Dave Grohl e Josh Homme vão ser os últimos a apagar as luzes nesse tal de rock and roll?

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Quase ao mesmo tempo, duas das maiores bandas de rock, (isso existe ainda?) Foo Fighters e Queens Of The Stone Age lançaram seus novos álbuns, respectivamente Concrete And Gold e Villains.

Por que falar das duas bandas?

Bem, primeiro por que ano que vem as duas passarão em turnê por aqui e se nada der errado, com ingressos esgotados com muita antecedência.

E ao que parece, elas são as ultimas duas grandes bandas de Rock ainda em atividade e com relativa saúde musical.

Há outras semelhanças entre os dois álbuns recém lançados:

Ambos foram produzidos por produtores mais familiarizados com o universo pop.

O Foo Fighters convocou Greg Kurstin (músico da dupla The Bird And The Bee, que produziu faixas para artistas pop do calibre de Sia, Adele, Ellie Golding, Lana Del Rey entre outras) enquanto John Homme resolveu botar Mark Ronson (super produtor que trabalhou com Amy Winehouse, Bruno Mars, dentre outros) pra dar uma arejada no som do Queens.

E olha que dando uma ouvida em ambos, até que não é tão ruim.

Não vou cravar aqui que os dois álbuns são bons para caralho e que vão figurar em alguma lista (o do Queens é capaz), mas a mão e a direção de produtores pop deram um gás extra para as duas bandas.

O Foo Fighters, pelo menos nas duas primeiras músicas de trabalho Run e The Sky Is Neighborhood vem com todo o pique de banda “mainstream” mas com uma certa cadência pop junto ao peso que a banda sabe impor quando quer.

Dave Grohl tem andado mais bunda mole, com projetos que ficam no meio do caminho, mas a banda ainda mantem o pódio de banda de rock numero 1 do mundo. Ou quase.

Concrete & Gold não deve trazer novos ouvintes para a banda, mas também não vai afugentar nenhum fã antigo de seus últimos heróis vivos do rock pós-grunge.

Já o Queens botou um cara com “groovie”, mesmo sendo o inglês e branquelo Mark Ronson.

O QOTSA já não tem sido pesado o suficiente pra espantar um público menos “indie” e nos últimos álbuns já vinham flertando com pegadas mais dançantes que lhe garantiram um titulo particular de “Melhor Banda de Stoner Rock Para Garotas”.

Villains tem boas canções, que ao vivo são melhores que no disco.

Não sei se tô muito paciente, mas tenho quase até que gostado de umas duas ou três desse novo play. Fazia tempo que uma música da banda californiana não me prendia tanto a atenção quanto The Evil Has Landed. Arranjos de guitarras sensacionais não é novidade para Josh e companhia, mas eles tavam devendo nesse quesito e fizeram bonito nessa.

No fim, Queens e Foo encabeçam uma pequena lista de bandas que “ainda” usam guitarras como instrumento principal e ainda levantam uma surrada bandeira do Rock dentro de um mundo pop que não lhe pertence mais.

O que também não faz deles santos nem bastiões de um gênero sacrossanto.

Rock and Roll já é música de nicho faz tempo, mas o que sobrou nesse “Big Mainstream” não tem nada que vá ser lembrado daqui a 10 anos.

Até fevereiro de 2018, quando Queens Of The Stone Age e Foo Fighters tocarem por aqui, acredito que Villains e Concrete & Gold terão sido completamente esquecidos ou recebidos com frieza.

Mas o público que certamente lotará o Allianz Park pulará horrores com a penca de ótimos flashbacks que as duas bandas tem aos montes.

Tanto QOTSA ou FF são “maiores” do que esses dois novos discos.

Por hora, os álbuns seguram a onda, mas estão longe de serem bons cartões de visita para garotos ou garotas que tenham um mínimo interesse nesse nicho chamado Rock and roll.

E se no próximo, eles desistirem de fazer rock, que pelo menos apaguem as luzes.

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As 10 músicas mais embaraçosas de Macca.

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Em qualquer lista que fizerem com:

Os maiores baixistas do mundo;

Os melhores compositores pop do século XX;

Os melhores cantores do século XX;

Os músicos mais influentes do século XX;

Paul vai estar ali entre os 5 primeiros em qualquer uma delas.

Músico completo, acima da média, passeou por quase todos os gêneros musicais existentes e fez maravilhas em todos eles, é “vaca sagrada” quase inatacável. Toca baixo, guitarra e piano como se tivesse amarrando os sapatos, canta como um rouxinol e faz show de 3 horas e ainda deixa de fora um monte de música linda pra outras 3 horas!

