Luan, o meteoro do Metal!

luanrock

Essa semana o mundo da música brasileira recebeu a noticia mais chocante da semana (não, os Tribalistas estão todos bem seus apartamentos luxuosos).

O cantor Luan Santana anunciou em sua conta no Twitter que depois de 10 anos no Sertanejo, vai se arriscar no estilo que realmente “ama”: O Heavy Metal!

Luan deve ser um dos 5 ou 6 artistas que mais faturam com música no Brasil, assim uma noticia dessas deve deixar os contratantes mais preocupados do que os fãs do cantor ou os “poucos” especialistas em música que sobraram por ai.

Isso não é novo, muitos artistas já optaram por esse caminho em algum momento de suas carreiras, alguns se deram bem, outros nem tanto.

Se vai o caso do nosso astro pop, eu não sei, espero que ele escute os discos certos de metal e não os que vieram no RiR para criar sua carreira “metaleira”.

Segue abaixo para nosso deleite, alguns desses casos positivos e as “derrapadas”.

Metaaaaaaaaalll!

Pat Boone – In a Metal Mood: No More Mr. Nice Guy (1997)

Pat sempre foi o crooner da “família norte-americana”, mas em 1997 já com idade avançada, ele resolveu fazer um curiosíssimo álbum de “jazz e swing” com covers de clássicos do Hard e do Heavy Metal. Ouvi isso muito e dei muita risada também. Não sei afirmar se isso deu um up em sua carreira, mas foi divertido.

 

Luiz Caldas – Castelo de Gelo (2010)

Luiz é um dos mais versáteis e talentosos guitarristas e cantores do pais. Fez sucesso estrondoso na época da lambada (final dos anos 80), mas já fez discos de bossa nova, tango, jazz, e em 2010 fez um ambicioso projeto de 10 cds cada um num estilo (até disco em Tupi ele gravou). Castelo de Gelo é o disco dedicado ao rock e que passa pelo Heavy Metal em algumas faixas. E quer saber, é bom demais!

 

Odair José – Dia 16 (2015)

Outro gênio. Conhecido erroneamente como o compositor de “música brega”, Odair é talentoso e multifacetado e em sua carreira já deixou isso muito claro. Já fez disco de folk rock, no álbum Assim Sou Eu (1972) e até uma “ópera-rock” conceitual no incrível Filho de José e Maria (1977). Aí um belo dia, ele resolve fazer um disco puxado pro “Hard Rock” e acerta na mosca. Dia 16 traz o artista aos quase 67 anos com um disco de fazer inveja a quem tem menos da metade de sua idade.

Glória – (Re)Nascido (2012)

O que já era ruim, sempre pode piorar. Depois de anos tentando ser uma banda de punk pop e só conseguindo ser uma banda de punk hardcore pop bem meia boca, eles decidiram tomar o rumo do “metal” em 2012. Não colou! Os caras até tocam bem, mas não convence nem o mais otimista fã de Def Leppard.

 

Robertinho do Recife – Metal Mania (1984).

Guitarrista versátil, já tocou com quase todo o mundo e emprestou seus serviços para Alceu Valença, Fagner, Amelinha, Geraldo Azevedo e ganhou fama e fortuna quando montou a banda Yahoo nos anos 80. Seguindo a linha de “Hair-Metal”, fez sucesso e com isso gravou seus discos solo (o mais legal é Ah, Robertinho do Recife). Metal Mania é disco pra colocar no mesmo patamar de Quiet Riot, Warrant, Motley Crue e outros (se é que isso é bom, mas é…)

John Zorn / Naked City – Torture Garden (1990)

Não sei nem se dá pra chamar uma escapadela de Zorn para o Metal extremo (no caso desse álbum, para o grindcore) como algo diferente em sua carreira. O saxofonista e compositor já transitou pelo jazz-fusion, clássico contemporâneo, ambiente, eletrônico e blues. Violento, Zorn fez um dos mais radicais álbuns de sua carreira e isso ainda nem é tudo.

Vanusa – What To Do (faixa do álbum Vanusa 1973).

A cantora cometeu pelo menos 3 discassos no começo dos anos 70, cercada de ótimos produtores e num momento propicio para a inventividade, Vanusa deu asas a criatividade e se permitiu cantar um “hard rock”, que poderia ter influenciado o Black Sabbath em seu “Sabbath Bloody Sabbath”. Pode não ser verdade, mas tá bem perto!

