Las Vegas é o tumulo do Rock!

O Lollapalooza18 me inspirou pro bem e pro mal a parir um monte de posts reflexivos sobre os dias atuais em nossa querida música pop dita “alternativa”, que de “alternativa” não tem é nada faz uma dezena de anos.

Desde questionamentos do tipo: Que Porra é Dj Snake ou Dillon Francis? Ou Era Pra ser legal o playback da Lana Del Rey? Ou Será que o Mundo Ainda tá Pronto pra Encarar um David Byrne de Frente? Ou Será que Pearl Jam e Red Hot viraram o Deep Purple e o Stones dessa geração?

Muitas perguntas, mas levando em conta que dos 4 ou 5 headliners da edição brazuca desse ano, dois são de Las Vegas, parece que todos os caminhos me levaram a insana cidade dos jogos e dos sonhos e do que de pior se fez e se faz no rock desde sempre.

A primeira imagem que vem a mente quando penso em Vegas é o Elvis decrépito, gordo, detonado, tocando um repertório pavoroso para uma plateia patética.

Curiosamente é sempre esse Elvis que seus imitadores ao redor do mundo pegam pra “homenagear”.

Até porque, quero ver quem seria homem suficiente pra imitar o Elvis dos anos 50, no gingado, na malicia e na voz.

Anyway, voltando ao ponto do post:

Las Vegas não tem nada de rock and roll.

A cidade é cafona, os cassinos são cafonas e as pessoas que vivem e vão pra cidade são bregas e cafonas nível Amaury Jr. e Rammy!

Não consigo pensar algo mais jacu que gastar dinheiro e ir pra Vegas (se bem que hoje considero Dubai ou Punta del Leste, outros dois destinos igualmente pavorosos).

Culturalmente a cidade só serviu de pano de fundo para filmes de gangsters (alguns bons, a maioria meia boca) e pra enterrar a carreira da maioria dos artistas que iniciam suas “temporadas” de shows por lá.

Só pra dar alguns exemplos: Celine Dion e Britney Spears estão por lá faz um tempo e curiosamente, há muito tempo não tem mais relevância alguma no universo pop mundial.

Não bastasse a cidade ser berço de bandas ruins, essas bandas fazem um sucesso mundial absurdo! Se ficassem só por lá, beleza, mas quando expandem seus limites e batem aqui no nosso quintal, aí é pra não deixar barato.

Las Vegas é o tumulo do rock e abaixo listei em ordem de medonhice, as piores coisas que vieram da cidade “Brega-Luz”:

 

  1. The Killers – A banda é bem mediana, em todos os sentidos, mas acertaram em pelo menos 5 hits irresistíveis, e só não ocupa lugares mais acima do ranking, porque fizeram Bones e When We’re Young, duas das melhores canções dos anos 2000. No mais, o Killers tentou recriar o rock-pop de arena ruim do Boston e do Asia.

 

  1. Five Fingers Death Punch – difícil definir a suruba desgracenta dessa porcaria, mas me lembra o Nickelback nos piores momentos, com o System of Down sem punch e mais um monte de neo-rock cheio de mensagens puras para o “povo americano”… quer um exemplo lindo: ouve essa versão de Offspring e vc vai começar a sentir uma saudade danada das bandas ruins dos anos 90.

 

  1. Escape The Faith – Essa e uma banda que me faz sentir saudades do Quireboys e do Poison. É quase um neo-farofa! Quase uma nova versão do “HairRock” dos 80s. Poser até o topo, imagino um monte de gente tatuada que vai adotar o som dessa porcaria como seus novos favoritos. Me dá ânsia só de pensar nisso…

 

  1. Panic! At The Disco – Essa já é ódio antigo, foi horror na primeira ouvida e o asco só continuou ao longo dos anos. Graças a artistas como Panic, Fall Out Boys e My Chemical Romance, o rock começou a bater pino, bico do avião pro solo. Fim dos tempos. O Panic faz tudo errado com coisas que adoro (adoro um som fru-fru vez ou outra, mas aqui eles pegam o pior aspecto), teatral (no Alice Cooper funcionou, no Marylin Manson funcionou, com o Panic parece uma sobra do circo Vostok) e por fim “punk pop?”, sem comentários. Enfim, não tem nem uma música boa e ainda tão por ai amedrontando a inteligência alheia entregando música de moleque em corpos envelhecidos. Patético.

