The Allman Brothers Band – The Allman Brothers Band (1969)

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Se tem um tipo de som que tenho pouco por aqui em casa, é Southern rock (aquele tipo de grupos que surgiram no final dos anos 60 pros 70, com a cabeça cheia de entorpecentes, uns três guitarristas, sendo dois deles solistas, meio hippie, meio blues, meio rock e meio pesado). Ahh, eu citei a cabeça cheia de entorpecentes, certo?

Pois bem, não sou muito fã na verdade, acho americano demais, e por isso até entendo que lá isso tenha feito tanto sentido e tanto sucesso, mas ai a coisa da raiz e da nação pega e não consigo chegar com tanta intimidade na cumbuca do Southern.

Até por conta disso, esse é o único play dos Allman Brothers que eu tenho, mesmo sabendo que devem existir outros tão legais quanto esse, e no Allmusic.com os 3 discos seguintes são muito bem avaliados, mas os AB não são uma banda pela qual morro de amores.

Também não sou fã de blues-rock, acho que já escrevi sobre isso por aqui há uns 15 discos atrás, por isso que os grupos desse gênero não são frequentes nessa discoteca.

Esse primeiro registro do Allman no entanto não é 100% blues rock, traz no seu DNA uma espécie de ancestralidade musical do qual eles são apenas os mensageiros. Parece que seu som vem direto do terrão selvagem e rustico que fizeram a America ser o que ela é.

O som dos caras é tão orgânico que parece que fazer disco era só um acidente, e que o negocio deles era tocar ao vivo, e esse Play é bem isso, o disco tem cara de ter sido todo tocado numa sentada de tão colado e tão amarrado que é.

O que eu gosto desse disco é o tremendo molho que eles imprimiram ao gênero e se formos considerar que eles nao passam de uns branquelos querendo pagar de bluesman, eles mandaram muito bem.

As faixas de Greg Allman são bons exemplos de blues contemporâneo que viraria standards para as bandas do gênero dali pra diante, exemplos: Black Hearted Woman (minha favorita do álbum) e Every Hungry Woman (outra castanhada).

As covers, coisa mais do que comum nesse tipo de disco, também são ótimas: a releitura deles para Trouble No More, de Muddy Waters é muito da pesada, o que para uns branquelos tocando blues até que tava bom…

Rss.

O Labo B é mais viajante, mas tem aquele tcham gostoso de música feita pra balançar os quadris e a pélvis.

Aliás, acho que todo o disco dá pra balançar bem os quadris e as pélvis, quem sabe se isso voltar a tocar em pubs e bares eu volte a frequentar seus balcões hoje recheados de rock bundamole.


Don’t Point Your Finger – 9 Below Zero (1981)

nine below zero cover

Muitos discos que eu tenho em casa eu comprei por causa da capa.

Agora, poucos foram o que eu comprei por causa da contra-capa.

nine below zero back

Esse é um deles.

Até porque a capa é muito ruim, parece aquelas coisas que banda de hardcore-ska-punk-skatista fez muito nos anos 90. Aquelas merdas tipo Millencollin.

Na contra-capa a banda posa de costas com o vocalista dando uma banana pra você e pra todo mundo que tivesse vendo a foto.

Educadamente grosseiro, mas simpático.

O 9 Below Zero seguiu a paixão de outros conterrâneos britânicos: o Blues.

Mas como eles estavam no meio da onda da new wave (pós maremoto punk), fazer música legal pareceu ser moda.

Isso dava liberdade deliberada para artistas fazerem o que lhes dessem na telha.

Inclusive andar pra tras.

O som desses caras é blues-rock de bar (adoro), pra se ouvir entornando umas geladas e balançar a cabeça pra esquerda e pra direita.

Dá pra perceber que a gravadora investiu na banda, botaram o Glyn Johns pra produzir…

Glyn produziu discos do Clapton, o primeiro Led Zeppelin, alguns do The Who, Humble Pie, Steve Miller Band, Fairport Convention, Eagles e etc.

Ou seja, alguém achou que esses caras fossem dar certo…

Não deu, mas o disco é legalzinho!

É blues rápido e ligeiro do começo ao fim, lá pelo meio do lado A tem umas cançõezinhas mais do mesmo.

Esse terreno de blues-rock é bem perigoso porque a maioria dos caras acabam soando exatamente iguais e parece que do primeiro minuto ao ultimo segundo, ouvimos exatamente a mesma merda.

Confesso que não sou nem um pouco fã de blues contemporâneo e muito menos de blues-rock contemporâneo, e tenho pouca coisa disso na minha coleção.

Não morro de amores por esse Don’t Point… mas também não odeio. Acho os timbres bem gravados mas é tudo lugar-comum, o som da gaita é igual ao de outros 599 discos que tem gaita, a guitarra tem a mesma timbragem de outros 299 guitarristas.

A música mais legal do disco é justamente a que fecha, “You Can’t Please All The People All The Time”, por sinal o título é ótimo e se todo o disco fosse na pegada dela, seria um disco muito melhor do que foi.

Disco ok para uma banda ok.