Por um Rock In Rio Melhor…

Eu podia estar aqui tacando pedra na escalação oficial de atrações do Rock In Rio (exceto no The Who).

Mas num exercício de pensar num “Festival Perfeito”, com headliners que tragam público e em shows bons compondo os palcos e o miolo, além de prestar um “servicinho de utilidade pública” para quem ainda curte esse negócio de grandes festivais, mas que gostariam de assistir a mais shows e visitar menos “stands de serviços e compras”, afinal o preço do ingresso é pra ver show e não “curtir essa experiência Rock In Rio”, resolvi queimar os neurônios e bolar um festival que nunca vai acontecer.

Se o conceito central para um negócio rentável e bom, que agrade a “gregos e troianos”, “coxinhas e petralhas”, “da comunidade e do condomínio”, é a diversidade e ao mesmo tempo manter o “business”, atrair o máximo de gente pra esse shopping com “leve” viés Cultural, e de quebra produzir ou criar um ecossistema onde o “conteúdo”, no caso a música fale com todos e com poucos. A solução já existe e ela já é mais ou menos feita: Noites temáticas, é assim que as pessoas no mundo todo se guiam pra escutar música.

Não vou ficar ensaiando opções de novas tendas temáticas, tipos descolados de restaurantes fastfood, check out eletrônico, Pdvs irados com telão LED ou qualquer outra sugestão nessa área. Já tem gente bem remunerada pensando nisso e eu não.

O que tenho a oferecer nesse humilde blog são sugestões de artistas e noites especiais pra estourar a boca do balão:

 

Noite 1: Ladies pop fighting.

Uma noite só pra patricinhas e mauricinhos poderem tirar varias selfies (não que isso não vá acontecer nas outras noites) e de quebra curtir uns artistas pop de primeira linhagem (ou o que quer que isso signifique).

Headliner: Taylor Swift.

Demais atrações: Miley Cyrus, Paramore, Lorde, Solange, Pablo Vittar e quem sabe um ou outro grupo de J.Rock ou K-Pop?

 

Noite 2: Punk old school / new wave.

A lá Rebellion Festival, só punk veio com audiência no país (pra esse dia, sugiro um ingresso mais barato para podemos ir em bandos).

Headliner: The B-52’s, Blondie ou um Green Day (pra fechar a conta)

Demais atrações: P.I.L, Wire, Stiff Little Fingers, Undertones, Vapors, Bob Mould, Ratos de Porão, Rezillos, GBH, Personal & The Pizzas.

 

Noite 3: Rap

Sim, só rap pesado e pop que é onde estão as melhores coisas há bastante tempo.

Headliner: Kendrick Lamar

Demais atrações: Drake, Run The Jewels, Death Grip, Tyler The Creator, Facção Central, Mano Brown, por ai.

 

Noite 4: Axé.

A mais festiva das músicas brasileiras, noite pra arrebentar de audiência e calar o mundo com a mais original e deliciosa música brasileira das últimas décadas (guilty pleasure compartilhado pelas massas)

Headliner: É O Tchan, com formação clássica (Cumpadi Washington, Beto Jamaica, Jacaré, Carla Perez e Sheila Carvalho)

Demais atrações: Chiclete (com Bel Marques), Bandamel, Reflexus, Pepeu Gomes, Luiz Caldas, Sarajane, Daniela Mercury, TerraSamba, Robertinho do Recife e corre pro abraço.

 

Noite 5: Classic Pop

Ou pop para jovens senhores, ou A.O.R (adult oriented rock). Tá cheio de banda boa por aí fazendo turnê pelos Eua, é só juntar e trazer.

Headliner: Fleetwood Mac

Demais atrações: Hall & Oates, Journey, O.M.D., Tears For Fears, Simple Minds, Madness.

 

Noite 6: Metal.

Tem que ter a noite do metal né? Sugestões? Bandas novas boas, bandas velhas boas em atividades:

Headliner: Anthrax ou Slayer (ou os dois juntos!!)

Demais atrações: King Diamond, Kverletak, Gojira, Body Count, AFI, Danko Jones, Napalm Death, Babymetal.

 

Noite 7: Rock?

