Festa da Música! Os melhores de 2017!

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A esperança é a única que morre.

2017 continua naquelas, muita coisa acontecendo, mas no frigir dos ovos, pouco se salva.

A mídia a essas alturas, já escolheu seus favoritos (Kendrick Lamar, Lorde, Childish Gambino), mas eu não acredito mais muito nessa mídia internética que segue os mesmos moldes da fábrica de “criticas” que era no passado.

Mudam-se as mídias, mas as moscas continuam as mesmas. Ou o jabá.

Aderindo a modernidade, tem até uma playlist lá no Spotify… enjoy it.

 

Anyway, 2017 tem bons caminhos sendo seguidos, vamos a eles:

Melhores Músicas:

Lorde – Green Light

A menina virou mulherona, o disco está sendo muito elogiado e ganhando todas as listas. Não achei pra tanto, mas essa música é muito acima da média!

 

Paramore – Hard Times

Em nenhum momento me vi colocando essa banda em alguma lista boa, mas a virada para o pop fez bem ao Paramore. Deixaram de ser uma banda punk pop ruim pra ser uma banda pop a la “Blondie” promissora. No mais, essa é a melhor faixa pop de 2017. O resto do disco bate na trave.

 

Kamasi Washington – Truth

Um sopro nas teias de aranha do jazz, Kamasi lidera um grupo de ótimos músicos pra levar o jazz de volta as massas com relevância. O Ep é espetacular, mas essa faixa é um deslumbre.

 

Sunflower Bean – I Was A Fool

Indie gostosinho e que vem com aquela promessa de dias melhores. Ótimos músicos e canção sexy. O álbum completo sai ano que vem.

 

Starcrawler – I Love LA

Roquinho e clipe a la anos 90. Bom.

 

Kasabian – Bless This Acid House

Outra banda que tirou um coelho da cartola, excelente música, com refrão pra cima honrando o “British way” pra fazer rock-pop. Há muito, eles deviam um bom disco e uma boa canção. Acertaram na mosca na música, no disco ficou no quase.

 

Liam Gallagher – Come Back To Me

Os irmãos Gallagher botaram pra quebrar esse ano e ambos acertaram em seus respectivos discos, o do Liam é legal, mas algumas músicas tão muito acima, outras repetem o que ele já fez no Oasis. Produção meio dispersa, mas funciona. E essa é o tipo de música pé-na-porta típica de um “maloqueiro” a la Liam.

 

Future Islands – Ran

Segurando forte o tecnopop e new romantic do Roxy Music 80s, o trio de Baltimore fez um disco que quase entrou nessa lista, seu novo The Far Field acho que só não entrou pois não consegui o ouvir tanto, mas Ran é uma lindeza e tamo na torcida pra que eles desembarquem por aqui.

 

The XX – Say Something Loving

Outra banda que todo o mundo tem em alta conta desde que surgiu, mas pra mim sempre pareceram um rascunho de banda. Nunca tinha conseguido dar conta dessa “modernidade cansada”, mas fizeram um quase ótimo álbum, chamado I See You e pelo menos uma musica muito bonitinha, difícil de desgrudar e “pasmem”, não vai pintar em nenhuma lista de melhores de 2017.

 

Melhores Discos:

Hour-Concours: Jesus & Mary Chain – Damage & Joy

Dois motivos para estar nessa lista e não ser listado: 1. É um disco novo do Jesus desde 1998; 2. Não é um disco horrível. E um terceiro por conta: sou fanático por eles, tenho todos os discos e gosto de tudo. Não seria racional lista-lo só por isso, o disco é legal mas tem coisa melhor. Mas é um Jesus, já escrevi isso né?

 

  1. Roger Waters – Is This The Life You Really Want It?

Pro bem ou pro mal, Roger é uma das vozes mais contundentes contra o presidente Trump, a favor da Palestina e dos refugiados. Seu álbum é politico não só onde tem que ser, mas em quase tudo. Especialmente nas questões humanas. Brilhante produção de Nigel Godrich, produtor da principal filial imitadora do Floyd (o Radiohead), Is This… é a melhor coisa de um Floyd desde Animals.

 

  1. PowerTrip – Nightmare Logic

Sempre tem uns dois ou três discos de metal muito bons todo o ano, esse ano fico com esse bardo trash metal de Dallas. Moderno e old School, pancadaria espetacular e exemplar. Bangers do mundo uni-vos e saudemos! Alguem podia trazer esses caras junto com o Mastodon e o Kverletak… eu ia ficar felizão.