The Cult – Sonic Temple (1988)

Ninguém se atreve a falar mal do The Cult, mas vamos combinar que a carreira discográfica da banda, mesmo com muitos acertos sempre foi um “samba do crioulo doido”, passaram do gótico (Dreaming) para o hard rock (Electric) e caíram num metal farofa em 1988. Da fase 80’s da banda, é o álbum mais irregular e também o pior que eles fizeram nesse período (nada como algumas décadas passada para tudo ser perdoado).

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O Rock morreu em 1997, e a Culpa não é só do Ok Computer, mas é também.

Há vinte anos, algumas revoluções musicais comportamentais aconteceram mundo afora e muitas delas não foram sentidas na época, mas depois e definitivamente, ainda hoje.

Especificamente em 1997, muita coisa aconteceu (Techno tomando de assalto a música pop, quebra de barreiras de rock/indie/eletrônico/rap, já escrevi por aqui), mas algo inesperado aconteceu.

Esse algo foi Ok Computer, o terceiro álbum de estúdio da banda inglesa Radiohead (muito se tem falado sobre sua importância, relevância e é tido como um clássico ou o último clássico da historia do Rock).

O inesperado da coisa foi a abordagem de rock que a banda imprimiu com esse trabalho.

Deixou de ser uma ótima banda de guitar pop querida pelo público britânico e americano e com certo respeito por parte da critica especializada e passou a ser uma gigante banda de rock, amada e idolatrada por publico e critica.

Feito raro!

O Radiohead com Ok Computer virou o Pink Floyd dessa geração, ou algo muito parecido com o Pink Floyd.

Competência musical acima da média, meses de dedicação exclusiva a gravação e produção do álbum, produtor acima da média na mesa de som (Nigel Godrich), resultou num grande abacaxi paradoxal que não dividiu opiniões de ninguém na época (não houve um “eu amo” ou um “eu odeio”, só se ouviu “Eu Amo”) em relação ao álbum.

Unanimidade total!

Letras que beiram o nonsense, ou com mensagens ocultas e nas “entrelinhas” explorando a solidão, a angústia de um século em transformação rápida e uma busca por alienação e entendimento do que viria a acontecer no mundo logo em seguida.

Com esse álbum e a reação mundial em relação a ele, muito do que eu gosto no rock e no indie rock ficou simplesmente ultrapassado, velho e simplório.

O Radiohead e Ok Computer passaram como um caminhão de competência técnica e inventividade, fez com que elementos importantes como simplicidade, energia e urgência que faz qualquer rock ser bom de verdade simplesmente evaporar das pautas musicais e “quase” do planeta música.

Artistas novos se lançavam emulando o som do Radiohead, buscando novos truques e novos brinquedos para tentar atingir o nível de excelência de Ok Computer, até bandas contemporâneas ou um pouco anteriores fizeram álbuns de excelência musical inéditas em suas obras.

Deserter’s Song do Mercury Rev, The Soft Bulletin, do Flaming Lips e até mesmo Yankee Hotel Foxtrot, do Wilco, todos eles, sucessos de critica e publico em seus respectivos anos, devem muito ao Radiohead.

Parece que tudo que não tivesse essa grandiosidade tenderia a ficar irrelevante e desimportante, assim como numa ressaca sem fim, todo o mundo caiu de corpo e alma nesse “rococó” sem fim.

Foi um caminho sem volta.

No comecinho dos anos 2000 até houve um revival de rock que durou um pouquinho mas logo se evaporou também.

Se Nevermind, do Nirvana incendiou o mundo pop rock com guitarras, barulho, energia e violência, emergindo com um simples, direto e poderoso meio de usar guitarras e rock, Ok Computer teve efeito semelhante, só que ao contrário, quase como um grande extintor congelante, causou o mesmo barulho e a mesma perturbação na cabeça de músicos, entendidos e fãs.

Diante de tanta complexidade e elaboração, a única ação possível era um misto de paralização e admiração e a partir de 1997, todos os artistas “talentosos” ou com “alguma ambição” passariam a buscar esse alvo.

Ok Computer foi um dos discos que mais amei e ouvi na vida, comprei o Cd no lançamento, ouvi até furar, vendi meu exemplar há alguns meses atrás. Hoje não consigo mais dar conta, mas sei que é uma questão pessoal.

