ABBA – ABBA (1975)

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Sim!

ABBA!

Como diria uma grande amiga minha, “finalmente alguma coisa que eu conheço!”

Putz, que disco bom!

Adoro música pop, e em especial o pop dos anos 70. Aquele pop com misto de cafonice e sofisticação e o ABBA tem tudo isso. O som cósmico do ABBA parece ter sido feito para se ouvir usando luvas e roupas de veludo.

E não tem como não gostar de ABBA. Até os mais ranzinzas gostam deles. Até Mark E. Smith do Fall, que deve ser a pessoa mais rabugenta e amarga do rock, curte o pop sueco.

A música do ABBA é grandiosa, volumosa, caudalosa e tenho a nitida impressão que o quarteto sempre tratou seus ouvintes como a um igual, como alguém capaz de entender suas nuances e suas escolhas, pois em alguns momentos, os arranjos são sofisticados e muito bem pensados em se tratando de “pop comercial”.

Em especial nesse álbum homônimo de 1975, o terceiro disco deles.

O grande trunfo do ABBA era sua dupla de compositores Benny Andersson e Bjorn Ulvaeus, que escreveram juntos algumas das melhores músicas pop da mundo, mas nesse álbum, eles estavam especialmente inspirados, ou pareciam realmente muito mais inspirados que o comum.

Vamos ao lado A:

Mamma Mia: precisa falar? Canção pop com gancho e tons dramáticos que garantiu ao ABBA a eternidade.

Hey, Hey Helen vem com uma pegada de hard rock impensável quando lembramos do que estamos falando do ABBA.

Pulo a faixa 3 e vou direto pra SOS.

Uma declaração: SOS é a minha canção pop favorita de todo o sempre. Tem tudo! É perfeita, é sofrida, é esperta e genial na sua montagem. O modo como eles construiram essa canção deveria ser matéria em escola de “Como fazer uma bridge e um refrão”. É uma composição iluminada, curta, com ganchos incríveis. SOS é daquelas músicas que qualquer compositor gostaria de ter feito. Eu daria todos os pelos do meu corpo pra ter feito uma música assim.

O resto do lado A é ok!

Agora o Lado B… que lado B amigos!

I Do, I Do, I Do, I Do, I Do… outra pérola que não chegou a ser um grande hit, mas que canção pop! Que coisa incrível!

No meio tem uma instrumental espetacular chamada Intermezzo no 1, algo que se tivesse um vocal masculino rasgado deixaria o Queen operístico no chinelo.

E ainda tem mais!

I’ve Been Waiting For You é outra balada pop perfeita!

E fecha com So Long… outro rock a la ABBA, totalmente glam rock.

Meu Deus! Como tem música legal nesse disco!

E melhor de tudo, só música curta, nada de frescuras, fru-frus ou canções longas. Só o puro e mais inocente pop que se pode conceber.

Eu adoro o ABBA e seus hits são espetaculares, mas esse disco homônimo de 1975 é o meu favorito. Acho esse o mais inspirado que eles fizeram.

É pra se ouvir de cabo a rabo com um escandaloso, delicioso e inescapavel sorriso no rosto.


Arcade Fire – The Sprawl

Todos os pecados se redimem diante da beleza e do sublime.

O Arcade Fire já virou uma das grandes bandas dos anos 2000 cercado de muita pompa e muito paetê. Exagerado, afinal,  é bom, mas o bom hoje em dia é mais do que ótimo!

Mesmo com isso, estou hoje dando o braço a torcer.

A faixa 16 do ultimo e consagrado The Suburbs, o Arcade Fire cometeu uma das mais lindas músicas do século XXI.

The Sprawl seguramente poderia ser uma música séria do ABBA, menos gay, lento, menos alegre e mais triste, mais piedoso e quem sabe mais misericordioso.

Todo o clima de redenção de quem agradece por ter conseguido pouco, mas o pouco que já é suficiente pra fazer feliz a quem nada tem, ou a quem tem tão pouco.

A miséria espiritual está lá, afinal, o AF é canadense. Significa: estudo, tranquilidade, mas miséria.

Um primor. Combina com uma manhã fria acompanhando a caminhada e a mata.