 

  1. Orchestral Manouvres in The Dark – Punishment Of Luxury

O O.M.D. é uma das bandas da minha vida, ouvi-los ativos e bons é um grande alivio. Punishment é tecnopop das antigas, com cheiro de teclados antigos, batidas meio mofadas mas também com um discurso contra os rumos da modernidade muito interessantes. Voltaram a ser relevantes depois de longos anos no ostracismo.

 

  1. The Regrettes – Feel Your Feelings Fool!

Disco de roquinho bom. Meio garagem, meio punk pop 3 minas cantando e fazendo backing vocals, meio Ramones, meio Donnas, uma bobagem deliciosa e descompromissada. Se o rock servisse pra alguma coisa, alguém daria bola pra elas, mas elas só estão fazendo o som certo no momento errado.

 

  1. Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?

E não é que ele chegou lá de novo? E justamente quando mais se afastou do som que o consagrou no Oasis, Noel flertou com sons dançantes, graças ao produtor e dj David Holmes e o resultado é um saboroso martelo contra a burrice no pop. Elaborado, rico e pop, Noel cometeu um discasso!

 

  1. King Gizzard & The Lizard Wizard – Murder Of The Universe

Nenhuma banda trabalhou mais do que esse hepteto australiano. Só em 2017 eles lançaram 4 álbuns! Sim, 4 álbuns completos com mais de 40 minutos cada um. Passeando pelo progressivo, jazz 70’s, krautrock e principalmente psicodelismo, o som da banda é uma surra sonora. Os 4 são interessantes, mas esse lançado no primeiro semestre é o mais legal de todos.

 

  1. Idles – Brutalism

Esse ai foi uma dica do chapa André Gustavo, economista e fanático por punk e new wave que compartilhou essa banda comigo e pirei. Sem dúvida, junto ao Oh Boland e o Personal & The Pizzas são as melhores bandas a carregar o punk adiante. Pesado e denso, lembra um pouco outra banda que acompanho e gosto chamada Iceage. Promissor!

 

  1. Thundercat – Drunk

Se de repente, o jazz voltar a virar modinha e um dos responsáveis é esse baixista espetacular. Jazz 70’s com um pouco de fusion, mas bem anos 2000. Som com corpo, textura, substancia e conteúdo. Misturando muzak dos 70 com rap, Marcos Valle e Zappa é som pra ganhar prêmios mundo afora. Finissimo!

 

  1. Algiers – The Underside Of Power

Uma voz poderosa, daquelas que transmitem fúria ancestral, you know? É esse o caso desse quarteto de Atlanta. Segundo álbum dos caras é uma surpresa gratificante e um sanduiche de Post-punk e R&B antigo, uma trombada de The Fall com Otis Redding. Dançante, inteligente e instigante, certamente é uma das melhores coisas que existem por ai no universo indie.

 

  1. Miley Cyrus – Younger Now

Não entendo mais esse mundo, agora que a Miley Cyrus vira artista de verdade, ninguém dá mais bola pra ela? De uns tempos pra cá, ela só tem melhorado como cantora e arriscado como artista, tomando decisões incomuns e corajosas. Com Younger Now, ela finalmente deixa um disco pra “posteridade pop”. Seu estranho álbum anterior é mais corajoso e ousado, mas esse novo é uma delicia pop de cabo a rabo. Boas baladas, ótimos arranjos, guitarras espertas e protagonistas. Pop old school.

 

  1. The Feelies – In Between

A banda existe desde 1980, lá atrás, fizeram um dos melhores discos de “new wave/punk/indie” daquela época, chamado Crazy Rhythm, e em 37 anos a banda acabou, voltou e eis que em 2017 eles lançam o melhor álbum de indie rock do ano. Precisa voltar alguém do passado pra mostrar como se faz e seguindo a linha iniciada pelo Velvet Underground, o Feelies foi e é um dos grandes expoentes do som simples, mas vanguarda que o Velvet propôs lá atrás. In Between é bom na repetição sistêmica e nas guitarras (salvadoras, quietas e barulhentas, alternando com maestria por quase todos os discos bons de indie rock que ouvi a vida inteira). Surpresa boa!

 

  1. Arcade Fire – Everything Now

E agora que eles acertaram um disco, ninguém gostou? Não entendo mais nada! Sempre achei a banda muito Superestimada, mas de uns tempos pra cá to começando a entender e gostar e Everything Now pode parecer um passo pro lado em relação ao seu trabalho anterior, mas a roupagem escolhida e o conceito pensado pro álbum foi sensacional. A melhor referencia que eu encontrei pra esse disco foi o Zooropa do U2, que na época também passou despercebido, mas que de maneira aguda capturou um tempo e um espaço e encapsulou em um álbum. Everything fez a mesma coisa em 2017. É tão bom, que talvez só consigamos entender mesmo daqui há alguns anos.

