Journey In Satchidananda – Alice Coltrane (1970)

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Fritura transcendental!

Orgia oriental com tempos indefiníveis e livres.

Confesso que tenho um pouco de preguiça de jazz punheteiro ou fusion, mas eu simplesmente adoro esse álbum e descobri que Mark Arm, um dos meus ídolos, é também fã desse disco.

Alice foi esposa de John Coltrane e também era uma tremenda musicista.

Tocava basicamente piano e harpa.

Fez som quando seu marido estava vivo e suas ideias teriam ali no aconchego do lar dos Coltranes ajudado o seu João a definir que seu som seria um jazz desamarrado e descontrolado no seus discos finais.

Ou será que foi o contrário?

Enfim.

Fato é: Alice é artista de jazz de primeira, tinha uma pá de idéias muito loucas com seu som e se juntou a uma trupe muito feroz para chegar aos sulcos quase sagrados que este play traz aos nossos ouvidos.

Influenciada na época pelos ensinamentos do seu então mentor espiritual Swami Satchidananda, que pregava algo como o “Amor Universal ou Deus em Ação”, o disco tem toda uma orientação pesada na India e no Oriente.

5 faixas demolidoras com a presença de monstros como Pharoah Sanders, Rashied Ali, Charlie Haden e outros, o álbum é muito carregado do espirito sincero que muitos artistas carregavam influenciados pela cultura indiana e sua busca perseverante por conhecimento, iluminação, Deus e sei lá mais o que.

Essa busca fez com que muitos caras se atirassem de cabeça nessa viagem.

O som desse álbum é inacreditável! O que ouvimos aqui é a captura fonográfica de músicos que estavam no seu auge e com liberdade absoluta pra pirar.

Recomendo ouvir esse álbum ao som de um goró e com luzes baixas.

Om Shanti!


Alexander – Alexander (2011)

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Do que eu tenho colocado aqui no blog, vi que esse é o disco mais recente que tem na letra A e isso poderia dizer basicamente o seguinte:

  1. Que eu tenho pouca paciência pra música nova;
  2. Que eu tenho pouca paciência pra consumir música nova;
  3. Ou que tem muito mais coisa legal no século passado que desse modorrento século XXI

Bem, pode ser uma combinação das 3 coisas, mas não radicalmente.

Esse Alexander é exceção dessas regras pra entrar numa discoteca dissonante e cheia de imperfeições.

Cheguei a esse play graças a Breaking Bad.

Como quase todo mundo, eu também sou fã de Breaking Bad, mas como parte desse todo o mundo, eu pirei mesmo foi na brilhante escolha de músicas para enfeitar a historia ao longo das 5 temporadas e num dos momentos cruciais da série, tocou a canção Truth, que parecia algo vindo da mesma fonte de um Nick Drake ou Tim Buckley, e descobri que na verdade era uma música recém lançada do tal Alexander. Aí eu achei esse disco baratinho no local onde trabalho e trouxe pra casa essa belezinha.

Alexander é nascido e batizado Alex Ebert, um baita compositor que transita com fluência pelo antigo e pelo novo e consegue fazer música muito boa reunindo timbres antigos, boas ideias e ainda assim ser “quase moderno”.

Esse cara tem uma banda bem boa e que acompanho com curiosidade e atenção que é o Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, que pode ser considerado uma banda “neo-hippie”, na mesma praia do Fleet Foxes, só que muito melhor.

Enfim, esse disco solo foi um projeto em que ele tocou todos os instrumentos e o concebeu enquanto sua banda principal dava um tempo.

Puta disco!

Me lembra muito o espirito empreendedor e criador de outro gênio, Edgard Scandurra, quando num dado momento no fim dos anos 80 ele, num momento de folga do Ira, fez um álbum monstruoso chamado Amigos Invisiveis (chegarei nele quando passarmos pela letra E).

A pegada desse Alexander é bem anos 60 (muito de Dylan, algo de Simon & Garfunkel e muito das bandas americanas sessentistas que brincavam com folk, country e rock).

O LP é de uma boniteza e fofura gigantes e imprecisas, decente com ótimos silêncios entre as canções e composições muito inspiradas, diferente das fofuras escrotas que hoje impregnam o tal indie e se fazem passar por folk.

Não tem uma faixa ruim ou fraca nesse trabalho.

