Sim!!! Há Esperança no Ar!

Fazia aproximadamente uns 20 anos que eu não ficava tão empolgado com bandas e artistas novos como eu tenho andado atualmente!

Essa onda de otimismo que pode ser confundido com gaguice e identificado através de possíveis babas ao lado da boca e níveis de senilidade surgindo ali no horizonte cada vez mais próximo não atrapalham em nada, acreditem!, a visível e “ouvível” qualidade que esses artistas e bandas jovens apresentam é realmente especial, não se ouve toda a hora, e se não confiares em meus escritos, use seus ouvidos pra tirar a prova dos nove.

Lá no Sul de Londres vem duas bandas pra deixar seu dia e sua vida muito melhores:

Banda: Shame

Album: Songs Of Praise

Primeiro play do quinteto londrino lançado em janeiro desse ano já entra pra lista de favoritos de 2018 pelo simples fato de conseguir unir duas coisas que não se ouvia há tempos: bom rock com letras politizadas. Seguindo a boa tradição baderneira de um The Fall ou Half Man Half Biscuit, mas ouvindo com mais atenção me lembra um pouco as guitar bands final dos 80, tipo Family Cat, That Petrol Emotion, Midway Still (saca?). A banda tem aquela boa pegada roqueira inglesa daquele período dos anos 80 em que o pais tava num atoleiro de Era Tatcher e une maturidade e inconsequência. Como? Com um discurso direto contra o que de fato oprime um underdog com um pouco de cérebro e simancol (opressão, repressão, tempos reacionários e intolerantes, por ai vai). Outra boa noticia, o LP já está esgotado, ou seja, tem uma galera já atrás deles. Vida longa ao Shame!

Não bastasse as musicas dos caras serem boas, eles revelam o extremo bom gosto pra covers, acompanhe esse video de suas sessões pela BBC até o final e prepare-se para abrir aquele sorriso.

Banda: Madonnatron

Album: Madonnatron

Também do sul de Londres, mas esse disco saiu em 2017. Minas que lembram 4 Courneys Love, ou um L7 atualizado e menos rock mas nem por isso menos bom. Seguindo a trilha aberta pelo Savages, o Madonnatron tem tudo pra seguir um bom caminho se não se cansarem e ficarem pelo meio do caminho.

Não bastasse tudo isso, ainda tem musica nova da Courtney Barnett, e todo o mundo que ainda tenta achar coisa nova boa e parou de se contentar com essa horde horrorosa de indie pop bands imitadoras de Killers e Coldplays da vida tem na anti-musa australiana, a perfeita resposta pra quem ama o guitar rock 90s e andava meio saudoso, torcendo pra que alguém conseguisse superar os diques que separam bons artistas na margem e possam chegar num público maior, e quem sabe recolocar as coisas nos seus devidos eixos. Sonhar não custa né?

E viva o Roque!

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O Fim da Guitarra Está Chegando!

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Não, não se trata de uma apologia catastrófica a la fim do mundo.

Isso é real, está rolando!

Assim como o Aquecimento Global, a imbecilização coletiva e a politização de qualquer coisa que se faça no mundo, a guitarra está com os dias contados!

Noticias ruins surgem a todo instante para corroborar essa tese:

Recentemente saiu um dado assustador sobre a queda do número de vendas de guitarras no Brasil, chegando a quase 80% de queda. Quem mora em São Paulo e por um acaso passar ali pela Rua Teodoro Sampaio, outrora meca dos instrumentos musicais, hoje encontra cada vez menos lojas oferecendo instrumentos.

https://m.cbn.globoradio.globo.com/amp/media/audio/160807/queda-nas-vendas-o-futuro-incerto-da-guitarra.htm?__twitter_impression=true

O que isso quer dizer?

Sem guitarra sem rock and roll, of course.

Se já não eramos uma nação lá muito roqueira, com o crescente desinteresse das novas gerações pelo gênero, a tendência é que só assistamos rock no Brasil em Museus, séries de TV ou no Youtube.

Se fosse uma tendência só no Brasa, beleza, mas isso está bem longe de ser verdade também.

Essa semana a famosa e icônica fabrica de Guitarras Gibson anunciou que está a um fio de declarar falência (tudo graças a baixa procura por seus instrumentos e grande queda de vendas no mercado Norteamericano).

https://news.sky.com/story/iconic-guitar-company-gibson-could-be-facing-bankruptcy-11257323

Somando isso ao fato de que rock and roll hoje em dia virou música de tiozinho, o futuro do rock é um belo dum ostracismo.

Assista ao vídeo abaixo do AC/DC no Grammy 2015 e veja o tipo de gente que tá lá “vibrando” com a banda.

Ano passado eu participei de uma feira de Lps em Botucatu (cidade no interior de SP) e troquei algumas palavras com o Ricardo Vignini, violonista da dupla Moda de Rock (duo especializado em fazer versões de rock em viola caipira) e ele soltou uma grande verdade sobre esse tema: “… o ultimo grande vendedor de guitarra no mundo foi o Slash, depois dele, acabou…”

Não precisa nem ser um grande fã de Guns e cia pra concordar que o cara tá certo.