 

 

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Roger Waters está com Raiva…

Aqui estou eu batucando essas palavras ao som do ultimo álbum de estúdio lançado pelo baixista e ex-lider do Pink Floyd, chamado Is This The Life That We Want?, que foi há algumas semanas atrás em formatos físicos e virtuais (to escutando no youtubão mesmo).

O disco é bem bom, o que pode ser uma surpresa, pois seus álbuns solos são esquisitos e não necessariamente bons.

Mesmo o fã mais ardoroso de Floyd tem suas ressalvas para os álbuns solo de Rogerio Aguas, mas esse novo alia com destreza um discurso político muito interessante e um som contemporâneo próprio dos criadores e ex-revolucionários de décadas passadas, que envelheceram, mas que o fazem com dignidade e competência.

Em alguns momentos, lembra Lazarus (ultimo do Bowie), em outros, lembra o Radiohead (se o Radiohead lançasse discos assim) e na maior parte do tempo, tem um clima de The Wall (nas faixas mais soturnas, aquele clima de “leseira” lisérgica que o álbum preserva).

Fato é: Waters nunca fugiu da briga, sempre defendeu suas posições com bastante clareza e tem sido um dos mais contundentes críticos a onda neo conservadora que tem assolado o mundo, além de abertamente a mais contundente voz contra Donald Trump e tem rodado o mundo levando seu novo libelo libertário.

O discurso tá mara…, o som tá incrível, mas em alguns momentos o veterano raivoso dá suas escorregadas em especial no seu recente “quiproquó” contra o Radiohead.

Por conta de uma apresentação que o grupo de Oxford tinha marcado para fazer em Israel, Waters teria criticando e tentado dissuadi-los a fazer essa apresentação como uma forma de “boicote” ao país por conta das ofensivas israelenses contra os palestinos.

A posição de Waters é pró-Palestina, até ai nenhum problema, cada tem sua opinião e se movimenta da forma que seu coração, estômago e consciência lhe guiar e numa questão tão complexa como essa (Palestina X Israel, Faixa de Gaza, etc), o melhor mesmo a fazer é melhorar o debate com ideias arejadas, tratar as dores dos dois lados com mesmo peso e medida e em especial coletar informações sobre o assunto (data is the power, right?).

O problema nisso tudo, e aí eu discordo do ex-lider do Floyd nesse ponto, é o cara se achar no direito de arbitrar ou dissuadir um artista a ir tocar num país para uma galera que pode não ter nada a ver com esse problema (acredite, deve ter milhares de israelenses em Israel que não tem opinião sobre a questão, ou não querem se meter com essa questão, eles só querem viver suas vidas, ouvir música, trabalhar, transar, beber e etc. Algum mal nisso?).

E mais, arbitrar sobre uma relação particular de contratante e contratado, no caso, o Radiohead e a empresa que os contrataram e pagaram para o show acontecer.

Até onde sabemos, não foi um show aberto ao público de graça com apoio e dinheiro do governo de Israel e sim um show com ingresso pago (com todas as partes sendo remuneradas).

Na verdade, há uma carta aberta com diversos artistas e personalidades que escreveram para o Radiohead pedindo para que ele não tocasse em Israel. O que torna a coisa até mais ridícula na verdade.

Segue a carta na integra no link abaixo:

https://artistsforpalestine.org.uk/2017/04/23/an-open-letter-to-radiohead/

Agora a questão é: por que eles só incresparam com a turma de Oxford? Por que não se meteram no show do Pixies que aconteceu por lá há alguns dias atrás?

Alias, ele vai se manifestar contra outros artistas que tocarão por lá nos próximos meses como Slowdive, Regina Spektor, Infected Mushroom, Bryan Adams ou Nick Cave And The Bad Seeds?

Há maneiras de fincar sua bandeira ideológica, Waters é inteligente, sagaz, tem muito a dizer, mas ações como essa, num mundo cada vez mais polarizado, preguiçoso e que tem sentido a necessidade de escolher um lado e defende-lo como se fosse a ultima fronteira da moralidade, corre o risco de jogar um debate importante para a vala da disputa pela disputa (o time Radiohead contra o time Waters/Pink Floyd) e via de regra esse tipo de conversa descamba para outros lados (que não levam a lugar algum, na maioria das vezes).

Mas voltando ao disco, Is This Life… tem melhorado a cada ouvida e já dá pra pensar numa listinha de melhores de 2017 com ele incluso.