueles, a cozinha bem tocada foi captada com rara destreza, as guitarras pulam nas caixas como flechas nos seus ouvidos, tudo junto numa mixagem que leva o som da banda lá pra cima e faz tudo parecer muito melhor.

O disco é ótimo mesmo sem ter nenhuma grande song, mas no todo as oito faixas do álbum dão bem a medida do que era o arena rock setentista que não encontraria nos anos seguintes nem sombra e nem rivais.

Grande BTO… rock de truck driver de primeira.