Nick Gilder – Frequency (1979)

Depois que a Crysalis ganhou rios de dinheiro com o Blondie, procurou desesperadamente por artistas similares ou que fizessem um som similar.

Outra onda muito forte na época, era o pop de arena e o Nick Glider se encaixa fortemente nessa segunda leva.

Todo mundo queria tocar em arena, fazer turnê, get laid, beber e usar tóxicos.

Para acessar essas coisas todas, tinham que dar uma tocadinha né?

Nick Gilder fez razoável carreira, alternando bons e maus momentos, seguiu uma linha glam-pop-rock-arena.

Canções com “You Really Rock Me” e “Time After Time” são dois dos melhores exemplos do pop branco anglo-saxão pra esfriar sua cuca e esquecer que o mundo existe. Sem racionalizações, sem frescuras.

Frequency é um belo registro da sonoridade pop desse período, pop condensado com muito teclado e novas sonoridades de pedais e timbres que seriam abusados na década seguinte (goste ou não).

Anúncios

Blackbeard – I Wah Dub (1978)

Mais um petardo do bom Dub setentista.

Dennis Bovell, é o nome real por tras do codinome Blackbeard. Nesse disco ele tocou bateria, baixo, guitarra, piano, organ, fender rhodes e percussão, além de assinar a produção, a mixagem e as músicas.

Puta fominha!

Projeto ultra pessoal que encontrou apoio na Emi e conseguiu até uma mixagem no lendário Abbey Road.

Isso tudo aconteceu graças ao então crescente e quase irrestrito interesse de público e mídia pelo bom ritmo vindo da Jamaica.

Como ele escreveu na contra-capa dessa obra-prima dubística, Dennis evoca e homenageia o inicio da parada toda que se deu na ilha nos anos 70 onde os “sound systems”, comandado por músicos e djs locais brincavam com reggae, dub, raggamuffin e agitavam os clubes e ruas com seu som fantasioso e desalojado de preconceitos e robusto em ritmo, ginga que evocava bons ares e boas vibrações.

Dentre tantos milhares de álbuns de dub obscuros sensacionais dessa época, dá pra montar uma lista de um mês só com eles, pois assim como a New Wave, quanto mais você fuça, mais maravilhas brotam.

I Wah Dub é mais uma delas.

Relax and Go Deh!


Gun – Gun (1968)

No fim dos anos 60 e começo dos anos 70 o Hard Rock, ou “Rock Pauleira” de verdade nasceu, prosperou e daria as cartas no rock dos anos 70, ou pelo menos em grande parte deles, e os ingleses lideravam essa vertente, com um número inacreditável de bandas, que catalogando hoje só as que ficaram nessa praia de Hard, Progressivo ou navegando nas duas, cabe num caderno cheio e quando você acha que já ouviu todas, sempre aparecem mais algumas obscuridades.

O Gun é uma delas.

Trio formado pelos irmãos Paul e Adrian Curtis (baixo e guitarra respectivamente), mais o batera Louis Farrell, tiveram um único momento de glória e sucesso com a faixa Race With The Devil, música que abre esse álbum homônimo e só.

O som do trio não é muito diferente dos demais grupos que pintaram nessa época, hard rock com pompas, baixo cavalgando que influenciaria principalmente Steve Harris (sim, o do Iron), mas o Gun se diferencia dos demais por seu uso exagerado de “metais” e pelos arranjos sofisticados mas longe das malices progressivas de alguns conterrâneos.

Aqui o “metais” são os instrumentos de sopro, que fique bem claro.

Meio termo entre Hard Rock, sons sinfônicos e pop, Gun é um disco querido pelos fãs do gênero e sempre uma peça procurada por colecionadores.

Dosando entre peso e bons achados vocais, dá pra cravar que esse álbum do Gun seja um dos primeiros exemplares de “Stone Rock” que se tem noticia.


Johnny Guitar Watson – Funk Beyond The Call Of Duty (1977)

O cantor, produtor e multi-produtor e multi-instrumentista Johnny Guitar Watson tinha um monte de qualidades reunidas.

Musico excepcional, excelente compositor e produtor e escolhia capas sensacionais (ok, dentro do universo funk dos anos 70 isso era quase uma regra).

O cara sempre estava nos panos e lancou um punhado de discos pra lá de legais, que infelizmente ficaram preservados somente na memoria de quem viveu mais intensamente essa época, ou nas prateleiras de especialistas musicais e fãs do gênero.

Com Johnny, o negócio era no “sapatinho”, devagar, swingado, sem pressa de chegar lá, sua música está muito para uma “longa e prazerosa preliminar”, regada de funk, com ótimas guitarras altas e limpas, que ele pessoalmente fazia questão de debulhar em solos econômicos, mas poderosos.

Seu estilo foi fundamental para que artistas como Prince tivessem espaço para aparecer e revolucionar o pop negro dos anos 80.

Fazendo o link entre Sly Stone e Prince, Johhny Watson é figura fundamental para compreensão do funk com guitarras dos anos 70, então aproveita sua banda larga, seu 3G e busque saber mais sobre o figura. Não vai se arrepender.