Todo mundo continua adorando e idolatrando o álbum, que tem seus méritos e inegável influência e importância, mas hoje eu o odeio justamente porque se passaram 20 anos e não apareceu ninguém para superar, estipular novos patamares ou simplesmente destruir esse legado e começar tudo de novo (hoje isso parece cada vez mais difícil, pra não afirmar que a chance de isso acontecer é perto de Zero).

Impossível imaginar um caminho diferente para o Rock, impossível pensar no mundo do “rock alternativo” sem o Radiohead.

Para o bem ou para o mal, o Radiohead esgotou as possibilidades existentes no rock em forma, conteúdo e “entrega” com Ok Computer e assim decretou seu categórico fim.

Até existem uma meia dúzia de gatos pingados por ai tentando, mas já era.

 


Por um Rock In Rio Melhor…

Eu podia estar aqui tacando pedra na escalação oficial de atrações do Rock In Rio (exceto no The Who).

Mas num exercício de pensar num “Festival Perfeito”, com headliners que tragam público e em shows bons compondo os palcos e o miolo, além de prestar um “servicinho de utilidade pública” para quem ainda curte esse negócio de grandes festivais, mas que gostariam de assistir a mais shows e visitar menos “stands de serviços e compras”, afinal o preço do ingresso é pra ver show e não “curtir essa experiência Rock In Rio”, resolvi queimar os neurônios e bolar um festival que nunca vai acontecer.

Se o conceito central para um negócio rentável e bom, que agrade a “gregos e troianos”, “coxinhas e petralhas”, “da comunidade e do condomínio”, é a diversidade e ao mesmo tempo manter o “business”, atrair o máximo de gente pra esse shopping com “leve” viés Cultural, e de quebra produzir ou criar um ecossistema onde o “conteúdo”, no caso a música fale com todos e com poucos. A solução já existe e ela já é mais ou menos feita: Noites temáticas, é assim que as pessoas no mundo todo se guiam pra escutar música.

Não vou ficar ensaiando opções de novas tendas temáticas, tipos descolados de restaurantes fastfood, check out eletrônico, Pdvs irados com telão LED ou qualquer outra sugestão nessa área. Já tem gente bem remunerada pensando nisso e eu não.

O que tenho a oferecer nesse humilde blog são sugestões de artistas e noites especiais pra estourar a boca do balão:

 

Noite 1: Ladies pop fighting.

Uma noite só pra patricinhas e mauricinhos poderem tirar varias selfies (não que isso não vá acontecer nas outras noites) e de quebra curtir uns artistas pop de primeira linhagem (ou o que quer que isso signifique).

Headliner: Taylor Swift.

Demais atrações: Miley Cyrus, Paramore, Lorde, Solange, Pablo Vittar e quem sabe um ou outro grupo de J.Rock ou K-Pop?

 

Noite 2: Punk old school / new wave.

A lá Rebellion Festival, só punk veio com audiência no país (pra esse dia, sugiro um ingresso mais barato para podemos ir em bandos).

Headliner: The B-52’s, Blondie ou um Green Day (pra fechar a conta)

Demais atrações: P.I.L, Wire, Stiff Little Fingers, Undertones, Vapors, Bob Mould, Ratos de Porão, Rezillos, GBH, Personal & The Pizzas.

 

Noite 3: Rap

Sim, só rap pesado e pop que é onde estão as melhores coisas há bastante tempo.

Headliner: Kendrick Lamar

Demais atrações: Drake, Run The Jewels, Death Grip, Tyler The Creator, Facção Central, Mano Brown, por ai.

 

Noite 4: Axé.

A mais festiva das músicas brasileiras, noite pra arrebentar de audiência e calar o mundo com a mais original e deliciosa música brasileira das últimas décadas (guilty pleasure compartilhado pelas massas)

Headliner: É O Tchan, com formação clássica (Cumpadi Washington, Beto Jamaica, Jacaré, Carla Perez e Sheila Carvalho)

Demais atrações: Chiclete (com Bel Marques), Bandamel, Reflexus, Pepeu Gomes, Luiz Caldas, Sarajane, Daniela Mercury, TerraSamba, Robertinho do Recife e corre pro abraço.

 

Noite 5: Classic Pop

Ou pop para jovens senhores, ou A.O.R (adult oriented rock). Tá cheio de banda boa por aí fazendo turnê pelos Eua, é só juntar e trazer.

Headliner: Fleetwood Mac

Demais atrações: Hall & Oates, Journey, O.M.D., Tears For Fears, Simple Minds, Madness.

