Adios Nonino – Astor Piazzolla (1960)

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Não tenho intenção de dar aula sobre o tango ou sobre, tão pouco tenho a bagagem cultural e auditiva necessária para tanto e não tenho a predileção ou curiosidade necessária para investigar os meandros do Tango.

Como quase todo o mundo, minha referencias do gênero são Carlos Gardel e claro, Piazzolla.

Tão comum e óbvio quanto se referia a musica brasileira e puxar Tom Jobim da cartola é falar de Tango e se referir ao bandolonista.

Fato relevante é: depois que descobri esse disco, passei a adorar Tango e a vontade de procurar coisas similares e obscuras vai me levar alguma hora a achar outros tesouros.

Tudo isso começou com o gênio Piazzolla, que revolucionou e mexeu com um gênero sagrado, elevou-o a outros patamares quando se decidiu por sofisticar um gênero popular e dar a ele a riqueza que faltava e a eternidade que merece.

Esse é o único play que eu tenho dele, assim não sou capaz de afirmar se esse é o melhor, com certeza é o mais famoso.

Adios Nonino, a canção que dá nome ao álbum é de beleza quase indescritível. Começa com um clima de tensão lenta e arrisco a dar um chute que vai mandar a minha moral pra fora do estádio junto com uma bola chutada por Nelinho que voou pra fora do Mineirão, mas consigo ouvir em Adios Nonino o similar latino americano de Rhapsody In Blue do Gershwin. É aquele tipo de música grandiosa, com melodia arrebatadora e mudanças de andamento e cadência que nos fazem viajar pra abissais sentimentais.

É doída, daquelas de doer sem você identificar porque, ela vai te pinicando, te espetando, e quando ela abre num violino lindo trazendo uma melodia de arrebentar, você percebe que aquela dor toda trazida até então faz todo o sentido, e essa arrebentação emocional faz joguete e te faz querer passar por tudo isso de novo.

É o tipo de música que me pego ouvindo com mais frequência do que eu imaginava, fazendo dela uma das minhas favoritas de todos os tempos. Sua riqueza não tem paralelos na América Latina, e no Brasil não se produziu algo tão colossal assim.

Corrigindo o contexto pra não ficar parecendo caprichoso desden contra a terra pátria, acho que ninguém depois de Piazzolla produziu uma peça musical desse tamanho e dessa qualidade. Muita música que passeia por jazz, popular e regionais do mundo inteiro tentaram, mas não chegaram perto.

O resto do álbum é soberbo, pra se ouvir sozinho, acompanhado, na hora do jantar, de manhã, com sua gatinha de estimação ronronando ao som dessa maravilha.

Piazzolla fez de um tudo, conseguiu até se meter com jazzistas do calibre de Gerry Mulligan, mas ele foi gigante suficiente para dar rumos espetaculares ao seu som e Adios é prova disso.

Lindeza sem tamanho!


Astor Piazzola Y Su Quintet – Adios Nonino (1969)

Afinal Tango é Jazz argentino ou é World Music?

Who cares, ele é argentino certo?

Então que se exploda!

Fato relevante é o seguinte: Astor Piazzolla colocou a Argentina no mapa da música e tirou o Tango do simples imaginário popular como sendo a dança trágica-típica portenha, cantada pelo Carlos Gardel.

Astor captou e enriqueceu esse plutônio com uma pitada de jazz e recolocou o Tango em lugar de destaque e respeito dentre os apreciadores, tanto do tradicional quanto do moderno.

Virou um paradigma tão forte, que ninguém ousou desafiar suas propostas musicais, até que nos últimos anos aparececem os grupos de tango eletrônico e dessem uma nova cara ao velho gênero (particularmente não gosto, mas ok, vai ao gosto do freguês).

Prefiro o velho Astor, sentado com seu acordeon declamando suas frases precisas e sofridas, acompanhada de sua impecável e precisa banda.