Mas…

Aproveitando sua nova passagem pelo pais, resolvi listar os momentos mais embaraçosos da bela carreira de Macca e mostrar que nem só de glórias vive o ex-Beatle e que mesmo com tanta capacidade não impede que os vacilos existam (alguns deles eu confesso que até gosto, ali no fundinho…)

Para ser justo, deixei de lado os “Lados B”, principalmente da fase Wings (tem discos que nem o lado A salva, tipo Back To The Egg, London Boy ou Venus And Mars.

E também não considerei nada da fase Beatles, assim Obladi Oblada que é a pior música da história, não está contemplada nessa listinha.

Para darmos algumas risadas, segue a listinha pra desopilar:

  1. Coming Up – McCartney II (1980)

Nesse álbum Paul tentou retomar as rédeas de sua carreira como artista solo, o disco vendeu bem e até livrou a cara do ex-Beatle por um tempo. Meio experimental, o disco hoje não desce nem com um Dreher. Além do hit Coming Up ser uma vergonha, ela serviu de “inspiração/chupação” para o Skank nos brindar com “Mandrake e os Cubanos”.

 

  1. Silly Love Song – Wings At The Speed Of Sound (1976)

De bobo Sir Paul não tem nada, mas de vez em quando ele escorrega para uma cafonice de fazer Barry Manilow parecer Hard Rock. Silly é tão vexatória que até o titulo já entrega o que a música é. Uma bobice açucarada indigna.

 

  1. Beware My Love – Wings At The Speed Of Sound (1976)

Um adendo, eu gosto dessa música. Só está listada aqui pra mostrar que muitas vezes, Paul teve a chance de fazer a coisa certa e optou pelo seguro e convencional. Há um tempinho atrás saiu uma reedição desse álbum com uma versão de Beware com a batera do John Bonham, que é infinitamente superior e muito mais instigante e interessante que a versão oficial.

Paul podia ter botado essa no álbum, mas preferiu a cafoninha.

 

  1. Jet – Band On The Run (1973)

O tempo é engraçado, quando Paul veio tocar por aqui em 1989 pela primeira vez, a música que menos agradou no show foi justamente Jet. Tida como um “jato de agua fria” na galera, ainda hoje acho um rockinho muito do sem vergonha, quadradinho e composto totalmente no piloto automático. Hoje, ele toca em todo o show e o povo pira… eu não.

 

  1. Press – Press To Play (1986)

Sem comentários, só não vai direto pro primeiro lugar porque as 5 primeiras são de lascar e essa é só um erro dentro de um álbum todo horroroso.

 

  1. Check My Machine – McCartney II (1980)

A primeira vez que ouvi essa track foi numa coletânea com canções estilo “Nostalgia”, (quem é da quebrada lembra dessa gíria). Alguns djs gostam de toca-la e principalmente usa-la pra fazer samplers, mas os 5 minutos e pouco dessa baboseira indolente é simplesmente insuportável. Não é experimental, tão pouco revolucionário. É só uma grande bobagem “cult”.

 

  1. Hope Of Deliverance – Off The Ground (1993)

Pavorosa! O álbum é um dos piores da carreira dele, mas essa song meio “latina”, com levada no violão figura entre as coisas mais constrangedoras que ele fez.

 

  1. Ebony & Ivory – Tug Of War (1982)

O disco hoje nem parece mais tão horroroso quanto outrora, mas essa parceria de Paul com outro gênio, Stevie Wonder é feio pros dois. A letra é bonita, positiva, afirma uma boa ideia de por fim as diferenças e o preconceito racial. O problema é que toda a vez que ela toca no rádio, imediatamente a primeira coisa que vem a cabeça é: Que M….

 

  1. No More Lonely Nights – Give My Regards To Broad Street (1984)

O álbum é uma tragédia, mas como toda boa tragédia que se preze, começa por algum lugar e No More é a música de abertura. Fico constrangido por ele, e olha que eu acho a melodia até que mais ou menos, mas o conjunto da obra é muito ruim. Lembro que esse foi o primeiro contato com a música de Paul McCartney, demorei um tempão pra me aventurar a ouvir outras coisas dele, sorte que um pouquinho depois descobri quem eram os Beatles, ai a coisa ficou mais fácil.

