Leo Jaime – Solange

Já escrevi nesse mesmo blog há algum tempo, que o Leo Jaime é um gênio.

Repito: o homem é um gênio.

Escrever fácil como ele escrevia e com a profundidade que poucos alcançaram na música brasileira, não era para qualquer um.

Admiro muito quem consegue compor pop e rock em português, sem cometer papelões, por que a língua não ajuda na fluidez do idioma rock.

Poucos realmente conseguiram: Roger (Ultraje a Rigor), Arnaldo Baptista, Herbert Vianna, Mulheres Negras e mais uns dois ou três.

Solange é uma bem humorada versão de “So Lonely” do grupo The Police, e conta uma historinha cheia de sub-texto,  que seria um recado direto a uma funcionaria do escritório responsável pela Censura de projetos áudio visuais do antigo órgão governamental.

Grande música da nossa new wave torta.


Bruce Daigrepont – Disco Et Fais Do-Do

Bruce Daigrepont é um cara pouco conhecido da rapaziada e eu mesmo não fazia a menor ideia de quem era ele até o ano passado, quando uma pesquisa errada no youtube me fez cair no som dele.

Lendo um pouco sobre ele e vendo que ele conseguiu fazer Cajun e Zydeco music no anos 80 e não ter ficado datado com o tempo é no minimo louvável.

Cajum e Zydeco? Falei grego?

Vai pro google e pesquisa.

Cajun e Zydeco são ritmos típicos da música de New Orleans.

Blues, Jazz, Country e música francesa numa levada mais safada baseado no vai e vem da sanfona.

Delicia, delicia… assim você me mata!


Inspiral Carpets feat. Mark E. Smith – I Want You

Os Inspiral Carpets estavam naquela tal cena de Manchester, lembra?

Final dos anos 80, começo dos 90 e aquele monte de gente incrível vindo de lá: Stone Roses, Charlatans, Happy Mondays e os Carpets.

Menos famosos e menos hypados, seguiram trilha mais sorrateira, com médios hits nas college rádios sem voos altos.

Até que num álbum que passaria batido por quase todo mundo, eles fizeram essa parceria com o irracivel e irritado Mark E. Smith para criar uma das guitar songs mais raivosas dos anos 90.

I Want You tem guitarras frenéticas, vocais entrecortados berrados e falados em 3 minutos de esporrenta e maravilhosa barulheira que nenhuma banda daquela época conseguiu fazer, porque banda de rock mesmo só os Carpets é que eram.

Por isso que essa música entra nessa seleta lista de músicas legais, porque é legal pra caceta!

E quando alguém dizer, “Vamos fazer barulho”, lembre-se dessa música e grite pro pretenso franjinha cheio de frescura realmente fazer barulho.


Randy Newman – Political Science

Randy Newman é um dos meus compositores favoritos.

Piano man dos bons.

Ouvindo o cara nos discos que ele fez nos anos 70, me vem imagens de um cara culto, de óculos, não muito bonito, mas que canta com um feeling daqueles, num piano daqueles, numa biboca daquelas… cheia de fumaça, mulheres dançando, homens flertando, bebida de classe.

Enfim, diversão de verdade.

Essa faixa está no espetacular e irrepreensível Sail Away.

Ironia é pouco, a letra dessa música é caso sério, além de ser legal pra cara…

Em poucos minutos, com versos bem colocados, Newman explica o ódio mundial aos EUA e as soluções “razoáveis” que o governo deveria tomar, já que ninguém vai com a cara deles. Jogue uma grande bomba neles!

Polêmico!

E pensar que esse gênio ia prestar seus próximos anos de carreira fazendo trilhas para desenhos da Disney e seriados americanos. Muita coisa boa veio nessa fase também, como a trilha de Toy Story e a abertura de Mad About You.

Mas em Sail Away, o homem tava inspirado como nunca mais estaria.


Fela Kuti & The Africa’70 – Open And Close

 

Mais um sujeito brilhante, completamente fora da casinha e figura iconoclasta até dentro do rol de figuras iconoclastas.

A vida do homem já virou livro, filme e até musical.

Mas nada será maior do que o legado musical que o cara deixou.

Quando ele inventou de misturar funk e soul americano com as batidas e contratempos dos ritmos africanos, trazendo a guitarra, os metais junto aos batuques, ele ajudaria a trazer os olhos do mundo inteiro para a Africa e encontrar nela, um caldeirão de ritmos e maluquices que o homem branco não contava achar (limitado homem branco).