É coisa de gente que trampa com muito esmero, cuidado e não tá muito ai pro que acontece no mundo. Muito melhor que seus pares do “neo-folk-hippie-moderno”, Alexander Ebert ainda tem muito pra fazer pois ele detem a destreza e a birutice nas medidas incertas, assim o desequilíbrio das duas forças aparecem lindamente ao longo do álbum.

Procure saber por ai… vale a pena e dar aquele fiado de esperança que a música ainda tem boas mãos produzindo e em atividade.

Vida longa ao Alexander e ao Edward Sharpe.


Alerta Geral – Alcione (1978)

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Sabe uma coisa que eu odeio em disco brasileiro? Quase nenhum vem com a data de gravação na contra-capa. Coisa meio óbvia, né?

Toda a vez que se pega um disco pra dar aquela primeira conferida básica, além da capa, o cara vai pra contra-capa, olhar o tracklist, quem produziu, e essas coisas.

Em especial, gosto de olhar procurando pela data de gravação ou lançamento, afinal, ninguém nasce wikipedia.

Alcione abre a fila de artistas brasileiros com muito orgulho na discoteca aqui de casa.

Esse play caiu por aqui por puro acaso, e que belo acaso!

Numa tarde de sábado de sol, o meu destino original de bom samaritano era um lar de crianças deficientes na Mooca para levar algumas doações, mas a casa estava fechada. Para não perder a viagem, resolvi então conhecer um famoso galpão que vende discos baratos ali na região.

Ao estacionar o carro, parei de frente a um lar de idosos onde consegui deixar o porta mala cheio de doações. A moçada de lá ficou muito feliz.

Eu também.

O auspicioso dia de visita lá nesse galpão, me fez sair com uma penca de LPS legais, muita coisa boa que será devidamente resenhada por esse blog.

Alerta Geral é disco de samba, mas tem uma variedade de ritmos que a “Marrom” domina como ninguém:

Alcione é interprete muito mais interessante que se imagina. Quem conhece, sabe do que falo.

No lado A tem samba, balada, baião e tudo numa pegada classuda, elegante e que não deve nada para os grandes discos de samba que nessa época saia aos montes.

O lado B é legal, mas no primeiro Lado tem os clássicos Sufoco e Eu Sou A Marrom.

Repertório da pesada, produção esmerada.

Discão!


Show And Tell – Al Wilson (1973)

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Black do bom. Antes da moda disco, a moçada ia pros role da uma dançada, arranjar umas gatas, tomar uns gorós, bate umas balas e esquecer as durezas da vida.

Começa de mansinho, jogando o hit romântico na primeira faixa, que inclusive da nome ao álbum, lá na terceira ta te tirando pra dançar com a ótima Queen Of The Ghetto e o disco começa a esquentar de verdade.

My Song é balada blackspoitation total, muito elaborada cheia de manha e molho que só esse tipo de cantor é capaz de dar.

Vamos cruzar com muitos discos de black por aqui nesse blog e não necessariamente de artistas muito famosos, como é o caso do querido Al Wilson, gosto de achar os caras que não deram tão certo também.

O disco é meio irregular, afinal o cara queria dar certo na vida e esse disco é bem comercial, mas com faixas meio comuns como What You See e Touch And Go, que são baladas comuns e com algum charme, nada de muito diferente que um John Legend não faça hoje.

O dono do disco é Jerry Fuller, que produziu e compôs quase todo o disco e botou seu pupilo pra cantar e brilhar.

Ele cantou e brilhou, mas não passou disso.

De todos os modos, puta play legal!


Love Ritual – Al Green (1989)

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Eita semana danada, tempo foi uma coisa que não sobrou pro papai aqui, assim as atualizações do nosso ritual blogistico em prol dos bons sons aqui de casa ficaram temporariamente congelados.

Mas hoje é segunda-feira, nova semana e a promessa é de uma semana menos conturbada, será?

Esperamos que sim.

Assim sendo continuamos como começamos a semana anterior.

Embalados por Al Green.

Delicia…

Bem, esse play de hoje eu comprei no século passado, quando comecei a me aventurar pelos sons blacks e me falaram que eu tinha que conhecer esse cara. Botei fé no conselho e fui atrás.

Love Ritual foi pinçado lá no centro de São Caetano do Sul em um sebo dentro de uma galeria comercial que já não deve existir mais e desde sempre, agradeço por ter achado esse LP nessa época (acho que foi por 1993 ou 1994) e Love Ritual acabou por se tornar uma fonte importante para adentrar nesse maravilhoso mundo da Soul Music, pois combinou duas coisas que adoro conscientemente e inconscientemente:

  • Lados B ou faixas não lançadas comercialmente:
  • Black Music.

