Them – I Can Only Give You Everything

Já diziam os sábios, dar tudo ainda não será o bastante.

O Them que o diga, graças a eles a Irlanda entrou no mapa da música, sem eles, ninguém teria tido espaço pra crescer e aparecer.

Ninguém mesmo: nem Thin Lizzy, nem Pogues, nem U2, nem Stiff Little Fingers.

O Them ainda será sempre o mais espetacular representante do rock irlandes de pub.

R&b nervoso, tocado com o maximo de paudurescencia que se viu com um cantor que nascerá de nunca em nunca. Emoção a flor da corda da guitarra e na batida irritada da bateria que não alivia no pulso.

Obra de gênio! Viva o Them.

Eles nos deram tudo.

 


Johnny Quest intro

Trilha sonora de desenho animado normalmente é muito subestimado pelo publico em geral, mas é uma das artes mais difíceis de se fazer.

Primeiro porque tudo é cronometrado e curto. Não dá pra fazer trilha de desenho longa.

Segundo, porque precisa ajudar a contar a historia ou gerar a expectativa para uma história e nesse ponto, algumas obras primas foram concebidas.

Graças ao amigo Eric Lovric, concluímos que essa intro do Johnny Quest é a mais foda dentre as trilhas fodas de animação.

Música grandiosa, pomposa, misteriosa, que induz a aventuras além mar e além de nossas imaginações.

Ideal para mentes infantis em busca do futuro.

Se nunca ouviste essa com atenção, essa é uma boa oportunidade de se reparar com uma maravilha da natureza.


Fitz and the Tantruns – MoneyGrabber

Neo-Soul pra dar um belo chute na bunda gorda da chatinha da Adele, empurrar o pseudo cult Mayer Hawthorne e assoprar as cinzada da Amy Winehouse pra longe.

Se tem uma banda pop/soul mais sensacional que essa em atividade, eu não conheço, ou melhor nem existe mesmo.

Chegando perto talvez os Dap-Kings e Charles Bradley e asseclas.

Gente que bebeu tudo o que podia no soul e no pop negro americano das décadas passadas e conseguiram traduzir perfeitamente para esses tempos bicudos atuais a classe e a virilidade desse pop tocado com raça, vontade e estilo.

Em estúdio, parece contido, mas ao vivo eles são destruidores.

Impossível ficar imune a sua pericia em agitar públicos diversos, o Fitz and The Tantruns tem pouco tempo de carreira discográfica mas tem tudo para finalmente alçar voos maiores e agregar públicos mais distantes de sua ensolarada Califórnia.

Procure saber, é a banda pop que deveria estar acontecendo se o mundo fosse um lugar justo.


Leo Jaime – Solange

Já escrevi nesse mesmo blog há algum tempo, que o Leo Jaime é um gênio.

Repito: o homem é um gênio.

Escrever fácil como ele escrevia e com a profundidade que poucos alcançaram na música brasileira, não era para qualquer um.

Admiro muito quem consegue compor pop e rock em português, sem cometer papelões, por que a língua não ajuda na fluidez do idioma rock.

Poucos realmente conseguiram: Roger (Ultraje a Rigor), Arnaldo Baptista, Herbert Vianna, Mulheres Negras e mais uns dois ou três.

Solange é uma bem humorada versão de “So Lonely” do grupo The Police, e conta uma historinha cheia de sub-texto,  que seria um recado direto a uma funcionaria do escritório responsável pela Censura de projetos áudio visuais do antigo órgão governamental.

Grande música da nossa new wave torta.


Bruce Daigrepont – Disco Et Fais Do-Do

Bruce Daigrepont é um cara pouco conhecido da rapaziada e eu mesmo não fazia a menor ideia de quem era ele até o ano passado, quando uma pesquisa errada no youtube me fez cair no som dele.

Lendo um pouco sobre ele e vendo que ele conseguiu fazer Cajun e Zydeco music no anos 80 e não ter ficado datado com o tempo é no minimo louvável.

Cajum e Zydeco? Falei grego?

Vai pro google e pesquisa.

Cajun e Zydeco são ritmos típicos da música de New Orleans.

Blues, Jazz, Country e música francesa numa levada mais safada baseado no vai e vem da sanfona.

Delicia, delicia… assim você me mata!


Inspiral Carpets feat. Mark E. Smith – I Want You

Os Inspiral Carpets estavam naquela tal cena de Manchester, lembra?

Final dos anos 80, começo dos 90 e aquele monte de gente incrível vindo de lá: Stone Roses, Charlatans, Happy Mondays e os Carpets.

Menos famosos e menos hypados, seguiram trilha mais sorrateira, com médios hits nas college rádios sem voos altos.

Até que num álbum que passaria batido por quase todo mundo, eles fizeram essa parceria com o irracivel e irritado Mark E. Smith para criar uma das guitar songs mais raivosas dos anos 90.

I Want You tem guitarras frenéticas, vocais entrecortados berrados e falados em 3 minutos de esporrenta e maravilhosa barulheira que nenhuma banda daquela época conseguiu fazer, porque banda de rock mesmo só os Carpets é que eram.

Por isso que essa música entra nessa seleta lista de músicas legais, porque é legal pra caceta!

E quando alguém dizer, “Vamos fazer barulho”, lembre-se dessa música e grite pro pretenso franjinha cheio de frescura realmente fazer barulho.


Randy Newman – Political Science

Randy Newman é um dos meus compositores favoritos.

Piano man dos bons.

Ouvindo o cara nos discos que ele fez nos anos 70, me vem imagens de um cara culto, de óculos, não muito bonito, mas que canta com um feeling daqueles, num piano daqueles, numa biboca daquelas… cheia de fumaça, mulheres dançando, homens flertando, bebida de classe.

Enfim, diversão de verdade.

Essa faixa está no espetacular e irrepreensível Sail Away.

Ironia é pouco, a letra dessa música é caso sério, além de ser legal pra cara…

Em poucos minutos, com versos bem colocados, Newman explica o ódio mundial aos EUA e as soluções “razoáveis” que o governo deveria tomar, já que ninguém vai com a cara deles. Jogue uma grande bomba neles!

Polêmico!

E pensar que esse gênio ia prestar seus próximos anos de carreira fazendo trilhas para desenhos da Disney e seriados americanos. Muita coisa boa veio nessa fase também, como a trilha de Toy Story e a abertura de Mad About You.

Mas em Sail Away, o homem tava inspirado como nunca mais estaria.