Bach, Johann Sebastian – Concertos Para Violino BWV 1041-42-43 (1971)

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Mais um Bach pra resenhar.

Melhor, mais um Bach pra escutar.

Dizer que escutar Bach faz bem pra saúde é muito clichê, mas o dia parece ter sido pintado com outras cores quando sua música grandiosa passou por algum momento do meu dia.

Não sei se existe algum estudo que diga respeito a essa propriedade terapêutica do compositor alemão no que diz respeito a reconstituição de dignidade, alegria profunda e esperança pra enfrentar o dia-a-dia, mas se não existe ainda, tá na hora.

Apesar de estar de férias e hoje ser uma segunda-feira, a depressão da segunda-feira é certeira e vem mesmo, mas com Bach e o fato de lembrar que estou de férias concertaram o negócio todo e o dia não poderia ter sido mais auspicioso.

Hoje escutei os dois LPS do Bach na sequencia, não podia ter feito algo melhor do meu dia. Bons ventos sopraram no meu rosto depois da audição atenta dessas obras.

É sério!

Bem, esses Concertos, dentro da obra do compositor não costuma figurar como a mais importante ou a mais sofisticada ou mais complexa ou mais importante, mas trata-se de um concerto doce, melodioso e com forte influencia do barroco italiano, em especial Vivaldi.

Meu conhecimento me permite chegar até aqui, mais do que isso é chute wikipedia.

Gosto muito de concertos com Violino, mas Cellos são minhas cordas favoritas no quesito música clássica, em especial quando são quartetos de cordas e aqui temos uma peça com poucos instrumentos, o que traz aquela sensação de intimidade diante do assombro da obra de Bach e que mesmo no mais simples e mais doce, ainda sim é impressionante.

Não é imortal a toa!

Tão imortal quanto o rum quatemalteca que me acompanha enquanto escrevo é a certeza que minha fé na humanidade, apesar de frágil e capenga, se vale porque nós tivemos a capacidade de trazer ao mundo seres como Bach, que fez a graça de nos deixar algumas das mais bonitas e poderosas melodias que o ouvido humano é capaz de registrar e compreender.

Deus não me faça surdo na velhice, pois acho que sei que Bach me fará muita companhia quando eu desistir de vez de ouvir rock.

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Bach, Johann Sebastian – Concertos de Brandemburgo (1718-1721) (1956)

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Entrando hoje num terreno perigosíssimo da música popular ocidental, a música clássica!

Perigoso sim, pois escrever sobre música clássica sempre me pareceu um campo das manifestações artísticas fadado e limitado a um pequeno latifúndio elitista e classicista dominado por pseudo-caciques que trazem para si o faroleiro de guia-mestre por esse universo musical. E que só esses caciques detêm o estudo, paciência e tempo para entender, discorrer e levar adiante os valores trazidos na música clássica desde Palestrina e que aparentemente não mais condizem com o século XXI em todas as suas nuances e acelerações sociais.

Parece que o mundo de hoje não insere mais a música clássica como parte fundamental de sua solidificação judaico cristã capitalista, onde toda a nossa sociedade dita vencedora, ocidental, saxã e ligeiramente puxado no branco se moldou até então.

Mudança de valores? Modernização?

Acho que não, a música clássica bem ou mal se adaptou as mudanças e caminhou junto, o que não temos mais é a paciência e o tempo pra escutarmos a maravilha por si só.

Música virou App, música virou um arquivo Mp3 que cabe em dispositivos móveis com qualidade de som muito ruins (Neil Young que o diga).

A música clássica ressaltava as emoções em sua flor da pele, se é do belo que se trata, que seja, se é o trágico da natureza, que o seja e com base nesse conjunto de valores e moralidades que se deveriam ser construídos visando o ornamento de jantares finos, encontros casuais e cultos católicos, ou qualquer outra razão social de belezas inomináveis.

Como eu sempre detestei elites de qualquer pais e espécies, na minha cabeça eu sempre associei música clássica com o esnobismo das classes A elitizadas que além de não abrirem mão de seus ganhos, também não abririam mão de suas belezas (a música clássica entre elas).

Hoje sei que tudo isso é mais ou menos bobagem, mas comecei muito tardiamente a me interessar por música clássica e lembro que as primeiras experiências começaram com Bach e particularmente com esse Concerto.

Acho que deliberadamente, minha entrada no mundo da música clássica se deu com Bach e ainda hoje é o compositor que mais ouço e gosto.

Após anos errantes por esses sons, um dia me caiu na mão um livro que seria meu mapa por esse mundo e que nunca mais larguei, que é o Livro de Ouro da História da Música, de Otto Maria Carpeaux. Eloquente, didático, opinativo, explicativo e profundo, devorei e rabisquei esse livro até não poder mais e a partir dele segui por caminhos mais claros dentro desse oceano abissal.

O primeiro exemplar que tive desse concerto foi com o maestro Wilhelm Furtwangler, numa gravação histórica, que não tenho mais em casa e hoje volta a ter espaço aqui na minha discoteca pois adquiri recentemente essa edição ótima lançada pela Archiv, selo alemão que é responsável por grande parte das gravações de Bach, ou pelo menos as mais importantes.

Não sou louco de tentar analisar nem essa obra, comparar com qual outra? Não dá. Tão pouco a orquestra que a executou (que foi a Orquestra Bach de Berlim), menos ainda o regente, Karl Richter.

Escrever sobre Bach como compositor? O que? Que é a coisa mais próxima de Deus que existe? Se Bach existiu é prova que Deus existe? Se Deus existe, uma das provas é Bach? Talvez. Só sei que não consigo ouvir Bach sem que essas afirmações se façam em mim e a paz e perturbações de sua música só reforçam que esses degraus em direção ao Céu deve estar pavimentado em sua música.

Sem esse cimento sensorial, creio que não tem como chegar ao sublime ou ao sublime como ideia.