Hector Costita Sexteto – Impacto (1964)

Yes, nós tivemos coisa melhor do que banana.

Tivemos a hard bossa ou o nosso jazz e pra dizer de boca cheia… bom pra cara…

Hector Costita é só um dos inúmeros bandleaders brazucas que quebraram tudo na melhor fase musical do Brazilzão.

Basta vasculhar pelos arquivos, discos e sons pela internet pra chegar em pérolas inacreditáveis do nosso som instrumental.

A lista de artistas e músicos é vasta.

Meu interesse começou a ficar mais sério depois que ouvi este exemplar de jazz made in Brazil, e ai eu descobri que tínhamos uma grandeza que nos foi negada por anos e que sempre foi encoberta pelos bossa-novistas, tropicalistas e neo-tropicalistas.

Já de cara, o primeiro tema é Le Roi, um delicioso jazz que flutua entre circunferências sonoras que instigam ao mesmo tempo que entregam o jogo. O cuidado com o ritmo é notório, por isso que as baquetas estão na mão de Edison Machado (outro gênio) e graças ao seu toque, canções como Tókio e Impacto são o que são.

Esse álbum foi reeditado há alguns anos na fantástica coleção Som Livre Masters e carrega no seu cerne, um dos mais requintados e robustos sons produzidos por aqui.

A sonoridade desse álbum, os arranjos e a dinâmica não ficam nada a dever para similares gravados por Verve, Blue Note ou Prestige.

E viva a Fermata Do Brasil.

Ainda lembro da já decadente loja de instrumentos, localizada na Av. Ipiranga que agonizou e morreu durante os anos 90, bem como sua editora de partituras e obras que mais tarde sucumbiriam aos malditos tempos modernos, que não permitem a lugares mágicos e históricos como essa pequena porta que inundou de música e instrumentos a cidade de S.Paulo e o Brasil continuar contando sua história.

Precisamos realmente cuidar do que veio antes, senão nunca vai sobrar nada pra contar daqui pra frente.