E o Arctic Monkeys finalmente Loshermanizou seu Som!

 

E esse dia parece que acaba chegando pra toda a banda indie, e dessa vez a nova banda a ingressar ao processo “Los Hermanizador” foi a ultra consagrada Arctic Monkeys em seu sexto e recém lançado Tranquility Base Hotel & Casino.

Antes de mais nada, isso não necessariamente é algo muito ruim, pelo menos não foi pros Monkeys.

Nada melhor do que ouvir com tempo antes de emitir uma opinião, pois em tempos de velocidades ultra de informações e opiniões onde tudo o que vc posta e escreve vira verdade, tudo tem que estar definitivamente definido, pensado, triturado, transformado e digerido quase ao mesmo tempo em que o disco sai, então um pouco de calma nessa hora é sempre a melhor saída.

Explicações complexas sobre a nova sonoridade dos Macaquitos do Ártico que pipocaram por ai, fariam inveja até aos próprios integrantes, que aposto que nem pensaram em tanta coisa pra chegar no resultado do novo álbum.

E o que vem a ser esse efeito “loshermanizador”?

Mais ou menos o seguinte: é aquele momento em que você consolida um som (bom, ruim, médio, não importa), cria um conjunto de informações sonoras que marcam sua obra e fazem com que seja identificado a distância e no meio da multidão de outros artistas como único, mas em algum momento voce se cansa dessa Tag e resolve dar uma mexida radical (tipo tocar guitarra que nem cavaquinho, teclado Moog que nem sanfona, fazer bumba meu boi com sequenciadores, por ai).

Uso o exemplo do quarteto carioca que chegou a um padrão sonoro indie raro (não que eu goste), com o Ventura e no álbum seguinte resolveu seguir um caminho oposto com o álbum 4. Que agradou um monte de gente por sinal e que desagradou outro tanto.

Outros artistas já “loshermanizaram” até antes do Los Hermanos existir: Legião com o álbum V, Metallica com Load, U2 com Pop, Radiohead com Kid A e por ai vai. A lista é grande.

Muitas vezes, se afastar do seu padrão pode ser bom para o artista que já está com a sonoridade padrão meio mais ou menos, e no caso deles, vem em boa hora.

Os últimos dois plays do Arctic Monekys são exercícios tediosos de indie atual, em especial o ultimo AM, que foi o mais bem sucedido disco no segmento “indie” nessa década (vai entender), mas é chato que dói!

Assim, o novo álbum cai como um alivio para meus ouvidos (não continua a pegada porcaria do AM e tão pouco do mediano Suck It And See, que tem boas ideias, mas dá sono da faixa 6 pra frente.)

Pra ser sincero, nunca fui um grande entusiasta de Arctic Monkeys, nem quando eles eram “bons”! Que é lá no começo da carreira deles, na época dos 2 primeiros discos: Whatever People Say… (2006) e Favorite Worst Nightmare (2007).

Com tudo isso, quero dizer que nas primeiras duas audições distraídas desse play, me agradou mais do que esperava, o que não era muita coisa também.

Tem até algumas músicas que passam como boas mesmo, com ótimos achados melódicos e de arranjo como Batphone, One Point Perspective ou Four Out of Five.

Lembra muito o prog pop do Camel dos anos 80 em alguns momentos, ou a virada para o pop eletrônico que o Mike Oldfield fez nos comecinho dos anos 80 também.

Como tenho gostado de ouvir sons assim e desse período, parece que esse novo do Arctic caiu gostosinho.

Talvez não seja o que os fãs de indie queiram ouvir hoje, mas tenho a impressão que esse talvez tenha sido o disco certo na hora certa. Ambient rock para acompanhar uma Era chata, retrograda e ao mesmo tempo repleta de “lacrações” nos discursos e “exageros” e padrões musicais horrorosos que parecem não ter fim.

Semelhante ao mundo que existia em 1980 e poucos: guerra fria ainda ativa mas mais fria que outrora, polarização política, radicalismos, intolerâncias, pretensas novas soluções para todos os problemas do mundo, padrões musicais no pop estacionados numa sonoridade única, etc e etc…

Tranquility vem absolutamente na contramão, oferecendo um travesseiro e uma colchinha quentinha sonora sem sobressaltos e extremamente adulto na abordagem e na condução, o que faz o Arctic ganhar muitos pontos aqui em casa.

E convenhamos, pros dias de hoje tá bom demais!

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3 Discos que podem animar 2018!

Lá no final do ano passado, ou seja, há um século e meio atrás, eu apostei que alguns jovens senhores poderiam tirar as poeiras de seus instrumentos e teríamos motivos para crer que coisa boa surgiria nesse modorrento e cada vez mais desértico território da música adulta comercial mundial.

Ainda não dá pra cravar 100% de certeza mas dá pra vislumbrar ali delante o morro do horizonte pop rock que se nada der muito errado, esses três artistas abaixo lançarão coisas boas em 2018 (e nem estou falando ainda do My Bloody Valentine que já prometeu disco novo esse ano… ai ai ai).

Vamos as apostas:

Eels – The Desconstruction

O álbum deve sair em 06 de abril e será o 15o de uma carreira regada de momentos quase populares e outros nem tanto, mas de inacreditável regularidade e qualidade. Nada que o “geniozinho” E. (é uma banda de um homem só), faça que não fique bom. A vida e a carreira dele poderiam te-lo transformado em um artista mais popular do que ele é pelo menos para a geração indie (e ele fez por merecer esse reconhecimento), seus primeiros 4 albuns são clássicos e ele sempre manda bem ao vivo. A música nova “The Desconstruction” mostra a grande capacidade de produzir lindas harmonias com simplicidade, personalidade e de maneira inimitável e por aqui estou só esperando coisa ótima vindo da cabeça doida de E..

 

Ministry – AmeriKKKant

A nova paulada do Ministry sai em 08 de março. Nem tanto pro metal, nem tanto pro industrial, mas ali na fronteira entre os dois gêneros mas não menos raivoso. A considerar a cacetada “Antifa” que já saiu em dezembro, “AmeriKKKant” tem tudo pra ser um dos melhores discos da banda em anos. Aproveitando a confusão moral e estética em que os EUA se enfiaram é bom ressurgir um pouco de degeneração a la 80s pra dar um tapa sonoro na monótona cena rock mundial.

 

The Decemberists – I’ll Be Your Girl

Parece que foi ontem que eu descobri essa banda folk jóia, mas já são 16 anos de carreira discográfica e depois desse tempo todo, eles resolveram chutar o balde e lançar um disco a la Human League, Gary Numan ou tecnopop 80s I’ll Be Your Girl será o 10o álbum da banda e confesso que eu não ficava empolgado com um lançamento deles desde bastante tempo. Fresco e revigorado, se o disco seguir a vibe de “Severed” primeira música lançada do novo play, pode cravar que será um dos melhores discos do ano. Adoraria ouvir isso ao vivo ao lado do Future Islands e outros eletro pop heroes do momento.

 

E como bônus, trago boas novas: o ótimo trio Sunflower Bean chega com seu segundo album em 23 de março. Barulhinho com estilo, seu segundo álbum “Twentytwo in Blue” tem tudo pra ser aquele disco de roquinho indie pra gente nova e velha poder dançar, se esbarrar e gostar. Eu já tinha gostado muito do primeiro single desse play “I Was a Fool”, mas gostei mais dessa nova que saiu há uns dias atrás: “Crisis Fest”. Torcendo por um disco bom de rock feito por alguém com menos de 35 anos.