 

Noite 6: Metal.

Tem que ter a noite do metal né? Sugestões? Bandas novas boas, bandas velhas boas em atividades:

Headliner: Anthrax ou Slayer (ou os dois juntos!!)

Demais atrações: King Diamond, Kverletak, Gojira, Body Count, AFI, Danko Jones, Napalm Death, Babymetal.

 

Noite 7: Rock?

Ou o que sobrou disso, afinal o festival tem Rock no nome né? Só falta banda boa por ai pra segurar esse gênero, mas fazemos um sagrado esforço pra acha-las:

Headliner: King Crimson

Demais atrações: Ray Davies (tocando Kinks e etc), At The Drive In, Brian Ferry, Royal Blood, Thurston Moore, Courtney Barnett, Eagles of Death Metal.

E bora para um mundo melhor…


E o 1997 foi o meu 1967

Não lembro de muita coisa que eu fazia nessa época.

Mas de alguma coisa sim.

Estava trabalhando, tive apendicite no dia da colação de grau na faculdade e fui dançar na festa de formatura com um estêncil e sangrando que nem um porco.

No mais, só lembro de ter escutado a maior quantidade de discos incríveis que escutei na minha vida de jovem adulto fã de indie rock e praticamente toda a semana eu comprava Cds incríveis lançados naquele ano.

A efervescência estava no máximo!

Praticamente tudo era boa noticia no campo dos lançamentos em 1997!

Como eu transitava pelo indie rock, aquele ano foi apoteótico. Rupturas por todos os lados.

O Radiohead calava fundo o mundinho com seu lindo e festejado Ok Computer, o Oasis botava gente de madrugada na fila de loja de discos para comprar seu novo single e posteriormente pra comprar seu álbum Be Here Now (na época recebido friamente, ouvindo hoje, sobreviveu bem ao tempo, um disco que tem uma balada linda como Stand By Me não pode ser de todo o ruim, certo?).

O “Techno” avançava sobre nossas cabeças provocando discussões acaloradas sobre o futuro da música enquanto Chemical Brothers e Prodigy levavam seus beats a todos os cantos do mundão e tomavam de assalto a atenção de todos, no caso do segundo com direito a algumas polemicas no campo videoclipico como no emblemático e clássico da subversão Smack My Bitch Up.

O conglomerado Wu-Tang Clan apavorava em um segundo álbum mais festejado hoje do que na época e apontava uma direção do que viria a ser o Rap nos anos 2000.

Roni Size fez o disco do futuro que menos se lembra hoje em dia (drum and bass fazia parte do reino “Techno”), mas outros também embalaram de cabeça no d&b como Bowie e Nine Inch Nails. Mas nessa praia ainda sou fã do Photek:

Porém não posso negar que o NiN quase chegou la:

Mesmo no campo rock and roll, tudo ia bem obrigado: O Foo Fighters lançava seu melhor disco: The Colour And The Shape e o Blur surpreendia de novo e conquistava o resto do público que lhe faltava com seu album homônimo, com a ajuda da famosa “Song 2”.

Outros grupos incríveis como Superchunk, Geraldine Fibbers e Guided By Voices arrebentavam com ótimos plays e na area do violão com emoção Elliot Smith lançava o mágico Either/Or e um tal de Belle And Sebastian vinha com If You’re Feeling Sinister e um Ep com a melhor música daquele ano: Lazy Line Painter Jane.

 

No frigir dos ovos, alguns dos melhores discos daquele ano não tiveram a devida atenção, e outros dos meus favoritos sequer foram citados em alguma lista.

Num exercício de listas, faço um afetivo esforço pra empilhar os meus 10 favoritos desse ano intenso, e que não necessariamente apontaram o futuro, mas se tornaram eternos para mim. Deixei o Radiohead de fora de propósito, semana que vem escrevo sobre Ok Computer, o disco que mais amei e odiei na vida.

