I Can’t Stand The Rain – Ann Peebles (1974)

IMG_20150619_224036613

Grandes cantoras de soul surgiram aos milhões nos Estados Unidos, uma melhor que a outra.

Nenhuma novidade.

Agora cantora de soul e compositora, o funil entra em cena e deixa algumas poucas, dentre elas essa talentosa e linda moça sulista que fez uma linda trajetória musical nos anos 70 e pelo menos uma obra-prima, essa pepita que escuto enquanto batuco essas linhas porcamente honestas sobre sua musica maravilhosa e sobre a maravilha que é esse Play lançado no ano em que vim ao mundo.

A Ann Peebles vai da delicadeza a dureza em 2 compassos, tudo com a maestria de quem domina o oficio de cantar.

De acordo com o encarte dessa reedição lançada em 2009, ela é uma performer querida pelos colegas de profissão e que, em particular nos anos 70 tinha fãs que batiam nas casas onde ela se apresentava para admirar seu talento. Dentre esses fãs, estão: Ringo Starr, Bette Midler, Bonnie Raitt e John Lennon que era também um grande fã desse play.

O disco é lindo, delicado e musculoso ao mesmo tempo, tem arranjos firmes e que beiram a perfeição, obra de Willie Mitchell, que tocou a produção com a maestria que tocava as produções de tudo o que ele botou a mão (Al Green), e uma cantora muito diferente e elegante na entrega da letras com uma seriedade e competência absurdas.

São 10 faixas que não deixam a peteca cair em nenhum segundo. Tudo é alto, tudo é profundo, tudo tem grave, tudo vem na mesma temperatura, tudo vem perfeito, tem os silêncios onde se faz necessário, tem o balanço certo, tudo fica num raio de alturas e variações sonicas perfeitas e ninguém musicalmente fica pra tras, o que as vezes acontece em discos de “Cantoras”.

Mas aqui está longe de acontecer.

Ann Peebles é a estrela do disco, mas as canções, os arranjos e o instrumental é muito da pesada… cordas lindamente arranjadas, os Memphis Horns mandando na metaleira ajudando a construir o groove suave e feliz que reina durante todo o disco.

Para ouvir quietinho e fazendo amem.


Green Is Blues – Al Green (1970)

IMG_20150519_210928281

Al Green é o meu cantor favorito.

Talvez eu volte a usar essa expressão em algum outro disco nesse blog para outro interprete (na mais pura promiscuidade), mas há algum tempo, o Al Green vem sendo o cara. A Voz! A garganta!

Nos últimos anos tenho ficado entre ele, Ray Charles, Sam Cooke e Syl Johnson, mas toda a vez que ouço o Al, eu me divorcio do mundo a minha volta e deixo sua voz me levar para o Eden.

Como quase todo o mundo que tem 40 anos hoje e teve 20 em 1995, deve ter tido o mesmo impacto que tive quando ouvi Lets Stay Together na trilha de Pulp Fiction.

Um breve parêntesis, dá pra colocar na conta do Tarantino muita da formação musical dessas ultimas duas décadas. O que esse cara apresentou para as massas através de seus filmes não é pareo pra nenhum outro.

Enfim, o bom disso tudo foi que ficar só em Lets Stay Together não era definitivamente a minha, segui acompanhando o que esse cara tinha feito na vida e descobri algumas maravilhas que fizeram minha vida muito melhor.

Escrever sobre Al Green sem citar Willie Mitchell é impossível.

Sendo um grande chute, arrisco que Mitchell tenha sido o produtor que melhor gravou e produziu sons de bateria ever.

Nesse inicio de carreira dos dois dá pra ter uma ideia do potencial, mas as obras-primas sairiam nos próximos 3 anos.

Green is Blues é um ótimo disco, mas era só o inicio da história dos dois.

Naquele tempo um artista nao tinha tanta moleza e precisava se provar e gravar disco quase todo o ano, o que no caso dessa dupla foi ótimo, pois o que jorrava de inspiração deles tanto no cantar quanto no produzir disco foi uma simbiose perfeita.

O que dizer de My Girl, há regravações mil, mas a do Al é particularmente especial. O tema é muito adolescente e tem um que juvenil, e com o arranjo e especialmente nas divisões é que Green deixou a música muito adulta.

The Letter é outra que ficou assim, originalmente gravada pelo Box Tops (do adolescente Alex Chilton), ficou outra maravilha para embalar jovens adultos.

Enfim, Green is Blues parece pouco perto do resto da obra dos dois, mas mesmo assim é muito mais do que mais da metade dos cantores de soul jamais conseguiram ser.