Ramones – Rocket To Russia (1977)

Ok, é o óbvio ululante, mas se não fossem por eles, talvez a vida de todo o planeta fosse muito mais chata, enfadonha e sem senso de humor do que já é.

Os Ramones foram um espirito de luz genuíno e desprovido de defeitos que vieram ao mundo para tornar tudo mais simples, mas fácil e mais legal.

Se a gente gosta de complicar, o problema é todo nosso.

Eles estiveram certos o tempo todo.

Rocket To Russia é divertido, menos tosco que os dois primeiros clássicos dos Ramones e de quebra tem algumas das suas melhores músicas: Sheena Is a Punk Rocker foi a música que mais ouvi dos 16 aos 17 anos, Rockaway Beach foi a segunda música que mais ouvi nesse mesmo período.

Se faziam de idiotas para combater a “inteligência” que impregnou no rock de maneira desmedida e pretenciosa, principalmente no rock progressivo, no jazz-rock e no “fusion”.

As bases do som dos Ramones sempre foram os anos 60. Sejam os garagistas Trashmen, Sonics ou Stooges passando pela surf music de Jan & Dean e Beach Boys até Phil Spector, Ronnettes, Motown e tudo que fosse bonito e simples de coração.

Acreditando piamente nessa missão, os Ramones viraram lendas vivas e uma das bandas mais amadas em todos os cantos do mundo. Basta dizer que você é fã de Ramones para que todo o gelo se quebre, os laços de amizade se entrelacem e a vida prospere com felicidade e simplicidade.

Nunca confie em quem não ama Ramones de verdade, você estará diante de um embuste.


Donna Summer – Bad Girls (1979)

Coragem!

Esse é o principal adjetivo para se referir a Donna Summer.

Coragem de se jogar num gênero novo, moderno e altamente arriscado para os padrões em que se operavam a indústria musical na época.

Como assim? Ir pra Europa e se juntar com um produtor italiano de musica eletrônica?

Hoje é óbvio, mas nos anos 70 não.

E Donna caiu de cabeça no gênero que se provaria muito mais forte, duradouro e influente que parecia na época.

Calando críticos e detratores, a parceria Donna Summer e Giorgio Moroder é um dos mais felizes encontros da história da música pop de todos os tempos no quesito “cantora certa com o produtor certo”, ao lado de outras duplas como: Quincy Jones e Michael Jackson (eu disse cantoras?, abre exceção pro Michael); George Morton e Shangri-las, Phil Spector e Ronettes, dentre outras.

O que eles fizeram juntos foi pura dinamite, talvez algumas das melhores músicas para pistas de dança já feitos em todos os tempos e Bad Girls é o melhor trabalho da dupla.

Sólido, pesado, conta com um groove foderoso que interliga todas as músicas, criando uma suite dançante que não dá refresco. E ainda tem metais pra caramba e guitarras ótimas preenchendo todos os sulcos do álbum… perfeito!

O lado A é arrasador: Hot Stuff, Bad Girls, Love Will Always Find You e Walk Away… ufa… que sequencia foderosa e no LP faz todo o sentido do mundo, até porque em 79 não existia Cd, então o conceito foi o de quebrar tudo sem tirar de dentro, virou o lado, mais pancadaria. Acabou o disco 1, vai pro disco 2 e começamos tudo de novo!

Bad Girls é um dos melhores casamentos de funk, disco, emergente new age, R&B e eletrônico que conheço. Conceitual sem ser cabeça, pop sem cretinices, cabe em qualquer discoteca de respeito sem preconceitos.

Donna se foi esse ano, mas sua música vai ficar pra sempre em todas as cantoras negras ou brancas que fizerem pop dançante até o fim dos dias.