Byrds – Notorious Byrd Brothers (1968)

E o fim chegava…

Esse disco é um dos mais bonitos testemunhos sonoros do fim.

Testemunho sonoro da desavença, da tensão e do fim propriamente dito.

Quando Notorious começou a ser gravado, restavam 4 integrantes no Byrds, já que Gene Clark havia acabado de picar a mula.

Quando a última faixa do álbum foi finalizada, só restaram Roger Mcguinn e Chris Hillman. David Crosby foi despedido e Michael Clarke também pularia fora…

Nesta edição comemorativa, podemos ouvir os dialogos tensos entre os integrantes durante as gravações lá pro final.

O álbum é belíssimo, tem algumas das mais lindas músicas que o Byrds soltou: Goin Back (uma das mais belas baladas de todos os tempos, cortesia de Carole King), Draft Morning e seu clima edílico, Change Is Now e seu mantra insano em plena Era de Aquarius, onde o mundo viraria de ponta cabeça e o barroco era o mais moderno a seguir.

Num mundo pós-Sgt Pepper, ninguém mais competia com os Beatles, a corrida era para recuperar uma espiritualidade que começava a ser perdida neste final de festa e Notorious tem essa cara.

Intimista, múltiplo e cheio de possibilidades, o Byrds nunca estacionou em um único movimento e buscou experiências que traduzissem o espirito do grupo, que sempre primou por lindas vocalizações, guitarras Rickenbackers e um profundo senso de melodias que tocam fundo no coração dos fãs de rock.

Todo mundo tem um lugarzinho reservado para esse grupo fabuloso.

Tantos talentos gerados não pode simplesmente passar batido.

Não deixe, escute esse álbum num sábado de manhã e capte a beleza quase madrigal desse espécime raro, diria raríssimo.


Crosby, Stills, Nash & Young – Déja Vu (1970)

Em homenagem tardia ao grupo que passou por aqui na semana passada (ou o que sobrou dele), puxo da cartola esse álbum espetacular.

Deja Vu, talvez seja o melhor exemplo da sonoridade multifacetada e repleta de possibilidades que o CSNY tentou exprimir em seu tempo de existência (entre idas, vindas, idas e vindas), foram mais de 40 anos de colaborações constantes entre os 4, que viraram trio e em alguns momentos virou dupla.

O melhor do folk, country rock e pop acústico reunidos em um álbum refinado, especial e repleto de vocais doces, afinados e inspirados por um enorme senso de cooperação e competição entre seus membros. Característica latente de alguns álbuns que tinham artistas de nível superior compondo junto, tocando junto e fazendo álbuns juntos.

Aconteceu no Buffalo Springfield, no Byrds, nos Beatles, no Flying Burrito Brothers, no 13th Floor Elevators e por ai vai.

O nível das músicas nunca esteve tão alto.

David Crosby trouxe a energética “Almost Cut My Hair”, enquanto Stills veio com a enigmática e suspensa “8.4+20” e Neil Young que recém entrara ao grupo trazia “Country Girl” grandiosa, ambiciosa e repleta de altos e baixos, talvez seja uma das melhores composições de Young fora de sua carreira solo.

O disco ainda tem música de Joni Mitchell e participações de Jerry Garcia (Grateful Dead) e John Sebastian (The Lovin Spoonful). Tá bom?

A beleza é necessária e é isso que Deja Vu nos traz. Ambição em prol de algo maior, melhor e mais bonito. Sem duvida, um dos melhores discos da história do rock norteamericano.