Cure For The Blues – APB (1986)

Agora uma historinha pra explicar minha reconexão com os LPS.

Eu voltei a comprar os bolachões há uns 5 ou 6 anos, ainda de maneira moderada e ocasional, tinha aquele negócio de casar, precisar de mais espaço na casa, aquela coisa toda que quase todo o mundo passou.

Bem, depois que me separei, acabei voltando com tudo para essa paixão que me dominava o pensamento e o meu tempo quando eu era mais jovem e frequentava as seções de Vinis dos mercados que meus pais iam.

Nesse período, uma das leituras mais preciosas que tive foi o site do John Peel, e de lá achei muita coisa que só fez bem a minha vida.

Passava horas e horas explorando as paginas com as células onde ele guardava seus preciosos Discos, minha diversão número 1 era primeiro ver se achava discos que eu tinha lá, e depois foi o de explorar as capas e os artistas e fuçar freneticamente no Youtube em busca de mais.

Sempre fui fã do John Peel, das Peel Sessions e da sua eterna curiosidade e aguçada capacidade de congregar diferentes correntes e arrebanhar tantos admiradores em vida.

Tenho essa mesma curiosidade, mas longe, muito longe da capacidade sintética de Peel, tenho procurado achar essas coisas estranhas e dar a elas amor e pousada enquanto eu estiver por aqui nesse planeta.

O APB foi uma que eu conheci nessa fauna da coleção particular de do DeJota ingês e olha que eu achava que conhecia pop alternativo dos anos 80… pura inocência.

Há um buraco muito mais profundo criado pelo punk e pós-punk que só o tecnopop que veio imediatamente a seguir preencheu. Esses caras eram tão punks quanto os que vieram depois, mas eram de outro jeito, encontraram nessas esquisitices suas vozes para expressar coisas que o punk já não cabia, pois havia se fechado num circulo frequentado só pelos seus.

O APB é tecnopop escocês da mesma linhagem do ABC, do A Flock Of Seagulls entre outros.

Tem uma guitarrinha esperta aqui e acolá, mas basicamente tem muito teclado, sintetizador, baixo com som muito ruim, sabe aqueles sons de baixo abertos, sem grave nenhum e seco?

Achei esse Cure For Blues perdido e barato numa loja aqui em SP e trouxe, mas ouvindo hoje, não é de longe tão bom quanto a primeira música que escutei deles que foi Something To Believe In, que lembrava um New Order com Duran Duran. Esse Cure é muito produzido pro meu gosto, mais pra linha de um funk com tecnopop, lembrando muito o Spandau Ballet… Urghhh…

Cure For The Blues foi um que eu comprei, mas não fiquei grande fã ainda. Enfatizei o ainda.


Pacific Gas And Electric – Pacific Gas And Electric / Are You Ready (1969-1970)

Mais um daqueles casos do antes tarde do que nunca.

Discasso que francamente nunca tinha ouvido falar, mas graças ao acervo disponibilizado da discoteca pessoal do mestre John Peel, pude escutar e chapar…

Da banda não sobrou nem vestígios depois, mas como o ano de 1969 foi o ano em que mais surgiram álbuns espetaculares que ficaram perdidos no tempo, nao seria diferente com a rapaziada do Pacific Gas and Electric.

Flutuando entre blues, rock e soul a banda ficou no meio de outras como Iron Butterfly, Blood Sweat and Tears e outras.

Como algumas edições nacionais lançadas por aqui na época, esse exemplar que arrumei traz um mix dos dois principais álbuns do grupo, com a capa de um e o repertorio picado dos dois discos.

Coisas da indústria brasileira que sempre tratava seu publico consumidor como estupido e desinformado.

LP difícil de se conseguir, mas bacanérrimo.


Vários Artistas – 7”Up! Singles Only UK 1978-1982 (….)

Ai Inglaterra, what a place.

Lá na ilha, algumas tradições não desapareceram com a modernidade.

O chá;

A monarquia;

E os compactos!

Compactos esses que saíram e ainda saem aos milhões.

Todo artista tem que fazer um compacto caso ele queira ser aceito na comunidade musical inglesa e principalmente pelo público.

Muitos desses hoje valem uma nota.

John Peel era um devoto fã dessa modalidade.

Enfim, tudo isso pra dizer o seguinte:

7” Up! É uma compilação feita na Alemanha onde os organizadores se focaram em compactos (somente compactos) de punk, pós-punk e new wave entre 78 e 82 e conseguiram fazer a melhor coletânea de obscuridades desse período que eu já ouvi.

Graças a esse cd, tomei contato com artistas que jamais teria como Glaxo Babies, Brian Brian, Weekend, I Jog & the Tracksuits, dentre outros.

E melhor, uma música mais fantástica que a outra.

O que dizer de: Dont Try To Cure Yourself da banda They Must Be Russians (uma das minhas favoritas all-time), que consiste em uma descrição pormenorizada e cientifica da gonorreia com um riff explosivo e simples substituindo um refrão que não existe.

Rigosoramente enquadrados nesse gênero refrescantes e libertador que foi o punk, são bandas que simplesmente evaporaram da face da Terra, tanto que dois deles sequer foram localizados para autorizar essas faixas nesse CD.

Precioso e necessário, essa é uma coletânea que poderia salvar a vida de qualquer um.


Joe Jackson – At The Bbc (2008)

Adoro um pop careta de vez em quando.

Eita gênero malfadado a ser incompreendido.

Joe Jackson é uma figura rara e tremendo fazedor de canções.

O cara tava sempre por ai, fazendo seu soft rock e pop “de elevador” (definição muito da preguiçosa) de maneira muito competente ao longo de mais de 30 anos.

No meio dos anos 70, como quase todo mundo, fez new wave e um tiquinho assim de punk, mas o termo power pop é mais a cara desse sujeito feio, magrelo e que parece já ter nascido careca e com cara de velho.

Inglês com cara de inglês… manjou?

Em 2008, saiu essa compilação dupla com as passagens do homem pelas ondas sonoras da BBC inglesa, dentre outra coisitas estão lá sua ida ao programa do monstro John Peel, além da compilação de 3 shows que Jackson fez em 1980, 1982 e 1983.

Que momento!

Apresentações arrebatadoras, shows de pop branco que muitos se esforcam em fazer mas poucos conseguem. Joe Jackson tem o raro talento de fazer um pop que passa como careta e quadrado, mas com uma cama sonora rica, simples e parruda.

E ainda por cima o homem fez duas das minhas musicas pop favoritas all-time: I’m The Man, pérola pub/new wave/power pop com uma das linhas de baixo mais furiosas do pop e Steppin Out, clássico absoluto das rádios de soft rock oitentistas, que me enche de alegria em cada nova audição e traz um conforto saudosista que só uma canção pop velha perfeita como essa foi capaz de radiografar naquele inicio brabo de anos 80.

Desemprego, crise, Guerra das Malvinas, governo Thatcher… get the picture?

Joe Jackson émMais um dos grandes que ficaram pra tras, mas que você pode resgatar do ostracismo injusto e se deliciar com essa pepita que só a BBC fez para mim, para tú e para vós.