 

  1. Dig Your Own Hole – The Chemical Brothers

Esse segundo álbum da dupla britânica foi lançado com o jogo praticamente ganho, a torcida para que o disco fosse bom era tão grande que mesmo se fosse um meia boca já ia ser bom. Mas o álbum é espetacular, ultrapassou a fronteira do gênero techno, foi adiante (muito adiante). Agregando Hip Hop, eletrônico antigo, psicodelia e pop, as camadas de influencias desse play desafiaram o ouvinte a uma divertida aventura pelos bimps and bloims…

 

  1. In It For The Money – Supergrass

O Supergrass já era uma banda legal em 1995, fizeram um dos melhores shows de festival que eu vi em 1996 (segunda banda, do segundo dia de Hollywood Rock no Pacaembú em SP) e lançaram essa obra prima de rock e do pop britânico absolutamente 90s. Infelizmente, prestou-se pouca atenção a esse disco do trio de Oxford, o mundo e a “maldita” mídia queriam coisas mais complicadas, e In It era simples demais para eles. Hoje soa melhor que na época e se o mundo jovem ainda curtisse um rock, esse seria um ótimo disco pra se lembrar 20 anos depois.

 

  1. The Soateramic Sounds of Magoo – Magoo

Direto da Escócia, não só um dos meus favoritos do ano, mas favoritos da vida. Guitar band soturna, com algumas das minhas favoritas ever. Não saiu do gueto e tão pouco pegou lista em alguma publicação musical, mas aqui no coração desse jovem adulto indie rocker, bate e cala fundo ainda hoje.

 

  1. Ladies and Gentlemen… We’re Floating in Space – Spiritualized

Jason Pierce, o cabra por trás desse grupo produziu alguns dos maiores petardos sônicos dessa década, seja ao lado do Spacemen 3, seja com o Spiritualized. Nunca fez discos ruins, mesmo quando enveredaram para um perigoso caminho de progressivo/psicodelismo. Aqui, eles estão maravilhosamente equilibrados nessa beirada dúbia e esse álbum foi decisivo para a banda. Tão decisivo que dividiu a preferencia dos especialistas britânicos na época. Ou era Spiritualized ou Radiohead e ainda tinha o Verve de opção.

 

  1. Time Out Of Mind – Bob Dylan

De tão bonito, chegou a dar aperto no coração na época. Parecia disco do tipo “Canto do Cisne”, ultimo momento antes do fim. Felizmente ele continua vivo e lançando álbuns incríveis, e Time aparece não só nessa lista de 97, mas com certeza entre os melhores disco de Dylan desde sempre.

 

  1. Tellin’ Stories – Charlatans

O disco é não só incrível por sua qualidade musical, mas veio carregado de muita emoção por ser um álbum homenagem ao tecladista Rob Collins, que faleceu em um acidente de carro um ano antes. A banda juntou os cacos, exorcizou a tragédia e colocou no mundo esse belíssimo tributo, regado de referencias a Bob Dylan, Band e mesmo assim, não saudosista. Absolutamente 1997.

 

  1. Evergreen – Echo & The Bunnymen

A melhor volta de uma banda em disco. Escutei esse disco até furar. Presente, atual e eterno. Letras incríveis e extremo cuidado na produção fizeram desse álbum uma deliciosa e inesperada surpresa pra quem não esperava mais nada dos “Coelhinhos”. Pop britânico grandioso, ambicioso, a moda antiga (não tão antiga assim, by the way).

 

  1. I Can Hear The Heart Beating As One – Yo La Tengo

O Yo La Tengo já era uma banda incrível, mas aí eles cometem um disco como esse. Não dá pra não amar loucamente. Na medida certa entre o sensível, o rock, a vanguarda. Parece ter sido produzido sob a mesma poeira sônica edílica que um álbum do Velvet Underground. Sutileza, beleza, estranhezas… inesgotável qualidade de cabo a rabo.

 

  1. The Boatman’s Call – Nick Cave & The Bad Seeds

Disco da fossa de Nick Cave, quase um barroco contemporâneo. O álbum mais bonito da carreira da banda onde tudo é tocado com tranquilidade e beleza, sem barulho. Ouve-se os ecos das cordas reverberando no fundo do salão de gravações e parecem acrescentar texturas extras aos sulcos desse play. Execução impecável, instrumentação perfeita e um som quase sobrenatural que ouvimos silêncios, respiros, cadencia além das canções desse álbum. Triste e bonito como poucos.

 

  1. Vanishing Point – Primal Scream

De longe, deve ter sido o Cd que mais escutei naquele ano. Primal Scream estreando Mani (Ex-Stone Roses) no baixo. O que era bom, conseguiu ficar muito melhor. Vinhetas instrumentais matadoras, clima 70s, produção destruidora, flerte de psicodelia, rock, eletrônico, dub e uma cover de Motorhead… precisa de mais? Ignorado em quase todas as listas, Vanishing seguiu um ponto que o Primal iniciou em Screamadelica (1991) e culminaria na pancada Xterminator (2000).