 

  1. Say Say Say – Pipes Of Peace (1983)

Tem músicas piores dele aqui na lista, mas essa tá em primeiro porque não dá pra acreditar que o casamento musical de Paul com Michael Jackson (na época, o maior artista pop do mundo, lançando nada mais nada menos que Thriller) com produção de George Martin (dispensa apresentações) pudesse ser tão insossa e melequenta. Uma bobice sem tamanho, uma porcaria absoluta. Indigno dos 3 personagens geniais envolvidos.


Tom Petty – O Zé Ninguém mais Amado do Rock!

Thomas Earl Petty, ou Tom Petty foi morar no céu em 02 de outubro de 2017 vitima de um ataque cardíaco aos 66 anos.

Como artista, venceu pela consistência e insistência, nunca aderiu a modismos, nem a tendências e também ele próprio nunca quis se colocar como artista de vanguarda ou qualquer coisa assim.

Sua qualidade sempre esteve em compor boas canções ganchudas 4 por 4 que poderiam ser escutadas em qualquer um dos 50 estados norte-americanos e entendidas tanto entre os hipsters quanto entre os rednecks.

Nunca abriu a boca pra falar asneiras, nunca se envolveu em polêmicas e isso nunca lhe garantiu também muitas manchetes. Acho que no fundo ele também nunca buscou isso em sua vida e carreira.

Estava lembrando esses dias como esse cara fez álbuns excelentes e músicas incríveis e mesmo seus último trabalho de 2014, chamado Hypnotic Eye é excelente e cheio de vitalidade (cheguei a lista-lo como um dos melhores daquele ano.)

Enfim, fico triste pois sei que esse é um dos shows que gostaria de ter visto e agora só numa próxima encarnação ou plano astral.

Pra quem tá chegando agora, vai abaixo um guia muito particular para situa-los no som totalmente norte-americano (no ótimo sentido) de Tom Petty.

Tom Petty & The Heartbreakers (1976): Disco de estréia do cantor e seu grupo, não fez muito sucesso, mas o disco consegue ainda hoje ser moderno e absolutamente em sintonia com o singalong dos anos 2000. A faixa mais incrível desse play é American Girl (lembra muito o Strokes de começo de carreira).

 

You’re Gonna Get It! (1978) e Dawn The Torpedoes (1979): Dawn foi o primeiro big hit de verdade da carreira de Tom e tem algumas grandes faixas como Refugee e Here Comes My Girl, mas só pra contrariar eu particularmente gosto mais do You’re Gonna… que tem duas das minhas favoritas dele: You’re Gonna Get It e Magnolia.

 

Southern Accents (1985): New wave e psicodelia. Talvez seja o mais interessante e diferente trabalho do Petty. Arriscando um pouco, saiu da zona de conforto e acertou um discasso. Produção de Dave Stewart (Eurythmics), fez a música que me apresentou ao som de Petty, Don’t Come Around Here No More (o clipe é fantástico também), vi num Clip Trip da vida, não entendi nada na época, continuo achando fascinante e tentando entender como isso foi um “Hit”. Outro mundo!

 

Full Moon Fever (1989): Pra mim, é a obra-prima de Petty. Glorioso, expansivo, cristalino e delicioso de se ouvir de cabo a rabo. É rock americano quadradinho por excelência, tocado com maestria e coração. Free Fallin é o clássico, mas eu sou fã também do rockão I Won’t Back Down.

 

Travellin Wilburys (1989): Supergrupo formado por Petty, Jeff Lynne (E.L.O), Bob Dylan, George Harrison e Roy Orbinson, numa mistura de camaradagem e homenagem fizeram um grande álbum graças a Petty, que estava em alta e puxou pra cima os outros monstros que não estavam tão bem assim. Ultimo registro de Orbinson antes de seu falecimento. Obra prima do Classic Rock como se conheceu.

 

Into The Great Wide Open (1991): No meio do furacão grunge, Petty não abriu mão aos modismos e fez outro petardo. Tido como “meio velho”, o álbum hoje se mostra atemporal e ainda atual. Quando saiu fico meio pra tras para a turma de Seattle, mas o tempo ajustou as coisas e hoje alguns daqueles discos é que ficaram pra trás, enquanto Into… segue firme, forte e bonito.

 

Mudcrutch (2008): E dentre idas e vindas, Petty resgatou seus chapas antes de formar os Heartbreakers e cometeu um delicioso álbum de country rock a la Flying Burrito Brothers.

 

Hypnotic Eye (2014): O último álbum lançado pelo cantor com seu grupo é incrível e tal qual outros contemporâneos, Petty não perdeu a capacidade criativa nem o “mojo” e a banda só melhorou com os anos, nada de som frouxo por aqui.