MDC – Smoke Signals (1986)

 

E você achava que o Dead Kennedys era uma banda de punk rock hardcore politicamente radical né?

É porque você só ouve o que a Globo e o Youtube mandam né?

Aposto que o MDC passou pouco por suas orelhas.

Principalmente nas de punk roquers que estacionaram no Sex Pistols e lá ficaram.

Ou nos que acham que o Green Day é punk.

Enfim…

O MDC segue mais pro hardcore, e acho bem mais legal que o Black Flag que é a referencia em hardcore californiano político.

Bem essa dica vai pra você, punkroquer de primeira viagem.

Lembrando um pouquinho o sentido do “punk” em questão, desde os tempos de Shakespeare, o “punk” sempre foi escoria da sociedade, não aceito em nenhuma esfera, contestador, livre sem escolha, prisioneiros de suas bordas sociais, contestando igreja, policia, estado, capitalismo, socialismo, comunismo e pregando a bagunça, o livre-arbitrio e o fim da caretice em toda as esferas.

Alguns seguiram esse preceito em diferentes esferas, sejam artísticas ou sociais, e por isso o MDC é um desses elementos que sempre pregaram de fora da bolha e foram radicais extremos em seus pontos de vista e a eles se mantiveram fiéis.

Como todo punk de verdade é ou deveria ser.

Infelizmente isso só funciona em sistemas certinhos e democráticos de verdade, que permitem espaço, vida e atuação de bandas radicais com o MDC e que eles consigam pagar suas contas, fazer seus shows e etc.

Smoke Signals é punk mais violento, já passou o calor do 77, veio o pós-punk para escurecer as roupas e as sombrancelhas, mas, nos EUA era a década ainda da Guerra Fria e comandado pelo então presidente Ronald Reagan, prato cheio para ativistas radicais como o MDC, que não se restringiram somente a governo, na verdade eles dão uma zoada geral e fazem um honesto petardo que inspiraria muitas bandas no futuro.

Ouçou muito do MDC em bandas como Ratos de Porão principalmente, mas diferente do João Gordo que não entendíamos propositalmente nada, aqui dá pra escutar melhor as letras e a voz do Davey (vocalista da banda).

Menos roupinhas coloridas e mais pancadaria = Smoke Signals.

Punk rockers, é possível fazer punk rock hardcore decente, escute sons decentes e som decente saira de suas guitarrinhas caras que papai pagou.


M.F.S.B. – Philadelphia Freedom (1975)

Soul music da Philadelfia é uma das melhores coisas que há!

A negada tocava com tudo, nunca era menos que sensacional e nunca era medíocre. Junte todas elas, junte uma fila delas, enfileire e deixe tocando todos esses discos um atrás do outro, isso que eu chamo de alegria em estado infinito e satistação sensorial em todas as esferas possíveis.

Pode perfilar: B.T. Express, M.F.S.B, L.T.D, The J.Bs, e etc…

A melanina, a malicia, a necessidade, o talento reunidos em inúmeros artistas e bandas, tanto que 80% delas não fizeram sucesso, porque a concorrência era descomunal.

O M.F.S.B era mais uma delas que fez carreira quase impecável dentro da esfera do soul instrumental, competente e delicioso.

Música perfeita para fazer um “warm-up” de festas boas.

Eu sempre gostei de soul music, mas neste ano aprofundei meus ouvidos na busca dos biscoitos finos perdidos e esse Philadelphia Freedom, pintou há pouco tempo e é um charmoso combinado de soul, funk e jazz com meninas fazendo os vocalizes e os metais mandando as frases com a cozinha segurando tudo lá atrás e deixando todo mundo a vontade para seguir suas direções, que no final sempre vão dar no mesmo lugar.

O típico “Philly sound”, competente e classudo.

Mais uma obscuridade revelada por aqui, corre atrás, a internet tem tudo isso ai e um pouco mais!

Enjoy it.


The Crowd – A World Apart (1980)

Você banda, quando for dar um nome, ache alguma coisa simples, mas diferente e evite sempre palavras chaves muito usadas como é o caso do The Crowd.

Tenta achar alguma coisa com um nome desses…

Depois de milhares de referencias a populações, muvucas e etc, você acaba achando alguma coisa…

Até descobrir que existe uma homônima… vá se lascar, maldito Google.

Pois é, obscurantismo em tempos de informações rápidas não é pra qualquer banda.

Invisiveis quando surgiram, invisíveis continuam até hoje, o The Crowd foi mais uma das perolas perdidas da New Wave norteamericana, que caíram aqui em casa nesse ano de redescobertas.

O som é limpo, claro, bacanessimo e rápido.

Vindo de Los Angeles e liderado pelos irmãos Decker, era mais uma banda tipicamente californiana, asism como The Weirdos, The Zeros e Dickies eram.

Punks no som, New Wavers na atitude, num meio termo entre Devo, The Cars e X, lembra em alguns momentos o Undertones e o Magazine.

Ficaram pelo meio do caminho, mas deixaram como legado esse ótimo exemplar de rock energético que hoje cai com uma luva contra a monotonia dessa modernidade cansada.

Mas santa modernidade, Batman, graças a ela, cheguei ao The Crowd.