Ry Cooder – Bop Till You Drop (1979)

Realmente o Ry Cooder é um dos músicos mais doidos que nasceram.

Sente a trajetória:

Anos 60 – como todo o mundo, teve sua banda psicodélica, o bom The Risign Sons e como ótimo guitarrista em ascenção tocou com uma pá de gente até começar sua carreira solo nos anos 70 em que o blues foi o carro-chefe, até a página 2.

Seguiu na década de 70 com blues-rock mas grande ascenção para o soul, até que começou a pirar nos anos 80 como todo o mundo, fez a inesquecível trilha para o filme Paris, Texas tocou no Buena Vista Social Club e recentemente fez um disco de música Celta com o The Chieftains.

Ry sempre foi dono de seu destino e faz o que lhe dá na telha, não quer dizer que ele acerte sempre… tem cada bomba nessa trajetória!

O disco escolhido de hoje não é o mais importante de sua carreira, mas é o lindo e sincero tributo ao soul e rock dos anos 50 e 60, com repertório escolhido a dedo e tocado com a tosquice que seria a década de 80, Ry antecipou os timbres que se usaria a exaustão nos anos seguintes e fez um álbum completamente desconectado com o mundo de então.

É isso que torna esse disco bonito, o mundo pode estar caindo que ele não tá nem ai… vai ser cool assim lá longe…

Anúncios

Jimmy McGriff – Electric Funk (1969)

Orgão e piano elétricos mandando no som de um disco de jazz, e que disco de jazz amigo…

Jimmy acompanhado de Horace Ott, que escreve grande parte das músicas deste álbum, fazem parte da brilhante geração de músicos que deram gás novo ao Jazz nos anos 60 e que abriram novas possibilidades e devolveram a relevância a um gênero que começava a ficar perigosamente auto-suficiente e datado.

Cheio de quebradas, Electric Funk flerta com Soul e Funk (óbvio) e num clima de festa das boas, o álbum desce macio, perfeito e daquele jeito. Dá pra construir um ambiente só com o som quente que sai dos sulcos dessa pepita.

Grooves poderosos, graves pra todo o lado que se ouça e cozinha daquele jeito, com baixo gordão, bateria impecável conduzindo e dando aquele molho, guitarra limpinha fazendo a cama para os dois condutores principais desse trem de ritmo coloquem todas as frases em seus devidos lugares e deliciar a quem curte um Jazz Party…

Altamente recomendável.


Helmet – Meantime (1992)

E num belo dia o então estudante de violão clássico Page Hamilton descobriu o hardcore e largou os estudos rígidos para a descontração do hardcore barulhento.

Mais ou menos.

Sim, ele largou o violão clássico em favor do hardcore, mas descontração nunca passou pela cabeça do guitarrista desde que ele montou o Helmet.

Sizudez.

Dá pra descrever dessa maneira a postura do Helmet.

Com uma precisão maníaca e controlada, o quarteto nova-iorquino sempre tocou dentro de um rígido controle de tempo e recursos em que nada é desperdiçado e o menos é mais.

Tudo é tão preciso que chega a ser chato, mas o resultado são álbuns ótimos, barulhentos, pesados e com uma cozinha destruidora e poucas vezes repetida na história do rock.

A banda foi mais uma das tantas que conseguiram um lugar ao Sol depois do levante grunge e onde todo mundo queria achar o próximo Nirvana (e que não achariam).

Por sorte, bandas fudidas como o Helmet ganharam projeção e puderam fazer discos barulhentos ao longo de mais 20 anos de atividades ininterruptas.

Meantime saiu num maravilhoso ano de 1992, em que quase discos espetaculares saiam quase todo o mês: Afghan Whigs, Ministry, Superchunk, R.E.M. e tantas outras…

Saudades…


Elis Regina – … Em Pleno Verão (1970)

Desde que que eu me conheço por gente, sempre ouvi que se a Elis Regina fosse americana, ela estaria no mesmo panteão de Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Sarah Vaughan e outros.

Mesmo não sendo americana, a “pimentinha” é reconhecida por todos os conhecedores e apreciadores como uma das maiores cantoras do mundo.

Conhecida por sua capacidade de interpretar, entrega absoluta em cada música e temperamento a flor da pele, Elis tem um repertório vasto e irregular, gerando álbuns ótimos e outros nem tanto. Culpa dos inúmeros direcionamentos musicais que vinham ao sabor dos ventos.

