Muddy Waters – Electric Mud (1968)

1968 foi um ano de muitas mudanças sociais no planetinha.

Revoltas sociais nos Eua, animos inter-raciais acirrados, Martin Luther King levava uma bala para calar sua boca, na França e na Europa os estudantes iam as ruas, no Brasil a rapaziada tomava ferro dos milicos e a música era afetada com isso.

Ai você pensa em Muddy Waters e o que vem a sua cabeça?

Bluesman por excelência, transitou entre os puristas até ser um dos primeiros e mais influentes guitarristas de blues elétrico nos anos 50, que seguiu uma longa carreira anos 60 e 70 adentro.

Mas exatamente em 68, a coisa tava feia pro homem.

Ele estava completamente a margem de tudo o que acontecia, o público não estava mais interessado em blues e só queria saber de psicodelia, drogas, Rock pesado, Hendrix, Doors e por ai vai.

Afinal de contas, era 1968.

Graças a um tremendo esforço de seu selo Chess Records, Waters foi convencido a dar uma repaginada no seu som para que ele pudesse voltar a ser ouvido.

E o homem topou e fez Electric Mud.

Mudar para continuar sendo o mesmo.

Esse é o disco de rock de Muddy Waters.

Os fãs de blues tradicional execram esse álbum. Fodam-se eles!

Bizarro é que ele influenciou praticamente todo o mundo no rock, e aqui está ele se alimentando de suas crias musicais para dar sua cara a sons novos e reaprendendo a tocar seus blues.

Em 1968, Muddy tocou sua guitarra como seu aprendiz Jimi Hendrix tocava (que sempre o reverenciou) , fez versão de Rolling Stones (que devem tudo a ele), tocou em casas moderninhas de San Francisco e Los Angeles ao lado de bandas novas psicodélicas e voltou a ser ouvido por jovens ouvidos.

O disco é uma paulada, Muddy cantava com sua voz cavernosa num tom mais urgente e poderoso como talvez nunca cantou antes, e está acompanhado de uma cozinha que quebrava rigorosamente tudo e deixava o mestre livre para fazer o que quiser e abusar dos wah-wahs e fuzzys de sua guitarra, ao lado de um Hammond nervoso aqui e um trio de guitarristas que lhe prestavam todo o apoio onde precisasse.

Graças a esse resgate, Waters ganhou pelo menos mais 10 anos de carreira muito excitante, que culminaria na sua última e frutífera parceria com o também guitarrista Johnny Winter em três discos que em breve ganharão um espacinho nesse blog.

Matador, pesado, lento e maluco se pensarmos no Muddy Waters de 53 anos com topete a lá rockabillies dedilhando sua guitarra nessa obra-prima obscura e surpreendente.

E assim o domingo se encerra.

Final de semana feliz dedicado a cultura do Disco!

 

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