 

  1. Imagine Dragons. O post foi só pra chegar a eles. Desde que surgiram eu não consegui entender como seres vertebrados conseguem gostar deles, assim como não consigo entender como tem gente que acha que a pessoa ser homossexual é porque é doente, e tão pouco quem acha que Bolsonaro deve ser presidente (Rimou!). Enfim, fato é que a banda já está no 3o ou 4o álbum e continua arregimentando uma multidão por onde passa. Há 20 anos, quando você queria ofender alguém ou alguma banda, bastava dizer que eles faziam um som pra “publicitário”, assim atualizando para os dias atuais, acho que o ID faz um som pra “designers thinkers” ou para “protagonistas da indústria 4.0” que trabalhem em empresas arejadas, com pufs e Coca Cola a vontade para todos (menos o pessoal da limpeza e segurança, que são terceirizados).

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E tu sabes quem é Johnny Greenwood?

Já deixei de acompanhar o Radiohead há uns 5 álbuns, e pelo jeito, a grande massa indie histérica que sempre puxou um bonde pelo quinteto de Oxford também já começa a diminuir.

Há fofocas de bastidores que informam que a venda de ingressos para o show aqui em Abril estão “flopando”, sinal que a banda já não arrasta tantas multidões quanto outrora.

A “possível” falta de interesse somado a discos cada vez menos interessantes que o Radiohead solta, pode ser uma ótima oportunidade para outros membros da banda que não sejam o Thom Yorke mostrarem sua cara.

E nisso entra nosso “Joãozinho Varaverde”.

O guitarrista britânico deveria levar tanto crédito das mudanças radicais da banda e principalmente pela fase em que eles ainda usavam guitarras como instrumentos guia do que normalmente leva.

Além de exímio guitarrista e criativo arranjador, Joãozinho tem se enveredado pela área do terreno árido e cheio de oportunidades das trilhas cinematográficas.

Por que é terreno árido?

Basicamente porque tudo o que se faz nessa área tem sido mais ou menos igual há uma década. De barulhos enfadonhos, pomposidade infatilóide com uma pobreza harmonica e nenhuma tentativa de boas melodias.

Essa escola de trilheiros a la Hanz Zimler, Alexander Desplat e mesmo o falecido Jóhann Jóhannsson seguem um padrão chatissimo e que se tornaram quase uma fórmula, tanto para Blockbusters quanto para filmes de nicho, sejam europeus ou americanos de baixo orçamento.

Johnny chega fresco, cheio de boas ideias e isso tem o ajudado a construir trilhas pra lá de especiais em filmes igualmente especiais.

Desde 2007, ele tem cuidado da parte musical dos filmes de Paul Thomas Anderson, seguramente o melhor diretor de cinema em atividade no mundo hoje.

A parceria começou no especial Sangue Negro, trilha percursiva e vertiginosa, que praticamente dita o ritmo do filme ou acompanha na pinta o ritmo desse filmaço.

Trilhas ótimas que ele fez para O Mestre e Vicio Inerente pareceram ser treinos para o “tour de force” que viria a aparecer ano passado para Trama Fantasma.

Enveredado em música clássica contemporânea, misturada a rock avand-guarde e jazz cabeça, Johnny segue o baile da proposta de P.T.A. e dá uma guinada surpreendente nessa nova trilha.

O salto dado por Joãozinho é (com o perdão do trocadilho infame) assombroso!

O filme Trama Fantasma se passa ali no meio do século XX, e marca mentalmente e afetivamente um fim de uma era de classe vitoriana e mostra a relação de amor e posse entre um famoso alfaiate especialista em vestir realezas e a elite inglesa com uma humilde, mas determinada garçonete interiorana.

Essa historia de “amor” é pontuada lindamente pela música de Johnny e nos guia de forma inteligente e sensível por esse terreno clássico e de costumes rígidos e tradicionais.

Um dos muitos pontos altos do novo filme de Paul T.A. é sem dúvida a música, tanto os temas originais compostos pelo guitarrista, como a delicada e precisa escolha de peças de Berlioz, Debussy e John Adams.

Johnny entrega composições de rara beleza e que ombreiam com os mestres desfilados na trilha.

Outra qualidade rara de se ouvir hoje dentro da música clássica contemporânea, (alias, mais um terreno baldio árido, onde nada novo acontece há um tempão) é sua capacidade de criar melodias secas e bonitas, que trazem um cheiro do passado, mas estão ligadas a grama de hoje.