Virou uma tonica na minha vida buscar os discos que não deram certo, ou os obscuros em quase todos os gêneros, mas dar de cara com faixas não lançadas desse gênio mexeram com meus sentidos na época.

Love Ritual tem lugar guardado como porta de entrada para novas aventuras sonoras na minha vida e aqui o Al está tão solto e descontraído e ao mesmo tempo cool e sereno que fica difícil falar mais do que isso de sua persona e do que ele canta por aqui.

A produção, como sempre, estava a cargo de Green e Mitchell, que no comando, nunca teve erro.

Dizer os highlights desse LP é sacanagem, mas vamos lá:

Strong As Death é forte e suave, com uma baita letra e seriedades sem limites, Surprise Attack/Highway To Heaven é definitivamente a minha favorita desse Play, começa na cabeça quase como uma vinheta para uma virada funk muito certeira.

Love Is Real é um balanço dos bons, com uma guitarrinha marota que faz cosquinhas nos ouvidos.

E Ride Sally Ride? É um standard soul, pra querer fazer qualquer um virar soul maníaco.

E ainda tem uma versão muito correta e limpa de I Want To Hold Your Hand. Simples, rápida e boa pra quem tava começando, como era o caso do então novato Al, em 1968.

Tudo em Love Ritual é pra lá de ótimo, soul music confortável para qualquer ouvido.

Fez-me e ainda me faz muito bem!

A alma vai descansar muito agradecida.


Livin’ For You – Al Green (1973)

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Que marra!

Só essa capa já dá uma ideia do poder do negão, mas o conteúdo é que interessa.

Livin’ For You é um disco pra se ouvir com fones de ouvido.

E não é só porque é uma outra produção espetacular da dupla Green-Mitchell, mas porque talvez seja o disco com as baladas mais intimistas já feitas pelos dois e num nivel creme de la creme de arrepiar o pelo do “forevis”.

Som quentinho pra ficar no ouvidinho e confortar até uma pedra.

Relaxado, solto e com mais riquezas de arranjos, Livin é uma delicia pra se ouvir de noite, naquele momento em que você tá meio de bode da vida e precisa ouvir palavras de inspiração superior.

Tudo é tocado com uma suavidade que lembra aquela expressão que se usa em corridas de F1 em que o piloto já tá com a corrida ganha e traz o carro na “pontas dos dedos”.

Ouvindo Home Again, faixa 2 do lado A parece que todo o instrumental foi segurado só com o polegar e o indicador de tão suave e tão leve, até que a banda da uma virada sutil e marota e aumenta o beat só pra dar aquela finalizada muito pró…

Falar do resto do lado A é covardia, é o tipo de disco que tá realmente contando uma história que começa com Livin’ For You, passa por Home Again, chega em Free At Last, com uma marcação de caixa com o piano Rhodes que não deixa dúvidas da seriedade dessa empreitada.

E tamo na faixa 3 ainda…

É muita covardia…

Na sequencia vem a epopeia romântica Lets Get Married, um balanço de fazer a periquita suar e termina o lado A com a balada quente, So Good To Be Here.

Virando a bolacha e vem uma faixa mais “comum”… soulzinho padrão Al Green… Sweet Sixteen vem groovando com a classe de quem não faz esforço nenhum em quebrar tudo como eles estão fazendo.

E tem uma versão de Unchained Melody… imaginou? Vai no youtube e escuta… nem falo nada… vixi…

Com tudo isso posto, finalizo com o seguinte: hoje, Livin For You é o meu álbum favorito de Al Green.

Até sexta-feira, tudo pode mudar.


Green Is Blues – Al Green (1970)

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Al Green é o meu cantor favorito.

Talvez eu volte a usar essa expressão em algum outro disco nesse blog para outro interprete (na mais pura promiscuidade), mas há algum tempo, o Al Green vem sendo o cara. A Voz! A garganta!

Nos últimos anos tenho ficado entre ele, Ray Charles, Sam Cooke e Syl Johnson, mas toda a vez que ouço o Al, eu me divorcio do mundo a minha volta e deixo sua voz me levar para o Eden.

