Easy Action – Alice Cooper (1970)

E segue bebendo as pinga…

Esse foi o segundo play original de estúdio, ainda pela Bizarre Records e antes dele se tornar artista grande.

As vezes, ficar um artista grande você vira uma merda, sua música vira uma merda e o cara vira um bosta.

Não foi o que aconteceu com o Alice Cooper.

Os seus discos por grandes gravadoras com budgets maiores e produtores de renome, só melhoraram o que já tava bom e Easy Action é outro discasso.

Se ele não tivesse dado certo, certamente esses dois primeiros plays seriam cultuados ao máximo pelos fãs chiitas que curtem as obscuridades sessentistas, como no meu caso em grande parte do tempo.

Esse Easy Action é hoje o meu play favorito dele.

É um disco que lembra muito as coisas do Bowie dessa fase, só que muito melhor, pois tinha uma turma muito boa tocando com ele e a proposta era muito parecida. Rock com arte. Rock com uma proposta estética. E o melhor de tudo, sem ser chato ou cabeça.

Há uma sagacidade e uma inteligência por trás da coisa que só faz esse disco ser melhor a cada audição.

Tem peso quando precisa, como em Lay Dowm And Die, Goodbye, que combina o então nascente e muito em voga som Hard Rock com esquisitices que só poderiam vir de uma cabeça muito a frente do seu tempo.

O lado B é porrada e belezuras uma atrás da outra.

Que discasso!

Enjoy the ride!


Tv On The Radio – Desperate Youth, Blood Thirsty Babes (2004)

A década de 2000 valeu pouco para a música.

Vimos gêneros musicais desaparecerem, e até aqueles que ganharam em publico, visibilidade e artistas, também morreu.

Esse é o caso do Indie Rock ou Alternativo.

O que começou como uma grande ideia, cheia de frescor, esperança, excelentes artistas e bandas terminou num amontoado de clichês, e artistas que poderiam ser a banda de apoio do Justin Bieber, do One Direction, da Carly Rae Jaspen ou do Foster The People.

Não existe mais diferença nenhuma, seja ela estética ou musical.

Uma das poucas bandas que conseguiram furar esse bloqueio, pelo menos no começo de sua carreira foi o TOTR.

Hoje em dia, já não é lá grandes coisas, mas teve seu valor pelo menos até Dear Science.

Meu favorito ainda é esse álbum espetacular em que eles explodiram em possibilidades com seu cruzamento de pós-punk, eletrônico experimental e vocais doo-wop a la “Barber Shop”, produzindo resultados sensacionais e que nem eles conseguiriam reproduzir em sua carreira.

A sintonia das harmonias vocais com os ruídos produzidos foi certeiro, bom de ouvir em casa como em festas moderninhas. Filhos da revolução silenciosa produzida pela matriz musical do TOTR, o senhor Brian Eno.

Eno é o pai de praticamente toda essa geração de rock art ou pós-pós-rock.

O respaldo ainda acompanha o Tv On The Radio, mas esse Desperate Youth ainda fica na minha memoria com muito espanto, incredulidade e esperança que a década podia ser boa.

Expectativas não cumpridas, mas o disco é espetacular e ainda vai durar muito.