Seu estilo próximo a Messiaen ou nas obras mais suaves de Ligeti ou Debussy, Johnny mostra talento para melodias e experimentações, já que o rock, em especial o indie rock já estão mortinhos da silva, o guitarrista apronta novos caminhos pra continuar na música sem depender tanto dos shows do Cabeça de Rádio.

A trilha de Trama Fantasma é linda, tirada fora do contexto do filme é música grandiosa pra se ouvir numa viagem ao campo, acompanhando um dia de trabalho ou no silêncio de um dia de semana em que trabalhar em casa quietinho faz um sentido danado.

 


Sim!!! Há Esperança no Ar!

Fazia aproximadamente uns 20 anos que eu não ficava tão empolgado com bandas e artistas novos como eu tenho andado atualmente!

Essa onda de otimismo que pode ser confundido com gaguice e identificado através de possíveis babas ao lado da boca e níveis de senilidade surgindo ali no horizonte cada vez mais próximo não atrapalham em nada, acreditem!, a visível e “ouvível” qualidade que esses artistas e bandas jovens apresentam é realmente especial, não se ouve toda a hora, e se não confiares em meus escritos, use seus ouvidos pra tirar a prova dos nove.

Lá no Sul de Londres vem duas bandas pra deixar seu dia e sua vida muito melhores:

Banda: Shame

Album: Songs Of Praise

Primeiro play do quinteto londrino lançado em janeiro desse ano já entra pra lista de favoritos de 2018 pelo simples fato de conseguir unir duas coisas que não se ouvia há tempos: bom rock com letras politizadas. Seguindo a boa tradição baderneira de um The Fall ou Half Man Half Biscuit, mas ouvindo com mais atenção me lembra um pouco as guitar bands final dos 80, tipo Family Cat, That Petrol Emotion, Midway Still (saca?). A banda tem aquela boa pegada roqueira inglesa daquele período dos anos 80 em que o pais tava num atoleiro de Era Tatcher e une maturidade e inconsequência. Como? Com um discurso direto contra o que de fato oprime um underdog com um pouco de cérebro e simancol (opressão, repressão, tempos reacionários e intolerantes, por ai vai). Outra boa noticia, o LP já está esgotado, ou seja, tem uma galera já atrás deles. Vida longa ao Shame!

Não bastasse as musicas dos caras serem boas, eles revelam o extremo bom gosto pra covers, acompanhe esse video de suas sessões pela BBC até o final e prepare-se para abrir aquele sorriso.

Banda: Madonnatron

Album: Madonnatron

Também do sul de Londres, mas esse disco saiu em 2017. Minas que lembram 4 Courneys Love, ou um L7 atualizado e menos rock mas nem por isso menos bom. Seguindo a trilha aberta pelo Savages, o Madonnatron tem tudo pra seguir um bom caminho se não se cansarem e ficarem pelo meio do caminho.

Não bastasse tudo isso, ainda tem musica nova da Courtney Barnett, e todo o mundo que ainda tenta achar coisa nova boa e parou de se contentar com essa horde horrorosa de indie pop bands imitadoras de Killers e Coldplays da vida tem na anti-musa australiana, a perfeita resposta pra quem ama o guitar rock 90s e andava meio saudoso, torcendo pra que alguém conseguisse superar os diques que separam bons artistas na margem e possam chegar num público maior, e quem sabe recolocar as coisas nos seus devidos eixos. Sonhar não custa né?

E viva o Roque!


O Fim da Guitarra Está Chegando!

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Não, não se trata de uma apologia catastrófica a la fim do mundo.

Isso é real, está rolando!

Assim como o Aquecimento Global, a imbecilização coletiva e a politização de qualquer coisa que se faça no mundo, a guitarra está com os dias contados!

Noticias ruins surgem a todo instante para corroborar essa tese:

Recentemente saiu um dado assustador sobre a queda do número de vendas de guitarras no Brasil, chegando a quase 80% de queda. Quem mora em São Paulo e por um acaso passar ali pela Rua Teodoro Sampaio, outrora meca dos instrumentos musicais, hoje encontra cada vez menos lojas oferecendo instrumentos.

https://m.cbn.globoradio.globo.com/amp/media/audio/160807/queda-nas-vendas-o-futuro-incerto-da-guitarra.htm?__twitter_impression=true

O que isso quer dizer?

Sem guitarra sem rock and roll, of course.