Como quase todo o mundo que tem 40 anos hoje e teve 20 em 1995, deve ter tido o mesmo impacto que tive quando ouvi Lets Stay Together na trilha de Pulp Fiction.

Um breve parêntesis, dá pra colocar na conta do Tarantino muita da formação musical dessas ultimas duas décadas. O que esse cara apresentou para as massas através de seus filmes não é pareo pra nenhum outro.

Enfim, o bom disso tudo foi que ficar só em Lets Stay Together não era definitivamente a minha, segui acompanhando o que esse cara tinha feito na vida e descobri algumas maravilhas que fizeram minha vida muito melhor.

Escrever sobre Al Green sem citar Willie Mitchell é impossível.

Sendo um grande chute, arrisco que Mitchell tenha sido o produtor que melhor gravou e produziu sons de bateria ever.

Nesse inicio de carreira dos dois dá pra ter uma ideia do potencial, mas as obras-primas sairiam nos próximos 3 anos.

Green is Blues é um ótimo disco, mas era só o inicio da história dos dois.

Naquele tempo um artista nao tinha tanta moleza e precisava se provar e gravar disco quase todo o ano, o que no caso dessa dupla foi ótimo, pois o que jorrava de inspiração deles tanto no cantar quanto no produzir disco foi uma simbiose perfeita.

O que dizer de My Girl, há regravações mil, mas a do Al é particularmente especial. O tema é muito adolescente e tem um que juvenil, e com o arranjo e especialmente nas divisões é que Green deixou a música muito adulta.

The Letter é outra que ficou assim, originalmente gravada pelo Box Tops (do adolescente Alex Chilton), ficou outra maravilha para embalar jovens adultos.

Enfim, Green is Blues parece pouco perto do resto da obra dos dois, mas mesmo assim é muito mais do que mais da metade dos cantores de soul jamais conseguiram ser.


African Brothers Meet King Tubby In Dub – African Brothers / King Tubby (2005)

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Fumacô no recinto!

Aprendi a gostar de dub lá pelos idos de 1998, mas só fui me aprofundar em 2005 a 2006, ou seja, é uma paixão relativamente nova!

Na minha jovem e tenra impaciência punk, nunca tive muito saco e ouvido pra apreciar os bons sons vindos da Jamaica e sei que deixei de escutar muita coisa incrível que poderia ter feito minha cabeça mais cedo.

Enfim, ser precoce não está entre as minhas características pessoais.

O Ska tomou conta da minha predileção inicial por conta do amor demasiado amor que eu tenho pela New Wave, assim tava mais fácil amar o Specials do que o Lee Perry.

Alias, foi com ele que comecei nesse fumacê sonoro.

Mas nas idas e vindas, descobri outro cara tão genial quanto, que é o também jamaicano King Tubby.

Produtor de mão e cabeça cheia de ideias, ele era o cara que girava os botões e botava reverb nas gravações alheias e metia eco na bateria e enchia os baixos com gorduras inéditas na história da música.

Nesse álbum, que na verdade é um apanhado de mixagens e faixas aleatórias gravadas pelo grupo African Brothers nos anos 70 com produções esparsas e nenhum álbum oficial (eles lançavam compactos, k7s, etc), não tavam muito nessa de álbuns, ta entendendo?

Mas esse conjunto de rabiscos geniais, deve estar concentrado o melhor dub ever! Ou o melhor dub que eu conheço, mais claro, mais gordo, mais grave e mais sensacional que eu conheço.

Tudo feito na manha, sem pressa, mas com precisões milimétricas, a produção do “Rei” com os “Irmãos” dão a essa bolacha o poder de preencher os espectros de graves de uma sala com delicadeza e força que desconheço.

Como falei, sou novo nesse pedaço, mas essa é daquelas pedradas poderosas que fazem a vida sublimar e valer a pena.

Eu gosto de vinil pelo formato e pelo fetiche, mas esse play fica até sem graça colocando o link do youtube abaixo, é tão xoxo que parece desdizer tudo aquilo que eu escrevi antes.

Ouvi-lo nas caixas de som de casa vinda da bolacha realmente é uma experiência a ser seguida. Recomendo.


Lone Rhino – Adrian Belew (1982)

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O que dizer de uma capa em que um cara meio careca, vestindo um blazer vermelho claro com uma guitarra na mão, no meio de uma pasto, apontando e encarando um rinoceronte com uma garça em cima do seu dorso?

