Journey In Satchidananda – Alice Coltrane (1970)

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Fritura transcendental!

Orgia oriental com tempos indefiníveis e livres.

Confesso que tenho um pouco de preguiça de jazz punheteiro ou fusion, mas eu simplesmente adoro esse álbum e descobri que Mark Arm, um dos meus ídolos, é também fã desse disco.

Alice foi esposa de John Coltrane e também era uma tremenda musicista.

Tocava basicamente piano e harpa.

Fez som quando seu marido estava vivo e suas ideias teriam ali no aconchego do lar dos Coltranes ajudado o seu João a definir que seu som seria um jazz desamarrado e descontrolado no seus discos finais.

Ou será que foi o contrário?

Enfim.

Fato é: Alice é artista de jazz de primeira, tinha uma pá de idéias muito loucas com seu som e se juntou a uma trupe muito feroz para chegar aos sulcos quase sagrados que este play traz aos nossos ouvidos.

Influenciada na época pelos ensinamentos do seu então mentor espiritual Swami Satchidananda, que pregava algo como o “Amor Universal ou Deus em Ação”, o disco tem toda uma orientação pesada na India e no Oriente.

5 faixas demolidoras com a presença de monstros como Pharoah Sanders, Rashied Ali, Charlie Haden e outros, o álbum é muito carregado do espirito sincero que muitos artistas carregavam influenciados pela cultura indiana e sua busca perseverante por conhecimento, iluminação, Deus e sei lá mais o que.

Essa busca fez com que muitos caras se atirassem de cabeça nessa viagem.

O som desse álbum é inacreditável! O que ouvimos aqui é a captura fonográfica de músicos que estavam no seu auge e com liberdade absoluta pra pirar.

Recomendo ouvir esse álbum ao som de um goró e com luzes baixas.

Om Shanti!


The Lord High Fixers – Group Improvisation…that’s Music! (1997)

Austin, no Texas deve ter alguma substancia alucinógena em sua água. Ou alguma coisa alucinógena no seu ambiente, porque as bandas que surgiram por lá e ainda surgem tem uma pegada e uma maluquice em seus dnas que nenhuma outra cidade no mundo consegue gerar.

Olha a lista: 13th Floor Elevators, The Huns, Big Boys, White Denim, Spoon, Okkervill River, …And You Know Us By The Trail of Dead entre outras.

Todas elas tem um que diferente dos similares.

E o The Lord High Fixers é ou foi uma delas.

Punk de garagem por excelência, o Lord não ganhou muita projeção porque o mercado é muito competitivo e eles não cederam um milímetro na sua postura para fazer sucesso ou ganhar publico e acabaram restritos a um grupo de aficionados como eu.

Fiéis aos garageiros que os precederam na história, a banda praticou o puro soul-punk que pintou com mais força nos anos 90 e que seguiu década adentro através de artistas como Dirtbombs, BellRays, entre outros.

Divertido, alto e barulhento, esse álbum é uma colagem ininterrupta de canções próprias com covers dispares. O disco abre com “Lower Egypt” Do Pharoah Sanders, fecha com “Young Man Blues” do genial Mose Allison e no meio ainda cabem versões poderosas de “Come See About Me”, sucesso na voz das Supremes e “Everybody’s Got Something To Hide” dos Beatles.

De tirar o folego, Group Improvisation é um balsamo de rock adulto em qualquer estado e situação.

Aproveite sem moderação.