Booker T. & The M.Gs – Mclemore Avenue (1970)

Sempre achei o Abbey Road o disco de “menininha” dos Beatles.

Curioso que a maioria das mulheres fãs dos Beatles, acham o Abbey Road o melhor do Fab Four.

Nada de mais, é só uma constatação.

Mas que honra para os Beatles verem em menos de um ano após o Abbey Road, uma homenagem dessas?

Foi exatamente isso que o Booker T fez.

Junto aos seus imbatíveis MGs, eles recriaram o famoso disco da faixa de pedestres nos moldes soul music de ser, integralmente.

O resultado?

Nada tem a ver com Beatles e pouco tem a ver com Booker T.

Ficou um hibrido de rock inglês com som de Memphis, meio oportunista talvez, mas a coragem dos caras em se propor a fazer esse álbum vale qualquer coisa.

E que banda.

Steve Cropper, braço direito na guitarra, Donald Duck Dunn no baixo (homenageado do dia, mais um RIP triste da música este ano) e Al Jackson Jr. Nas baquetas.

Invertendo a ordem original das faixas, Mclemore é uma tremenda homenagem ao Fab Four e uma das mais originais também.

Ninguém nunca soube ao certo se os Beatles gostaram desse disco, ele passou de maneira estranha por critica e publico. Todo mundo ficou com um pé atrás e ressabiado, afinal porque o Booker T. Regravou esse álbum?

No fundo, por pura admiração pessoal do músico em relação aos garotos de Liverpool.

Ouça aqui e tire suas conclusões.

Eu gosto e muito.

Ficou mais macho.

See ya.


Mark Lanegan Band – Blues Funeral (2012)

Mark é uma lenda!

Hoje tem show do cara em Sampa.

Ingresso na mão e certeza de um show inesquecível.

Alegria maior é saber que a edição nacional desse álbum incrível está na Livraria Cultura com exclusividade. Motivo de honra e responsa!

O homem tem um dos gogós mais marcantes da história do rock e considera-lo somente um dos principais caras dentro do “movimento grunge” dos anos 80 e 90 é muito pouco.

Ele produz música desde o meio dos anos 80, quando sua primeira banda, o Screaming Trees apareceu em disco nos idos de 1986 emulando R.E.M. e Mission of Burma, até explodir em 1992 com a famigerada mas sensacional “Nearly Lost You”.

Na época, deu-se a entender que a banda era uma “one hit wonder”.

Ledo engano.

O Screaming Trees tinha muita coisa no seu background e Mark já dava seus pulos fora do grupo com álbuns soturnos e dramáticos.

Com o fim da banda em 1996, sacramentado pelo mágico e inacreditável “Dust” o “Abbey Road do Screaming Trees”.

Mark se jogou em projetos com artistas da pesada como Queens of The Stone Age, onde é quase um integrante convidado permanente em tudo que o Josh Homme faz, montou um projeto “curativo” com seu chapa Greg Dulli (Afghan Whigs e The Twillight Singers), além de seus projetos de folk fofo, pero no mucho com a fofinha Isobel Campbell (cantora do Belle And Sebastian).

O homem carrega na sua voz e nas suas músicas, o sofrimento e a experiência errática de um caçador de sentimentos cabulosos, cantando com tudo que há dentro do seu ser (loucura, desilusões, melancolia) e nesse seu novo projeto a frente de sua Mark Lanegan Band, o funeral é um álbum de um trovador de blues antigo que encontra no século XXI, todo o sortimento de sons para emoldurar seu cantar antigo e nebuloso.

O som do álbum é fora do comum para os padrões baixos que a década tem produzido, portanto é motivo de aplausos e reverencia que um disco tão bom tenha saído nos tempos de hoje.

Com o uso cuidadoso de eletrônica, Mark faz uma reverencia aos eighties em “Ode To Sad Disco” e “Harborview Hospital”, lembra a todos que ele veio do rock em “Quiver Syndrome” e mete a bota com a faixa que abre o álbum “The Gravedigger’s Song”, certamente o baixo mais cabuloso do ano (empatando com o baixo cabaret de “Darkness”, faixa do novo Leonard Cohen).

Em Resumo: álbum com selo de qualidade 4AD. Isso quer dizer muito!