Cinco motivos para adorar The Queen Is Dead… e 5 para odiar.

               Em comemorações aos 30 anos de lançamento do clássico (ou não) da banda inglesa, listo aqui num arrombo de esquizofrenia perfeitamente explicável, por que as pessoas que amam The Smiths tem razão e também por que as pessoas que odeiam também tem.

 

Para Adorar:

1. O álbum parece um Greatest Hits: Bigmouth Strikes Again, The Boy With The Thorne In His Side, There Is A Light That Never Goes Out, Some Girls Are Bigger Than Others dentro do mesmo disco, e detalhe, dentro do mesmo lado B;

 

2. O álbum tem uma das letras mais inteligentes do rock inglês que eu conheço: Cemetry Gates (literatura e poesia básicas para as massas);

3. Discurso politico regado a toques literários, exercícios de escrita quase inéditos no discurso do rock, afronta a monarquia mais feroz desde os Sex Pistols e tudo isso com suavidade;

4. A citação histórica da canção Take Me Back To Dear Old Blighty, na faixa de abertura The Queen Is Dead, canção de guerra do subconsciente britânico;

5. Se ainda falta alguma coisa pra te convencer, leia esse artigo de Jon Savage, um cara que manja de música umas 10.000 vezes mais do que eu, você e todos nós juntos.

https://www.theguardian.com/music/musicblog/2010/dec/15/smiths-queen-is-dead

 

E agora… 5 para odiar:

1. É um disco dos Smiths e pra quem tem bode deles, dos Engenheiros do Hawaii ou do Nickelback, já é motivo suficiente;

2. As composições podem ser incríveis, mas no ponto de vista técnico, o álbum é péssimo. Produção chinfrin prum álbum tão badalado. O disco tem quase nada de grave, o que não dá peso algum ao álbum e mesmo na sua reedição em 180 gramas, só mostrou como as produções da banda estavam abaixo de suas composições e arranjos.

3. A cozinha da banda sempre foi meia boca, mas nem aqui ela melhora. O baixo parece uma corda num pedaço de pau, lembra uma bela Tonante;

4. Tem Some Girls Are Bigger Than Others, letra horrorosa escrita em cima de um lindo arpejo criado por Marr. O guitarrista ficou furioso com o que a música virou

5. Os timbres de guitarras desse disco estão tão datados que a primeira que eu ouvi esse disco em 1987, ele parecia ter sido tocado no século XIX;

 


Killing Joke – Killing Joke (1980)

Ainda tá pra aparecer banda mais esquisita que o Killing Joke.

Tá na pista desde o final dos anos 70, passou de pós-punk, a industrial, eletrônico, meio-gotico, heavy metal e sabe-se lá mais pelo que…

Fruto da combinação doentia de músicos da pesada, onde se destaca o baixista Youth, que é tão foda que até Sir Paul Mccartney se ancorou nas ideias de Youth em seu excelente projeto The Fireman.

A combinação de músicos inclui a figura do lider e maluco de tacar pedra na lua: Jaz Coleman.

O Killing Joke influenciou todo mundo que fez barulho e peso nas décadas seguintes, seja Nirvana, Metallica, Nine Inch Nails, Marylin Manson, Ministry, Sepultura, etc.

Insuperavel, o álbum de estreia dos caras é doente no melhor sentido da parada por que nunca é fácil engolir a vanguarda do KJ, mas a trombada de rock pesado, barulhos eletrônicos, vocais gritados é insuperável e assistir a um show dos caras nessa época devia ser coisa do outro mundo.

Alias, há algum tempo atrás conheci um inglês que assistiu o show de estreia do Killing Joke em Manchester… não bastasse o cara viu também o primeiro show de 15 minutos do Jesus And Mary Chain e tomava goró no bar onde o Johnny Marr servia as geladas.

O inveja…

Curioso que no dia de hoje o nome do Killing Joke e seu líder Jaz Coleman pipocaram nas redes sociais depois que se noticiou seu desaparecimento.

Grandes coisas… Jaz Coleman sempre foi pancada da cabeça e sempre esteve longe de ser um cidadão são.

Se ele aparecer beleza, senão, também não será grandes surpresas.