Se já não eramos uma nação lá muito roqueira, com o crescente desinteresse das novas gerações pelo gênero, a tendência é que só assistamos rock no Brasil em Museus, séries de TV ou no Youtube.

Se fosse uma tendência só no Brasa, beleza, mas isso está bem longe de ser verdade também.

Essa semana a famosa e icônica fabrica de Guitarras Gibson anunciou que está a um fio de declarar falência (tudo graças a baixa procura por seus instrumentos e grande queda de vendas no mercado Norteamericano).

https://news.sky.com/story/iconic-guitar-company-gibson-could-be-facing-bankruptcy-11257323

Somando isso ao fato de que rock and roll hoje em dia virou música de tiozinho, o futuro do rock é um belo dum ostracismo.

Assista ao vídeo abaixo do AC/DC no Grammy 2015 e veja o tipo de gente que tá lá “vibrando” com a banda.

Ano passado eu participei de uma feira de Lps em Botucatu (cidade no interior de SP) e troquei algumas palavras com o Ricardo Vignini, violonista da dupla Moda de Rock (duo especializado em fazer versões de rock em viola caipira) e ele soltou uma grande verdade sobre esse tema: “… o ultimo grande vendedor de guitarra no mundo foi o Slash, depois dele, acabou…”

Não precisa nem ser um grande fã de Guns e cia pra concordar que o cara tá certo.

Lá pelos anos 90 até pintou uma modinha por Fender Jaguar por causa do Nirvana e que depois o Los Hermanos transformou em cavaquinho, mas na real, por mais que a década de 90 e mesmo nos 2000 tenham tido bons guitarristas, ela deixou de ganhar importância no processo de composição e na própria estrutura das bandas e mesmo um Jack White hoje é muito mais ligado ao mercado de LPS do que no de guitarras e olha que ele talvez sim, tenha sido o ultimo grande guitarrista que poderia fazer algum moleque pegar o instrumento e tirar um som.

Enfim, como diria aquele outro grande guitarrista “…sad but true…”

 


O Melhor Festival do Mundo em 2018!

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Seguindo o estardalhaço habitual que a divulgação de line-ups de festivais costumam causar nos coraçõezinhos indie-rocker-nãorocker-hipsters-em-geral, a última fresta de emoção veio da escalação confirmada do Primavera Sound, que se realiza anualmente em Barcelona.

Comoção moderada na verdade.

Ok, tem Nick Cave, a volta do Arctic Monkeys e Bjork de headliner. Do resto, mais do mesmo, os rappers transados do momento, Lorde, e aquele bando de banda indie chata pracas…

Como quem contrata e organiza esses festivais, são basicamente as mesmas pessoas, que precisam levar para atrações basicamente os mesmos artistas sob contrato das duas maiores agências de shows do mundo, podem haver algumas diferenças aqui e ali, mas onde canta Nair, canta Nadir e onde quiserem Nadir, tem que levar Nair e Nadair.

Por isso que não sinto mais a menor empolgação com esses grandes festivais do tipo Coachella, Primavera, Reading Festival, Roskilde, Bonaro, Lollapalooza, Rock In Rio, etc.

Com a quantidade absurda de artistas por ai, cada vez mais, festivais focados em nichos vem ganhando corpo e qualidade de escalação que não se vê mais nesses festivais comerciais multi fodões milionários.

Tem pra todos os ghosts e bolsos e no geral muitos deles costumam até ser mais baratos que esses mega badalados.

Em ordem de relevância e se eu tivesse cascalho pra encarar, esses seriam os 6 festivais em que eu iria fácil:

  1. Desertfest (Londres – Inglaterra)

Quando: 04 a 06 de Maio

Principais atrações: Monster Magnet / High On Wire / Hawkwind / Napalm Death / Nebula.

Festival mais voltado pra linha Stoner, metal viajandão, já valeria pra ver o Monster Magnet e o Nebula. Como dizia Gastão Moreira, só porrada na orelha!

 

  1. M’era Luna (Hildesheim – Alemanha)

Quando: 11 e 12 de Agosto

A turma: Prodigy / Front 242 / Ministry / Clam of Xmox / Atari Teenage Riot.

Onde os neo-goticos e fãs de synthpop e industrial fazem a festa. Um verdadeiro carnaval de gente muito branca, maquiada com pó de arroz, regado a eletrônico pesado, industrial e ótimas bandas.

 

  1. The Cure – 40th anniversary tour (só nas Europa)

Quando: verão europeu.

