Helmet – Meantime (1992)

E num belo dia o então estudante de violão clássico Page Hamilton descobriu o hardcore e largou os estudos rígidos para a descontração do hardcore barulhento.

Mais ou menos.

Sim, ele largou o violão clássico em favor do hardcore, mas descontração nunca passou pela cabeça do guitarrista desde que ele montou o Helmet.

Sizudez.

Dá pra descrever dessa maneira a postura do Helmet.

Com uma precisão maníaca e controlada, o quarteto nova-iorquino sempre tocou dentro de um rígido controle de tempo e recursos em que nada é desperdiçado e o menos é mais.

Tudo é tão preciso que chega a ser chato, mas o resultado são álbuns ótimos, barulhentos, pesados e com uma cozinha destruidora e poucas vezes repetida na história do rock.

A banda foi mais uma das tantas que conseguiram um lugar ao Sol depois do levante grunge e onde todo mundo queria achar o próximo Nirvana (e que não achariam).

Por sorte, bandas fudidas como o Helmet ganharam projeção e puderam fazer discos barulhentos ao longo de mais 20 anos de atividades ininterruptas.

Meantime saiu num maravilhoso ano de 1992, em que quase discos espetaculares saiam quase todo o mês: Afghan Whigs, Ministry, Superchunk, R.E.M. e tantas outras…

Saudades…


Mark Lanegan Band – Blues Funeral (2012)

Mark é uma lenda!

Hoje tem show do cara em Sampa.

Ingresso na mão e certeza de um show inesquecível.

Alegria maior é saber que a edição nacional desse álbum incrível está na Livraria Cultura com exclusividade. Motivo de honra e responsa!

O homem tem um dos gogós mais marcantes da história do rock e considera-lo somente um dos principais caras dentro do “movimento grunge” dos anos 80 e 90 é muito pouco.

Ele produz música desde o meio dos anos 80, quando sua primeira banda, o Screaming Trees apareceu em disco nos idos de 1986 emulando R.E.M. e Mission of Burma, até explodir em 1992 com a famigerada mas sensacional “Nearly Lost You”.

Na época, deu-se a entender que a banda era uma “one hit wonder”.

Ledo engano.

O Screaming Trees tinha muita coisa no seu background e Mark já dava seus pulos fora do grupo com álbuns soturnos e dramáticos.

Com o fim da banda em 1996, sacramentado pelo mágico e inacreditável “Dust” o “Abbey Road do Screaming Trees”.

Mark se jogou em projetos com artistas da pesada como Queens of The Stone Age, onde é quase um integrante convidado permanente em tudo que o Josh Homme faz, montou um projeto “curativo” com seu chapa Greg Dulli (Afghan Whigs e The Twillight Singers), além de seus projetos de folk fofo, pero no mucho com a fofinha Isobel Campbell (cantora do Belle And Sebastian).

O homem carrega na sua voz e nas suas músicas, o sofrimento e a experiência errática de um caçador de sentimentos cabulosos, cantando com tudo que há dentro do seu ser (loucura, desilusões, melancolia) e nesse seu novo projeto a frente de sua Mark Lanegan Band, o funeral é um álbum de um trovador de blues antigo que encontra no século XXI, todo o sortimento de sons para emoldurar seu cantar antigo e nebuloso.

O som do álbum é fora do comum para os padrões baixos que a década tem produzido, portanto é motivo de aplausos e reverencia que um disco tão bom tenha saído nos tempos de hoje.

Com o uso cuidadoso de eletrônica, Mark faz uma reverencia aos eighties em “Ode To Sad Disco” e “Harborview Hospital”, lembra a todos que ele veio do rock em “Quiver Syndrome” e mete a bota com a faixa que abre o álbum “The Gravedigger’s Song”, certamente o baixo mais cabuloso do ano (empatando com o baixo cabaret de “Darkness”, faixa do novo Leonard Cohen).

Em Resumo: álbum com selo de qualidade 4AD. Isso quer dizer muito!