Lá pelos anos 90 até pintou uma modinha por Fender Jaguar por causa do Nirvana e que depois o Los Hermanos transformou em cavaquinho, mas na real, por mais que a década de 90 e mesmo nos 2000 tenham tido bons guitarristas, ela deixou de ganhar importância no processo de composição e na própria estrutura das bandas e mesmo um Jack White hoje é muito mais ligado ao mercado de LPS do que no de guitarras e olha que ele talvez sim, tenha sido o ultimo grande guitarrista que poderia fazer algum moleque pegar o instrumento e tirar um som.

Enfim, como diria aquele outro grande guitarrista “…sad but true…”

 


O Melhor Festival do Mundo em 2018!

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Seguindo o estardalhaço habitual que a divulgação de line-ups de festivais costumam causar nos coraçõezinhos indie-rocker-nãorocker-hipsters-em-geral, a última fresta de emoção veio da escalação confirmada do Primavera Sound, que se realiza anualmente em Barcelona.

Comoção moderada na verdade.

Ok, tem Nick Cave, a volta do Arctic Monkeys e Bjork de headliner. Do resto, mais do mesmo, os rappers transados do momento, Lorde, e aquele bando de banda indie chata pracas…

Como quem contrata e organiza esses festivais, são basicamente as mesmas pessoas, que precisam levar para atrações basicamente os mesmos artistas sob contrato das duas maiores agências de shows do mundo, podem haver algumas diferenças aqui e ali, mas onde canta Nair, canta Nadir e onde quiserem Nadir, tem que levar Nair e Nadair.

Por isso que não sinto mais a menor empolgação com esses grandes festivais do tipo Coachella, Primavera, Reading Festival, Roskilde, Bonaro, Lollapalooza, Rock In Rio, etc.

Com a quantidade absurda de artistas por ai, cada vez mais, festivais focados em nichos vem ganhando corpo e qualidade de escalação que não se vê mais nesses festivais comerciais multi fodões milionários.

Tem pra todos os ghosts e bolsos e no geral muitos deles costumam até ser mais baratos que esses mega badalados.

Em ordem de relevância e se eu tivesse cascalho pra encarar, esses seriam os 6 festivais em que eu iria fácil:

  1. Desertfest (Londres – Inglaterra)

Quando: 04 a 06 de Maio

Principais atrações: Monster Magnet / High On Wire / Hawkwind / Napalm Death / Nebula.

Festival mais voltado pra linha Stoner, metal viajandão, já valeria pra ver o Monster Magnet e o Nebula. Como dizia Gastão Moreira, só porrada na orelha!

 

  1. M’era Luna (Hildesheim – Alemanha)

Quando: 11 e 12 de Agosto

A turma: Prodigy / Front 242 / Ministry / Clam of Xmox / Atari Teenage Riot.

Onde os neo-goticos e fãs de synthpop e industrial fazem a festa. Um verdadeiro carnaval de gente muito branca, maquiada com pó de arroz, regado a eletrônico pesado, industrial e ótimas bandas.

 

  1. The Cure – 40th anniversary tour (só nas Europa)

Quando: verão europeu.

Quem acompanha a Cura:  Interpol / Slowdive / Goldfrapp / Ride / Editors

Já não bastasse o The Cure na sua turnê de 40 anos de existência, de leva traz na garupa algumas das melhores bandas de guitar rock da virada dos 80’s pros 90’s (Ride e Slowdive) e alguns dos melhores do século XXI (Interpol e Goldfrapp). E zefini…

 

  1. Sonic Mania (Tokio – Japão)

Quando: 17 de Agosto

Quem: Nine Inch Nails e My Bloody Valentine

Se fizer uma lista das 5 melhores bandas pra se ver no mundo hoje, duas delas estão ai. Sem mais.

 

  1. Levitation (Austin – Tx)

Quando: 26 a 29 de Abril

Quem toca: Dead Meadow / Ty Segall / Parquet Courts / Ministry / Brian Jonestown Massacre / Slowdive / The Black Angels / Oh Sees / Wooden Shjips

Segundo melhor festival do mundo: dedicado a bandas novas e velhas, mas com propostas roqueiras, psicodélicas e avançadas. Só listei as que conheço e tenho vontade de ver em ação, mas as bandas pequenas também costumam ser grandes pedradas ao vivo. Ótima curadoria e shows pequenos. Quase perfeito.

 

  1. Rebellion Music (Blackpool – Inglaterra)

Quando: 2 a 5 de Agosto

Quem é o cantor: P.I.L. / Stiff Little Fingers / Buzzcocks / The Exploited / The Adicts / Dickies / Peter Hook & The Lights / Cockney Rejects / Discharge / Uk Subs / Idles / GBH / The Weirdos / Anti Nowhere League / D.R.I. / The Boys / Jah Wooble / Chron Gen (só listei as que eu gosto muito ou tenho disco).

Sem sombra de dúvida, o lugar que eu mais quero estar nesse ano. Não é todo o dia que a nata do punk rock mundial se junta num festival dessa envergadura: O Rebellion já acontece há alguns anos e se especializou em juntar algumas bandas veteranas do punk rock junto a bandas novas que aparecem de vez em quando pra fazer a alegria de quem ama punk, pop punk, new wave, hardcore entre outras.

Escolha seu festival, quebre o cofrinho das economias e caia na estrada. Se não rolar, pelo menos sonhe… não custa nada.