Jean Jacques Perrey – Moog Indigo (1970)

“Efeitos avançados de eletrônica criados pelo fabuloso SINTETIZADOR MOOG”.

Esse é o trecho que encerra o texto de apresentacão que ilustra a contra capa desse vinil editado originalmente no brazilzão pelo selo Discos Copacabana por volta dos anos 70 (como todo bom vinil nacional da época, não há nenhuma referencia de quando saiu por aqui).

Moog Indigo é obra do músico/cientista/moderno/biruta portador de uma cabeça genial, com parafusos soltinhos e sem nenhum medo do perigo: Jean Jacques Perrey.

Nos anos 60, fez dupla com Gershon Kingsley (outro alucinado) e juntos foram percursores do lounge eletrônico, dos primeiros experimentos com osciladores, sintetizadores e moogs e deram os primeiros passos para tornar a música eletrônica mais palatável ao gosto popular e tirar o ranço “acadêmico” que o tal gênero “eletroacusitco” estava confinado em salas de concerto vanguardistas e na mão de maletas dodecafônicos minimalistas absolutamente boring.

Eles queriam aproximar esse experimentos eletrônicos da musica popular.

E conseguiram… de um jeito meio torto mas conseguiram.

Dá para achar no youtube uma série de vídeos dos músicos se apresentando em programas de TV, cercados de suas engenhocas e olhados pelos convidados dos programas, pela plateia e pelo apresentador como se fossem aliens vindo de Marte.

Mas voltando ao disco de hoje…

Moog Indigo é todo construído ao som do sintetizador moog e muitos dos temas desse álbum aparecem ou apareceram em vinhetas de comerciais de TV, de abertura de programas de TV ou como fundo musical em quadros de humor.

Talvez o tema mais famoso seja “The Elephant Never Forgets”, que ficou famosíssimo por ser a vinheta do seriado Chaves (na versão original do seriado, El Chavo Del Ocho).

Ensolarado, experimental, mas extremamente pop, esse álbum garantiu sua longevidade e influencia e deixou de ser simplesmente uma peraltice musical que ficaria datada quando nova moda tomasse o globo.

Jean é competente compositor, com altíssimo senso de tempo e escolha inteligente de timbres que tiram o foco do experimento sonoro e joga luz para o que realmente interessa que é a música e não somente o meio utilizado.

Temas como “E.V.A” e “Soul City” caberiam em qualquer disco do Air fácil e seriam as melhores faixas em qualquer disco do Metronomy ou do Toro Y Moi.

Depois dele, ficaria difícil não se apaixonar pelas possibilidades abertas pelos seus moogs e toda uma revolução foi construída ao longo das décadas seguintes.

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2 Comentários on “Jean Jacques Perrey – Moog Indigo (1970)”

  1. Eilex disse:

    Adoro essa capa! Queria saber quem a fez. De quem é a foto?


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