Ou o que sobrou disso, afinal o festival tem Rock no nome né? Só falta banda boa por ai pra segurar esse gênero, mas fazemos um sagrado esforço pra acha-las:

Headliner: King Crimson

Demais atrações: Ray Davies (tocando Kinks e etc), At The Drive In, Brian Ferry, Royal Blood, Thurston Moore, Courtney Barnett, Eagles of Death Metal.

E bora para um mundo melhor…

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Sim, vamos falar a sério sobre Taylor Swift…

Cada época tem a Madonna que merece.

E logo quando ninguém achava que num mundo de hoje pudesse surgir alguém pra colocar o pau na mesa como Madonna fez na virada dos 80 pros 90, eis que aos 27 anos, a cantora e compositora Taylor Swift, seguindo passos muito bem pensados e calculados, bota no mundo um baita clipe super produção como há algum tempo não vemos cá pelos lados do mundo Pop.

Look What You Made Me Do é a primeira música do futuro álbum da cantora, chamado Reputation com data prevista de lançamento mundial pra 10 de novembro desse ano.

O ponto aqui é: nada se faz sozinho, ela tem um batalhão de gente fazendo coisa para ela, desde cuidar de sua mídia social, produzir conteúdo para zilhões de sites, blogs e etc, além de assessores para as mais diversas e variadas necessidades da CEO dessa lucrativa companhia chamada Taylor Swift.

Isso sempre existiu, mas no fim, quem dá a cara a tapa é ela e ela tem dado bastante ultimamente.

Desde que largou o country pop dos seus primeiros álbuns e se jogou de cabeça no pop competitivo com o ótimo 1989, ela parece agora querer recontar sua historia recente, suas tretas, desavenças e rancores como outros artistas já o fizeram e seguindo as lições de mestres do passado que tourearam o mundo com louvor (Madonna, Bowie, George Michael), ela vem linda, loura e com a faca nos dentes pra soltar a melhor musica pop de 2017.

Nem em sonhos imagino alguém que consiga deter a moça, e se ela mantiver o nível afiado desse popaço que ela acabou de despejar nas nossas cabeças, segura que esse 2017 não vai ter pra ninguém.

Num mundo violentamente competitivo, Taylor saca qual é a do público consumidor de música hoje.

Primeiro e mais importante: não precisa nem ter álbum pronto, basta um petardo com um clipe super bem produzido pra deixar fãs ouriçados e todo o exército de “influenciadores digitais” só falarem a respeito dela. A repercussão está gigante!

Segundo: Referencias a dores, tretas e problemas pessoais expostas num mundo onde cada vez se tem menos privacidade, colocar na grande “arena” das mídias sociais, um pedaço cada vez maior da sua vida e usar essas situações para ganhar credibilidade de seu público, angariar likes, views, “engajamentos” e “data” no grande vale-tudo do entretenimento pulverizado de hoje traz mais retorno de que dinheiro (ou melhor, o dinheiro grande só jorra se voce tiver tudo isso junto).

Tudo deve e pode ser monetizado pra voce, e vida privada de artista é material monetizável desde sempre.

John Lennon fez um album inteirinho baseado em suas experiências pessoais e fez bastante dinheiro com ele. Plastic Ono Band, mira a metralhadora para a mãe ausente em “Mother”, e até para seu legado e quase todos os seus pares em “God”.

Katy Perry há pouco tempo não estava transmitindo suas sessões de terapia pra quem quisesse ver? Lançou disco novo também, chatissimo by the way.

Taylor sabe que no máximo vai ter mais uns 10 anos de carreira produtiva em alto nível, assim, ela acelera e caminha para atingir seu topo e olha que ela já tem 2 Grammys, mas esse clipe (guardada as devidas e merecidas proporções é o seu Vogue), Taylor destila veneno e ressentimento, empacota em formato de canção pop poderosa, em clipe milionário e bora conquistar a coroa de “Rainha do Pop”.

Ok, não é a Madonna cantando, nem o David Fincher dirigindo, mas já falei no começo que é o que temos pra hoje certo?

Considerando tempo, espaço e a era que vivemos, a beleza de Taylor combinada com uma atitude meio esnobe, egocêntrica e imperativa dá a esse clipe um tom documental bastante rico pra se estudar sobre essa geração dos 20 e poucos anos.

No mais, Taylor hoje é mais rock and roll que todos os artistas de rock juntos.

E nem precisei mencionar que ela é linda de doer né?