Quem acompanha a Cura:  Interpol / Slowdive / Goldfrapp / Ride / Editors

Já não bastasse o The Cure na sua turnê de 40 anos de existência, de leva traz na garupa algumas das melhores bandas de guitar rock da virada dos 80’s pros 90’s (Ride e Slowdive) e alguns dos melhores do século XXI (Interpol e Goldfrapp). E zefini…

 

  1. Sonic Mania (Tokio – Japão)

Quando: 17 de Agosto

Quem: Nine Inch Nails e My Bloody Valentine

Se fizer uma lista das 5 melhores bandas pra se ver no mundo hoje, duas delas estão ai. Sem mais.

 

  1. Levitation (Austin – Tx)

Quando: 26 a 29 de Abril

Quem toca: Dead Meadow / Ty Segall / Parquet Courts / Ministry / Brian Jonestown Massacre / Slowdive / The Black Angels / Oh Sees / Wooden Shjips

Segundo melhor festival do mundo: dedicado a bandas novas e velhas, mas com propostas roqueiras, psicodélicas e avançadas. Só listei as que conheço e tenho vontade de ver em ação, mas as bandas pequenas também costumam ser grandes pedradas ao vivo. Ótima curadoria e shows pequenos. Quase perfeito.

 

  1. Rebellion Music (Blackpool – Inglaterra)

Quando: 2 a 5 de Agosto

Quem é o cantor: P.I.L. / Stiff Little Fingers / Buzzcocks / The Exploited / The Adicts / Dickies / Peter Hook & The Lights / Cockney Rejects / Discharge / Uk Subs / Idles / GBH / The Weirdos / Anti Nowhere League / D.R.I. / The Boys / Jah Wooble / Chron Gen (só listei as que eu gosto muito ou tenho disco).

Sem sombra de dúvida, o lugar que eu mais quero estar nesse ano. Não é todo o dia que a nata do punk rock mundial se junta num festival dessa envergadura: O Rebellion já acontece há alguns anos e se especializou em juntar algumas bandas veteranas do punk rock junto a bandas novas que aparecem de vez em quando pra fazer a alegria de quem ama punk, pop punk, new wave, hardcore entre outras.

Escolha seu festival, quebre o cofrinho das economias e caia na estrada. Se não rolar, pelo menos sonhe… não custa nada.

 

 


Menos um no Mundo… Mark E. Smith (R.I.P.)

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E nem findamos direito Janeiro e vem uma chapuletada dessas?

Logo tu, Mark?

Mais do que ser um fã do Fall (confesso que gosto muito, mas não me considero um fall maníaco), Mark E. Smith representava o tipo de atitude e visão de mundo que tenho muito na minha vida e quero ter na minha vida daqui pra frente, ou daqui até o fim dela.

Desde que surgiu, lá nos meados dos anos 70, o Fall e seu lider foram incansáveis, levando a arte, o rock e suas convicções até as ultimas consequências, quase como uma missão eclesiástica, espiritual por entre descrentes e bárbaros.

Se tem dúvida, repare no video abaixo gravado em algum momento de 2017, com um Mark severamente debilitado, porém sem fugir da raia (tem muito “artista” por ai, que bastou uma gripezinha e já sai cancelando show a torto e a direito).

A legião de fãs só comprova como o cara era f***.

John Peel, Damon Albarn, Cat Power, Pavement, Justine Frishman entre outros são só alguns artistas legais que adoram o cara.

E ai vão algumas das minhas favoritas em que o Mark dá o “tostão” da sua presença:

Elastica – How We Wrote Elástica Man : homenagem tão explicita ao Fall (a canção How I Wrote Elastic Man), ao estilo e a forma. Clássico dos nossos tempos.

Inpiral Carpets – I Want You – outra música feita quase de encomenda para homenagear Mark. Pesada, rápida e mortal. Um dos melhores rocks dos anos 90.

Gorillaz – Glitter Freeze – só alguém tão foda e tão bom quanto Damon Albarn pra fazer Mark E. Smith cantar em um album “mainstream”. Artistas grandes se respeitam.

John Peel, lendário dj da BBC também já falecido, tinha aproximadamente 35 mil LPs, mas os do Fall eram tão especiais que ficavam em local a parte.

Numa definição rasteira, o The Fall era punk na atitude, krautrock com pos-punk no som e letras que beiram o surrealismo.