Por isso que … Em Pleno Verão é um álbum tão especial e tão bom.

Trata-se do álbum mais homogêneo da carreira de Elis, graças ao bom gosto do repertório escolhido pelo então produtor Nelson Motta, completamente antenado ao pop brasileiro, e com uma banda pequena mas poderosa: José Bertrami (Azymuth) e Wilson das Neves na bateria mandam musicalmente no álbum.

Uma coleção espetacular de temas clássicos da “little pepper” como Vou Deitar e Rolar, Até Aí Morreu Neves e principalmente As Curvas da Estrada De Santos em que Elis dá a versão definitiva da mais definitiva das músicas do Roberto Carlos.

Só uma gigante como ela pra encarar e arrebentar.

Mpb como não se faz mais e disco de cantora que também não se fez mais depois dela.


Black Oak Arkansas – Black Oak Arkansas (1971)

Southern Rock por excelência.

Três guitarristas e integrantes com nomes de guerra típicos do gênero:

Jim “Dandy” Mangrum, Rickie “Ricochet” Reynolds, Pat “Dirty” Daugherty, entre outros.

Com forte influencia de blues, country, boogie, música de saloom, o BOA foi um excelente exemplar do rock popular do inicio dos anos 70.

E que se alinhava com outros tantos: Nazareth, Allman Brothers, Brownsville Station e claro Lynyrd Skynyrd.

Como quase todas eles, a banda falava ao povão dos cinturões centrais da América protestante, beberrona, errática, que lutava pelo seu digno direito de poder entornar todas, arrancar com suas PickUps turbinadas, quebrar umas cadeiras nas costas de desafetos, fumar unzinho, viver em seus trailers White Trash e depois se arrepender amargamente por tudo isso.

O Black acabou amargando um segundo escalão e lá ficou por toda a sua existência.


Dizzy Gillespie e Trio Mocotó: Dizzy Gillespie No Brasil com Trio Mocotó (2010)

Em 2010, uma das mais legendarias sessões de jazz dos anos 70 viu o raiar do sol.

Tratou-se do histórico encontro de Dizzy com o Trio Mocotó.

Gravado em 3 conturbadas e estranhas sessões em São Paulo no ano de 1974, nos estúdios Eldorado, que ficaram guardados durante mais de 3 decadas nos pertences do inventário do jazzista norte-americano e graças ao acaso, sempre ele, essa máster foi encontrada e transformada em disco em 2010.

Dizzy já era uma lenda e seu entrosamento com o Trio brazuca na base rítmica foi espantoso e o som gerado nessas sessões é sem duvida, um dos grandes momentos do jazz samba da história.

Flertes foram muitos, inclusive do próprio Gillespie.

Mas o golaço aconteceu nessas sessões.

Solto, desprendido e leve, o encontro desses dois continentes sonoros é sensacional. O jazz, o blues e o samba se cruzam em faixas do mais puro deleite.

Dizzy com seus explosivos arroubos no trompete, já com 57 anos mas ainda com muito força no pulmão se casa perfeitamente com o humor e a ginga dos incomparáveis João Parahyba, Nereu Gargalo e Fritz Escovão.

Swingue com sofisticação.

Obrigatório em qualquer discoteca de respeito.


Pelle Miljoona & N.U.S (1978)

Punk finlandês?

Mais um capitulo da história: E como o Punk salvou o mundo!

O movimento e o som punk se espalhou pelo mundo nos anos 70 de um jeito, que ainda hoje é possível descobrir artistas, bandas e discos sensacionais que passaram completamente batidos pelos ouvidos e atenção de todo o mund.

Isso nos poupa da necessidade por artistas novos que não tem vitalidade alguma e só nos faz perder tempo…

Da gelada terra do Papai Noel e do Kimi Haikkonen, o Pelle Miljoona é o nome do cara e N.U.S era a banda que o acompanhava.

Pelle é desses espíritos livres malucos que o universo punk povou o mundo, ainda está vivo, lançou livros e poemas, trampou com música, mas nesse álbum tosco (graças a Deus), típico punk 77, deve ter sido seguramente o melhor disco de punk rock produzido na Finlandia (ou pelo menos é o único que eu conheço, então vai ficar essa informação).

Ótima barulheira pra quem não tem mais paciência com essa tal modernidade caduca de hoje em dia.