Menções honrosas, só não entraram por que eram só 10:

Dig Me Out – Sleater-Kinney

 

Lunatic Harness – µ-Ziq

 

Brighteen The Corners – Pavement


Sim, vamos falar a sério sobre Taylor Swift…

Cada época tem a Madonna que merece.

E logo quando ninguém achava que num mundo de hoje pudesse surgir alguém pra colocar o pau na mesa como Madonna fez na virada dos 80 pros 90, eis que aos 27 anos, a cantora e compositora Taylor Swift, seguindo passos muito bem pensados e calculados, bota no mundo um baita clipe super produção como há algum tempo não vemos cá pelos lados do mundo Pop.

Look What You Made Me Do é a primeira música do futuro álbum da cantora, chamado Reputation com data prevista de lançamento mundial pra 10 de novembro desse ano.

O ponto aqui é: nada se faz sozinho, ela tem um batalhão de gente fazendo coisa para ela, desde cuidar de sua mídia social, produzir conteúdo para zilhões de sites, blogs e etc, além de assessores para as mais diversas e variadas necessidades da CEO dessa lucrativa companhia chamada Taylor Swift.

Isso sempre existiu, mas no fim, quem dá a cara a tapa é ela e ela tem dado bastante ultimamente.

Desde que largou o country pop dos seus primeiros álbuns e se jogou de cabeça no pop competitivo com o ótimo 1989, ela parece agora querer recontar sua historia recente, suas tretas, desavenças e rancores como outros artistas já o fizeram e seguindo as lições de mestres do passado que tourearam o mundo com louvor (Madonna, Bowie, George Michael), ela vem linda, loura e com a faca nos dentes pra soltar a melhor musica pop de 2017.

Nem em sonhos imagino alguém que consiga deter a moça, e se ela mantiver o nível afiado desse popaço que ela acabou de despejar nas nossas cabeças, segura que esse 2017 não vai ter pra ninguém.

Num mundo violentamente competitivo, Taylor saca qual é a do público consumidor de música hoje.

Primeiro e mais importante: não precisa nem ter álbum pronto, basta um petardo com um clipe super bem produzido pra deixar fãs ouriçados e todo o exército de “influenciadores digitais” só falarem a respeito dela. A repercussão está gigante!

Segundo: Referencias a dores, tretas e problemas pessoais expostas num mundo onde cada vez se tem menos privacidade, colocar na grande “arena” das mídias sociais, um pedaço cada vez maior da sua vida e usar essas situações para ganhar credibilidade de seu público, angariar likes, views, “engajamentos” e “data” no grande vale-tudo do entretenimento pulverizado de hoje traz mais retorno de que dinheiro (ou melhor, o dinheiro grande só jorra se voce tiver tudo isso junto).

Tudo deve e pode ser monetizado pra voce, e vida privada de artista é material monetizável desde sempre.

John Lennon fez um album inteirinho baseado em suas experiências pessoais e fez bastante dinheiro com ele. Plastic Ono Band, mira a metralhadora para a mãe ausente em “Mother”, e até para seu legado e quase todos os seus pares em “God”.

Katy Perry há pouco tempo não estava transmitindo suas sessões de terapia pra quem quisesse ver? Lançou disco novo também, chatissimo by the way.

Taylor sabe que no máximo vai ter mais uns 10 anos de carreira produtiva em alto nível, assim, ela acelera e caminha para atingir seu topo e olha que ela já tem 2 Grammys, mas esse clipe (guardada as devidas e merecidas proporções é o seu Vogue), Taylor destila veneno e ressentimento, empacota em formato de canção pop poderosa, em clipe milionário e bora conquistar a coroa de “Rainha do Pop”.

Ok, não é a Madonna cantando, nem o David Fincher dirigindo, mas já falei no começo que é o que temos pra hoje certo?

Considerando tempo, espaço e a era que vivemos, a beleza de Taylor combinada com uma atitude meio esnobe, egocêntrica e imperativa dá a esse clipe um tom documental bastante rico pra se estudar sobre essa geração dos 20 e poucos anos.

No mais, Taylor hoje é mais rock and roll que todos os artistas de rock juntos.

E nem precisei mencionar que ela é linda de doer né?