Melhores de 2014, ou o que sobrou do triturador!

2014 musicalmente foi tão pobre quanto 2013, mas no ano passado, diferente desse 2014 tiveram pelo menos uns 3 ou 4 momentos musicais relevantes e quase inesquecíveis proporcionados por M.I.A., My Bloody Valentine, Daft Punk e principalmente Kanye West.

As principais discussões musicais circulam sobre:

Qual formato prevalecerá (streaming? Download? Físico?);

A onda em cima do Vinil dura até quando?

Quando jogamos a ultima pá de terra na indústria da música?

Discute-se tudo, menos a qualidade do que está sendo transmitido nos formatos previamente discutidos.

Num arduo, porém necessário esforço, esse convalescente blog de música ainda insiste na necessidade do ser humano em discutir listas e achar inspirações no novo ou nas novas descobertas para manter a chama do amor pela música, seja ela física, virtual, em fumaça, em chiclete, em lata de cerveja… etc…

Pra mim, 2014 foi mais ou menos o que aconteceu abaixo:

Álbuns:

Lazaretto – Jack White – talvez o melhor disco com guitarras em 2014.

 

Angels & Devils – The Bug: sombrio e estranho, eletronico a serviço do mal (o que no caso é bom!)

 

Run the Jewels 2 – Run The Jewels: para combater a bundamolice do mundo, nada melhor que um rap alternativo casca grossa.

 

Hypnotic Eye – Tom Petty & The Heartbreakers: sim, mais pra lá do que pra cá, Tom Petty prova que ainda tem muita garrafa vazia pra vender. Discasso de música velha pra gente velha como eu.

 

Sun Structures – Temples: disco que eu mais escutei em 2014. Neo psicodelia das boas, canções incríveis e se nada der errado, tem um bom futuro pela frente.

 

Garbage – Bones (mixtape): as coisas mais diferentes e interessantes na dita música underground vem do rap alternativo e Bones é mais um nome pra ficar de olho.

 

Tweens – Tweens: Disco de rock a lá anos 90. Essa coisa meio antiga que alguns jovens ainda insistem em fazer. Que bom! Delicia de punk bubblegum que há muito não se ouve por ai.

 

The Satanist – Behemoth: Black metal apontando pra outras direções. Sensacional para fãs do genero e para iniciados como eu.

 

Melhores músicas de 2014:

A Era das Chachinas – Eduardo Facção Central: disparado é melhor e mais importante música brasileira de 2014. Esqueça os discursinhos de esquerda ou direita, deixa essa baboseira pros pseudo-liberais e pros pseudo-revolucionários. Quer saber o que se passa lá embaixo da pirâmide, dá uma escutada no discurso pesado do Eduardo e depois conversamos.

 

Uptown Funk – Bruno Mars & Mark Ronson: junte o artista pop mais talentoso e popular em atividade no ramo da música com o produtor que ajudou a inventar a soul music dos anos 2000 e o resultado é a melhor canção pop de 2014. Bom demais pra ser verdade!

 

Xen – Arca: direto da Venezuela, caiu direto no Brooklin, trampou com Kanye West e lançou esse sugestivo primeiro álbum repleto de estranhezas, como essa estranhíssima faixa título…

 

Vou Me Libertar – Fumaça Preta: na formação tem um portuga nascido na Venezuela cantando e tocando batera, dois ingleses, uma brasileira e uns portugas. O som vem direto dos anos 70 pós-tropicalia, se o Mutantes fosse uma banda de rock de garagem seria o Fumaça Preta. Sem palavras!

 

Business is Bad – Karen Mantler: jazz com cara de ontem, mas feito hoje. Arranjos complexos que no final soam bem aos ouvidos desatentos.

 

Heavy Seas of Love – Damon Albarn: balada linda e convincente do seu primeiro e ótimo disco solo. O cara realmente mostra que sabe do riscado e cala alguns de seus detratores (inclusive eu).

 

Problem – Ariana Grande feat. Iggy Azalea: o mundo da música comercial mundial está uma chatice absoluta, mas de vez em quando aparece uma canção pop com algo a dizer, mesmo não dizendo nada. Problem é um desses casos. Irresistível e superficial como quase tudo na vida, esse mega hit tem tanta referencia boa que eu não resisti em traze-lo pra essa lista. Sax a la C+C Music Factory e referência a Jay-Z. Tudo de bom do começo ao fim.


Wanda Jackson – The Party Ain’t Over (2011)

Jack White curte uma coroa.

Jack White é homem de gostos excêntricos e curte produzir álbuns de cantoras velhas e dar a elas a real dignidade que todo artista veterano merece.

Foi o que ele fez com Loretta Lynn e ano passado com a lenda Wanda Jackson.

Wanda foi contemporânea de Elvis Presley.

Tecnicamente, na regra da etiqueta, ela veio antes… foi a primeira mulher a cantar rock e rockabilly em 1955, o que a torna uma das mulheres mais avançadas de seu tempo.

Seguiu pelo country e rockabillly ao longo de 4 decadas até decidir se aposentar e ir jogar bingo com as amigas.

Até chegar uma oferta de voltar, pelas mão do Jack (aquele que curte as coroas), com o apoio de outro fã ilustre, um tal de Bob Dylan e ela saiu da moita para cometer um baita álbum de rock velho com cara de novo. Coisa que quase todo mundo tenta e poucos conseguem.

O repertório é repleto de figurinhas conhecidas do repertório roqueiro, mas não obviedades.

Ok, rola um cover de Amy Winehouse… praticamente igual a original, pequeno pecado dentro de um disco vigoroso, que tem em seu cerne, a oportunidade rara de ouvir essa senhora com mais de 70 anos rugindo, miando e rasgando a voz com força, verdade e entrega que só uma artista do naipe dela é capaz de fazer.

Deixa para a posteridade um belíssimo álbum, a altura de sua relevância e moderníssima.

Se ainda existisse o seriado “Super Gatas”, ela taria dentro quebrando tudo e mandando em todo o mundo.