Ai nego pirou o cabeção e graças a Deus, muitos bons sons se espalharam pelos corações e pelas mentes de talentosos artistas africanos que caíram no mundo levando o afro-beat além fronteiras e enchendo o mundo de graça.

Escolhi essa faixa, porque foi ela meu portal de entrada ao mundo dos bons sons africanos, viagem essa que ainda está só no comecinho, mas que já fez um bem danado aos ouvidos deste que vos escreve.

Viaje também,  quase 15 minutos de transe batuqueiro e quebradeira insana.

Viva Fela!


Beck – Sexy Laws

Beck, eres um picareta!

Mas eu nao conheço musica mais legal pra abrir os trabalhos de um sábado a noite, seja ele regido pelo signo de qual ritmo for.

É o Beck no seu melhor arroubo de Otis Redding. Bela homenagem ao

Foi um divisor de aguas dentro da carreira do picareta Beck.

De artista progressista e moderníssimo da década de 90, hoje se dedica a projetos low-profiles como chamar alguns amigos para fazer covers bizarras que vão desde Skip Spencer a Inxs.

Além da música ser divertida, o clipe é uma aula de nonsense caro pago por terceiros.

E bora pro rock!


Sam Cooke – Twistin the Night Way

Sexta-feira, farra com classe.

Poder gerador de suor, mas com a finesse se mantendo.

Sam Cooke foi um dos maiores entertainers que já nasceram nesse planeta. Cantor de voz rouca e potente, tinha o swingue e a correção em cada frase que cantava. Impossível não se emocionar com o homem.

O repertório vasto de Cooke é inacreditável, dado o pouco tempo de carreira que ele teve.

Essa gravação faz 50 anos esse ano, e captura Sam na ponta dos cascos, experimentando com as possibilidades e cantando como poucos fizeram .

Tipo de música feliz que nunca mais se repetiu.

Morreu jovem demais, impossível saber o que mais ele faria.

Snif.


Denise La Salle – Move Your Body

Gordinha sexy e quente, essa é Denise La Salle, preferida da rapaziada que gingava nos salões de dança, com os sapatos mocassins sob o talco espalhado pela pista de 3 decadas atrás.

Se bobear, deixa no chinelo as divas dance que pintaram nos anos seguintes.

Betty era o tipo de mulher que dava surra em marmanjo se precisasse, era dona do nariz e dos narizes que estivessem ao seu redor.

Esse disco é obrigatório pra qualquer Dj cujo oficio seja divertir o público e não deixa-lo imbecil.

Mais do que simplesmente uma disco music, Move Your Body tem a potencia do groove negro em sua base, saca a metaleira, saca a cozinha. Produção redondíssima e a química perfeita para botar a galera para suar enquanto dança.

E esse tapete de tigre da capa? E esse título? “The Bitch is Bad”!

Isso é ser diva também.


GG Allin – Don’t Talk To Me

Demência em forma de esqueleto, pele e rock and roll.

Lendário e estranho, G.G. Allin foi o maior porra-louca que nasceu nesse universo.

Descreve-lo, levarei linhas e linhas para citar suas estripulias, assim vai uma só para dar a ideia do figura:

Num show, em que ele entrou completamente nu, ele costumava bater o microfone em sua careca até sangrar, além de fazer o n.2 no palco e ingerir o resultado entre uma música e outra.

E pensar que hoje tem até bonequinho do GG Allin a venda nos EUA.

Mais preocupado com sua fama de mau, a galera se ligou menos no som do cara, que era um punk corretíssimo, articulado e muito legal.

É isso que faz dele um sujeito interessantíssimo musicalmente falando.

Esse é um exemplo, curte ai!


Madness – House of Fun

Britpop das antigas, do ska ao pop, o Madness é uma das melhores coisas surgidas na Inglaterra ever.

Brancos e negros se divertindo e fazendo um som, tudo bem que no Madness a cota é menor, mas a melanina sempre correu bem no groove dessa bandassa.

House of Fun é um grande exemplo do amalgama cometido por eles. A progressão dos acordes e as sequencias mágicas e curtas, fazem dessa faixa, obrigatória em qualquer set list de respeito.

Welcome to the house of fun.