Deve ser uma das mais toscas e incríveis capas de discos de todos os tempos!

Pra dizer o mínimo.

Bem, Adrian Belew é gênio da raça e no final dos 70 pros 80 ele tocou guitarra pra quase todo mundo que importava naquela época.

Vai vendo a lista: David Bowie, Talking Heads, Paul Simon, King Crimson, Frank Zappa e por ai vai.

Só fera, meu!

Sua carreira como guitarrista é foda.

Já a solo não é tão consagrada, mas extremamente digna e com alguns grandes momentos.

Esse é o disco de estreia dele e é ótimo!

Pra frentex dentro do que a década podia oferecer, o Adrian soube beber bem das fontes e sugar a manha dos caras para quem estava tocando na época e o disco tem muito de Talking Heads e de Ryuichi Sakamoto.

Quando cai pro rock como Big Electric Cat ou The Man In The Moon, chega quase ao descaro de soar muito parecido ao Talking Heads da fase Fear of Music. Umas músicas mais nervosas, meio dramáticas, mas com arranjos muito espertos e guitarras pra lá de especiais, já nos finais de cada lado, ele fica quase num som estéril e monocromático, em especial em Naive Guitar… ali fica bem a cara do japa.

Dois contrapontos muito interessantes e muito difíceis de se fazer num mesmo disco (nesse caso, tudo num mesmo lado!)

O estilo do Adrian sempre foi a vanguarda, sua praia sempre foi explorar as possibilidades da sua guitarra, tanto que nos créditos do LP ele informa que faz: guitar effects drums percussives and lead vocals.

Tem vanguarda que é chato pra dedéu e eu não dou conta, além do que, muita dessa vanguarda só faz sentido pra quem toca.

Adrian consegue levar a vanguarda pra fora do seu quadradinho e transformar em música audível, palatavel, difícil em alguns momentos, mas excelente e muito acima na grande parte do álbum.

Em tempos rasos, superficiais e bicudos, se deparar com uma pepita dessa perdida é um convite a permanecer no passado e esquecer do presente.


Dirk Wears White Sox – Adam And The Ants (1979)

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Ontem escrevi sobre o segundo disco do Adam And The Ants e hoje vou pro primeiro, que foi lançado um ano antes e é tão sensacional quanto King Of The Wild Frontier.

Na verdade, o primeiro disco do Adam que eu comprei foi esse bonitinho, mas era uma edição em CD com outra capa e com o single da música Kick adicionada.

Ai um dia eu vi a edição original em vinil, que traz essa capa escura com essa linda foto em p&b e não titubiei, aposentei o Cd pela Bolacha, mesmo sem Kick, que é uma música bem foda por sinal.

Como um fã de disco autoral que está fazendo seu próprio (logo menos tá por ai), eu entendo que uma vez que a bolacha é lançada, que o barco é içado ao mar e que o pombo correio saiu com a cartinha, já era. A obra é pra ficar como está. Não sou muito fã de edições posteriores que trazem faixas bônus, faixas ao vivo ou novas masterizações.

Isso pra mim é desculpa pra arrancar dinheiro das pessoas, além de ser um desrespeito com a obra em si.

Pra mim, uma vez prensado e lançado é assim que tem que ser.

Foi isso que me levou a esse LP.

Dirk Wears… é um puta disco de rock.

Fico impressionado quando não citam esses dois discos do Adam nessas famigeradas listas de grandes discos.

Esse LP é grandioso em si mesmo.

Capturou tudo o que estava acontecendo e mesmo assim, foi de uma originalidade sem tamanho.

Não parece com nada que tenha saído na mesma época.

Esse primeiro disco deles é realmente uma obra com dono, com autoridade, o Adam escreveu e compôs todo o disco e ainda produziu. Ok, muita gente fez a mesma coisa, há grandes obras autorais por ai e falarei de muitas delas nesse blog, mas o Adam sabia exatamente o que queria, parece não ter feito muitas concessões e admiro esse tipo de artista que leva a sério o que está fazendo, acredita na sua visão e faz tudo com competência.

E o disco tem só música foda basicamente.

É o tipo de LP instigante. Posso ficar muito tempo sem escuta-lo e toda a vez que volto a ele, é sempre uma surpresa. Parece que é um disco vampiresco, sempre fresco e vigoroso.

Como todo bom disco de rock tem que ser.

Dirk Wears faz parte desse seleto clube.