Uma combinação de arte erudita e arte de rua, Mark era do asfalto, das esquinas, das mesas de pub, das noites regadas a álcool, de uma vida regada por arte e música na frente de todo o resto.

Produção praticamente regular durante mais de 40 anos de atividade, o Fall passou por incontáveis formações e mesmo assim, ouvindo um disco como Grotesque (1980) ou The Unutterable (2000), são discos que se tivessem sido lançados em anos trocados, não seriam datados, tão pouco avançados.

De uma maneira estranha, desde que o Fall surgiu, ele criou uma linha do tempo própria, que não obedeceu a modismos, outros gêneros ou modinhas pra ganhar mercado ou público. O som da banda nasceu de um jeito e nele permaneceu, mesmo agregando algo de eletrônico, batidas mais fortes, ou riffs mais modernos, tudo contribuiu para fortalecer uma sonoridade facilmente identificável a milhas de distância.

Um cara tão particular como ele fará falta. Não se repõe alguém como Mark E. Smith. O rock perde mais um artista com A maiúsculo.

Abaixo uma pequena galeria com meus momentos favoritos envolvendo esse figura:

 

 

Como disse John Peel, tudo do The Fall é bom, não dá pra escolher uma coisa só, então faça um favor a si e baixe a discografia do Fall e caia de cabeça. Não falta material online.


3 Discos que podem animar 2018!

Lá no final do ano passado, ou seja, há um século e meio atrás, eu apostei que alguns jovens senhores poderiam tirar as poeiras de seus instrumentos e teríamos motivos para crer que coisa boa surgiria nesse modorrento e cada vez mais desértico território da música adulta comercial mundial.

Ainda não dá pra cravar 100% de certeza mas dá pra vislumbrar ali delante o morro do horizonte pop rock que se nada der muito errado, esses três artistas abaixo lançarão coisas boas em 2018 (e nem estou falando ainda do My Bloody Valentine que já prometeu disco novo esse ano… ai ai ai).

Vamos as apostas:

Eels – The Desconstruction

O álbum deve sair em 06 de abril e será o 15o de uma carreira regada de momentos quase populares e outros nem tanto, mas de inacreditável regularidade e qualidade. Nada que o “geniozinho” E. (é uma banda de um homem só), faça que não fique bom. A vida e a carreira dele poderiam te-lo transformado em um artista mais popular do que ele é pelo menos para a geração indie (e ele fez por merecer esse reconhecimento), seus primeiros 4 albuns são clássicos e ele sempre manda bem ao vivo. A música nova “The Desconstruction” mostra a grande capacidade de produzir lindas harmonias com simplicidade, personalidade e de maneira inimitável e por aqui estou só esperando coisa ótima vindo da cabeça doida de E..

 

Ministry – AmeriKKKant

A nova paulada do Ministry sai em 08 de março. Nem tanto pro metal, nem tanto pro industrial, mas ali na fronteira entre os dois gêneros mas não menos raivoso. A considerar a cacetada “Antifa” que já saiu em dezembro, “AmeriKKKant” tem tudo pra ser um dos melhores discos da banda em anos. Aproveitando a confusão moral e estética em que os EUA se enfiaram é bom ressurgir um pouco de degeneração a la 80s pra dar um tapa sonoro na monótona cena rock mundial.

 

The Decemberists – I’ll Be Your Girl

Parece que foi ontem que eu descobri essa banda folk jóia, mas já são 16 anos de carreira discográfica e depois desse tempo todo, eles resolveram chutar o balde e lançar um disco a la Human League, Gary Numan ou tecnopop 80s I’ll Be Your Girl será o 10o álbum da banda e confesso que eu não ficava empolgado com um lançamento deles desde bastante tempo. Fresco e revigorado, se o disco seguir a vibe de “Severed” primeira música lançada do novo play, pode cravar que será um dos melhores discos do ano. Adoraria ouvir isso ao vivo ao lado do Future Islands e outros eletro pop heroes do momento.

 

E como bônus, trago boas novas: o ótimo trio Sunflower Bean chega com seu segundo album em 23 de março. Barulhinho com estilo, seu segundo álbum “Twentytwo in Blue” tem tudo pra ser aquele disco de roquinho indie pra gente nova e velha poder dançar, se esbarrar e gostar. Eu já tinha gostado muito do primeiro single desse play “I Was a Fool”, mas gostei mais dessa nova que saiu há uns dias atrás: “Crisis Fest”. Torcendo por um disco bom de rock feito por alguém com menos de 35 anos.